Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
Random Image

As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for December, 2007


O Sahara-Ocidental

Segundo lembrou Fernando Alves nos microfones da TSF na semana passada, o Sahara Ocidental, ex-colónia Espanhola ocupada por Marrocos, é membro da União Africana. Não foi convidado para cimeira recente. Esta é uma das situações mais parecidas a nível planetário com o que se passou com Timor Leste. Claramente é um problema que não interessa a este mundo. Mais um.
O Sahara Ocidental não fica em África; não existe.

Pai, quando eu ofereço uma prenda no Natal estou a ser hipócrita?

Adoro oferecer prendas. Adoro receber prendas. Desconfio que haverá muito poucas civilizações presentes e passadas que não tenham reservado um momento, uma época para festejar colectivamente o amor. Acho inspirador o genuíno espírito natalício seja ele o pagão, seja o cristão, ou algo parecido que caiba noutra religião e que se comemore por estes dias.
Acho tristíssimo que a mensagem se perca, tal como acho tristíssimo que se ponham todas as culpas em cima do (inegavelmente poderoso) sistema de indução ao consumo patrocinado por quem quer vender.
Festejar o Natal não é hipócrita. Só é hipócrita quem diz festejar e ignora ou chega a abominar o que é suposto estar a representar. Desesperadamente triste é quem oferece prendinhas exclusivamente por obrigação. Por outro lado, acho revoltante que se confunda com estes todo aquele que quer festejar efectivamente. Uma festa que, sublinhe-se, é por definição transbordante. E aí, a culpa para o mau ambiente, meus caros, não está em quem é triste por si, está antes em quem só sabe apontar o dedo. Em quem não faz o mínimo esforço por compreender o que vê, em estudar minimamente os símbolos em presença, em quem vê na generalização todo um programa simplificado e perfeito.
A minoria existe – não sei sequer se é minoria, e nem isso é minimamente relevante – mas o que é certo é que existe, é que se anima, é que festeja de facto a partilha com os outros. Basta um para poder dar essa garantia.
A superioridade moral é uma coisa…

Boas festas!

P.S.: continuo tão herege como no dia em que fiz A pergunta.

Bios Politikos

No passado dia 23 de Novembro o Miguel Silva vizinho de outros blogues entretanto olvidados reapareceu com Bios Politikos.
Tenho dedicado pouquíssimo tempo à leitura de blogues e são como tal muito escassos aqueles que acabo por ir acompanhando com regularidade. O do Miguel será seguramente um deles.
Um excerto de um texto recente:

” (…) Sempre que é preciso tomar uma decisão de recursos humanos, o elo mais fraco raramente é o menos competente, mas antes aquele com quem se priva menos, aquele com quem se partilha menos afinidades pessoais. Não se trata de uma pecha da direita ou da esquerda. Trata-se de um traço cultural que transcende a geografia, a ideologia, a classe e a actividade. Desengane-se quem pensa que os blogues são algo mais do que o espelho da sociedade em que se inserem.”

Mais uma promessa para enfiar no saco senhor Primeiro-Ministro?

Sem mais comentários, a notícia do Jornal de Negócios (com pouca expectativa pessoal de ver esta a entrar no rol das desmentidas):

Entre os dirigentes da Administração Pública, apenas os secretários-gerais e os inspectores-gerais terão independência do poder político. Ao contrário do anunciado em 2005, o Executivo de José Sócrates decidiu que não vai alargar a lista dos responsáveis públicos que devem manter-se no cargo mesmo que o Governo mude.

Na prática, isso significa que a maioria das chefias vai depender das alternâncias do poder político, comprometendo-se um dos objectivos traçados pelo Governo nos primeiros meses do seu mandato: a despolitização das chefias.

Como já aqui escrevi, quem semeia ventos… Que raio de vida será essa onde quase tudo tem de mudar nos responsáveis máximos e médios da infra-estrutura sempre que se muda o frontespício político do regime? Péssimas notícias a confirmarem-se. Lá vai a queimadura do dedo subir mais um grau na gravidade. É isso e desejar urgentemente que se acabem as maiorias absolutas e o bipartidarismo. Se é para isto que queremos “a estabilidade” é sinal que está na hora de pensar em algo novo para os hábitos cá da terrinha.

Hoje não estreou um filme sobre os Clash

Tem telemóvel com internet? Então tem adufe

Pois parece que sim que a partir de agora pode ver/ler o adufe no seu celular, perdão, telemóvel. Se houver por aí quem seja dessas coisas conte a dizer se é bonito, se funciona. Modernices.

A esquerda, a direita e as outras coisas

Um das outras coisas foi descoberta aqui pelo Pedro Lomba (via João Pinto e Castro). Mas há mais, há mais… Elas que apareçam e depressa!

A histerese na blogoesfera

A poucas semanas de estar há um ano em novo poiso, há ainda cerca de um quinto do total de links ao adufe que apontam ao velho lugarejo, provavelmente os referenciadores nem se aperceberão pois há um redireccionamento automático. Se por aí não vem dano, a “autoridade” mediática contada pelos links a um sítio ressente-se. As entradas pela porta das traseiras são ignoradas pelos classificadores da internet, não é António? O que pode implicar uma (ainda) maior obscuridade do lugar.
Vem isto a propósito da mudança de endereço do A Origem das Espécies ocorrida hoje. Link actualizado! Toca a assapar posts?
O que é a histerese.

A hipocrisia é gradativa e não é incurável

Ainda que haja hipocrisia no abandono da hipocrisia por alguns dos seus praticantes – tantas vezes surge lá para o fim da vida ou depois de abandonarem o poder que podia de facto ter mudado alguma coisa -, acredito que um hipócrita não está condenado a sê-lo para sempre nem para todas as áreas do seu relacionamento humano.
Não ser hipócrita tem um preço e além do preço imediato que vem na etiqueta costuma implicar o pagamento de juros. Mas o reverso também é verídico, sendo que, em muitos casos, a hipocrisia se escolhe porque à cabeça custa muito menos.
No longo prazo, com os juros à mistura, tudo se complica; mas no longo prazo, o pagante inicial pode nem estar já entre os vivos.
Cliches à parte, vai-se tornando evidente o grau e o empenho hipócrita dos políticos que nos governam dentro e fora de fronteiras. Há um cheiro pestilento no ar.
Bem vistas as coisas, a hipocrisia está em extinção. Já não se engolem sapos, fez-se disso o prato preferido na União Europeia. E nós a ver, alguns com os dedos queimados pelos votos passados.

A ler: Adormecidos por Francisco José Viegas e a Diplomacia do Cinismo pelo Luís Novaes Tito.

As vistas curtinhas dos cobradores de sacos

Destaque: Se o governo quer salvar o planeta do desperdício porque é que não estabelece uma relação máxima entre o volume do conteúdo e o volume das embalagens produzidas pela indústria?
Desde cd individuais embrulhados em caixas onde cabe uma resma de folhas A4, a brinquedos minúsculos apresentados nas prateleiras em caixotes bons para as mudanças, tudo se encontra disponível e reluzente nas lojas do país.

Eu uso os meus sacos de compras do hipermercado para acondicionar lixo, nomeadamente para acondicionar lixo separado com destino à reciclagem. Se passar a pagar 5 cêntimos por saco não vou deixar de consumir sacos. Aliás fico a perceber que acondicionar lixo em sacos diferente passa a custar mais dinheiro do que se meter tudo ao monte…
Serei daqueles que nada ganhará directamente com a benemérita medida de salvação do planeta e desconfio que terei um ganho marginal, muito marginal em termos indirectos pois constato que entre amigos e familiares este tipo de sacos cumpre a mesma função.
Finalmente fico ainda mais longe de perceber quanto custa o meu lixo tal é a dispersão de taxas e taxinhas em que é cobrado, desde o que o produtor paga à sociedade ponto verde (e que reflete no preço do produto), até ao custo dos saquinhos (eles também taxados pela sociedade ponto verde) passando pelas taxas de saneamento básico indexadas ao consumo de água lá de casa.

Se o governo quer salvar o planeta do desperdício porque é que não estabelece uma relação máxima entre o volume do conteúdo e o volume das embalagens produzidas pela indústria?
Desde cd individuais embrulhados em caixas onde cabe uma resma de folhas A4, a brinquedos minúsculos apresentados nas prateleiras em caixotes bons para as mudanças, tudo se encontra disponível e reluzente nas lojas do país. Tudo devidamente anunciado na TV, tudo pronto a seduzir os fraquinhos consumidores que não resistem a levar mais um saco cheio para casa.
Governo, meu pai, se faz algum sentido cobrar a quem compra para que compre menos, mais sentido fará evitar na fonte que se gere o desperdício. O poder económico do consumidor para pagar um extra pela embalagem maior ou por mais um saco de plástico não me parece uma opção razoável quando temos de salvar o planeta.

A propósito, quando é que se aprova uma lei que imponha o uso de embalagens de vidro retornáveis nas bebidas vendidas em restaurantes?
Como disse?
Já está em vigor?
Ainda não dei por nada.
Só reparei que a ASAE proibiu o uso de galheteiros e forçou o uso de embalagens individuais para o azeitinho, a bem da nossa saúde. Pois.
Fazer leis é bonito, principalmente com o fito de arrecadar directamente verba a quem não custa fiscalizar. O pretexto é que não passa mais uma vez de pura hipocrisia e/ou burrice.