Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for October, 2008


Bolinhos,bolinhos.Amanhã, em Mação…

Era certo e sabido: amanhã, dia de Todos os Santos, teria de acordar mal dormido. Eu e os meus companheiros de despreocupada infância do Bairro do Quintal da Estrada, lá para as bandas de Cardigos, freguesia de Mação, já bem no coração da Beira Baixa, com o meu alto alentejano natal, Gavião, quase a perder-se no horizonte.Esperava-nos a madrugadora aventura de descer à Lameirancha, pequeno lugarejo ali à mão, regressar e subir à ingreme sede da vila. Tudo isto em demanda das saborosas broas de mel, broas de milho,alguns chupas de açúcar caramelizado, bem cheirosos marmelos e, não raro, alguns centavos, também.

Bolinhos, bolinhos, às portas dos seus santinhos“!!!Depois do minuto de expectativa lá se abriam as portas das prazenteiras  donas de casa, arregalando os olhos para as nossas bolsinhas, pequenas maravilhas em retalhos ( patchwork, como agora se diz!) e que as nossas atentas Mãezinhas confeccionavam, aos domingos, em demoradas e colectivas tardes de costura junto à Capelinha das benditas alminhas.

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-Maria, não temos de ir ao Jumbo, comprar os rebuçados para os pequenos heróis que ainda resistem?!

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Amanhã, em Mação, resistindo a todos os atentados, os que por cá vamos existindo e insistindo em não querermos perder o contacto com as nossas raízes, é o Dia Maior, a Feira de Todos os Santos. Venham daí!

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Bolinhos para todos os nossos leitores. Uns santos, é o que são!

antónio colaço

Este anúncio não custou 5 milhões nem demora 30 minutos aliás, até lhe pede dinheiro no final

Ah, como seria bom se tivéssemos quem apresentasse a coragem para dizer exactamente o que se deve e não deve fazer quando temos o país à beira da maior crise das últimas décadas.
Como seria bom que alguém tivesse coragem de dizer que das propostas de construção de novas auto-estradas, a única nova via que se deve avançar é a ligação Vila Real-Bragança, como contributo relevante para quebrar o isolamento de Trás-os-Montes. Todos os outros projectos a lançar em concurso público devem ser suspensos e, no caso de auto-estradas verdadeiramente desnecessárias, como é exemplo o troço Mealhada-Oliveira de Azeméis, devem ser mesmo imediatamente abandonados.
Como seria bom que alguém tivesse a coragem para, por um lado, assumir que o programa de construção de dez novas barragens deve continuar e ser acelerado, para aumentar o nível de autonomia energética, bem como a capacidade de armazenamento de água e, ao mesmo tempo, afirmar que o projecto do TGV Lisboa-Caia (a ligar a Madrid) deve ser adiado, em articulação com o Estado espanhol, devendo o dossier ser sujeito a reavaliação dentro de um ano.O projecto do TGV Lisboa-Porto deve ser abandonado, pelo menos nos próximos anos, em benefício da conclusão da requalificação da linha do Norte.
Era bom que em ano de eleições houvesse por aí algum partido com coragem para dizer em público aquilo que quase todos reconhecem no seu íntimo. Este não é o tempo para recuperações do poder de compra de quem recebe o salário pelo Estado: a proposta de aumento da função pública de 2,9%, num quadro de potencial recessão, quando a inflação prevista é de 2,5% é excessiva e demagógica e só pode estar associada a uma opção eleitoralista pouco responsável.
Sim, que se cumpra em 2009 o acordo obtido na concertação social quanto ao aumento do salário mínimo para 450 Euros. Afinal a coesão social exige um esforço para reduzir a pobreza que hoje encontra uma expressão grave nos “novos pobres”, ou seja, em pessoas cujo salário é francamente insuficiente para uma vida digna.
Arranjem-me um partido que consiga demonstrar ser capaz de articuladamente reflectir e fazer-se ao caminho sem lastro traumático e sem responsabilidades opacas que eu atrever-me-ei a fazer mais do que dizer mal e depressa. Melhor É Possível. Ajude-nos a tornar esta alternativa um pouco mas real. Tenha a ousadia e faça o sacrifício de contribuir com um euro que seja para que o MEP possa ter ao menos a justa oportunidade de chegar até si. Não para colocar um anúncio de 30 minutos na TV, mas simplesmente para ter um bocadinho, um pouco mais do que nada, é que acreditamos que é sempre possível fazer mais daquilo que à partida parece tão pouco.

Ah!Água…

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Nesta rendilhada manhã de mil gotas tecida,  que ideias, que anseios, que receios, páram-arrancam, no condicionado asfalto das  mentes  que tardam em libertar-se dos mil e um semáforos que em si trazem fixados, intermitentes …

Um dia virá em que á agua, como boa condutora, nos deixará menos doentes.

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antónio colaço

aniMAÇÃO

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Caríssimo Rui, um destes dias perceberás a MAssificaÇÃO destes múltiplos post sobre esta terra que viu nascer os meus filhos, e, por onde, afortunadamente, passas, quando, na A23, te encaminhas para a tua Benquerença. Quisera eu bem querer, tanto como tu a tua Benquerença, esta terra que não pára de nos surpreender.

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Mas, hoje, o que quero, mesmo, é celebrar esta inédita colaboração, este 2-em-1 da blogosfera portuguesa e que, sem o sabermos, foi antecipada pelo coro das adufeiras de Mação que, habitualmente, saem à rua por ocasião das Festas de Santa Maria, na primeira semana de Setembro.

Sendo que a ânimo nasceu na Rua de S.Bento, em Mação, em Abril de 1979, cumprem-se para o ano, portanto, 30 anos!!!Logo, Adufe(s) + Mação=adufe com ânimo, não sei se estás a ver.

O quê, achas que alguém deveria ter dado por esta colaboração e dela ter feito eco?! Nem pensar.

O tempo dos frenesis deu, agora, lugar à serena escalada dos montes, ao atento perscutar das rotas dos pássaros nos horizontes, ao abeirarmo-nos, confiantes, para matar a sede na cristalina água das suas fontes, sendo certo que, de tão pertinho das nuvens, só poderemos, mesmo, descer mais leves tornando, assim, ainda mais leves, os pesados dias que cá por baixo levávamos.  

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Por isso, de adufe na mão – e o respectivo almofariz  – subamos à montanha – a inaproveitada Serra do Bando, em Mação, verdadeira sala de visitas que esta câmara desavergonhadamente vota ao mais completo abandono – para nela beber o ânimo que nos falta e que nenhum sistema capitalista desregulado, como, desgraçadamente,  temos visto, nos pode dar.

Talvez, assim, mais depressa o possamos arredar da história.

antónio colaço

iluMinAÇÃO

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No final de mais um dia que a Luz se faça em cada rua, em cada casa, em cada consciência adormecida por tantos anos de escuridão.

antónio colaço 

transforMAÇÃO

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Depois da tempestade, vem sempre a mudança.

antónio colaço

Sessenta anos de Conchanata

A propósito de um post com mais de três anos (este – que terá sido uma das primeiras referências à Conchanata na internet) fui contactado gentilmente pelo advogado dos proprietários da “Gelados Itália”, vulgo, Conchanata (talvez a melhor gelataria do país).
Além da precisão quanto ao nome formal e do encarecido pedido para que trocasse “xarope de morangos“, por “calda gelada de morangos“, no texto original do referido post, fiquei a saber que o estabelecimento foi fundado há 60 anos.
A esta fábrica de sabores que vai na segunda geração, desejam-se muitos e bons anos. Haja bons frutos para os gelados, boa memória para recordar a receita secreta e uns euros no bolso dos clientes para ir tipicamente de Março/Abril a Setembro/Outubro, deleitando as papilas, ali para a Avenida da Igreja, em Lisboa.
Parabéns.

Façam soar no ar chicotes

Se tivermos sorte, os vivos de que gostamos, sendo quantos bastem, morrem muito espaçadamente e mais ou menos pela ordem natural.
Aos poucos, vamos tendo oportunidade de sofrer, em doses suportáveis e vamos podendo enfrentar os nossos fantasmas.
Ter um filho, que será para os mais desprevenidos a aparente antitese destas melancolias, pode ser uma lembrança bem mais quotidiana da nossa finitude.
Vem depois a vantagem que também nos estará inscrita em algum lado: está também ali um bocadinho de mim, como estava já naquela calva que herdei do meu avô ou naquela experimentação do paraíso numa qualquer quelha ladeada por flores de sabugueiro.
Pensando por estes trilhos, de vez em quando, vem uma trégua de paz, uma torrente de humildade em que, perante a percepção da partilha imemorável, o nosso umbigo desaparece, armado aos paradoxos.
Segue-se então o travesseiro e esse fiel amigo tão depressa nos leva ao fofo algodão do equilíbrio quanto nos abre de novo ao suor frio do relógio, às vezes sob pretexto de um telefonema aziago a meio da noite, outras sob o pretexto de um choro carente e assustado pelo pesadelo que vem do quarto de um nosso filho. Solidários, voltamos aos fantasmas e voltamos a procurar o trilho.
Será assim com os heathens e também com muitos outros.
Resta-nos um beijo e um abraço, coisas singelas a que voltamos por menos singelos que nos tenhamos. Pelo menos de quando em vez e particularmente nestas horas, amiga.

Doesn't stick, indeed. End of discussion?

“Standing on a red light on Market Street, a San Francisco homeless woman joined me and R. on a futile lover’s quarrel. We ignored her as you do in a city full of homeless people who unfortunately seem in their most part deranged. She listened attentively to the arguments on either side and, as the light turned green and we were about to set out, she said “I wish I had your problems”. End of discussion. And I suspect that just the memory of it will be a stopper to any idiotic quarrel to come.”

In Of Late a.k.a. O Mundo de Cláudia.

Vésperas

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Só por uns instantes, meu caro Rui, esquece todos índices, todas as ordens de compra e venda, estatísticas e infografias, ratios e câmbios, só por uns instantes, Rui, deixa que a tua avenida se torne na nossa avenida da liberdade. Se quiseres, esquece a avenida mas, jamais, a liberdade que ela contém. ( Para quando uma… Avenida da Justiça, por exemplo ?)

Deixa, também, todos estes preciosismos literários.Hoje é noite não de estilo mas de democráticos estalos. Detém-te, por uns instantes, viajemos no tempo, desçamos à clausura de Singeverga e aceita que o meu querido professor Frei Geraldes, no recolhimento da beneditina e  austera adega, te estenda este cálice  e, todos, à uma, o ergamos aos céus, saudando a paz e a justiça que queremos seja uma realidade, já, na terra que pisamos.

antónio colaço

PS- Não, Rui, se bem conheces o Singeverga, nada mais perguntes. Deixa que ele se te revele por inteiro. O seu aroma e sabor é só para eleitos. Todos nós os que por aqui passamos, já se vê!