Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for January, 2008


Por cá foi uma cegonha por lá uma âncora

Assim se vai a Internet. Mas apenas uma âncora num cabo sub-aquático? Será assim tão frágil?

“(…) De acordo com a CNN online, O Dubai foi intensamente atingido pela falha da World Wide Web, sendo a explicação oficial para o ocorrido, um corte num cabo subaquático no Mediterrâneo, segundo indicou uma grande operadora de comunicações na região, a Du.

Um oficial do Ministério de Comunicações do Egipto, não identificado, declarou que se acredita que foi a âncora de um barco que poderá ter causado a ruptura, Segundo avançou a AP. O mesmo responsável afirmou que poderá demorar uma semana até ser reparado o problema.

A largura de banda da Índia está reduzida para metade, segundo noticiou a Associated Press, o que deixa a sua indústria lucrativa de ‘outsoucing’ a tentar redireccionar o trânsito, para satélites e outros servidores na Ásia. (…)”

Tão redondinho


Ela:
Realmente é bonito.
Ele: Nunca pensei… E apenas num mês, nem isso.
Ela: Um milhão. Todos os meses.
Ele: E desconfio que é apenas o início.
Ela: Os filhotes crescem, crescem e ninguém os agarra. Tantos pais babados.
Ele: É vê-los crescer. Mais de um milhão por mês a passarem por aqui e por aqui e por aqui e por aqui e por…
TubaraoEsquilo - Rede de Blogues

Lembram-se do que fizeram há dois Verões passados?

A ler “Depois da vitória de ETC, as opiniões de ECT“.
Eduardo Cintra Torres…

"Caíram ministros da Saúde e da Cultura"

Ela: Diz aqui que “Caíram ministros da Saúde e Cultura“.
Ele: Xiii. E o INEM já chegou?

Como diria o Jorge Perestrelo…

Há com cada piupiu em Alvalade. Minha nossa senhora!

CSI Alvalade - Eva Larue

(A imagem é um excerto desta outra do Record)

Um fim de Domingo na bola

Ela: Vais a Alvalade ver o campeão?
Ele: Vou ver o jogo.
Ela: E se o Sporting perde?
Ele: E se ganha?

Saúde: a coisa está pior ou estamos apenas mais atentos?

Dead End

Saúde: a coisa está pior ou estamos (está a imprensa, para variar) apenas mais atentos?
Lê-se no Público:

“(…) Familiares e vizinho de um septuagenário, falecido ontem no Hospital de Vila Real, acusam a unidade hospitalar de falta de humanidade, depois de terem encontrado o idoso “numa maca completamente nu”. A direcção do hospital já prometeu averiguar o caso.

O vizinho e taxista José Carvalho contou que Manuel Pinto, de 79 anos, entrou na urgência do Hospital de Vila Real ao início da noite de quinta-feira, queixando-se de dores, gripe e fraqueza.

Depois de ter sido avaliado pelos médicos, teve alta às 02h00 de sexta-feira. Chamado para o ir buscar ao hospital, o taxista diz ter encontrado o idoso numa maca do hospital, completamente nu e num estado que considerou muito debilitado.

“Tive que gritar por ajuda, para que alguém me auxiliasse a levantá-lo, sentá-lo numa cadeira de rodas e transportá-lo até ao carro. E isto depois de ter sido eu também a procurar um casaco para o tapar, porque estava sem roupas”, descreveu.

O idoso regressou a casa, em Godim, Peso da Régua, onde vivia com a mulher, de 80 anos, e durante a manhã o seu estado de saúde piorou. Regressou à urgência do Hospital de Vila Real ao início da tarde de sexta-feira, onde viria a falecer pouco depois. (…)”.

Já nem sei que diga…

Há mar e mar, há ir e voltar*

Disseram-me que este poema e as suas marcas, estão à beira de completar 40 anos. Será possível?
As referências publicitárias são dedicadas ao hmbf e ao JPT agora em novo endereço (via Ao (es)correr da pena).

Fernando Namora, Marketing

Aqui a meu lado o bom cidadão
escolheu Sagres
que é tudo tudo cerveja
a pausa que refresca
a longa pausa de um longo cigarro King Size.
atenção ao marketing.
Eu não gosto de cerveja
mas tenho de gostar que os outros gostem de cerveja
sobretudo da Sagres
para não contrariar os fabricantes de cerveja.
atenção ao marketing.

ninguém contraria os fabricantes da Opel e da Super Silver
nem os fabricantes de alcatifas para panaceias
nem as panaceias nem os códigos e os édredons macios
nem as mensagens de natal dos estadistas
nem os negociantes de armas da Suíça
nem o homem da capa negra que virou costas ao Palmolive.
Está tudo perfeito e deito-me no conforto de um Lusospuma
a ver as procissões a passar mesmo sem anjos mesmo sem anjos
que são agora selvagens e voam numa Harley.
Deito-me e obedeço aos fabricantes do Clarim
que é uma alta onda ou uma onda alta
sem esquecer as fitas do John Wayne e a chama viva do Butagás
e se calhar sentir fome terei toda a frescura serrana
numa fatia de pão.
atenção ao marketing.
Vitonizo-me desodorizo-me atravesso as ruas nas passagens de peões
louvo quem me dizem para louvar e desconfio dos negros americanos
e dos blousons noirs que não usam Lux
e não compram um frigorífico a prestações
e com o meu escudo invisível
protejo-me dos vírus subversivos
sou um bom cidadão sou um bom cidadão
obedeço ao marketing à General Motors e ao Pentágono.
Dantes tinha problemas era o odor corporal
e eu não o sabia até me higienizar seis vezes ao dia com o sabonete das estrelas
e as paradas marciais e os 5-3 do Eusébio à Coreia
e o talco Cadum que ama demoradamente roucamente tepidamente
os corpos que merecem ser amados…
Obedeço ao marketing não contrario.
Ninguém contraria os fabricantes das ideias e os fabricantes do Fula
que é o da cor do sol
ninguém pisa os riscos brancos do tráfego
nem chama os bombeiros sem concorrer ao sorteio
concorro concorro e vejo nos sinaleiros o pai natal vestido de Scotchgard
ninguém sai do emprego antes de assinar o ponto a horas fixas
e gastar o dinheiro da semana sábado à tarde
no Dardo que é tudo a prestações e é mesmo em frente da Música no Coração.
Fazendo Portugal mais alegre com o folclore da TV e a tinta Robbialac
não contrario obedeço obedeço e meto os meninos na cama
quando me dizem vamos dormir.
atenção ao marketing.
Sagres é uma boa cerveja
e eu acabarei por gostar da Sagres
como gosto do Rexina.
Sagres é a pausa que refresca e tem vitaminas
todas as bebidas da televisão têm vitaminas
mesmo as do programa literário que é detergente
e eu uso-as e sou um cidadão perfeito
e até já consigo adormecer com hipnóticos
depois de tomar o Tofa descafeinado
e no Verão visto calções de banho de fibras sintéticas
para me banhar na Torralta
cidadão perfeito perfeitamente bronzeado com o Ambre Solaire.
Também vou arear as caçarolas e os nervos e os miolos
com um pó azul de que não me lembra o nome
não me lembra mas a culpa já não é minha
porque na mesma noite
massajado com Aqua Velva
fiz a barba com Gillette e Schick e Nacet
e fui não sei aonde com a mesma lâmina
e oito dias depois (eu era actor ou toureiro?)
a lâmina ainda me escanhoou mais uma barba
antes de eu descer no aeroporto
onde me esperava um agente de marketing.
Os produtores viram-se à descida do avião
primeiro julgaram que era o filho da Sophia Loren
ou o Onassis mas era eu
e gostaram da minha barba bem feita.
(Da barba bem feita
ou do casaco Dralon que não se amarrotara
durante a viagem da Polinésia para Lisboa?)
Confesso que já não me lembra mas a culpa não é minha
pois na mesma noite
fui o homem de não sei quê que marca o rumo
por vestir regras ou camisas ou calças que não se enrugam
e fartei-me de assistir a discursos e a inaugurações
e fartei-me de comer chocolates Regina e pescada congelada
e de lavar a roupa com Ajax e com o Rino
e de me banhar com Omo ou seja uma onda de brancura
e fiz-me mecânico de automóveis
só para que o cavaleiro da armadura branca
me tocasse com a sua lança mágica
e me pusesse branco branco branco
três vezes branco como as páginas do Reader’s
de cérebro irrepreensivelmente lexivizado
pelos locutores da televisão pela oratória dos políticos
e passado a ferro com um ferro eléctrico automático
que talvez fosse — ou não? — uma enceradora Philips.
Tudo coisas admiráveis e desesperadamente necessárias
que eu devo ao marketing
e me são cozinhadas num abrir e fechar de olhos
nas panelas de pressão
de todo o bom cidadão.
E no intervalo bebi café puro o do gostinho especial
Sical Sical que é um luxo verdadeiro
por pouco dinheiro.
Vitonizado esterilizado comprando e concorrendo
esqueci-me de amar do amor das árvores e do rio
esqueci-me de mim tão entretido estava a admirar a Lisnave
esqueci-me do rio e dos barcos
e da saudade de pedra do Fernando Pessoa
e esqueci-me de sonhar que era marinheiro.
Concorra concorra foi por isso que não reparei
que uma rapariga cortou as veias
talvez fosse com uma Diplomatic
que tem o fio e o silvo de uma espada a degolar avestruzes.
No programa só havia bombeiros
nem uma rapariga a cortar as veias (não não era a Caprília)
nem o rio nem o amor nem a raiva da Venezuela.
Se mágoa sentia era a de ter esquecido
dar murros no espião da Missão Impossível
(atenção ao marketing)
e já não saí de casa para ver o rio
só pelo gosto de me aquecer com uma Ignis.
E na mesma noite noite boa noite branca
fumei Estoril Valetes Kayakes e bebi Compal
depois da Salus e da Schweppes
fumei quilómetros e quilómetros de prazer
quilómetros e mais quilómetros — há um Ford no meu futuro —
mais facturas mais fomes mais prazer
e agora já não sei qual dos cigarros com filtro
me soube melhor.
Foram todos foram todos de certeza
pois se me dizem que preciso do Omo
do Ajax do Estoril do Dralon
do esquentador e das alcatifas sem nódoas
não me preocupo não te preocupes
o Meraklon não preocupa ninguém
mando para o diabo o amor e o rio e a rapariga que cortou as veias
não me preocupo não me preocupo
digo pois pois ao Jota Pimenta e ao Escort
e hei-de virar-me do avesso para os possuir.
Os corpos que merecem ser amados merecem o talco Cadum.
Numa onda de brancura obedeço ao marketing. Sou um bom cidadão.
E na mesma noite
vi umas bombas que caíam muito ao longe
numa lonjura mais longe que a Lua
onde as pessoas podiam estar quietas a fumas Marialvas
e a lavarem-se com Rino que lava lava lava
lava três vezes mais lava ou mata que se farta
e me ajuda a ser bom cidadão.
atenção ao marketing.
Vi uns homens a inaugurarem estátuas
e vi fardas e paradas e conferências
e crianças a sorrir
para os homens sorridentes que inaguravam estátuas
e vi homens que falavam e pensavam por mim
a escolherem por mim o bom e o mau
de modo a que eu não possa ser tentado
a confundir o mau com o bom ou vice-versa ou vice-versa.
Deitado no conforto de um Lusospuma
vi os porcalhões dos hippies nas ruas de Estocolmo
bem longe nas ruas de Estocolmo
mesmo a pedirem uns safanões
dos homens que acariciam crianças
e têm todas as verdades na mão
só para que eu seja um bom cidadão.
É isto: marco o rumo. As minhas cuecas marcam o rumo.
Preciso e gosto de uma data de coisas
e só agora o sei.
Menos da Sagres. Mas acabarei por gostar.
Ninguém contraria o marketing por muito tempo.
Ninguém contraria os fabricantes de bem fazer
o bom cidadão.
E tudo graças ao marketing.

* Frase atribuída ao publicitário Alexandre O’Neil

A ironia de precisar de uma ambulância

Conheça um pouco do seu país. Depois avalie o mal que pode fazer a ignorância e a tentação de importar o que há lá fora sem pensar meia duzia de segundos.
Calem-se os dramaturgos. Portugal em três actos (via A Origem das Espécies):
Primeiro acto:



Segundo acto:


O terceiro acto está simbolizado aqui.
Para a Sic, chapeau!
Do epílogo saberemos quando o destino nos bater à porta.

A ironia de Billie Holliday

Se a Amy Winehouse me fez lembrar este clássico deve merecer que corra bem a rehab. Now baby or never. Billie Holliday.