Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for June, 2010


Portagens nas SCUTS do resto do país acalmarão o Norte – será isto proto-regionalização?

Em tese sou regionalista. Em tese defender regiões poderia revelar uma coerência natural com a defesa do federalismo europeu que aqui advoguei ontem, mas essa defesa por princípio da regionalização é mesmo cada vez mais apenas teórica. Não consigo deixar de pensar que o que vemos a nível concelhio é relevante para aquilo que podemos vir a ter a nível regional.
Discursos como este: “Presidente da câmara de Matosinhos defende que Governo deve anunciar quando serão portajadas as restantes SCUT“, com fundamento apenas numa espécie de lei de Talião são a anti-tese do que precisamos.
Mais do que averiguar da justiça ou não das discriminações existentes tudo se resume à devolução dos desaforos centralistas com projecções de rolo compressor: todos diferentes, todos iguais.
Porquê? Porque sim, basicamente. É como ter o Donald e o vizinho Silva a gerirem cada um o seu município ou região, na melhor das hipóteses.

Federalismo Europeu: a outra forma de um Português votar para o Bundestag

Isto só lá vai com muita FEE ou UFE (Federação Europeia de Estados ou União Federal de Estados). A prazo as soluções ad hoc, os paizinhos sejam eles Alemães, Franceses ou Marcianos dão buraco, até porque não vindo a autoridade pela representatividade democrática temos de lhe encontrar outra fonte. Sendo ela como parece ser por agora, a lei do mais forte, é fácil recordar, como fez ontem Trichet, que todos têm telhados (e histórias) de vidro.

Se tivéssemos conseguido avançar mais depressa para a construção de um pilar político comum, se tivesses conseguido construir um governo democrático comum, se tivéssemos assumido há mais tempo um destino integral comum não estaríamos agora em vias de invocar paizinhos de ocasião ou, ou se nos submeter, a fanfarrões de ocasião (como queiram).

Com a excepção da Grécia, ninguém prevaricou verdadeiramente face ao que em concílio fomos congeminando. Se há culpa de que os pequenos e médios países se podem recriminar é a de terem sido pouco ambiciosos, de não terem tido maior capacidade de antecipação e de intervenção. É certo que todos falharam nesse particular (ainda que alguns se façam de esquecidos), mas deveria ser quem anda de quando em vez com o chapéu emprestado para se abrigar da chuva que devia arrepiar caminho. Particularmente, nós que não largamos o guarda-chuva. Mas como? Em vez de se ocuparem de polir os sapatinhos dos grandes, deviam zunir-lhes nos ouvidos que isto não vai lá sem rede mosquiteira.
A Europa, no seio de muitos países, tem a prova do que lhe falta como União de Países: coesão. Coesão que não advindo da língua não pode deixar de vir da capacidade de gerir a sua diversidade em termos económicos, de gerir os seus interesses em termos políticos e de se auto-respeitar afirmando-se colectivamente como uma das maiores democracias do Mundo.
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Finis terra Saramago

Em cada livro poderá haver uma revelação, nem só nos aclamados e afamados, nem só nos que amontoam muitas páginas e boas palavras.
Em cada pessoa há uma revelação, nem só nas inteligentes, nas bem postas e carismáticas.

Se em ti houver Deus, estarei bem contigo e com Ele. Sem ti ele nunca teria sido nem será. Convivo e sou para ti e para os outros e também, inevitavelmente, para mim. Que mais precisa haver?

José Saramago morreu hoje no cimo de um vulcão, algures no meio do Atlântico.