Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for August, 2013


Opinião: Diz-me como se vota no teu concelho, dir-te-ei quão disparatado é extrapolar para o país.

Estando aqui em Penamacor fui recuperar um pouco da história política recente do concelho e dos atuais candidatos às autárquicas e o caleidoscópio não podia ser mais curioso.

Se as minhas fontes não me enganam, o atual candidato do PSD/PT à Assembleia Municipal já foi Presidente da Câmara eleito (duas vezes) pelo PS e o atual candidato do PS à Câmara já foi eleito presidente da junta por uma coligação PSD/CDS/PT (ainda que em 2009 já tenha integrado listas do PS).

E depois há o caso de estudo que foi Penamacor quando outros só agora ameaçam ser com a proliferação de movimentos independentes oriundos de cisões partidárias. Não encontrem nada de pejorativo nas minhas palavras, é apenas uma constatação histórica e sociológica interessante.

Em suma, o que extrair daqui?

Que conhecer um pouco melhor este tipo de detalhes em éne concelhos do país ridicularizam qualquer tentativa de leitura nacional dos resultados eleitorais numas autárquicas. Os eleitores escolhem motivamos pelo seu melhor interesse e isso a nível local, para o bom e para o mau, só em parte tem a ver com a ideologia esperada da marca partidária que acompanha o proposto executante. E recorde-se que nas eleições para as câmaras vota-se mesmo na lista de executantes, de forma direta, algo que não acontece em mais nenhumas eleições.

Muita reflexão interna a fazer, para quem está dentro dos partidos e, acima de tudo, respeito pelos milhares de eleições autárquicas que vamos ter em setembro.

Publicado originalmente no 365 Forte.

Opinião: Seguro e o PS: o plano A e os planos B

O plano A é conhecido. Partindo do pressuposto (correto) de que Portugal (e outros países com economias fragilizadas) não conseguem sair da atual crise de forma honrada sem outro tipo de disposição e auxílio dos seus parceiros europeus, o atual secretário geral do PS já enumerou um conjunto de metas que irá perseguir tanto na oposição como no governo e que passam por alterar significativamente as restrições externas e omissões de intervenção face à nossa economia.

Não vou discutir detalhadamente as medidas, concordo com muitas delas e considero algumas claramente tentativas, pontos de partida e  nunca pontos de chegada que exigirão concertação europeia e cedências importantes se compararmos as metas aos resultados finais a obter. Tenho em mente quanto a isto, em particular, a ideia da mutualização da dívida pública acima dos 60% do PIB de cada país. Parece-me impossível de implementar do ponto de vista político ainda que desejável no contexto de quem acredita e defende uma integração europeia muito mais expressiva (confesso que já fui mais adepto desse voluntarismo do que hoje).

Em todo o caso, o sinal dado pelas propostas do PS em matéria de gestão orçamental partilhada na zona euro parecem-me clarificadoras e estimulantes para dinamizar a discussão política que está largamente por fazer (acreditam alguns que em banho-maria, a aguardar os resultados das eleições alemãs).

Entretanto, a acrescer a estas propostas já conhecidas, o PS vai pontuando algumas decisões do governo, comprometendo-se com a sua reversão. Já o foi declarado quanto à reforma administrativa que gerou a fusão de freguesias e hoje foi-o outra vez em relação ao corte das pensões. Não retive com rigor se a reversão prometida abrange apenas os efeitos retroativos dos cortes das pensões já em pagamento ou se seria generalizado a todos os cortes agora preconizados.

O PS tem-se oposto terminantemente ao reforço da austeridade por este ser manifestamente contraproducente no atual contexto económico local e internacional. Nesse sentido, esta proposta é coerente.

Contudo…

Contudo, o PS desde que começou a afirmar o caracter imprescindível da renegociação do apoio externo para sairmos da crise – que implicaria parar com a austeridade e algum relaxamento nos objetivos temporais de reequilibrio das finanças públicas – tem vindo, e bem, a ser confrontado pelos jornalistas e também pelo atual governo com a pergunta sobre o que fará o PS no caso das renegociações com os nossos parceiros, não resultar um cenário que permita acomodar, pelo menos na totalidade, esse novo enquadramento que o PS acha vital para a economia nacional voltar a crescer.

Creio que o PS tem dado uma não-resposta pelo que, aparentemente, responder nesses termos seria pactuar com a atual política e fragilizar a posição de força que o PS quer demonstrar junto dos nossos parceiros. Note-se que em nenhum momento o PS admite sair do euro ou deixar de honrar os nossos compromissos financeiros. Sublinho isto porque os graus de liberdade que o PS se auto-impõe (e que as circunstâncias estabelecem) são extremos, o caminho é muito estreito.

O que me leva a considerar que não está a ser dada a melhor resposta à pergunta que acima referi, que além de estar na mente de jornalistas e de adversários políticos creio estar também na mente de um número significativo de portugueses, eventualmente predispostos a apoiar o PS caso a resposta seja convincente.

Mas como pode o PS dar uma resposta convincente se a sua política estará dependente do sucesso de uma negociação que se adivinha difícil?

Esta pergunta ganha relevo sempre que o PS venha publicamente sublinhar que irá inutilizar logo tenha poder, medidas com impacto orçamental. Pode o PS prometer reverter medidas se não está certo de vir a conseguir a “folga” para o fazer? Não estará com isto a descredibilizar-se desde já junto dos eleitores que vão um pouco mais além do valor facial das promessas e prezam a sua memória política recente? Será esse risco consciente e o objetivo justifica os meios?

O pacote de propostas que o PS tem vindo a propor está estabilizado e, diria, é já conhecido por muitos. Logo, será tempo para o passo seguinte.

Por muito pouco convencional que possa parecer aos tarimbados da política, a resposta, parece-me, passa por um suplemento de sinceridade, de profundidade política e de coragem.

Sinceridade e franqueza para admitir que o PS estará preparado para um plano A e para um plano B. No fundo uma prova de maturidade e uma garantia de governo.

Profundidade porque ao admitir um plano B, onde eventuais insucessos negociais possam exigir tomar medidas amargas, o PS pode e deve detalhar o que o distingue políticamente em termos de opções, hierarquia de objetivos, prioridades.

Coragem porque abordar qual a política alternativa num cenário de austeridade (ainda que eventualmente mais moderada do que a atual), implicará, por muito bem explicada que seja (pelo racional de solidariedade, de eficência e de resultado global ao nível do bem estar da comunidade) que alguns ficarão desde logo a saber que a governação do PS dificilmente será do seu interesse, com as potenciais consequências eleitorais que tal possa ter.

Acreditando que haja a clarividência suficiente dentro do PS para perceber que estes são tempos anormais, que a credibilidade nos políticos tem mesmo de ser reconquistada e que uma tática à moda de Passos Coelho (mentir descaradamente em campanha enchendo a boca de verdade  para depois trair com total desplante na governação) não é aceitável e, a prazo, auto-destrutiva, há uma clarificação política que o PS ainda tem de fazer. Passa por criar a convicção no eleitorado de que governará melhor, de forma mais razoável e defensora dos interesses fundamentais que preocupam o cidadão comum, baseada em algo imune a qualquer cenário futuro.

Essa convicção a alimentar passa por o PS conseguir explicitar de forma clara que há sempre uma forma má e uma forma boa de gerir a coisa pública, haja défice ou excedente orçamental. Há sempre alternativas políticas antagónicas na decisão do que fazer com cada um dos euros do orçamento do Estado, algo que este governo tem tornado muito evidente, em particular para aqueles que apregoavam que a ideologia tinha morrido.

Tal como há consumo produtivo e consumo insustentável, haverá poupanças desejáveis e poupanças destruidoras de valor. E isso não depende de como correrá a negociação com a troika. O PS tem de conseguir convencer o eleitorado de que conseguirá gerir muito melhor o Estado português do que o atual governo, em todas as condições meteorológicas e em todos os sector de organização do Estado.

Para isso, terá de conseguir encontrar uma resposta clara e cristalina à pergunta chave que continua a ser, no fundo: em que é que o PS é diferente do PSD? Até que o consiga, em vez de evitar que se acredite que faria igual (como muito portugueses dizem pensar) estará apenas a consolidar essa  perceção. O silêncio ou a pouca clareza não é uma opção.

Pensando bem, dar essa resposta não devia ser uma tarefa muito complicada, pois não?

Publicado originalmente no 365 Forte.

Opinião: Meios aéreos incapazes de controlar o fogo. Habitações em risco. A mentira alastra!

Resumindo: O senhor que não se lembrava se tinha andado a tentar “agarrar” um governo a uma droga aditiva de maquilhamento oneroso de contas públicas (muito à semelhança do que o governo grego aceitou fazer), este senhor que não se lembrava de ter ido às reuniões de venda junto dos assessores do anterior governo, hoje confessou que esteve presente sim senhor.

Horas depois vem o governo dizer que uma das páginas dos documentos sobre as reuniões entregues pelos ex-assessores aos jornalistas não corresponde à cópia autêntica a que o atual governo terá tido acesso. A suposta página adicional altera o fulcro da questão? O jornalista diz que não e o governo reconhece que não, segundo o jornalista (SIC). Mas “prova” que o documento foi forjado e como tal… E como tal… o senhor que diz que não se lembrava se tinha andado a tentar “agarrar” um governo a uma droga aditiva de maquilhamento oneroso de contas públicas e que confessou ter ido tentar vender a coisa continua a ser secretário de estado do TESOURO.

Esta gente tem de ser internada.

Já não é demitida, é internada.

Não estão bem de saúde.

P.S.: acrescento um detalhe sobre o documento forjado… Quis um alinhamento dos astro que, apesar de não ter visto o documento, ter ouvido falar dele e das reuniões há meses largos, nos termos atuais, muito antes deste senhor ir para Secretário de Estado.
Isto é simples do lado do atual governo: mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir.

Publicado temporariamente no 365 Forte.

Opinião: O que é que o PS tem a ver com o PS?

Multiplicam-se as candidaturas com base em militantes do PS em dezenas de concelhos do país. Chega a haver três num mesmo concelho. Naturalmente em cada concelho haverá só uma oficial, as restantes serão formalmente independentes, organizadas por ex-militantes ou por militantes a caminho de processos disciplinares e de provável expulsão. Expulsões que o futuro dirá em que medida se concretizarão. Uma medida que, a avaliar pelo passado, tem uma amplitude de juízos muito diversificada.

Vem daqui algum mal ao mundo? Não necessariamente. Fragilizará quem defende a vantagem dos partidos centrada na responsabilização perdurável, não dependente da figura, mas imputável à marca. Mas até isso é vantagem debatível.

É isto anti-democrático?  Não vejo como. Deve a lei interferir nesta realidade? Se sim para quê? Para resolver problemas internos aos partidos, relativos à legitimação? Não consigo ver como tal possa ser minimamente defensável. As candidaturas independentes são tão legítimas se nascidas dentro ou fora de partidos incumbentes e, pela parte que me toca, por muito incomodo que tudo isto represente para alguns que se sentirão injustiçados, melhoraram a nossa democracia e não o contrário. Será contudo uma experiência em processo de amadurecimento e também por isso me mobilizei para estas linhas.

Os resultados nas próximas eleições serão relevantes para a análise? Obviamente! Doa a quem doer, sinalizarão até que ponto os procedimentos internos de seleção de candidatura encontram ou não apoio junto de quem detém a decisão soberana. E mesmo que o resultado seja a dispersão de votos com vantagem para outros partidos ou movimentos que conservem maior capacidade agregadora, o convite à reflexão estatutária é desejável senão mesmo inevitável.

Para já, há a suspeita de que algo poderá estar a correr muito mal nas estruturas locais do PS, onde o poder de escolher candidatos não joga com a autoridade real para o fazer, provocando cisões que, em número, são importantes. Porquê? Esse é um trabalho que deve gerar curiosidade entre cientistas exógenos ao partido, mas também e particularmente às estruturas locais, regionais e nacionais dos partidos e seus militantes (sim, o fenómeno afeta também pelo menos o PSD e o PCP). E acredito que é um trabalho que está já em curso, pelo menos por uma parte dos militantes do PS e cidadãos não filiados atentos ao fenómeno partidário e à democracia representativa.

Antes que o ruído de campanha cresça de intensidade chego a esta pergunta retórica: quererá o PS repetir daqui a 4 anos a mesma experiência que me parece desde já inquestionavelmente perturbadora da própria imagem e perceção efetiva do que é o PS nas suas várias estruturas de organização existentes no país?

Se não, que caminho pretenderá palmilhar? O da “purificação” interna ou o do reforço dos mecanismos de legitimação junto do eleitorado potencial no ato de escolha dos candidatos?

Perturbam-me dúvidas que creio sairem reforçadas com este fenómeno que agora se revela com magnitude numérica inusitada. Dúvidas como saber até que ponto o militante de base é hoje reflexo fiel do eleitor do PS em cada concelho? Até que ponto consegue interpretar os seus anseios?

A opção entre um caminho e outro terá consequências dramáticas naquilo que será o PS futuro a todos os níveis, do local ao nacional. Convém ter isso bem presente. Para já, a legitimidade da pergunta do título e a dificuldade de resposta a um eleitor que a coloque é evidente: o que é que o PS tem a ver com o PS?

Tenho para mim que o eleitor português será um pouco mais inteligente e competente do que alguns dos políticos que conheço consideram ser. Se falo do PS é tão somente porque é o meu partido e era nele que gostava de ver nascer os exemplos fundadores de uma forma diferente de estar e de fazer política no futuro. A batalha está em curso e o dia 30 de setembro deverá ser momento para um reforço dessa reflexão e, muito provavelmente, para um impulso reformador.

Originalmente publicado no 365 Forte.