Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for September, 2010


5 “batatas” no Alvalade XXI é coisa rara

E não é que estive lá? Gostei dos golos e do apontamento antes do jogo, promovido pela Liga Europa, em que o círculo central foi invadido por jovens vestidos de calças de ganga.

O IVA é espanhol

Com o IVA a 23% a Espanha fica cada vez mais perto, mesmo sem TGV.
E agora “Perguntas para bingo“.

Ordem dos Médicos diz que pedir o genérico pode matá-lo?

Como interpretar esta reacção da Ordem dos Médicos à decisão do Governo de vir a permitir a um paciente escolher o medicamento que há-de comprar SE este for um substituto do receitado pelo médico, ou seja, se tiver o mesmo princípio activo:

” (…) O bastonário da Ordem dos Médicos disse hoje que “não há qualquer vantagem” em os doentes passarem a escolher a marca do medicamento que compram, considerando que a medida “põe em causa a vida das pessoas”.

“É um processo perfeitamente pernicioso que põe em causa a vida das pessoas”, disse à agência Lusa Pedro Nunes, que reagiu ao anúncio do secretário de Estado da Saúde sobre a possibilidade dos doentes poderem escolher, a partir de março, qual a marca do medicamento que compram, desde que respeitem a substância ativa prescrita pelo médico. (…)”

E como interpretar ainda uma afirmação destas que intencionalmente quer atemorizar para algo que não está em causa:

” (…) O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) adiantou que “não há qualquer vantagem para o Ministério da Saúde em implementar medidas dessa natureza”, sublinhando que “se os doentes soubessem que medicamentos queriam tomar e quais os melhores não iam médico”. (…)”


In Expresso

Os médicos receitam marcas de medicamentos antes de receitarem princípios activos?
Porque é que a prática corrente e experimentada em outros países tantas vezes apontados como modelares não pode fazer escola por cá e é mesmo apodada de representar um risco para a saúde pública?
Porque é que a Ordem dos Médicos nunca descobriu a alternativa que seria ajudar o Infarmed a melhorar os seus padrões de avaliação dos medicamentos, já que insiste em minar a confiança da população nos genéricos?

Note-se que o médico pode proibir que se troque o medicamento que receitou exigindo-se para tal que justifique na receita, por escrito, porque se recusa a permitir a substituição do medicamento, por exemplo, por um seu genérico.

Recentemente tive de ir a uma consulta. Receitaram-me um analgésico e um anti-biótico. O médico disse-me que não punha objecções em que comprasse um genérico do analgésico e acrescentou que não me recomendava substituição do anti-biótico (apesar de haver outro genérico significativamente mais barato) porque duvidava da qualidade dos genéricos disponíveis pois, por vezes, não apresentavam com rigor a gramagem rotulada do princípio activo (?!). Naturalmente, acreditei e fiquei informado para poder, mais tarde, se assim o entendesse, averiguar sobre a razoabilidade das dúvidas do médico.
Com a proposta que agora se faz promove-se a institucionalização deste diálogo e, claro, produz-se informação relevante para que a própria autoridade do medicamento analise a informação.

Se eu fosse uma pessoa desconfiada ainda acreditava que tudo isto não passa de uma forma de estrebuchar por parte da Ordem dos Médicos por ver diminuído o poder do médico em condicionar o ritmo de vendas do medicamento A ou B ao prazer dos favores devolvidos pelo respectivo industrial farmacêutico.
Um medicamento genérico é ou não é um medicamento genérico?

Belíssima montagem: Jane Austen + Peter Gabriel

A música é muito cá de casa, a sugestão visual encontrei-a no A Origem das Espécies em plena celebração de ano novo (Bom ano!). E agora silêncio:



E se o governo se demitir à conta de um veto ao orçamento vindo do Conselho Europeu?

Peça de hoje do Diário Económico:

Ecofin adopta veto aos orçamentos nacionais.
Antes de chegar aos parlamentos nacionais, o Orçamento de cada país terá de passar no crivo de Bruxelas.

Os ministros das finanças da UE acabam de aprovar o novo sistema de coordenação orçamental na UE que vai permitir ao Conselho Ecofin validar ou vetar uma orientação de política nacional a inscrever no orçamento antes de este ser sujeito à aprovação parlamentar.

A partir de 2011, o governo vai ter de reportar a Bruxelas as suas intenções orçamentais para o ano seguinte no mês de Abril, incluídos os seus planos no Programa de Estabilidade e Crescimento e no Programa Nacional de Reforma. A avaliação feita pelos parceiros no mês de Junho permitirá ao governo ‘corrigir o tiro’ a tempo de o apresentar ao parlamento nos meses seguintes.

Durão Barroso, o presidente da Comissão Europeia, saudou o acordo em Estrasburgo, diante dos eurodeputados, notando que agora “no inicio de cada ano vamos juntar-nos para preparar os nossos orçamentos. É assim que se controi uma governação económica na Europa”, frisou.”

Note-se que ninguém fala em criar um orçamento comum digno desse nome, gerido pelo executivo central e submetido à crítica e participação do Parlamento Europeu, por exemplo. A opção é mandar bitaites ao nível de cada orçamento nacional de forma bastante mais intrusiva que a patente no habitual PEC. Talvez para em Abril se concordar com um reforço da despesa para dinamizar a economia e para em Outubro se defender o oposto por conta de um percalço num qualquer mercado.
Imaginem que para o ano, lá para Abril, o governo de um qualquer país da União, sendo fiel ao mandato que recebeu dos seus eleitores, resolve levar à agora criada discussão prévia de todos os orçamentos comunitários, um orçamento que não agrade aos seus pares, ou pelo menos, aos seus pares que têm outra ideologia política.
Imaginem que essas linhas directrizes do orçamento do referido país são chumbadas. Note-se que o veto não advém do parlamento nacional, nem tão pouco do parlamento comunitário, advém de um órgão formado pelos representantes do poder executivo dos 27 países. O que se faz nessas circunstâncias?
O governo desse país demite-se e fica à espera que esse colégio de executivos europeus passe a fazer a governação corrente do país? Nomeie ministros, secretários de estado e afins?
Há qualquer coisa neste desenho institucional de União Europeia que não faz sentido, ou, por outras, faz se o perfil democrático e institucional típico das democracias for descaradamente uma fantochada e se todo o pretenso reforço do papel do Parlamento Europeu for essencialmente para sossegar os idealistas que acham que a democracia não deve ser um vestígio mas a única argamassa que poderá consolidar a União.
Todos os cidadãos em democracia devem poder eleger e escrutinar directamente o pilar legislativo e executivo, ora se o poder (e)migra, porque não (e)migra também o meu direito de voto exactamente para o mesmo sítio e para escrutinar esses novos protagonistas detentores do poder? Quem o pergunta é um europeísta convicto, que está naturalmente a simplificar aquele que poderá ser um dos sistemas de introdução da democracia no governo da Europa, um daqueles que vê o modelo federal que já outros inventaram há vários séculos e que é praticado com sucesso na Europa como uma belíssima ideia para a qual deveríamos convergir com a máxima urgência, de forma completa e a uma velocidade, naturalmente.

Um à parte final: o governo estadual da Califórnia está falido, a Califórnia é um dos Estados da União dos EUA, a Califórnia tem orçamento autónomo e correspondente responsabilidade. A União tem os seus mecanismos de equilíbrio que podem passar ou não por apoiar a Califórnia. Os EUA são um estado federal há uns anitos e lá encontraram várias formas de equilibrar o peso da proporcionalidade democrática, com o peso da individualidade no seio de uma União, lá onde até falam a mesma língua. Lá vão repartindo responsabilidades e convivendo com as insuficiências. Por cá caminhamos a passos largos para a implusão às mãos da arrogância e da falta de memória. Seria bom reler os fundadores, os americanos mas também e principalmente os nossos, os da nossa União. Eles conheciam-nos de ginjeira.