Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for the ‘Palavras dos Outros’


Uma imensa tristeza com uma nota de paz

“Ela caiu há dez dias, em casa, escorregou-se nela e bateu com a cabeça no chão e desmaiou, susto grande. Acordou no hospital e, da queda propriamente dita, nada resultou de nefasto: cabeça limpa.
Tinha era o que tinha, conhecia-a há vinte meses e, já por esse tempo, tinha o que tinha, chegou-me à minha vida numa rampa inclinada da vida dela, ladeira descida com travões a fundo mas sem ABS.
Equiparam-na de pijama bonito, na enfermaria. Ela mais amarela e mais inchada, por dentro dela e do pijama, do que há quinze dias.
“Vais-te…”.
Foi-se.
Hoje morreu. Ia dizer “morreu-me”, mas já não. Aprendo tarde, mas ainda aprendo.
Ela morreu, sim.
E morreu-lhes a eles, ao homem e aos três filhos, que lhe abraçaram o corpo e lhe beijaram a face como se as lágrimas do fim fossem loção que oleasse despedidas.
A mim, não. A mim não me morreu.
Limita-te, besugo, para já, a acompanhar as rampas inclinadas dos outros. Aprende: tu só acompanhas.”

Continue a ler aqui.

Confúcio do Dia

Directamente do google duas frases a reter:

Faced with what is right, to leave it undone shows a lack of courage.

Talk low, talk slow, and don’t talk too much.

Uma é do John Wayne, outra é do Confúcio, irrespectivamente.

Escrever

Dois posts para a Tati, sobre palavras, da autoria de Vergílio Ferreira (do livro “Escrever”, Bertrand Editora”):

30 Poupa as tuas palavras, guarda as melhores para o fim como o bocado num prato. Qual a última de que te vais servir? Não a imaginas. Mas a última que disseres ou pensares deve resumir-te a vida toda. Vê se a escolhes bem para remate do que construíres. Quando olhas a catedral o que fitas mais intensamente é o cimo das torres.”

39 Quais são as tuas palavras essenciais? As que restam depois da toda a tua agitação e projectos e realizações. As que esperam que tudo em si se cale para elas se ouvirem. As que talvez ignores por nunca as teres pensado. As que podem sobreviver quando o grande silêncio se avizinha. As que terás talvez dito na confusão das que disseste. As que talvez sejam só uma por qualquer outra ser demais. A que é impronunciável por ser demais o dizê-la na exterioridade do dizê-la. A que se confunde talvez com a simples emoção de a dizer. A que talvez nem exista ainda antes de a inventares. A que, se a inventares, deixará logo de te pertencer. A que está antes da que te aflora mesmo ao olhar. A que é a identidade de ti quando a morte já tiver vindo quando a quisesses saber. Qual a tua palavra essencial que o próprio Deus desconhece?”

Da iluminura à minusculização das letras capitais

No início era a iluminura, agora a minúscula.
A iluminura garantia que não havia um livro sem bonecos.
A minúscula garante que nunca nenhuma letra poderá apresentar-se de fato e salto alto: vai tudo corrido a macacão e crocs, confortáveis mas monocromáticas.  

Encomendou-me este discurso um H barroco que se encontra apaixonado, qual narciso, pelas voltas e contra-voltas com que se apresenta maiúsculo feito a punho e calo.

A ler

Autch!

A ler "Segurança Social: o delírio reformista" por Manuela Arcanjo, no Diário de Notícias.

Perplexidade partilhada

A ler "Cesariana" por Salvador Massano Cardoso na Quarta República.

Aprender com as formigas

Excerto da National Geographic portuguesa de Maio de 2006.

Entrevista de Tim Appenzeller a Edward O. Wilson:

" (…) NG: É óbvio que encontra uma certa espiritualidade na natureza, um encantamento. Como encontra sentido num mundo que surgiu devido a mutações casuais e à selecção natural?

EO Wilson: A mente humana evoluiu para procurar um sentido. O universo é tão belo, complexo e surpreendente… Tal como a vida. Lembre-se da frase de Darwin: "Formas de vidas infinitas, belas e maravilhosas, estiveram e estão a evoluir." Hoje, temos mais indícios disso do que Darwin. Compreendemos isto até ao nível molecular; quão extraordinária é a vida enquanto fenómeno. Só isso convida mais à espiritualidade do que qualquer outra coisa fornecida pelos escribas de um reino do deserto da Idade do Ferro que escreveram a Bíblia Sagrada. Eles criaram uma obra literária impressionante. Mas não compreendiam verdadeiramente o mundo que os rodeava ou as estrelas do céu. Transformaram-nos em metáfora, atribuíram-lhes características poéticas, fizeram o melhor que podiam. Mas ainda assim, ficaram aquém daquilo que a humanidade consegue sentir no que respeita ao sagrado e à beleza estética. (…)

 

A Galp perdeu! A galp perdeu?

"A longo-prazo, Timor-Leste está a dar passos importantes no sentido de alienar a boa vontade portuguesa."

A ler na íntegra "A Lógica de Merceeiro" no Bloguítica.

Os parágrafos do dia

Apesar de não ter pegado no assunto por aqui, a novela já vai longa e não consigo deixar de sentir que o governo anda a atirar demasiada areia ao ar.

Há situações onde me parece razoável juntar o útil ao necessário, a saber: reduzir os custos com a saúde, maximizando o eficiência dos gastos públicos e ao mesmo tempo melhorando os índices de segurança no parto. Noutras regiões do país, o risco acrescido que implicam deslocações longas e demoradas entre as residências e as maternidades disponíveis parece ter sido largamente ignorado na contabilização dos ganhos e perdas. Com isto fica no ar – por via da justificação genérica dada pelo governo  e pela falta de argumentos precisos para cada situação concreta – a ideia de que a questão da segurança nos cuidados de saúde serve apenas de pretexto.  O DN hoje evita a perspectiva de analisar cada caso e aborda a questão de forma mais lata. Com toda a oportunidade, sublinhe-se. Ficam os parágrafos do dia e a ligação para o texto integral.

" (…) Silêncio em relação ao privado

"Não entendo o silêncio da tutela e da Ordem dos Médicos em relação ao sector privado", critica o ginecologista/obstetra Miguel Oliveira da Silva. Para o professor da Faculdade de Medicina de Lisboa é imperativo actuar também nesta área.

"Dificilmente as clínicas privadas fazem 1500 partos por ano, mas o que gostaria de saber é quantos partos faz cada médico que ali trabalha. Apesar de muitos deles acumularem com o público, quantos têm a prática considerada de segurança?" Além disso, o obstetra garante que poucas clínicas terão pediatras neonatologistas – um dos requisitos considerados básicos – "porque os grandes prematuros são todos transferidos". "O ministério tem de aplicar os mesmo critérios. O privado tem de ter a mesma qualidade", sublinha."

Maria José Margarido e Rute Araújo no Diário de Notícias de hoje.