Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

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Archive for the ‘Educação’


Chumbar aos 7 anos como medida de sucesso de todo o sistema de ensino

Só vota ao engano quem quer. Não são todos iguais. Recomendo vivamente esta peça do Expresso (ver em baixo). Contém factos, explica-nos o que mudou na avaliação escolar, como está a gerar efeitos perversos, como se despreza a sinalização dos mais frágeis e o seu apoio e como o atual Ministro da Educação acha que tudo isto está a correr como planeado. Chumbar cada vez mais alunos aos 7 anos não penaliza a avaliação das escolas. Chumbar é indiretamente uma prova de sucesso e não a comprovação do fracasso de cada escola. Já impedir os mais fracos de ir a exame para não penalizar os rankings da escola é uma vantagem, melhora o ranking.
Daqui se extrai que é com pesar que alguém lamentará: como seria bom que os alunos com dificuldades saíssem da escola. Aos 10 anos têm bom corpo para aprender um ofício. É preciso não esquecer que também isto fazia parte do plano de Crato que ficou (para já ) a meio caminho.

Expresso

Expresso

Opinião: Pelos bons colégios privados da capital

Quem já palmilhou colégios em Lisboa para colocar filhos (até na pré-primária) sabe quão absurdo é acreditar que o problema do acesso às boas escolas se resume a ter ou não ter dinheiro. Há honrosas exceções (e boas) mas ou a minha amostra foi tragicamente enviesada ou então anda muita gente a brincar ao faz de conta. Na generalidade dos colégios (tidos como bons) que visitei ou sobre os quais indaguei, ter dinheiro para pagar revelou-se condição necessária e nunca suficiente. Alguns foram muito claros em nos dizer porque nos aceitavam e eu fiquei bem instruido quanto à pouca eficácia de uma eventual resolução da barreira financeira para quem quer ter “liberdade de escolha” no acesso a essas escolas.
Cuidado, muito cuidado com o que para aí vem. É muito fácil fazer pior do que aquilo que temos hoje. É só querer. Entretanto, facto inegável: o ambiente, motivação, empenho e resultados na escola pública parecem-me claramente em franca degradação e a crise financeira e o corporativismo cego de alguns professores não explicam tudo.
Os relatos que tenho do caos injetado nas escolas com fonte no Ministério da Educação / governo nos últimos meses é chocante.
Vai demorar a recuperar a qualidade da escola pública que eu conheci e frequentei, em muitas escolas deste país. Disso não tenho dúvidas.

Publicado originalmente no 365 Forte.

Opinião: Manual de gestão de um colégio privado para tótós

Estás a gerir um colégio de sucesso que cobra €600/mês por aluno e tens dado bem conta da concorrência. Geres um colégio de referência e a procura de alunos raramente é um problema. O teu objetivo de negócio é dar dinheiro ao investidor, ou seja, maximizar o lucro e fazê-lo perdurar.

Se amanhã souberes que o Estado vai passar a financiar as famílias dos teus alunos com €300 por mês sem impôr contrapartidas de monta, em particular, sem mexer na gestão financeira da casa o que farás depois de amanhã?

Depois de amanhã deverás aumentar a prestação para até €900 invocando, por exemplo, a crise recente e o congelamento do valor das propinas durante os últimos anos.

Recomendo-te que não sejas muito exuberante, não faças este aumento todo de uma vez, em rigor, não ao faças todo logo depois de amanhã, mas fá-lo.

Não te esqueças que tens o colégio cheio com os país a pagarem €600/mês à sua conta antes do apoio do Estado. Esse valor já sabes que eles conseguem pagar. Vai-te a eles e bom negócio!

Originalmente publicado no 365 Forte.

Não há tolerância para quem queira ter aulas

Já não estou tão seguro quanto ontem em relação a haver tolerância para quem queira de facto trabalhar nos próximos dias 11 (Lisboa), 12 (Fátima), 13 (todo o país) e 14 (Porto) de Maio. Os professores, auxiliares de acção educativa e alunos do ensino público vão encontrar as escolas fechadas.

Ao cuidado dos professores: Alunos, sempre alunos


Uma imagem bem real do presente. Adapte-se.

"Insultar para integrar será uma boa ideia?"

Uma belíssima reflexão hoje no Jornal de Negócios sobre a praxe académica de Manuel Caldeira Cabral: “Insultar para integrar será uma boa ideia?“.

“(…) A ideia é dar as boas-vindas (por isso “Welcome”). A segunda ideia é integrar os alunos. Assim, esta semana, para além de actividades recreativas e festas, também os convida a aderir a organizações e associações (desportivas, culturais, políticas, lúdicas, etc.) que apresentam as suas actividades e tentam angariar novos sócios. Os alunos juntam-se ao clube de remo, de rugby, de futebol, ou de montanhismo, e também às sociedades de leitura, grupos de teatro e de poesia. Em paralelo, são convidados a participar em organizações como a Amnistia Internacional, Greepeace, WWF, ou a OXFAM.

Todos estes clubes, associações e organizações fazem parte da vida académica europeia e contribuem para a integração dos novos alunos, em paralelo com actividades curriculares e as festas e bares onde os alunos se encontram ou se apresentam com as suas bandas de garagem.
É por esta razão que a “Welcome Week” é apenas uma “Week”. Esta semana não é suposto ser a vida académica, serve apenas para abrir e apresentar os alunos à vida da universidade, deixando que escolham a integração com que mais se identificam.

Uma enorme diferença face à praxe que hoje se pratica em Portugal. Uma tortura chata, longa, ordinária e desinteressante, dirigida principalmente pelos alunos menos interessantes, em que os que entram são chateados em actividades sem graça onde apenas conhecem pessoas do mesmo curso. (…)”

On poverty and life around the world

Absolutamente imperdível a actualização de Junho de 2007 da espantosa apresentação de Hans Rosling sobre “New insights on poverty and life around the world“. Não há nada melhor para derrubar velhos paradigmas de categorização do mundo.
Parece-me adequado celebrar com os 18 minutos da apresentação a memória da Charles Darwin, hoje no seu ducentésimo aniversário.

Preparação de cartões de dia do Pai banida de escolas escocesas

O que acham que é pior:
“Onde há coxo não se pode correr, onde há um cego não se pode ver, onde há um surdo não se pode falar”
ou
“Os coxos com os coxos, os cegos com os cegos, os surdos com os surdos'”

Para mim nenhuma das anterior me parece promissora como princípio a seguir para termos um futuro melhor, pelo menos para a grande maioria das ocasiões da nossa existência.
Que me dizem?

A notícia que deu origem ao título está aqui:”Father’s Day cards banned in Scottish schools

Ainda sobre a educação

Num tom bem mais violento do que o que aqui tem sido usado recomendo este texto de Pedro Picoito “Do cinismo como política educativa“. Um excerto:

“(…) O embuste já foi abundantemente denunciado, mas isso não o torna menos criminoso. Porque se o cinismo pode acabar com um professor, o cinismo como política pode destruir uma geração inteira. Os que passaram pelas escolas portuguesas durante os últimos anos não sabem ainda, mas depressa se darão conta que as suas notas falsas a Matemática e a Português não têm nenhum crédito no mercado de trabalho. Só que então, quando perguntarem de quem é a culpa, Maria Lurdes Rodrigues e os outros cínicos não estarão por cá para lhes responder.”

A ler: Literacia científica em Portugal

Depois da discussão havida na caixa dos comentários deste post “euLer(2)” o João deu-se ao trabalho (aqui, aqui e aqui) de fazer umas contas com os dados a que teve acesso relativos PISA 2006 sobre literacia.
As conclusões parecem-me claras:

“O sistema de ensino português produz alunos que estão ao nível dos melhores do mundo; o problema persistente — e ímpar — é a incapacidade do sistema em responder às necessidades dos menos capazes.”

O João fala ainda de um encantamento que não considero necessariamente nefasto ao dizer:

“Num país onde se tem debatido exaustivamente as problemáticas da desigualdade, é de estranhar que a maioria das pessoas se deixe encantar pelo discurso do “facilitismo” e se esqueça que o nosso sistema de ensino, ao ser excessivamente selectivo, está a induzir desigualdades no acesso ao conhecimento que se manifestarão, mais cedo ou mais tarde, de todas as outras formas possíveis.”

Digo que não é nefasto porque não basta dizer-se que é nefasto por barrar o caminho para discutirmos outras coisas. Gostei do que li e só é pena que haja tão poucas ocasiões onde se vê quem sabe fazer as contas. Um a zero a favor da blogoesfera. Parabéns João.

E parabéns também ao Tonibler (ver primeiro comentário), é que acho que ele também tem razão. Restam-me poucas dúvidas que o poder político actual caiu na tentação (ou na esparrela, que não tenho os especialistas do MNE como santos – já têm alguns ministros no cadastro de abates) de dar uma mãozinha de modo a que “os números venham iguais aos OUTROS sistemas”. Não virão os de Pisa, provavelmente, mas o que é Pisa ao pé das notas dos exames que os filhos dos eleitores levam para casa? A tentação para várias formas de facilistismo, assim como a discussão em torno das exigências impostas pelas retenções de alunos e/ou pela sua abolição, são fantasmas que neste país convém mesmo ir militantemente agitado, caso contrário, corremos o risco de ficar com o pior de dois sistemas como dizia nesta outra caixa de comentários.

As duas teses, do João e do Tonibler, não são incompatíveis, é prudente considerar os alertas de ambas.