Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for the ‘Cinema’


Where is the virtue in "Little Children"?

It seems that you have the lesson very well studied Claudia (see note on the movie "Little Children" in Claudia's post)…

You say, if I understood correctly, that the ending is frustrating because it fails to present:

1) the characters breaking up with the status quo,

2) the characters pursuing their passion,

3) any edification derived from the mantra "know yourself first".

It seems to me that you have found your way to answer the eternal question on how to pursue happiness, otherwise probably you should be so… assertive in the critic – não negue à partida uma ciência que desconhece 🙂

I think that this movie stresses that it really depends of the individuals (the characters are obviously little children when it comes to manage their feelings) but not only of themselves. And I’m not only thinking of relationships as an alternative (as you mentioned). For instance, chance plays a very important role – probably a role proportional to the childness of the adult characters… Chance is an ever present element in the plot that really gives a dim to absolve the movie from most moralistic accusation. Yes, the voice of a narrator could mislead us to think we were being lectured but for me it worked out to be a playful director deceiving the audience… Was there a moralistic approach? Showing the characters as little children as definitively some moral standard in the background, but what was it? Did you feel that the writer/director with that end was telling us how to behave? Something like "Be responsible, don’t destroy your marriage?"

Well, I didn't felt that… At most, maybe something more generalist like a saying: its hard to grow up and it's something that doesn't automatically end when you stop being a teenager! Returning to chance, it is presented with sufficient power in the plot to leave the notion that even the ending could be totally different, if just a single coincidence was removed from the plot…

In this movie, with those characters, they found out (separately) and rather lately ("Little Children"!) that not to break up with their status quo was the best solution for their problems. Did they stop pursuing happiness by doing that?

Any way… Maybe the book treats the theme a little bit more thoroughly and bluntly

Cahiers du Cinema on-line

É digna de se ler e folhear a edição mais recente da Cahiers du Cinema apresentada na net. Mais um exemplo do que se pode fazer neste para tantos ainda admirável mundo novo… 

Felizmente as brasas do borralho também queimam

Little ChildrenSeremos verdadeiramente livres quando o desfecho do filme está condenado a ser catalogado de paz retrógrada, caro João Paulo Sousa? Passo a tentar explicar.

O João teria razão se ficasse evidente que a decisão das personagens em abandonarem o idílico e ultra-banalizado sonho de fugir dos compromissos para procurar o 'amor numa cabana' tivesse resultado dos retrógrados (eu diria antes míopes) valores que lhes eram impostos pela sociedade.

O que vi foi outro móbil que invalida esse ferrete. O que quero dizer é que não querer (continuar a) viver um grande amor pode resultar de se querer viver outro (evidentemente não carnal, em ambos os casos, para ambas as personagens), não tendo essa solução de resultar de um processo de anulamento do indivíduo. Ora este desfecho, além de pouco popular entre os meios mais liberais (de que eu julgo fazer parte), merece amiúde ser rapidamente colocado junto das histórias passadas em que o "mesmo fim" resultava de inverosímeis papagaiadas, propagandeando a moral e bons costumes caros ao censor de serviço. Não foi isso que senti ao ver este filme. Aliás, a incerteza, cujos resultados podem ser duvidosos, como o João Paulo Sousa bem sublinha, foi a constante do enredo (que confesso me agradou).

Sublinho: há naturalmente vários caminhos que levam ao mesmo desfecho e o desfecho deste filme – ficou-me "no palato" – poderia facilmente ser outro, daí talvez não lhe encontrar um cunho moralista que me incomodasse. Paz retrógada? Apetece-me dizer que já vai sendo tempo de ser encarada como uma qualquer outra opção de vida, tão legítima para uma sociedade progressista quanto qualquer outra, desde que tomada em liberdade, sem estigmas de maior.

Nota: Little Children (Pecados Íntimos) é o filme em questão. 

"Blood Diamond" – um ano depois

The way to stop conflict diamonds isn't the Kimberley Process. It's to stop the conflict," Skran Says

'Blood Diamond' worried jewelers in Appleton Post-Crescent 

 

Se a memória não me falha, desde Good Night and Good Luck que não ia ao cinema. Não sendo impossível encontrar filmes mais distintos – afinal há algo de biográfico ou de histórico e de militante, de "causas", também neste "Blood Diamond" – o que é certo é que representam duas formas muito distintas de contar histórias.

O primeiro sobre uma maldade mais relativizável, intelectual, o segundo sobre um mal absoluto, físico, ambos no mesmo mundo ainda assim.

Falta qualquer coisa a este "Blood Simple"? Sim, sem dúvida, mas a sensação que fica é a de que poderia ser excelente, sendo assim "apenas" um bom filme de se ir ver.

Clichês a mais? Pois é, compreendendo-se a crítica quanto a alguns diálogos, compreendendo-se a imensidão de dilemas históricos e morais que se cruzam e que pela superficialidade com que são necessariamente abordados pouco mais se resumem que a breves marcas, pequenas sementes a deixar na mente do espectador (na melhor das hipóteses), o facto é que a história que temos tido e vamos tendo em e com África não tem passado disso mesmo, da repetição sucessiva de velhos e abomináveis clichês que se acumulam numa cada vez mais volumosa e intrincada história. Dá para duvidar se o tempo em África alguma vez deixou de ser circular, sem e com raças misturadas. 

Excelente ou apenas bom, a história que se conta afasta-a da banalização recorrente a que tem sido votada – "algures entre o desporto e a meteorologia na CNN". Uma história que é também das nossas vidas, ainda que chegue no conforto da poltrona numa sala escura… Agora também no brilho fascinante de um qualquer diamante. Diamons are not forever…

Tentando Yoga

Depois da crítica construtiva que aqui deixei ontem, tenho de reconhecer que, apesar da saudade fundamentada, o FrenchKissin' tem algumas vantagens sobre o Terras do Nunca e, nesse aspecto, a reflexão que se seguiu, apresenta-nos uma demonstração perfeita do que pretendo dizer. 
Nada que seja incompatível com um futuro regresso às origens com pontuais demonstrações de evolução na continuidade como as patentes na já referida reflexão (sublinhados meus nesta última ligação).

Can Mr. Smith get to Washington anymore? (II de II)

Eis um documentário que gostaria de poder ver por cá. O filme acompanha a tentativa de um jovem Mr.Smith, sem qualquer antecedente político na família, apoio partidário ou dinheiro que se veja que se candidata ao Congresso de E.U.A.. Além do trailer oficial, fica um excerto disponível no You Tube:

Mr. Smith Goes to Washington (I de II)

James Stewart em Mr. Smith Goes to Washington há 68 anos num filme de Frank Capra.
Que seria de nós sem a maldição da eterna renovação da mais pura ingenuidade e boa vontade aliadas ao engenho humano? Correndo o risco de ofender os cinéfilos mais puristas reproduzo um excerto de imagens do filme que encontrei no You Tube.

e ainda este outro num acto que se desenrola antes do climax ali de cima.

Porque no início era o preto e o branco

Filmes de animação feita com sombras de alfinetes durante a década de 1930? Esta blogoesfera lusa é uma universidade aberta.

“Alexandre Alexeieff inventou um sistema de animação original. As imagens dos seus filmes eram geradas pelas sombras de milhares de alfinetes espetados num écrã (ver foto abaixo) e manipulados individualmente para criarem a impressão de movimento. (…)”

in Blogo Existo, créditos para Alexandre Alexeieff e Claire Parker com banda sonora constituida por uma adaptação da obra “Uma noite no Monte Calvo” de Mussorgski.

E porque não apreciar os cerca de 8 minutos de espectáculo visual. Sombras de alfinetes!

P.S.: no 100 nada a Catarina ofereceu-nos ontem outro black and white: Metrópolis em video clip com Freddie Mercury. Love Kills…

Ir ao cinema é anti-natural: Peter Greenaway

O Mário Filipe Pires publicou no Retorta uma entrevista recente de Peter Greenaway concedida à organização do festival Zemos 98 onde este realizador discorre sobre o estado do cinema. Numa frase afirma que a essência do cinema morreu com o surgimento do controlo remoto e a ascensão da Televisão, afirmando ainda que o cinema existente está refém da literatura. Além de fundamentar com a crítica aponta os seus caminhos alternativos para continuar a realizar trabalho com imagens em movimento.

Quantas mulheres teve Omar Shariff

Caro Pedro Mexia ,

a última vez que ouvi alguém rir tão bem de si próprio (como me parece que leio no Estado Civil) foi numa entrevista de Omar Shariff a Herman José, já há alguns anos.

A menos que a comparação resulte de um erro de análise meu (é o mais certo), fica mais uma prova de que há dois caminhos inteiramente distintos para se chegar a romA. Por outro lado, pode ser que chegando-se lá pelo atalho, haja tempo para passear pela alternativa bem animada que Shariff experimentou. Em desespero de causa faça-se sócio do Sporting. O Santo António em Alvalade e a sempre verde esperança e tal.

Escrevia eu no velho Adufe a 15 de Abril de 2005:

"Devo estar a ficar velho. Cada vez acho mais piada às figuras que faço.

Quando ainda via os programas do Herman lembro-me de ter apanhado uma entrevista a Omar Shariff um grande actor (egípcio) que fica para a história do cinema pelo protagonismo em Doutor Jivago, entre outros.
Em poucos minutos abordou a carreira, os vícios, breves trechos da sua vida privada. Recordo-me dessa entrevista em particular pela espantosa capacidade que demonstrou em fazer humor, um humor com classe, de alto nível, daquele que dispensa asneiradas e que é absolutamente transversal, entendível por qualquer ser humano, independentemente de classe, credo e demais diferenças de cultura. Basta que se tenha vivido.

O seu humor era particularmente desarmante porque se ria de si próprio. O tipo que melhor conhece à face da terra.
Penso para comigo que chegar aos oitenta assim, não seria nada mau. Se pudesse ser mais cedo, melhor ainda.
Mas é difícil, demasiado difícil."