Categories
Partido Socialista Política

Ó camarada!

Parece-me muito pouco saudável ver dirigentes nacionais do PS maravilhosamente colocados para fazerem ouvir a sua voz nos mais importantes órgãos internos, a precipitarem-se a opinar sobre algo que, em bom rigor não existe, suportando-se em processos de intenção e em interpretações incompatíveis com o desenho do sistema político, o regime de democracia parlamentar de pendor semi-presidencialista e a constituição nacional.
Quando e se houver um acordo à esquerda terão todo o tempo de mundo, palco e condições privilegiadas para fazer valer os seus comentários e opiniões em privado e em público, então já com a faculdade de se fundamentarem em algo concreto e do conhecimento público e sem terem de responder ao opróbrio de terem ativamente contribuído para fragilizar a posição negocial do PS.
Assim sucede-se a menorização da imagem pública que o PS dá de si aos seus eleitores, vincam-se clivagem que até podem vir a destempo, mina-se a legitimidade da direção que recebeu um mandato claro na passada semana para negociar e arranja-se lenha para o PS presente e futuro (sim, a história não acaba hoje, nem com esta direção, nem com estes resultados eleitorais) se queimar.
Em vários casos, a preocupação que parece mover alguns camaradas sobre o futuro do PS parece estar a levá-los a produzir facto políticos que garantem eles próprios a materialização das ameaças de disrupção junto do complexo eleitorado (e universo de militantes) do Partido Socialista.

Um pouco mais de reflexão, alguma paciência e moderação seriam de todo recomendáveis. Digo eu que para aqui ando, militante de base, desresponsabilizado de mais do que das minhas perorações pelo mundo virtual onde também se faz política.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.