Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

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Archive for October, 2015


As eleições ganham-se ao centro? À esquerda? Por cima? Por baixo?

Isto é muito interessante: “O que os eleitores “querem”“. E, apesar de serem dados de 2011, põe numa perspetiva curiosa aqueles que têm a certeza que as eleições se ganham ao centro ou à esquerda (ou por cima, ou por baixo). Afinal, no essencial em relação a várias perguntas fraturantes, os eleitores de PS, PSD, CDS, BE e CDU não são estruturalmente assim tão diferentes.

Perante isto porque é que é inverosímil que haja grandes transferências de voto entre extremos? Quais extremos? Sobram poucas diferenças pelo menos face às perguntas retratadas.

Um governo de esquerda: ponto da situação

Dia 7 de outubro:

Esta democracia tem de ser mais madura. Eleitos e eleitores. Fazer “call” ao “bluff” ou à sinceridade de procura de concertação à esquerda é fundamental. Sendo que cada caso (BE e CDU) é um caso. E a hora é agora. Não é daqui a uns meses perante um governo apodrecido, por exemplo.
Espero que António Costa consiga o mandato que estará a pedir na Comissão Política Nacional do PS [que conseguiu] e que está a ser anunciado nos media.
Na pior das hipótese haverá pedagogia política; na melhor um grande salto evolutivo na nossa democracia que, note-se, pode até acontecer mesmo sem um acordo a três [e consequentemente sem governo de esquerda].
Tempos muito interessantes. Muito do futuro político do país no curto mas também no médio e longo prazo pode decidir-se por estes dias. Ao centro, à esquerda e à direita que isto está mesmo tudo ligado.

Dia 10 de outubro:

Baixa no secretariado do PS. Não há bluff. A minha dúvida agora é quanto ao grau de pureza do BE. Conseguem enfiar algum radicalismo na gaveta? Quando uma parte faz três exigências, se forem atendidas pela outra, está disposta a enfiar o resto do programa extremista na gaveta para evitar um governo de direita?
O PS é de longe quem está a investir mais capital político neste processo. O BE já estabeleceu três exigências. Creio que não são inultrapassáveis mas quer isso dizer que prescindem do extremismo no resto?
Na realidade ainda não fazemos ideia no que estão dispostos a ceder para viabilizarem um governo com um partido da esquerda moderada como o PS.
Espero que segunda-feira fique claro.
Note-se que considero que seria um suicídio político para o PS (e não só, mas com o mal dos outros…) se o governo de esquerda fosse algo diferente de uma coligação a três no governo. Todos empenhados. Todos com a carne toda no assador, a bem do país.

Se o pior acontecer (falta total de entendimento ou de pontes para um entendimento futuro) nem tudo se terá perdido. Todos os anos nascem inocentes. A malta que vive na política tem tendência a esquecer-se disso. A história ensina-se ou esquece-se.

Neste momento, ouvido Louçã ontem na SIC e recordando todos os episódios da semana, apostaria num cenário em que a coisa à esquerda se resumirá a um jogo do empurra ao PS para que forme um governo minoritário com juras de apoios pontual por parte do resto da esquerda e chantagem de que isso deveria ser suficiente para o PS não apoiar um governo de direita. Não chega. Como disse, ou constroem um programa comum ate´oa nível das questões orçamentais e mecanismos de estabilização automática ou o governo estará condenado ao fracasso. Não é preciso conhecer muito de ciência política para saber isso. BE e CDU têm a palavra. A decisão histórica é exatamente essa.

Recapitulando: Há possibilidades de entendimento à esquerda para um governo estável ou não?

Um à parte final: parece que há muita gente à direita e à esquerda que protestou com o voto e está a descobrir agora que o voto de protesto elege deputados. Parece até que querem fazer de conta agora que foi a brincar, que a construção de maiorias na democracia portuguesa só se pode fazer entre três partidos. Giro.

À moda da Suécia? Da Dinamarca?

Esta democracia tem de ser mais madura. Eleitos e eleitores. Fazer “call” ao “bluff” ou à sinceridade de procura de concertação à esquerda é fundamental. Sendo que cada caso (BE e CDU) é um caso. E a hora é agora. Não é daqui a uns meses perante um governo apodrecido, por exemplo.
Espero que António Costa consiga o mandato que estará a pedir na Comissão Política Nacional do PS e que está a ser anunciado nos media.
Na pior das hipótese haverá pedagogia política; na melhor um grande salto evolutivo na nossa democracia que, note-se, pode até acontecer mesmo sem um acordo a três.
Tempos muito interessantes. Muito do futuro político do país no curto mas também no médio e longo prazo pode decidir-se por estes dias. Ao centro, à esquerda e à direita que isto está mesmo tudo ligado.

A defesa das negociações à esquerda em alguns tweets

  1. Que não reste um português com dúvidas de que o PS fará tudo para encontrar um entendimento à esquerda.
  2. O PS não se pode dar ao luxo de descartar essa hipótese perante tanto namoro público. Que seja cristalino. Depois se verá.
  3. Ou o namoro é profundamente hipócrita e tático (e tem que ser denunciado) ou é genuíno e sincero. O PS tem que pagar para ver.
  4. Afinal não basta deitar fora tsu e descongelar pensões? Vamos por isso à prova à vista de todos. Tem que ser. Oportunidade histórica.
  5. Vamos então em público e com toda a gente a ver o que é (i)negociável. Há 260 mil novos eleitores do BE.
  6. Vejamos se há vontade. Será um erro trágico se o PS não pagar para ver.
  7. Ver até onde chega a arte do possível. Recusar liminarmente encontrar-se com a troika, perdão, com BE e CDU seria suicida.
  8. Repito. O PS tem de pagar para ver. Não tem opção se quer ter futuro. Seja a tentativa bem ou mal sucedida. Tudo em pratos limpos.
  9. É pagar para ver. De preferência com pompa e circunstância. À séria e a sério. Ao mais alto nível.
  10. Com a PAF mínimos é o timming ideal. Respeitemos a vontade popular e procuremos. Existem unicórnios à esquerda?
  11. E se não tentar[o PS] será fustigado sem qualquer contra-argumento válido. Vai falhar porquê? Tudo clarinho.
  12. Será um serviço à literacia política funcionando ou falhando. E um dia pior para o populismo.
  13. Tem que ser. Não há outra solução que faça sentido. Boa política.
  14. Um momento histórico, mesmo.

Vá além do voto

Nunca haverá melhor política sem melhores políticos, sem melhores militantes, sem melhores eleitores, sem melhor participação cívica, sem mais e melhor empenho de quem está dentro e fora dos partidos.
O meu apelo hoje não é a que vote no dia 4, você não precisa de mais apelos desses caro amigo, fará o que entender. Mas deixo-lhe um apelo, de facto, é a que participe da melhor forma que puder e souber e com a disponibilidade que tiver na atividade política que nos serve a todos. Apelo até a que considere sem horror, nem tragédia, passar a militar num partido! Contribuir por dentro com a sua humildade, competência, experiência de vida e cultura democrática para que esse partido, que talvez veja hoje como um eterno mal menor, possa passar a ser um “mal melhor” e, quem sabe um dia, um bem melhor 🙂
Se acredita em milagres e no poder da abstenção, do discurso inflamado nas caixas de comentários ou com os amigos sobre a “corja”, ou se acredita no poder do voto nulo, do voto em branco, do voto de protesto ou mesmo no singelo voto regular nas eleições nacionais, então deixe-se ficar. Eu acho que não chega. Há pouquissima gente a fazer os partidos que temos hoje, falta-lhes a dimensão crítica para gerarem com saúde os próprios quadros políticos que devem nascer de uma família saudável, complexa e diversificada.
Perdoe-me a arrogância, mas se quer ir além do prato atual que lhe oferecem para governar o país e estruturar a nossa vida coletiva, considere, por favor, fazer mais qualquer coisa.
Às vezes pode não parecer, pode até haver lá dentro quem não ache a ideia interessante, mas garanto-lhe que a porta dos partidos está aberta e por muito que o abafem ou não encarem, precisam de si para serem mais e melhor do que aquilo que são hoje. Atrevo-me a dizer que é assim no PS e é assim em outros que habitualmente nos governam. Mas algo está a mudar, algo tem de mudar. Os anos passam, o país vai sempre entrando dentro dos partidos, é certo. Que seja um fenómeno mais comum, mais fluido e mais natural é o que desejo.
Em particular, se o PS é o seu “mal menor” e a casa de onde imagina conseguir chegar mais perto dos seus ideais ou a paixão de sempre mas do qual nunca foi militante, pode dar aqui o primeiro passo (clique).