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Não há alternativa a um novo corte de €600 milhões em pensões

Se bem entendi das peças que passaram na TV, Maria Luís Albuquerque (MLA), atual ministra das finanças e dirigente do PSD, advogou que é preciso dizer que as atuais pensões (repito, as atuais pensões em pagamento) terão que ser cortadas em mais €600 milhões, defendendo que não é com mais emprego e as consequentes contribuições adicionais para a Segurança Social (e redução de custos por via da redução do subsídio de desemprego, entre outros) que se garantirá a sustentabilidade da Segurança Social. Nega assim a própria evidência que alguma recuperação da atividade económica no último ano está hoje a gerar: as contas da Segurança Social reequilibram-se com mais emprego, menos desemprego, mais crescimento económico.

No entanto, MLA em vez de desenhar uma proposta de política económica que dê maior sustentabilidade a este crescimento ainda marginal que estamos a ter, aposta radicalmente num novo momento de contração abrupta das pensões, garantido se ficar no governo.

Ver a coligação apostar neste discurso sacrificial que não tem qualquer sustentabilidade económica, que gerou uma espiral de desequilíbrio que levou a ainda mais desequilíbrio até a política ser revertida e se provou ser completamente errado como linha de ataque aos problemas estruturais do país e imaginar que este seja  um discurso que venha a cativar eleitores leva-me a projetar a clássica situação do agredido que desculpa sucessivamente o agressor. Ele bate-me mas como já o conheço…

É este tipo de relação que temos que ter com os nossos governos? Será que quem é abusado, espancado, mal tratado não tem um melhor caminho para a sua vida? E não, a bancarrota não desculpa tudo, tal como viver humildemente não desculpa quem dá porrada dia sim, dia sim na mulher ou no marido.

Sair desta relação não resolverá todos os problemas, a situação da nossa economia não deixará de ser frágil por se mudar de partido no governo, mas fazê-lo oferece-nos ter alguém a governar que acredita que há um caminho que vá além da repetição do erro, de uma forma de governar que se confunde com violência gratuita e sem qualquer consistência com uma ideia de futuro coletivo.

Haja bom senso, equilíbrio, rigor e justiça. É fundamental ter um permanente sentido de justiça e de sensatez, em particular quando a situação é exigente. É isso que espero ver oferecido pelo PS aos portugueses nos próximos anos.

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