Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

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Archive for June, 2014


Costa ou Seguro – pesquisa pessoal a inquiridos inevitáveis

Tenho tentado apurar entre amigos, familiares, conhecidos, colegas de trabalho, gente que vota, não vota, é de esquerda e de direita quantos é que acreditam que o atual SG do PS é a melhor aposta do partido para conseguir o melhor resultado eleitoral nas legislativas e o melhor para governar o país.
Rapidamente me falam de António Costa e a maioria que o prefere e lhe reconhece vantagens consideráveis face a António José Seguro é esmagadora em todos os estratos da minha amostra pessoal. A reação à pergunta é por vezes de incredulidade (particularmente entre os jovens adultos): como se isso fosse sequer matéria de dúvida.
Fica o registo. Procurarei atualizar daqui a umas semanas.

Basta o amor; o resto define-se a partir daí.

O momento alto do meu dia foi num velório. E não o digo sarcasticamente, foi mesmo. Que as piores razões nos revelem o que temos de melhor.
Não há justiça divina? Sinceramente interessa-me pouco. Que há justos e injustos, não tenho dúvida. E na minha grelha de navegação nem é preciso um padre maior ou uma promessa de eternidade para que haja lei. Basta o amor. O resto arranja-se, define-se, construindo a partir daí.

O que vale um líder?

Seguro foi, objetivamente, um líder medíocre. Esforçado, dedicado mas insuficiente em vários parâmetros que poderemos discutir se para alguém, passados estes três anos, ainda não forem evidentes. Muitos, uma clara maioria de militantes do PS, atrevo-me a dizer, perceberam isso. Um deles teve a ambição e coragem para se chegar à frente a apresentar-se dizendo: “Eu consigo fazer melhor e creio que é a vontade maioritária do partido que me seja dada a oportunidade de o demonstrar o quanto antes. Eu tenho melhores hipóteses e condições de ser primeiro-ministro.”  Não tendo sido um tontinho isolado, mas antes um protagonista de uma maioria de vontades, foi imediatamente apoiado e está a sê-lo por todo o país. Só não vê quem não quer ver. E esta é uma mensagem política poderosa.
O que um líder não medíocre e convicto da sua certeza teria feito de imediato era aceitar a clarificação democrática. Como aliás creio sempre ter sido feito na história do PS. E isto é o fundamental que está em causa. Qual é o melhor líder para o PS e qual o melhor líder que o PS tem para apresentar ao país.
Ignorar esta realidade política incontornável, enterrá-la por baixo de manigâncias e conversões a reformas contra as quais se definiu a própria direção atual do PS quando foi eleita, desvalorizar esta realidade enquanto aspeto crítico num partido que quer protagonizar a governação do país  é um absurdo político que não consigo entender. É, ironicamente, a prova definitiva de que António José Seguro não tinha, nem tem as melhores condições para continuar a ser SG do PS e muito menos para vir a ser primeiro-ministro do país. Esta é uma razão necessária e suficiente para se mudar de liderança. Política simples e cristalina.

Princípios Gerais das Eleições Primárias no PS

Veja aqui os Princípios Gerais das Primárias  no PS.

O fundamental está ainda por definr e convem que o seja feito com o máximo de competência e visibilidade. O regulamento eleitoral e a sua implementação será crítico para evitar confusões enormes mais adiante.

Seguro: um Renzi Serôdio?

“(…) Seguro pode ainda tentar emular Matteo Renzi.”
João Cardoso Rosas em Questões Pessoais no Diário Económico

António Costa liberta o Renzi que há em Seguro, acabei de ler no artigo de João Cardoso Rosas no Diário Económico. Um Renzi tolhido por gente má como as cobras, sabotadores por todo o lado, durante 3 anos, mas agora é que é. Graças a Costa, tudo irá mudar…

Quando se transforma uma contrariedade, alguém que diverge, que se nos opõe na arena política interna, a própria governação anterior, do mesmo partido, na personificação de todo o mal e a fonte de todos os nossos problemas só há uma coisa a fazer: consultar ajuda especializada que nenhuma contra-argumentação política poderá valer.

Nada disto é novo nas batalhas políticas – a divergência, o antigo com o novo poder, o seu conflito e mediação, o que estava e o que quer estar… O que é novo é esta interpretação completamente unidirecional. Não valeria a pena tentar de facto mudar os termos (durante estes três anos)? Quem teria o poder de ditar essa agenda de reflexão interna? Mas para quê encetar uma discussão sobre o passado, digeri-lo e recicla-lo quando pudemos simplesmente chamar ao outro sabotador?

Houve uns arremedos de generosidade pelo meio, mas onde vi falha no momento seguinte não foi em quem é agora diabolizado. Ficamos contentes connosco, arranjamos um inimigo comum para unir as tropas e… perdemos qualquer hipótese de conseguir ter um partido competente para governar. Este é talvez o maior de todos os problemas, uma permanente perceção de ameaça de um inimigo que nunca se quis enfrentar evitando assim o próprio conflito com eventuais fragilidades do nosso pensamento, da nossa narrativa e das nossas capacidades.

Continuo a achar que, do que vejo, o PS só consegue (e consegue) ser um grande partido, com os recursos necessários para a tarefa que se avizinha, caso venha a ser governo, se os melhores de todas as fações conseguirem encontrar um termo de entendimento e colaboração. Não há assim tanta gente boa e boa gente na vida política com dedicação e competência para fazer bons governos… É um facto. Com Costa no poder será também assim, a tropa não será suficiente ainda que me pareça bem mais próxima do ideal, mas com a solução atual presa numa visão a roçar a paranoia, a autoindulgência e autocomiseração não vejo como. Que se mude e depressa para se voltar a tentar começar a conversar. Com outra liderança, naturalmente. Isto não vai lá com Renzis serôdios.

 

Mesmo no mais luxuoso hotel há quem tenha de limpar a latrina

Estes episódios de luta nos partido interessam pouco à maioria dos meus amigos, bem sei. Mas não se iludam, é nestes momentos que começa a avaliação e a definição do poder que a democracia delega. Foi também para estar melhor informado e para poder contribuir com os meus cinco tostões nestes momentos tão desprezados mas críticos na vida do país que me fiz militante.
É isso que tenho feito nestes dias, com um conhecimento de causa que se tivesse passado os últimos quase dois anos sem participar ativamente como simpatizante e militante dificilmente teria.
Todos teremos opinião mas a informação é crítica para formar uma boa opinião e nestes casos particulares ser-se militante/simpatizante ativo ou mero espetador de sofá não é a mesma coisa. Pelo que se sabe e pelo poder que se tem para influenciar o desfecho.
Tudo isto é política e é fundamental à democracia. Apesar de por vezes haver excesso de humanidade pelo meio.

De como reduzir o número de deputados pode ser uma grande asneira

Propor mexer no número de deputados logo após as eleições em que os partidos do bloco central tiveram das mais baixas votações de sempre e admitindo como hipótese que os 180 deputados remanescentes sejam eleitos em circulos uninominais (onde só os votos do partido mais votado serão considerados) é uma opção justamente criticável por quem vê nisto uma tentativa de passar a ganhar na secretaria afastando o voto real cada vez mais da percentagem de deputados eleitos por partido.
Onde está aqui a enorme preocupação de aproximação aos eleitores?

Com a ameaça de surgirem novos partidos, reduzir o parlamento em 50 deputados e introduzir formas adicionais de distorção de proporcionalidade é, objetivamente, uma chapelada.

Há muitas formas de reduzir o número de deputados e ainda assim manter ou mesmo reforçar a proporcionalidade a nível nacional. A nível regional é que tenho mais dificuldades em defender a minha proposta de redução, mas talvez com 201 deputados se encontrasse uma solução equilibrada. Agora não é sequer essa hipótese que está em cima da mesa com mais uma proposta feita esta semana pelo PS.

A pressa revisitada e mais

I
E que tal as primárias Rui? Tu até és fã?

Dava jeito, logo para começar, que em Portugal a figura de candidato a Primeiro Ministro tivesse algum reconhecimento eleitoral de facto e constitucional (já agora). Imaginem que o candidato entretanto eleito PM morre, como se resolve? Espera-se pelas primárias dentro do partido mais votado? E vota-se de novo em eleições gerais?
O que me parece é que isto foi tudo feito em cima do joelho, colado com cuspo e usado instrumentalmente no meio de uma crise.
Tudo bom para correr mal e destruir o potencial de uma boa ideia.
Uma enorme falta de tino aliada a um aguçado sentido de autopreservação não costuma dar bom resultado.
O dia seguinte será ainda mais difícil.

II
Acabei de ver a entrevista (de A.J. Seguro a Judite de Sousa).

Seguro é muitas vezes melhor, mais aguerrido, mais cheio de genica, um verdadeiro gineto, a batalhar contra adversários internos do PS do que a zurzir contra o governo. Ai lembra-se de colocar como compromisso para um novo contrato de confiança coisas como “permanecer na NATO”.
Mas não há impasse nenhum, em setembro, outubro, novembro ou dezembro faremos história com eleições primárias.
Até lá está tudo resolvido porque tudo isto se resume à ambição de uma pessoa (estou a citar).
Ora essa pessoa só pode ser… Eu. Só posso ser eu que neste momento quero ver outra direção no meu partido e um candidato minimamente competente para ser primeiro-ministro. Se mais alguém pensar assim temos um sarilho, avisem o SG que afinal havia outro e mais outro e mais outro…
Quem fala assim para e sobre os militantes do seu partido merece que nível de respeito dos próprios?
O descontrolo é total. Agora imaginem que tinhamos esta direção a comandar o governo do país. Imaginem uma situação de crise. Imaginem verdadeiras adversidades.

III
“Qual é a pressa?”
Terça-feira (?) resolveu juntar-se às primárias depois de há um ano ter desprezado o desafio de as discutir em congresso e de ter desvalorizado algum do trabalho que o próprio lipp vinha fazendo. Da direção disseram raios e coriscos remeteram para uma ponderada reflexão a fazer mais tarde. Aparentemente esse tempo chegou agora cheio de urgência mas sem abranger o cargo de SG, apenas o de candidato a PM. Agora far-se-á (numa semana?) o estudo comparado e depois se verá como definir simpatizantes como reorganizar os procedimentos a nível nacional como definir os prazos para inscrições. Estamos portanto a começar, apesar de haver propostas internas com mais de ano e meio que poderiam hoje – se tivessem sido levadas a sério – permitir um processo ágil. Assim não sendo o que o SG propõem é enviar o PS para meses de pântano, recusando a cada frase que o seu cargo esteja na berlinda.

Agora é só modernidade. Ideias próprias (!). Habituemo-nos.

O que sobrará do PS se dermos corda a tanta esperteza saloia? E do país se tivermos mais um PM com esta escola?