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Ontem fui à bola

O derby de ontem cumpriu com aquilo que nem sempre se consegue ver mas sempre se espera de um jogo de futebol entre duas equipas equiparáveis e representativas de rivalidades quanto baste. Jogo rasgadinho, cheio de emoção do início ao fim, com golos e momentos de bom futebol. Houve também o resto: penaltys por marcar, a bela da cotevelada nos queixos quando “ninguém” estava a ver, uma ou outra sobre-representação teatral e, claro, intragáveis imitações de queijadas de Sintra à vendas nas bancadas.
Tenho tido a sorte de ver pouquíssimos desaires do Sporting em Alvalade e o dom de me ter esquecido de todos aqueles a que de facto, acredito, ter assistido, particularmente no que se refere e encontros com o nosso grande rival*.
Selectiva, a memória, como se quer, não me permite esquecer que se repetem quase todos os anos arbitragens miseráveis, perdão, inteligentes, e que, quase sempre, tem sobrado Liedson e equipa para anular mais essa contrariedade. Dirão alguns que esta sina é isso mesmo, uma constante da vida deste desporto nacional que acrescenta pimenta ao prato e vai permitindo tantas e tantas vezes alimentar perigosas e enganadoras ilusões de normalidade (e de futuro) entre os bizarros projectos desportivos que têm vindo dos lados de Benfica. A chatice é que esse suplemento gratuito aliado à possibilidade de poderem errar mais um pouco (financeiramente, por exemplo) do que o resto dos clubes nacionais dá por vezes uma vantagem complicada de anular.
Mas adiante, a notícia do dia é que mais uma vez o Sporting renovou os suplementos de esperança face ao próximo jogo, e, avaliar pela história recente, apenas até ao próximo jogo.
Mas como bom Sportinguista não hesito em esperar renovando a pergunta: será desta que conseguiremos uma bela sucessão de boas exibições em crescendo de resultados?
Humildemente é só isso a que o adepto de futebol pode desejar em ano de favas contadas em termos de campeonato. Eu diria que é já pedir o quanto basta para ir gostando deste circo e é também pedir um tanto mais do que aquilo a que temos tido direito.
Amanhã haverá outro derby e daqui a pouco trutas inglesas. Segue a dança em jeito de bailinho. Saúde!

* Minto com todos os dedos que tenho nas mãos, naturalmente.

3 replies on “Ontem fui à bola”

Saí directo do São Carlos e da Flauta Mágica para Alvalade. Vesti a camisola Verde e Branca e lá fui à espera de outra música que na verdade durou 30 minutos, toda verde e branco, num magnifico allegro. Depois a valsa foi outra durante mais 30 num adágio que me fez quase chorar de de tão pungente. Quando chegamos ao terceiro andamento no formato dos concertos clássicos parecia que o folego da nossa orquestra de jovens violinos já se tinha esgotado. Ao Sherzo final contra uns naipes de sopros e de segundos violinos faltou aos primeiros a grandeza e frescura dos primeiros trinta. E pronto … aqui fica um comentário resumido do que vi ontem em Alvalade. Saudações Leoninas.

E diz o Poltronas:

“a bela da cotevelada nos queixos quando “ninguém” estava a ver,”

e questiona o Romeiro:

“Sois ninguém, senhor?”

🙂

Já agora e sem querer entrar em polémicas : mão de Veloso na grande área ? pontapé de Tonel a Cardozo sem bola ? constante teatro dos avançados leoninos (lembra a história de Pedro e o Lobo).
Paulo Paraty errou para ti e para mim (desculpa lá esta tirada ao Paulo Bento).

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