Archive for Novembro, 2007
Um dias destes Quino
Como é que eu alguma vez aqui teria chegado, vivinho e espevitado, se os meus antepassados tivessem passado a vida preocupados de forma doentia com a sua auto-preservação? Nunca, digo-vos já. E desconfio que se por ventura por cá andasse, provavelmente, não seria muito espevitado. Imagino-me mais pálido, com olhos e nariz maiores, mãos (ainda) mais nervosas e orelhas giratórias. No mínimo.
Mais um “malfeitor” na blogoesfera
Ao mesmo tempo que as tentações controleiras se vão transformando em algo potencialmente mais nefasto também aqui na blogoesfera, eis que surge outro deputado que se apresenta na net, patrocinando também um blogue: o seu. Refiro-me a Marcos Sá, jovem deputado do Partido Socialista.
Se por um lado a imagem de antro de malfeitores parece ir justificando abusivas incursões regulatórias num meio dominado pela opinião, por outro, notícias como esta - a chegada de mais um deputado - criam um saudável paradoxo que pode ajudar a ridicularizar as ditas tentações.
Ao novo vizinho votos de boa ventura por estas ondas.
Quem quer hiper-controlar a blogoesfera e porquê?
Aqui na net, ali na rua ou em qualquer outro lugar estou sujeito a assumir a responsabilidade pelo que eu digo e pelo que eu faço. Porque é que isso não é suficiente? A ler na íntegra, ligações incluídas, o texto do Francisco José Viegas, “A quem possa interessar” que começa assim:
“Caríssimo Dr. José Alberto Azeredo Lopes: li esta notícia e creio dever informar essa Entidade que neste blog não há «conteúdos sujeitos a tratamento editorial» e que, como tenho escrito, os «conteúdos» não estão «organizados como um todo coerente», coisas que me permitem escapar à superior vigilância da Entidade. Mesmo assim, nunca se sabe. Sendo verdade que os socialistas italianos (ou assemelhados) já criaram mecanismos para morigerar a blogosfera (obrigando os blogs a um registo, ao pagamento de uma taxa e a obter um alvará), espero que os socialistas portugueses (ou assemelhados) não caiam na esparrela. (…)”
Ainda bem que pergunta
Eis algumas questões muito interessantes colocadas pelo João Pinto e Castro no Blogoexisto: “Algumas perguntas sobre a Estradas de Portugal“. Como diz o outro, absolutamente a não perder.
Lisboa e arredores: um problema fora do alcance das capacidades camarárias (Act.)
Eu sei que com tantos desmandos, desvarios, irresponsabilidades e incompetências ao longo dos últimos anos, a Câmara de Lisboa está perto da falência, contudo, permitam-me sublinhar uma parte dos efeitos nefastos da tentativa de saneamento por via fiscal.
Surge hoje a notícia que o a Câmara de Lisboa vai encostar todas as taxas e impostos que controla ao limite máximo permitido por lei (faltará saber o que se passará com a derrama se não estou em erro). O IMI mais alto possível, 0% de devolução de IRS que nalguns concelhos poderá chegar a 5%, enfim, o pior cenário possível em termos de carga fiscal.
E notem que o aumento da carga fiscal se faz não para garantir mais serviços públicos do que os tradicionalmente existentes mas para que uma parte dos que actualmente são prestados se possa manter e, eventualmente (um eventualmente muito sublinhado e dependente de reduções na despesa), permitir alguma folga para intervenções estruturais urgentes.
Em suma, tudo medidas que ajudarão a contribuir para que Lisboa seja cada vez menos interessante enquanto local de residência. É difícil comprar casa em Lisboa; é igualmente difícil manter uma casa em Lisboa. Dirão que a alternativa seria ainda pior, que pelo lado da despesa não há margem para fazer num ápice todo o esforço de equilíbrio financeiro. Com as soluções disponíveis no presente, isso é provavelmente verdade. Fica no entanto esta sensação de destino inevitável: o de um esvaziamento humano continuado da capital do País.
Quanto custa ao Estado cada português que trabalhando em Lisboa decide ir morar para um concelho da periferia? Quanto se pouparia se houvesse um retorno de população residente à capital? Em quanto se rentabilizariam os próprios serviços públicos e infra-estruturas se isso acontecesse? Uma forma de “reduzir a despesa” poderia passar por colocar os mesmos recursos já existentes na capital a servirem mais população, aliviando as câmaras limítrofes que estão em muitos casos literalmente “à nora” com o crescimento populacional que enfrentam.
Estas são perguntas que não interessam a um presidente da câmara enquanto tal e cujas respostas são essenciais se queremos estruturar de forma minimamente coerente o espaço e o investimento público com fito ao bem da comunidade.
Em suma, não me parece que seja com cada presidente da câmara a tratar isoladamente da pesada ou menos pesada herança que lhe calhou em sorte que se possa perspectivar uma vida melhor na área metropolitana de Lisboa. Nem será apenas com os tectos de endividamento impostos pelo governo central que tudo entrará nos eixos da melhor forma possível para as populações.
Responder a este desafio é incompatível com o próprio sistema político que temos. Não vos parece?
ADENDA: O Luís Novaes Tito também abordou de forma crítica esta pouco original medida camarária em “Continua o assalto [ I ]“. E via Luís chego à notícia de que em Sintra o caminho é o oposto.
E assim termina uma manutenção técnica indesejada
No momento em que escrevo alguns do blogues da TubarãoEsquilo estão ainda off the air. Infelizmente fomos forçados, no sentido criminoso da palavra, a proceder a uma manutenção técnica profunda. Mas já se sabe que o que não nos destrói tem por vezes o condão de nos fortalecer.
Alive and kicking. O Adufe segue dentro de momentos. Aproveitarei a deixa aliás para alterar o template.
Até breve.
A violência é um mau caminho para a paz
A resposta violenta é um mau caminho para a Paz ainda que em situações limite pouco mais reste. Mas não estaremos a banalizá-la? Não estaremos a forçar as situações limite antes de tempo? Olhar um pouco para a história costuma ajudar. Amartya Sen lança-nos esse desafio neste seu artigo recente no The Guardian:"We can best stop terror by civil, not military, means" (obrigado Claudia!). Um excerto:
"(…) The focus on the civil paths to peace does not ignore, in any way, the basic fact that terrorism and homicide, no matter how generated, are criminal activities that call for effective security measures. No serious analysis of group violence can fail to begin with that basic understanding. But the analysis cannot end there, since many social, economic and political initiatives can be undertaken to confront and defeat the appeal on which the fomenters of violence and terrorism draw to recruit active foot soldiers and passive sympathisers.
The Commonwealth has survived and flourished, despite the hostilities associated with our colonial history. There has been no absence of problems, but we must not underestimate the successes we have had, particularly through replacing the bitter confrontation of the ruler and the rebel with widespread cooperation between independent people.
That success has been possible through the use of a number of far-sighted guiding principles, centred particularly on a multilateral approach. The commission argues that those principles have continuing relevance today for the future of the Commonwealth - and also for the world as a whole. In this sense, Civil Paths to Peace is a modest attempt to present a Commonwealth-based understanding of the civil demands for world peace."
Quando um livro tem páginas em branco (act.)
Desafiou-me a Tati para mais uma corrente recordando-me, sem o saber, que tenho outras respostas em atraso. Mas qual é a proposta desta vez?
Suponho que seja, a 5ª frase da página 161 (ou será parágrafo?), do livro que tenho mais à mão. Pois que tanto dá que tenho um livro malandro entre as mãos: "O Vendendor de Passados" de José Eduardo Agualusa. A página 161 é separador de capítulos e reza apenas "Personagens Reais".
Tento então o 2º mais próximo. E o que diz no sítio onde está a cruz do tesouro? Isto: "- O bilhete para Luanda - explicava tranquilamente o agente a guardar a pistola no sovaco." in "Os cus de Judas" de António Lobo Antunes.
Zeloso cumpridor seguem os próximos desafiados: Mário (eu prometo que respondo ao já longíquo desafio ;-) ), Paulo (como já alguém disse, pode ser um manual técnico), Claudia (in English or not), Catarina (o meu livro estava sem nada no tal sítio e o teu?) já fui tarde, o Luís (pode ser de um livro onde já foi feliz) e… o deputado Jorge Seguro Sanches (pode ser do Orçamento de Estado, mas não necessariamente).
Knowing Mexico by car
Jornais gratuitos “vendem” mais do que pagos em Portugal
Eis algumas estatísticas sobre o assunto em epígrafe disponibilizadas no Jornalismo e Comunicação: "Gratuitos em Portugal com quota de 53% nos dias úteis".
No melhor jogo do ano do Sporting…
… ofereceram-se melões e melancias para todos os gostos.
Saiu-nos um casca de carvalho marinado em molho de vaca temperado com queijo de loba.
Apre!
Allez Sporting, Allez! Sempre!
Porque é que eu não quero saber do défice
Porque é que eu não quero saber do défice?
Porque o que eu quero é saber das responsbilidades do Estado face aos respectivos recursos.
E face a essa pergunta, o défice é assim uma espécie de contracapa de livro onde o editor compõem o ramalhete para que o cliente leve o livro para casa. Cá como lá.


