Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

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Archive for the ‘Política’


A apologia da estupidez

Quem produz propaganda nestes termos, apostando na estupidez absoluta do eleitorado só pode querer um eleitorado cada vez mais estúpido.

Talvez por aqui se entenda uma boa parte da “reforma educativa” em curso.
A verdade é que o PSD continua a afastar-se daquilo que já foi. Não sei se migra para a direita se para outra coisa, mas não é certamente para um ponto que nos ofereça no futuro um parceiro credível para governar Portugal.

O original está aqui.

PSD

Em democracia quem tem mais votos ganha diz Luís Montenegro

Em democracia quem tem mais votos ganha diz Luís Montenegro. Não podia estar mais de acordo. Espero que a maioria absoluta que hoje elegeu Eduardo Ferro Rodrigues para segunda figura do Estado enquanto presidente da Assembleia da República consiga ser consequente numa proposta de governação equilibrada, competente e responsável do país durante os próximos meses.
Um fracasso nesta matéria hipotecará por muitos e bons anos qualquer ilusão futura de um entendimento credível entre o PS e todos ou parte dos partidos à sua esquerda no espectro político. E não deixará de ter consequências eleitorais para todos os partidos envolvidos.
Há hoje um enorme risco e uma enorme oportunidade que põem à prova a capacidade de concertação entre forças políticas com significativas divergências programáticas e que neste momento histórico se propõem reduzir diferenças.
O país não podia estar mais atento (e boa parte dele mais esperançoso) quanto ao que a esquerda possa fazer pelo país.

DE: A alma do negócio

A alma do negócio

Qual a negociação que implicando a necessidade de cedências mútuas tem hipótese de sucesso se uma das partes toma a iniciativa de a levar para a praça pública?

Não surpreende que, quando invetivado a divulgar detalhes das negociações em curso, Jerónimo de Sousa tenha respondido algo como: “Por uma questão de lealdade não vou estar a revelar propostas que são ainda de trabalho”.
Lembram-se do que fez a PàF?

O pecado original foi praticado sob o pretexto de grande “transparência” ao difundir o documento “facilitador”. Sarcasmo? Tudo menos intenção de quem quer levar uma negociação a bom porto. Agora é tarde. Na realidade, tomando por boas as declarações dos líderes de PSD, CDS e PS ao longo dos últimos meses, talvez sempre tenha sido.

Já tínhamos comprovado durante a legislatura o desprezo com que a PàF lidou com o PS, oscilando da atitude arrogante de quem tem maioria absoluta à infantilidade das cartas-pedido onde se deixa um convite público entremeado por insultos e acusações. A verdade é que entrámos num jogo do empurra com o nível de dignidade a degradar-se. Quem mais e melhor se vitimiza? Antevejo um campeão claro, mas faço fé que o eleitor seja mais inteligente do que alguns políticos querem fazer crer.

In Diário Económico

Ética? Só quando convém

Nada como ir a uma assembleia de militantes (um arquivo de memória coletiva de grande valor) para ficar a saber como PSD e CDS têm repetidamente implementado ao nível autárquico aquilo que alguns agora chamam de golpada ou de falta de ética e moral.
Durante os últimos anos (décadas!), em Lisboa, repetiram-se as situações em que o partido mais votado ao nível autárquico ficou de fora do poder em virtude de se terem formado coligações pós-eleitorais entre PSD e CDS que lhes conferiram a maioria absoluta nas respetivas assembleias.
Há ética e moral diferente na política quando olhamos para uma freguesia ou para o país? Ou será que o que há no fundo é a singularidade histórica de, ao nível nacional, ao contrário do que já sucedeu a nível municipal, PSD e CDS juntos, nunca terem tido a possibilidade de formar uma maioria absoluta em qualquer das situações em que o PS ganhou com minoria? Podem parar de rasgar as vestes ou de entrevistar em tom acusatório e indignado os representantes do PS e informar-se um pouco melhor antes de disparar. Foi o que eu fiz. Não custou muito.

A Escola de Paulo Portas

Agora dá jeito exacerbar as divergências à esquerda e esquecer o que a PAF disse do PS e vice versa durante a campanha (ou durante a última legislatura).
Também dá jeito esquecer que ninguém votou num governo de maioria absoluta de direita em 2011 ou em 2002 mas “apenas” num vencedor minoritário. Sem qualquer “ética ou moral” o PSD e o CDS juntaram-se depois das eleições e formaram um governo estável sem que a maioria tivesse sido sufragada como tal. Mas quanto a esse exemplo (e bem) ninguém veio com a conversa da ética e da moral. Porquê?
Agora, à falta de melhor, com a direita efetivamente coligada antes das eleições e perante a perda clara da maioria absoluta (é curioso que quando foram a votos efetivamente coligados parece que o eleitorado não lhes renovou a maioria que eles tinham auto-proposto e usado para governar) o problema está no carater de António Costa que quer tentar formar uma maioria absoluta estável. Mas não pode, porque “não ganhou” contra toda a direita coligada e porque tal potencial coligação “nunca foi sufragada”.
O nível de argumentação, de desonestidade intelectual e a histeria a que assisto deixa-me consternado com o que é a interpretação do nosso regime democrático. Vale tudo. A escola de Paulo Portas tomou de assalto uma vasta falange e isso é uma catástrofe para o nosso futuro, bem para lá do que possa acontecer com o próximo governo.

Vamos partir do princípio que o eleitor é profundamente estúpido

Nenhuma negociação que implique cedências mútuas tem qualquer hipótese de sucesso se alguma das partes toma a iniciativa de a levar para a praça pública. O pecado original foi praticado sob o pretexto de grande “transparência”. Agora é tarde.
Creio que a generalidade do eleitorado já percebeu que entrámos numa fase de puro teatro, de um suposto jogo do empurra com o nível de dignidade a caminhar para o esgoto. Parem. Deem-se ao respeito e respeitem o eleitorado. E passemos adiante.

Maturidade, pedagogia e teste histórico

Vencedores e perdedores

Com a reconfiguração do puzzle eleitoral patrocinada pela primeira coligação pré-eleitoral com reais hipóteses de formar governo em mais de três décadas, PSD e CDS apesar de terem tido um dos piores resultados combinados de sempre, registando uma das maiores quedas eleitorais da história da nossa democracia em eleições sucessivas, ganharam as eleições. E como tal têm prioridade na tentativa de formação de um governo estável. Tendo uma minoria de deputados esse exercício não lhes garante, contudo, que serão, de facto, governo.

Do lado do PS houve muito poucas razões para celebrar na noite de 4 de outubro além da evidente perda de maioria absoluta pela PAF. É certo que recuperou eleitorado e uma dúzia de mandatos mas falhou todos os seus objetivos fundamentais.

Face a isto o que esperar do dia seguinte?

Desde logo uma natural necessidade de, em tempo útil, relegitimar a liderança do partido, como o atual secretário geral, em boa hora, propôs e, em condições normais, ter o PS a ocupar o seu papel como líder da oposição. Em condições normais, repito, e, atendendo à crescente deriva para a direita de PSD e CDS e recordando a manifesta incapacidade ou indisponibilidade destes em ter estabelecido uma relação minimamente cooperante com o PS ao longo da última legislatura, o PS remeter-se-ia à oposição sendo pressionado para, salvo manifesta e inaceitável provocação da direita, viabilizar as peças fundamentais para a existência de um governo estável.

Mas estamos em condições normais?

Em condições normais, a esquerda do PS não tem mais de um milhão de votos (como teve). Em condições normais, António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa não teriam passado a campanha a ser desafiados por um número expressivo de eleitores a pedirem-lhes que se comprometessem com um entendimento.

Em condições normais, a direita não concorrer coligada.

Em condições normais, a frente de direita não passa uma parte importante da campanha a acenar com o papão de uma frente de esquerda para tentar captar eleitorado centrista.

Estamos então num cenário em que os partidos à nossa esquerda captaram mais novos eleitores do que o Partido Socialista, em que BE e CDU repetidamente anunciam que estão disponíveis para assumir responsabilidades governativas e em que, terminadas as eleições, é possível uma coligação que ofereça uma maioria absoluta no parlamento constituída pelos partidos de esquerda. Neste cenário, não vejo como o Partido Socialista pudesse remeter-se à situação acima descrita das “condições normais” sem tentar, empenhadamente, atingir o entendimento necessário para viabilizar um governo estável à esquerda.

Por muito que a repetida indisponibilidade de CDU e BE em assumir responsabilidades governativas tenha atrofiado as mentes de muitos democratas ao longo das últimas décadas e por mais que a progressiva fulanização mediática com a conversão das campanhas em corridas de cavalos imputadas aos líderes partidários tenha distorcido a imagem do nosso regime parlamentar de pendor semi-presidencial, em Portugal, a legitimidade dos mandatos é soberana para determinar o governo. Não estamos nos EUA ou em França. E um governo faz-se ou desfaz-se por maioria como recentemente recordámos em 2009 e 2011.

Em Portugal, não há prémios de mandatos aos vencedores, nem obrigações constitucionais que imponham ao líder da oposição remeter-se a abstenções violentas ou mesmo violentíssimas. Estamos manifestamente mais próximo de qualquer dos nossos parceiros europeus que de forma madura e natural procuram maiorias estáveis com coligações em todo o espectro. Tragicamente, para a esquerda, até hoje, sempre se tem revelado impossível chegarmos a um entendimento viável.

Será desta?

Olhando friamente para a história e para o que nos separa à esquerda, o cenário mais provável é o fracasso. Mas desta vez algo se mexeu e é natural alimentar alguma esperança.

Não estamos em 1917, nem em 1975, isso fará diferença? O PS dispôs-se, e bem, a investir capital político pagando para ver e, naturalmente, disponibilizando par algumas cedências. Mas tudo dependerá precisamente das negociações que, recordo, não se fazem entre o PS e uma frente unida, mas entre o PS e duas outras forças políticas bem diferentes.

E se falhar?

Nada se perde. Restará a relevância de se perceber se o fracasso eventual se fundará na lentidão do movimento de transformação que poderá estar, de facto, em curso à nossa esquerda ou se o exercício pouco mais foi do que uma manobra algo caricata para iludir uma mudança exigida por uma parte importante do eleitorado e à qual que não se consegue dar resposta. Se for a última, teremos tomado vacina para muitos e bons anos.

Que governo de esquerda?

Parece-me manifestamente insuficiente o PS apresentar-se ao Presidente da República para governar sem um compromisso claro, público e inequívoco da CDU e BE que assegure uma maioria absoluta de mandatos determinados em aprovar o programa de governo, o orçamento do estado, garantindo o cumprimento escrupuloso dos compromissos em matéria orçamental assumidos no âmbito da Zona Euro durante a legislatura. E pegando no exemplo dos nossos parceiros europeus, o melhor mecanismo para alcançar esse nível de comprometimento alcança-se com uma coligação em que todos partilhem diretamente responsabilidades governativas. Se tal não for possível, a estabilidade política será necessariamente mais frágil ainda que admita que um acordo suficientemente cristalino nos termos que descrevi possa vir a justificar a assunção da governação.

Será possível? Ou teremos de reconhecer que nos afastámos pouco das “condições normais”? Em breve saberemos.

Ó camarada!

Parece-me muito pouco saudável ver dirigentes nacionais do PS maravilhosamente colocados para fazerem ouvir a sua voz nos mais importantes órgãos internos, a precipitarem-se a opinar sobre algo que, em bom rigor não existe, suportando-se em processos de intenção e em interpretações incompatíveis com o desenho do sistema político, o regime de democracia parlamentar de pendor semi-presidencialista e a constituição nacional.
Quando e se houver um acordo à esquerda terão todo o tempo de mundo, palco e condições privilegiadas para fazer valer os seus comentários e opiniões em privado e em público, então já com a faculdade de se fundamentarem em algo concreto e do conhecimento público e sem terem de responder ao opróbrio de terem ativamente contribuído para fragilizar a posição negocial do PS.
Assim sucede-se a menorização da imagem pública que o PS dá de si aos seus eleitores, vincam-se clivagem que até podem vir a destempo, mina-se a legitimidade da direção que recebeu um mandato claro na passada semana para negociar e arranja-se lenha para o PS presente e futuro (sim, a história não acaba hoje, nem com esta direção, nem com estes resultados eleitorais) se queimar.
Em vários casos, a preocupação que parece mover alguns camaradas sobre o futuro do PS parece estar a levá-los a produzir facto políticos que garantem eles próprios a materialização das ameaças de disrupção junto do complexo eleitorado (e universo de militantes) do Partido Socialista.

Um pouco mais de reflexão, alguma paciência e moderação seriam de todo recomendáveis. Digo eu que para aqui ando, militante de base, desresponsabilizado de mais do que das minhas perorações pelo mundo virtual onde também se faz política.

As eleições ganham-se ao centro? À esquerda? Por cima? Por baixo?

Isto é muito interessante: “O que os eleitores “querem”“. E, apesar de serem dados de 2011, põe numa perspetiva curiosa aqueles que têm a certeza que as eleições se ganham ao centro ou à esquerda (ou por cima, ou por baixo). Afinal, no essencial em relação a várias perguntas fraturantes, os eleitores de PS, PSD, CDS, BE e CDU não são estruturalmente assim tão diferentes.

Perante isto porque é que é inverosímil que haja grandes transferências de voto entre extremos? Quais extremos? Sobram poucas diferenças pelo menos face às perguntas retratadas.

Um governo de esquerda: ponto da situação

Dia 7 de outubro:

Esta democracia tem de ser mais madura. Eleitos e eleitores. Fazer “call” ao “bluff” ou à sinceridade de procura de concertação à esquerda é fundamental. Sendo que cada caso (BE e CDU) é um caso. E a hora é agora. Não é daqui a uns meses perante um governo apodrecido, por exemplo.
Espero que António Costa consiga o mandato que estará a pedir na Comissão Política Nacional do PS [que conseguiu] e que está a ser anunciado nos media.
Na pior das hipótese haverá pedagogia política; na melhor um grande salto evolutivo na nossa democracia que, note-se, pode até acontecer mesmo sem um acordo a três [e consequentemente sem governo de esquerda].
Tempos muito interessantes. Muito do futuro político do país no curto mas também no médio e longo prazo pode decidir-se por estes dias. Ao centro, à esquerda e à direita que isto está mesmo tudo ligado.

Dia 10 de outubro:

Baixa no secretariado do PS. Não há bluff. A minha dúvida agora é quanto ao grau de pureza do BE. Conseguem enfiar algum radicalismo na gaveta? Quando uma parte faz três exigências, se forem atendidas pela outra, está disposta a enfiar o resto do programa extremista na gaveta para evitar um governo de direita?
O PS é de longe quem está a investir mais capital político neste processo. O BE já estabeleceu três exigências. Creio que não são inultrapassáveis mas quer isso dizer que prescindem do extremismo no resto?
Na realidade ainda não fazemos ideia no que estão dispostos a ceder para viabilizarem um governo com um partido da esquerda moderada como o PS.
Espero que segunda-feira fique claro.
Note-se que considero que seria um suicídio político para o PS (e não só, mas com o mal dos outros…) se o governo de esquerda fosse algo diferente de uma coligação a três no governo. Todos empenhados. Todos com a carne toda no assador, a bem do país.

Se o pior acontecer (falta total de entendimento ou de pontes para um entendimento futuro) nem tudo se terá perdido. Todos os anos nascem inocentes. A malta que vive na política tem tendência a esquecer-se disso. A história ensina-se ou esquece-se.

Neste momento, ouvido Louçã ontem na SIC e recordando todos os episódios da semana, apostaria num cenário em que a coisa à esquerda se resumirá a um jogo do empurra ao PS para que forme um governo minoritário com juras de apoios pontual por parte do resto da esquerda e chantagem de que isso deveria ser suficiente para o PS não apoiar um governo de direita. Não chega. Como disse, ou constroem um programa comum ate´oa nível das questões orçamentais e mecanismos de estabilização automática ou o governo estará condenado ao fracasso. Não é preciso conhecer muito de ciência política para saber isso. BE e CDU têm a palavra. A decisão histórica é exatamente essa.

Recapitulando: Há possibilidades de entendimento à esquerda para um governo estável ou não?

Um à parte final: parece que há muita gente à direita e à esquerda que protestou com o voto e está a descobrir agora que o voto de protesto elege deputados. Parece até que querem fazer de conta agora que foi a brincar, que a construção de maiorias na democracia portuguesa só se pode fazer entre três partidos. Giro.