Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for the ‘Cinema’


Marmelos e Maçãs.Casamento perfeito

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Em homenagem ao avô Álvaro, que não tenho o prazer de conhecer, avô do nosso amigo Rui, mas a quem se deve, de alguma forma, estar aqui – foi o continuado apego do Adufe inicial ( não , não quer dizer que haja um défice de Benquerença…) à fala das fainas do avô, nomeadamente, da apanha dos marmelos, vindimas, creio, tudo coisas outonais -que dedico esta descoberta ontem efectuada naquilo que pode configurar um apelo, “venham de lá esses segredos conventuais“. Falo de doçaria, já se vê.

Não é que se decidiu lá em casa aproveitar as maçãs e os marmelos, que ameaçavam apodrecer, antes de conhecerem a marmeládica caçarola, e evitar, assim, que enchessem os cofres de uma qualquer valnor? Vai daí, qual Maria de Lurdes Modesto de trazer por casa, repare no que se fez:

Nada melhor do que cortá-los aos pedaços, aproveitando as partes sãs. Cozem-se, com um pauzinho de canela, depois de cozidas sujeitam-se aos furores demolidores da varinha mágica que as reduz a pó, perdão, a uma deliciosa pasta. Na caçarola, ao lado, faz-se açúcar em ponto pérola ( é aquele que não é caramelizado, pronto!) e adiciona-se-lhe meia dúzia de gemas, mexendo sempre, para não cozerem.Em seguida, junta-se-lhe o marmelo e a maçã em calda, mexendo sempre, finalizando com a adição das claras em castelo que sobraram das gemas ( claro!). Deita-se numa tigela grande e polvilha-se com canela.

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Vai ao frigorífico e serve-se fresquinho! Uma espécie de soufflet, onde a acidez do marmelo e a doçura da maçã, embrulhados num lençol de açucar e fofas claras, proporcionam momentos de uma gulosa cumplicidade,pois então!

Um casamento perfeito.

Venham de lá, também, esses segredos conventuais.

antónio colaço

Farewell mister Newman

Paul Newman

Ver vezes sem conta- IV

E eis a quarta lista e provavelmente última que recebi como resposta ao meu repto de finais do ano passado.
Desta vez a resposta da Carla G.

“As minhas escolhas tratam-se de filmes que certamente gostaria de rever, mas como tenho uma lista de filmes a ver que vai aumentando como uma bola de neve, rever estes filmes não vai ser tarefa fácil. A ordem pela qual apresento os filmes é arbitrária:

O fabuloso destino de Amélie Poulin (2001), Jean-Pierre Jeunet
O destino (1997), Youssef Chahine
O gosto dos outros (2000), Agnès Jaoui
O tempo dos ciganos (1988), Emir Kusturika
Belleville Rendez-vous (2003), Sylvain Chomet “

Nenhuma repetição nos filmes destas moças e filmes para todos os gostos. Ficam as sugestões e o meu obrigado.

Ver vezes sem conta – III

É engraçado pensar que os filmes que não me canso de rever não são necessariamente os meus favoritos. São os que mais me divertem ou entretêm. O critério foi: “quais os filmes que eu fico de propósito acordada até as tantas para (re)ver se vejo anunciado que vão passar na televisão”.

Casablanca, Michael Curtiz, 1942
O Umberto Eco já disse tudo sobre este filme por isso escuso de estar a inventar: “De acordo com os padrões estéticos actuais, Casablanca não é uma obra de arte. É uma amálgama de cenas sensacionais ligadas entre si de forma implausível; os seus personagens são psicologicamente inverosímeis, os seus actores estão cheios de maneirismos. Mas é um
fabuloso exemplo de discurso cinematográfico (…). Mais do que isso é um filme de culto. E quais são os requisitos para que um filme seja um objecto de culto? A obra tem ser amada. Tem de fornecer um mundo completo, para que os fãs possam citar personagens e episódios como se
fossem credos de um secto, um mundo privado, um mundo sobre o qual se fazer concursos de perguntas e respostas. E o conteúdo terá de apelar usando arquétipos.
” Tradução minha, assim um bocado livre.

Hannah and her Sisters, Woody Allen, 1986
Não é só por ser uma Woodyallenite convicta (ou não tanto, depois destes últimos filmes da tanga onde falta o personagem principal que é New York). É que a banda sonora é extraordinária. É que a procura de um significado para a vida através das várias religiões que o personagem do
Woody faz é das coisas que mais me fizeram rir na vida. É que a Dianne Wiest faz um papel fabuloso. Esteticamente, as cenas são lindas – o Outono em Central Park é sempre um bom cenário. É que graças a este filme, descobri o e. e. Cummings aos 13 anos quando o Michael Caine lê, com aquele sotaque e vozes maravilhosos, o “somewhere i have never travelled” – http://www.poets.org/viewmedia.php/prmMID/15401

Blazing Saddles, Mel Brooks, 1974
Dentro dos filmes cómicos parvos este dá-me especial prazer por ver o racismo gozado de forma tão in-your-face. E tal como o Casablanca tem uma série de frases altamente quotable: “Oh baby you’re so smart and they are so dumb.” – diz o Xerife negro para ele próprio depois de enganar de forma demasiado fácil os racistas da aldeia. E agora que me lembrei que o Gene Wilder entre neste filme, percebi quem é que este miúdo novo, o Owen Wilson, me lembra. É aquele tipo de cómico que por mais disparates que faça tem uma tristeza no olhar que perplexa.

The Blues Brothers, Frank Oz, 1980
Mais uma vez, banda sonora fabulosa, e mais do que isso, participações especiais do Ray Charles, Aretha Franklin, James Brown, Cab Calloway que transformam este filme no meu musical favorito. Sim, porque não me venham lá com histórias, que isto é um musical ainda que cheio de
perseguições automóveis das mais estapafúrdias. Frase favorita: “We’re on a mission from God.


Rear Window, Alfred Hitchcock, 1954

Gosto muito que se consiga fazer um filme excitante só olhando para as traseiras de um prédio. Faz-me lembrar a minha infância porque era capaz de passar horas à janela do prédio da minha avó que tinha umas traseiras muito movimentadas. Continuo a achar que as escadas de incêndio que há nos prédios mais antigos são essenciais ao convívio da vizinhança. E faz-me confusão que já não se chame traseiras e já não se façam “pátios” nem jardins. deve ser por causa das garagens. Detesto a palavra logradouro. Aliás, imagino sempre que a tradução portuguesa devia ser “Crime no Logradouro”.

Here’s looking at you, kid.

C

Os últimos minutos de Six Feet Under

E a Ana M. escolheu:

Magnólia, 1999, P.T. Anderson,

As pontes de Madison County, 1995, Clint Eastwood,

Fala com ela, 2002, Pedro Almodóvar,

As asas do desejo, 1987, Wim Wenders,

8 ½, 1963, Federico Fellini,

E se houvesse um espacinho para séries de televisão: O último episódio de Six Feet Under. “

Ora aqui está o fade out da série:

Ver vezes sem conta – I

E a Mafalda respondeu simpaticamente oa meu repto feito a cinco representantes de mais de metada da humanidade. Eis as suas “cinco” escolhas para filmes que não se cansa de rever.

Eu sou claramente uma rapariguinha de séries, mais do que de filmes, mas lançado o réptil, surgiram-me 6 em catadupa e agora não consigo retirar um! Ó meu amigo, deixa-me pisar o risco e não me obrigues a seleccionar! (Nota: tive que ir confirmar alguns realizadores, mas não me devo ter enganado)

Safe (1996, Todd Haynes)
Não sei se é o melhor filme que eu já vi. Até porque não sei o suficiente sobre cinema para o fazer, mas é claramente o filme que mais me tocou, aquele que me ocorre com mais frequência. Vi-o no cinema King há alguns anos e revi-o apenas uma vez na RTP2 há 2/3 anos no verão (estava eu no Algarve). Bom, muito bom!

Mary Poppins (1964, Robert Stevenson)
A história, a fantasia e a música. Doce.

Música no Coração (1965, Robert Wise)
E não é que nunca consigo de deixar de ficar ansiosa na altura da fuga?! Se as minhas expressões fossem registadas, eu diria que elas se repetem de cada vez que revejo o filme. Ternurento!

E.T. (1982, Steven Spielberg)

E não é que eu choro sempre quando ele se vai embora?! Amizade? É isto.

O Tigre e o Dragão (2000, Ang Lee)
Dever-se-ia traduzir por “Tigre agachado, Dragão escondido”, mas esta abreviatura deve ser mais facilmente memorizada, não sei. Não é uma história complexa, mas a conjugação do enredo, da mítica e das artes marciais, agradam-me e não me cansam.

As palavras que nunca te direi (1999, Luis Mandoki)
Pois é, eu que até nem me acho uma romântica… mas ele há coisas! A história, sim senhor, mas o que me toca são os sinais, os símbolos, o que realmente fica por dizer. E já agora, o filme não se fica atrás do livro ….

Upsss, já está!

Cinco filmes que ainda não me cansei de rever

O Nuno Guerreiro Josué da Rua da Judiaria desafiou-me a enumerar os meus 5 filmes. Recuso-me terminantemente a tal heresia, mas disponho-me a elencar os nomes de cinco filmes que ainda não me cansei de rever. Amanhã, se me pedirem, enumero outros cinco.

* Uma história simples, 1999, David Lynch (The Straigh Story)
* Em Busca de Nemo, 2003, (Banda Sonora em Português do Brasil), Andrew Staton e Lee Unkrich, (Finding Nemo )
* Intriga Internacional, 1959, Alfred Hitchcok (North by Northwest)
* Mister Smith Goes to Washington (1939) de Frank Capra
* Fantasia, 1940, Walt Disney.
Este último com um défice doloroso de visualizações.

E para seguir a cadeia vou pedir a cinco mulheres com e sem blogues que se atrevam a publicar as suas listas. Digamos que 5 filmes que ainda não se cansaram de rever:
Ana M.
Claudia D.
Mafalda F.
Jamila M.
Monica R.

Bergman's Emptiness

"The Knight looks into the eyes of the girl to search for The Answer.
What do the dying girl's eyes see?
Do they see the Devil welcoming a wicked witch in Hell?
Or, if she is an innocent child, do they see God and the Angels welcoming her in Paradise?
The girl's vision reinforces the Knight's worst fear…

…. She sees Emptiness…."

Últimas palmas para Henrique Viana

Desapareceu aos 71 anos o actor Henrique Viana. Gostava muito do trabalho que lhe conheci na televisão e no cinema. Sempre conseguiu representar de forma exemplar a figura do povo e cativou-me por o ter visto a conseguir representar bem mais que isso no grande ecran. Pelas minhas medidas em grande actor. Infelizmente não o cheguei a ver no Teatro.

Na minha memória pessoal está também associado a um pedaço de geografia da cidade de Lisboa, mais concretamente à Rua dos Poiais de São Bento por onde eu passava amiúde nos meus tempos de licenciatura e onde o encontrava bastas vezes.

Fica a gratidão póstuma tal como ficou o respeito em vida. Condolência à família.

Das cartas de Iwo Jima e outros filmes de guerra

Ontem fui ver As Cartas de Iwo Jima, uma boa história e um bom filme de Clint Eastwood. Desconfio, contudo, que o filme sirva melhor um público pouco habituado a ver filmes de guerra e, consequentemente, a reflectir sobre o fenómeno. Servirá ainda melhor um público que conhece do Japão Imperial apenas os clichês dos filmes clássicos das décadas de 50 e 60… Nesse aspecto de servir o público, o filme é excelente. Garantindo à partida a identificação com a personagem universal do soldado feito à força, comum japonês especializado no fabrico do pão, Clint Eastwood inicia uma história plausível, interpretada por Japoneses – facto não despiciendo -, onde se percorrem alguns dos traços mais marcantes da cultura japonesa vertidos (e popularizados) na sua versão bélica, enquadrando-os de modo a adquirirem o sentido "verdadeiro" que raramente terão tido noutros filmes e na cultura popular em geral. A honra e o seu confronto/complemento com o fanatismo/abnegação, a brutalidade, a ambição, a arrogância, a ignorância (do outro)…  Os japoneses ganham automaticamente humanidade. Bom filme, sem dúvida.

É muito provável que a díptico funcione como um todo mais rico mas houve já na história do cinema (e não é preciso recuar décadas) filmes que conseguiram mostrar-nos tudo isto de forma genérica ao ponto das partes em conflito pouco importarem para se fazer passar o retrato fiel da guerra e da multiplicidade de dramas e paradoxos que gera. Filmes que à história dual do "nós contra eles" retrataram muito melhor o soldado, a influência do desgaste físico e psicológico das tarefas rotineiras e não rotineiras rumo ao campo de batalha. Achei estranhíssimo o sublinhado da narrativa na construção de trincheiras na praia por oposição à relativa omissão do necessariamente brutal trabalho de preparação das grutas… Detalhes? Claramente não eram preocupação do realizador reduzindo esses factos (tal como a difteria) a brevíssimas anotações no enredo. A sensação com que saí do filme, contrariamente ao que tenho visto em outros filmes de Eastwood, foi uma de que a habitual economia narrativa redundou em simplismo e em superficialidade – mesmo tendo contado com bons actores.

Um bom filme, na linha dos clássicos como muitos têm dito, mas distante de The Thin Red Line (A Barreira Invisível) e de Saving Private Ryan (O Resgate do Soldado Ryan), para pegar nos exemplos que tenho mais presentes. Talvez eu seja particularmente exigente neste género. Recordo-me frequentemente de cenas e episódios de outras peças que este filme não conseguiu equiparar… Muitos anos a ver excelentes séries de guerra britânicas?

P.S.: Já agora, o mais emocionante filme (telefilme neste caso) sobre cartas de militares enviadas às suas famílias que vi foi "Dear America" (em torno da conflito no Vietnam).