Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
Random Image

As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for the ‘Portugal’


Obrigado, PSD e CDS

O horror! A tragédia. O PS absteve-se e aprovou, respetivamente, os projectos de resolução de PSD e CDS sobre os compromissos europeus e a política externa e de defesa! O BE e o PCP votaram contra! E agora?!
Agora só podemos agradecer ao PSD e ao CDS terem dado ao PS mais uma oportunidade para continuar a ser igual a si próprio dando provas de que é um partido moderado e responsável (na minha opinião, claro). E aos restantes partidos para exercerem a sua opção de forma livre e coerente com o que sempre têm defendido em matéria onde não houve qualquer concertação à esquerda.
E se… mesmo com as diferenças tão claras houver um governo do PS com apoio mais que suficiente para governar o país melhor do que nos últimos anos? Esse é que é o desafio. O resto é um bom serviço prestado à nação pela direita: não, o PS, o BE e o PCP não são iguais.
Venham mais.

“O mais fácil é chegar lá. O mais difícil é saber manter”

“O mais fácil é chegar lá. O mais difícil é saber manter”

Este sábio aforismo sobre a chegada à liderança feito a 8 de novembro de 2015 por Jorge Jesus tem hoje múltiplas aplicações na situação nacional, incluindo política. Sendo certo que chegar lá não foi de todo fácil ou linear, o mais difícil está, sem margem para dúvidas, pela frente num governo do PS com acordo de incidência parlamentar com os partidos à sua esquerda. Mas ter medo de coisas difíceis não é resposta digna ou aceitável para ser assumida pelos nossos representantes políticos, em especial por aqueles que receberam o apoio para procurar um caminho diferente ao atualmente seguido.

Houve um mínimo denominador comum para sustentar um governo com apoio da maioria absoluta dos deputados, agora falta provar no dia a dia que esse mínimo comum é muito melhor do que o máximo que unia PSD e CDS em termos de consequências para a vida e futuro do país.

De forma muito resumida, espero que o governo do PS com apoio do BE, PCP e PEV tenha longa vida e que nos faça prosperar. O mais difícil é sempre o que está por fazer que é uma outra forma de dizer que o futuro está em boa parte nas nossas mãos.

E entretanto, convém não deixar criar narrativas “demoníacas” como se fossem acts of god associadas aos maus da esquerda.  Pergunto: o CDS assinou em 2002 ou em 2011 um documento no qual se comprometia a assinar de cruz os orçamentos do estado que o PSD desenhasse até ao final das respetivas legislaturas?
E estes quatro anos e meio desde 2011 foram um mar de laranjas azuis de bonança e entendimento na coligação?

Como já escrevi por aí, teria preferido ver BE e PCP também no governo, ainda assim hoje não sobra dúvida a ninguém que o capital político que os quatro partidos investiram neste processo é elevadíssimo e isso em política é das maiores garantias que realisticamente podemos ter como “cola” entre gente séria.
Todo o país está a ver e um pouco mais de metade desejoso por ter um melhor governo, melhores oportunidades e perspetivas de futuro com um governo de esquerda.
Agora o caminho far-se-á caminhando.

Melhor é possível. Cabe-nos prova-lo.

 

O teste do algodão

O PCP faz política como um sindicalista pré-autoeuropa.
O BE parece seguir mais o modelo sindical da autoeuropa.
O PS quer mais autoeuropas.
Os verbos operacionais: fazer, parecer, querer.
A compatibilidade entre eles será tudo menos simples, mas não é impossível. E neste momento da história teremos mesmo que pagar para ver.
Seja qual for o desfecho será extremamente pedagógico para todos os eleitores e políticos.

Uma lição ou lições que perdurarão por muitos anos, certamente.

Lendo o Pedro Lomba e psicanalisando o PCP

A criação prática de um partido único à direita, a deriva para a direita desse mesmo partido que governou com maioria absoluta (política social, educação, saúde, etc), o relacionamento que esse partido decidiu oferecer ao PS em 2011, 2012 e 2013 num período de grande complexidade política, económica e financeira e a tomada de posse de um PR que desde o primeiro discurso do seu segundo mandato assumiu claramente como um indivíduo recalcado e defensor de uma fação, nada relevam para explicar o que se passa hoje para muitos doutos analistas.
Tudo isto foi “normal” e indigno de nota.
O que releva agora é que há um indivíduo que está a lutar pela sua sobrevivência política e, detentor de uma varinha mágica, está a fazer desabar o regime porque não aceita que a nova realidade deve reger-se por velhas regras.
Deixemo-nos de infantilidades, assim não vamos lá.
 
Entretanto, continuo a não ver ou ouvir nada de particularmente reconfortante vindo do lado do PCP. Até prova em contrário parecem determinados em deitar borda fora uma oportunidade histórica de oferecer um governo estável e credível ao país. Pode o PCP ser quem nunca foi?
Esta é a pergunta mais relevante para os próximos dias e provavelmente meses.

Em democracia quem tem mais votos ganha diz Luís Montenegro

Em democracia quem tem mais votos ganha diz Luís Montenegro. Não podia estar mais de acordo. Espero que a maioria absoluta que hoje elegeu Eduardo Ferro Rodrigues para segunda figura do Estado enquanto presidente da Assembleia da República consiga ser consequente numa proposta de governação equilibrada, competente e responsável do país durante os próximos meses.
Um fracasso nesta matéria hipotecará por muitos e bons anos qualquer ilusão futura de um entendimento credível entre o PS e todos ou parte dos partidos à sua esquerda no espectro político. E não deixará de ter consequências eleitorais para todos os partidos envolvidos.
Há hoje um enorme risco e uma enorme oportunidade que põem à prova a capacidade de concertação entre forças políticas com significativas divergências programáticas e que neste momento histórico se propõem reduzir diferenças.
O país não podia estar mais atento (e boa parte dele mais esperançoso) quanto ao que a esquerda possa fazer pelo país.

Ética? Só quando convém

Nada como ir a uma assembleia de militantes (um arquivo de memória coletiva de grande valor) para ficar a saber como PSD e CDS têm repetidamente implementado ao nível autárquico aquilo que alguns agora chamam de golpada ou de falta de ética e moral.
Durante os últimos anos (décadas!), em Lisboa, repetiram-se as situações em que o partido mais votado ao nível autárquico ficou de fora do poder em virtude de se terem formado coligações pós-eleitorais entre PSD e CDS que lhes conferiram a maioria absoluta nas respetivas assembleias.
Há ética e moral diferente na política quando olhamos para uma freguesia ou para o país? Ou será que o que há no fundo é a singularidade histórica de, ao nível nacional, ao contrário do que já sucedeu a nível municipal, PSD e CDS juntos, nunca terem tido a possibilidade de formar uma maioria absoluta em qualquer das situações em que o PS ganhou com minoria? Podem parar de rasgar as vestes ou de entrevistar em tom acusatório e indignado os representantes do PS e informar-se um pouco melhor antes de disparar. Foi o que eu fiz. Não custou muito.

Estupidificar estupidifica, será que o racista suave perdeu a vergonha?

É com cada comentário racista e xenófobo a propósito de se querer apoiar refugiados em PT.
Uma ignorância profunda?
Zero conhecimento de história da humanidade?
Síndrome do super-homem que não concebe algum dia poder vir a precisar?
Será que passar uns anos a ver o poder político a simplificar todos os problemas e dificuldades (mesmo as que tem quota parte de origem além fronteiras) arranjando sempre uns bons e uns culpados ajudou?
Velhos contra novos. Empregados contra desempregados. Funcionários públicos contra trabalhadores do privado. Os políticos contra os “não políticos”.
Estupidificar estupidifica, será que o racista suave perdeu a vergonha?
Eles andam aí e em força como nunca vi antes.

Quando a equidade intergeracional se quer fazer esquecendo metade da história

Se a lógica do cada um por si, perdão, “liberdade de escolha” na Segurança Social, na Educação, na Saúde vinga, uma “liberdade de escolha” onde eu terei a liberdade de contribuir só um bocadinho para o coletivo, em especial se ganhar suficientemente bem, ainda vou ter aqueles que me pagaram 16 anos de escola pública a pedir reembolso direto para as suas respetivas contas de aforro públicas que a PAF propõe.

Afinal esses, em relação aos quais, votando na PAF, terei a liberdade de escolher não lhes financiar boa parte das reformas vindouras, esses dos quais muitos já são reformados ou estão em vias disso, também podem invocar que deixaram de poupar para a reforma para pagarem impostos que me sustentaram a educação pública (ou semi-pública via contratos de associação com IPSS), a saúde pública, a Segurança Social  e tudo o resto que contei como adquirido, da justiça à segurança pública passando pela defesa nacional e por todas as infraestruturas e serviços municipais e nacionais de que beneficiei durante décadas sem pagar um tostão.

Se é para encher a boca com a equidade intergeracional, convém não fazer por esquecer metade da história, ignorando o que é de facto a solidariedade intergeracional, algo que não se inicia no dia em que se começa a descontar para pagar as reformas dos nossos pais e avós mas que começou no dia em que nascemos, ou mesmo antes dele. Estamos todos no mesmo barco, desde sempre.

Conseguem perceber o que é exatamente caminhar para a “liberdade de escolha” que a PAF quer implementar?

Não é centro direita meus amigos, é já outra coisa. Não se arrependam do voto daqui a uns meses. Peçam esclarecimentos, informem-se não se acomodem com um “são todos iguais”.

“Os mais intransigentes são os pequenos países”

“França acusa “países mais pequenos” de serem fatores de bloqueio com a Grécia @TSFRadio 

Finalmente o Ministro das Finanças Francês desmascara a cara de pau da nossa ministra das finanças (e de outros pequenos países) que em público vão dizendo que nada tem a ver com as negociações, que é com as instituições, e que, afinal, no Eurogrupo tem destruído qualquer hipótese de apoio. “Não. A Alemanha não é um factor de bloqueio. Posso garantir que o mais duro não tem sido a Alemanha; têm sido os países mais pequenos que, ao longo destes anos, têm feito esforços consideráveis”. Note-se que ninguém teve de implementar um programa tão extenso e doloroso como a Grécia. Ninguém. E ninguém teve consequências tão negativas.

Das incongruências do Syriza à estupidez portuguesa e de outros pequenos países que impedem o acordo com que outros condescendem se põe em perigo a União Europeia. Registe-se para que alguém não se lembre de mistificar ou de vir com ar pesaroso, hipocritamente capitalizar para ganhar mais um voto em setembro/outubro.

Europa: tragam-lhe comprimidos para a memória

Então não devemos confrontar os credores? Sim, claro!
A nossa desgraça também foi esta ao longo dos últimos anos. Podíamos ter sido um bocadinho mais como os irlandeses, por exemplo. Em vez disso tivemos um ministro das finanças que lá fora era confundido com os elementos da troika. Lembram-se?

Afrontar os credores, à moda do Syriza? Não, isso seria estúpido. Estou a chamar estúpido ao governo grego? Não me atrevo a tanto. Noto que nós não somos mesmo a Grécia, no sentido em que não passamos nem metade das provações. É difícil, de fora, saber exactamente em que ponto está a moral, o amor próprio,o ressentimento e a capacidade de diálogo dos gregos. Será que ainda querem ou é bom para eles ficar no Euro? Se até para Portugal vou tendo dúvidas (que aumentaram com este processo grego) como me posso atrever a zurzir nos gregos sobre esta matéria?

Passos Coelho pede

Passos Coelho curva-se.

No final deste cinco meses o que vejo é que em termos de gestão política estão bem uns para os outros, troika e governo grego. Muita sacanagem de parte a parte.
Mas em termos de responsabilidade quanto ao sucesso de um acordo não há comparação, a do eurogrupo é muito maior. Se, como hoje disse Merkel, a solidariedade é uma pedra basilar da União, então, numa posição de manifesta fragilidade do povo grego e onde há óbvia corresponsabilidade europeia no estado a que a Grécia chegou, a solução teria de ter isso em especial consideração. Como é que uma proposta grega tão bem recebida há exatamente uma semana passou a ser manifestamente insuficiente dois dias depois? Quem é que inventou obstáculos ao acordo? Porquê? Com que resultado?

Nós por cá temos que confrontar os credores com o fracasso das políticas seguidas, confrontá-los com uma alternativa exequível de mútuo interesse. A situação grega e as ameaças que acarreta devem servir para responsabilizar as partes precisamente para a necessidade de maior humildade, franqueza e inteligência na gestão da política europeia e de muito maior equilíbrio, racionalidade económica e social e menor apoio a preconceitos levemente racistas ou nacionalistas. Acima de tudo, os nossos políticos (locais e europeus) devem procurar abandonar a lógica de relacionamento credores/devedores. Esse ato singelo será fundamental para que ainda haja futuro para a União Europeia.
Sejamos crescidos. Ontem foste tu, hoje sou eu, amanhã quem sabe?