Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for September, 2007


Vindimar e descansar

E agora, se me dão licença, vou reflectir para outra freguesia. Até breve!

O mal dos partidos também é este (constatação, sem pinga de solução)

Se eu planear o rumo futuro de uma empresa (ou mesmo se planear a minha vida), se o discutir com os restantes accionistas (pode ser com a família) e se chegarmos a um consenso, ninguém esperará que o caminho a percorrer seja esquecido no dia em que venha a assumir a responsabilidade de dirigir essa empresa, no dia escolhido para agir. 

Nos partidos pouco se pensa no futuro e muitas vezes tudo o que se discutiu se esquece no dia seguinte à vitória eleitoral. Terá quanto muito servido para entreter alguns militantes iludidos? Quando há desculpa para a inflexão ela é invariavelmente a mesma: a situação mudou entre o momento de pensar e o momento de executar ou, por outras: "a situação é muito pior do que esperávamos".

Das duas três, ou há demasiado tempo que os partidos haviam deixado de pensar (dai o desfasamento entre o cenário esperado e o encontrado), ou a informação existente é insuficiente, mal apurada, mal interpretada, mal divulgada ou mesmo reservada apenas a quem está no poder, ou ainda a desculpa é apenas uma mentira oportuna para justificar o injustificável: não há um plano de conjunto, apenas pequenas cábulas e expressões pomposas sobre alguns aspectos do milho e dos pardais.

Em todo o caso o que vai dominando por cá há várias legislaturas além do que acima se constata é dar o paso seguinte: pedir cartas brancas. Grande parte dos programas de governo escrevem-se com tinta lavável ou com as palavras com que se criam redondas generalidades. 

Solução? Fazer diferente: usar os neurónios, ser fiel às ideias que se escolheram fruto de reflexão e compromisso e ser intransigente com a verticalidade, nossa e dos outros. Há quem viva assim, poderão viver assim os partidos políticos?

A menos de uma Jesualdice…

A menos de uma grande Jesualdice ou Pintice (que também as há ainda que mas raras) o campeonato está entregue à 5ª jornada. É essa a sensação dominante entre os times de Lisboa, certo?

Aos sportinguistas uma palavra de consolo: consolemo-nos com caçar com gato pois que os poucos leões que temos não aguentam mesmo tanto jogo junto; de quando em vez lá terão de entrar Farneruds e meninos complexados com e sem tranças. É a vida. Fixemo-nos no verde e na estrelas do céu.

O Setúbal foi o bom velho Setúbal, bem melhor do que o que se apresentou o ano passado ou mesmo há dois anos em Alvalade. Uma equipa serpentista, como muitas outras que já passaram e hão-de passar por Alvalade.

Que venha a tradição do ano passado e que as coisas corram melhor fora de casa, ao menos que a relva seja verde. 

Quando se está a ler um livro… (rev.)

Quando se está a ler um livro por vezes outras histórias colam-se ao enredo de forma indelével. Não que o leitor entre num delírio criativo – também pode acontecer – mas porque o mundo nos entra pela leitura adentro oferecendo-nos personagens que poderiam conviver com o que se está a ler.

Aconteceu-me hoje quando viajava do Luxemburgo rumo ao Porto. Andava entretido com um inspector em investigações pelo caribe quando o paternalismo de hospedeiro de bordo (pois se elas são hospedeiras o que são eles?) pôs-me à conversa com uma passageira que vim a confirmar muito depois ser cabo-verdiana. Falando em Francês que o Português fazia pouca lei em Santo Antão há 60 anos atrás e o criolo local não é próprio para não iniciados quanto mais para rapazinhos esbranquiçados, desenrolou-se a história paralela à do livro que se quedou no banco livre que nos separava. Eu servido de pouco mais do que de ouvidos (estimulados pelo ruído de fundo) e por um francês apenas suficiente, ela servida de olhos e de uma voz tristes, ambos de quem buliu muito mundo. A senhora estava servida ainda (desconfio) do saber como compôr uma história ao gosto do ouvinte, um dom inato nos Cabo-Verdianos com que me cruzei até hoje.

Fez-se uma conversa que durou meia viagem: uma morte inesperada que ajudou à urgência do desabafo, as multiplas traições da vida e dos vivos, o dinheiro, o poder, a luxúria, a família, a saudade, o amor, Deus, a tristeza e a cozinha, sempre a cozinha feita profissão no meio da vida daquela mulher a rondar os 70.

Entre a TAP e a Portugália, no trânsito aéreo de Pedra Rubras com Lisboa em vista, perdeu-se o número de telefone e qualquer contacto futuro. Fica garantido porém, como um separador que há-de sempre acompanhar o livro em questão, a memória perene de um capítulo adicional em "Um céu demasiado azul".

Como irá de desenvolvimentos mais aquele episódio da história de Cabo-Verde, pergunto, enquanto leitor, distraído do mundo que passa rápido à velocidade de cruzeiro.

Comprar casa além mar

Hoje recebo a sugestão de promover um serviço de venda imobiliária norte-americano. A empresa, mais uma vez – tenho, noutras paragens, dedicado algum tempo a comparar exemplos de outros sectores -, tem uma página na Internet com um nível de interacção e de informação para o potencial cliente que raramente se vê em empresas lusitanas, oferecendo oferta em várias áreas como sejam:

Como saberão os mais atentos às notícias da economia e finança mundial, o sector imobiliário norte-americano está em crise. A construção e compra de casa novas está em queda, as perspectivas para o futuro são incertas e o recente mini-crash das bolsas mundiais teve origem num problema de solvência de algumas famílias em relação às responsabilidades que tinham com o crédito à habitação (problema que migrou para os bancos).

Não me adiantarei sobre a qualidade do serviço e quejandos pois como é óbvio não estou em condições de o avaliar, destaco apenas uma curiosidade: o nome da página. Ora uma empresa de imobiliário no todo flexível mercado (de trabalho) Norte-americano só se poderia chamar mesmo: National Relocation.

Namaste – II

(como se isto fosse o twitter):

Entao nao e' que acabei de jantar no Luxemburgo num restaurante precisamente chamado Nemaste? Who odd could it get?

E ontem na companhia da fotografia do grao-duque, de D. Jorge Nuno e do presidente Anibal, la' estive a puxar pelo Sporting na sede do FC Porto da cidade do Luxemburgo. Como se estivesse em casa 🙂

Namastê – "o deus que há em mim saúda o deus que há em ti"

Vou de férias, com paragem de trabalho pelo bairro de Kirchberg, a.k.a. Centre Européen.

Para distrair, uma repetição aqui no adufe mas desta vez a versão em carne e osso:

Código do Processo Penal – o processo e a lei

"(…) Então não é que esta revisão do Código de Processo Penal que anda a por os cabelos em pé a muita gente resultou do Pacto de Regime sobre a Justiça que Cavaco Silva abençoou? (…)"

José Medeiros Ferreira

" A palavra recurso para os Tribunais Superiores passou a ter um verdadeiro sentido em Portugal. É a primeira vitória da entrada em vigor do novo Código de Processo Penal. Chegou a hora de os Procuradores e os Juízes exigirem condições para cumprir a Lei. E, já agora, é preciso recordar que a responsabilidade da libertação dos criminosos pertence aos magistrados."

Rui Costa Pinto

Colin McRae, o luto via You Tube

Nunca fui muito de vibrar (bem, talvez um bocadinho) com os desportos motorizados, apenas o suficiente para conhecer a fama e o carinho especial que havia entre muitos dos aficionados lusos por Colin McRae.

O You Tube vai servindo, mais uma vez como recurso popular para partilhar o luto. Bergman, Antonioni, Pavarotti, todos desaparecidos nos últimos meses, todos mereceram profusas homenagens no You Tube; eis aqui alguns dos tributos a Colin McRae que foram carregados nos últimos dias, desde o desaparecimento do piloto que acabou por morrer aos comandos de um helicóptero.

Eu disse you tube? Poderia ter dito Daily Motion onde curiosamente predominam clips do famoso jogo de computador que leva o seu nome. Mas eis um exemplo dos tributos que referi:

Ou ainda este.

Da iluminura à minusculização das letras capitais

No início era a iluminura, agora a minúscula.
A iluminura garantia que não havia um livro sem bonecos.
A minúscula garante que nunca nenhuma letra poderá apresentar-se de fato e salto alto: vai tudo corrido a macacão e crocs, confortáveis mas monocromáticas.  

Encomendou-me este discurso um H barroco que se encontra apaixonado, qual narciso, pelas voltas e contra-voltas com que se apresenta maiúsculo feito a punho e calo.