Adufe 4.0

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
Subscribe

Archive for Julho, 2007

Eu voto em quem?

Julho 11, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política No Comments →

Via Margens de Erro chegou ao "Eu Voto" uma iniciativa que pretende efectuar sondagens on-line entre todos os que desejarem participar. Aderi ao serviço e votei na sondagem sobre Lisboa e, pelo caminho, deparei com uma falha metodológica interamente evitável que introduz à partida um factor de erro que desconfio poderá ser relevante para o apuramento e comparação dos resultados da sondagem com os reais.

O erro está no boletim de voto apresentado. Este mimetiza em tudo o boletim genuíno que os eleitores de Lisboa irão encontrar quando forem às urnas, em tudo menos num detalhe: ao contrário do boletim real, este apresenta à frente do nome do movimento/organização/partido concorrente, o nome do cabeça de lista. Infelizmente também deveria ser assim de facto no acto eleitoral, particularmente nestas eleições em que se vota efectivamente numa lista pré-definida e num candidato a presidente concreto (e não a nomear num cenário pós eleitoral como sucede com o primeiro-ministro) e ainda mais particularmente numas eleições onde surge uma dúzia de candidatos, alguns dos quais desvinculados das marcas partidárias e que têm no seu nome a únca marca reconhecível para os eleitores.

Provavelmente esta distinção no boletim de voto foi intencional, mas julgo que num processo que quererá ganhar alguma credibilidade e que naturalmente ainda não a tem por ser novidade, introduzir este ruído adicional, à partida, não será benéfico.  Não será benéfico no sentido em que haverá muita gente que no Domingo irá ao engano votar no PS para eleger Helena Roseta, algo que só muito distraidamente acontecerá neste exercício electrónico bem mais esclarecedor.

Dito isto, uma última palavra para Helena Roseta e para o movimento que integra: não é com vinagre que se caçam moscas e esta de não colocar o nome da candidata no nome do movimento que foi criado há poucas horas (e que será a única identificação que surgirá no boletim de voto) é ingenuidade a mais. Admitamos que se tratam de custos de aprendizagem nesta navegação pelas terras poucos desbravadas dos movimentos de independentes. Custos elevados desconfio eu. O que é um facto é que nunca o saberemos… Ou saberemos fruto de algum "Eu voto"?

E se os laranjinhas forem mais de férias para fora que os humildes de esquerda?

Julho 11, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política 1 Comment →

Desta vez acho que o vizinho Pedro Adão e Silva (PAS), que leio regularmente na sua habitual crónica no Diário Económico, arriscou demais com base em dados de menos. Comparam-se alhos com bugalhos várias vezes e conclui-se tomando por base valores de sondagens que me parecem ser particularmente limitadas enquanto instrumento credível de análise neste cenário novíssimo de termos uma dúzia de candidatos à câmara de Lisboa, propostos a votos em meados do Verão.

Quando compara a subida do PS com António Costa de 10 pontos a mais que Carrilho (dados de uma sondagem) e constata a pujança da recuperação mesmo com Helena Roseta, temos, por um lado, a instável certeza da sondagem e, por outro, uma menorização do papel demolidor de Carrilho no último resultado eleitoral do PS. Não menosprezemos a catástrofe que foi Carrilho. Escreve a dada altura PAS:

"Com uma grande oferta eleitoral à esquerda do PS, a expectativa seria de um mau resultado socialista. Tal parece não ir acontecer."

A mim o que me parece é que haverá poucas condições para garantir neste momento seja o que for, quanto mais para lucubrar sobre o day after.

Subir 10 pontos apresentando uma figura de proa do partido, comparando com Carrilho, após Carmona, tendo ainda um paraquedista manifestamente desconfortável no papel pelo lado do PSD, será um bom resultado eleitoral, apesar de estarmos a meio da legislatura? E a secessão interna surge como majorante para a qualificação do resultado do PS? Enfim, é tudo uma questão de perspectiva. 

Quando à questão das marcas partidárias que se abordam no texto parece-me um tema muito cá de casa, mas mesmo assim, particularmente oportuno para conversar no dia 16 de Julho de 2007.

Juntas Médicas: uma amostra de governação

Julho 10, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política, Saúde 4 Comments →

Notícia do Público onde se fala de José Sócrates sem deitar abaixo: 

«(…) "Eu fiquei tão chocado como a opinião pública ficou com esses dois casos e penso que não se devem repetir", afirmou José Sócrates à margem da inauguração da mostra PorTI 2007 - Portugal Tecnologias de Informação, Comunicação e Electrónica. Depois de ter conhecimento destes casos, o primeiro-ministro deu "orientações ao Ministério das Finanças" para que seja feita "uma auditoria a todas as juntas médicas da área da Caixa Geral de Aposentações para verificar se há ou não procedimentos que estão errados e que têm conduzido a esses resultados".
"Não é o Governo que decide sobre baixas, mas não gostei de ver estes casos e penso que merecem uma resposta politica", disse o chefe de Governo, adiantando que as auditorias pedidas irão analisar os processos dos dois professores.

Quanto às mudanças legislativas sobre a composição das juntas médicas, Sócrates explicou que passarão a ser formadas apenas por médicos e que a Caixa Geral de Aposentações, apesar de apoiar tecnicamente as juntas, "não participará em nenhuma das decisões". Actualmente, as juntas médicas são formadas por médicos e por um representante da Caixa Geral de Aposentações. (…)»

Um discurso bem diferente e fundamentalmente uma atitude de quem de direito face ao ouvido e ocorrido durante as últimas semanas. É algures por aqui o caminho da segunda maioria absoluta.

Indispensável ler: “De novo sobre a partidarização da administração pública”

Julho 10, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política No Comments →

Dois excertos:

"(…) Um Director Geral deve chegar a esse posto pela capacidade revelada para desempenhar funções de administração, que é como quem diz pela sua capacidade técnica. O mesmo vale para gestores de Institutos ou Empresas Públicas.

Não é isso que hoje se passa. Qualquer pessoa que por razões profissionais entre em contacto com os nossos Hospitais sabe como é raro encontrar-se à frente deles um Administrador minimamente habilitado para a função. Como se isso não fosse suficientemente mau, a situação é agravada pela predisposição dos nomeados para fazerem jeitos aos membros da secção política ou do sindicato que se bateram para colocá-los no lugar que ocupam. (…)

Felizmente, há alguns bons exemplos. O actual Presidente da TAP já sobreviveu a quatro primeiro-ministros. A Administração da RTP nomeada pelo Governo de Durão Barroso mantém-se também em funções. Sabe-se que, num caso e noutro, houve grandes pressões para que fosse adoptado outro rumo, mas, felizmente, o bom senso prevaleceu.

Como se vê, não só a despartidarização da administração pública não é um tema nada simples, como se trata de uma das poucas questões politicas verdadeiramente decisivas com que o país se confronta. Infelizmente, não parece haver nenhum partido político disponível para empenhar-se seriamente na sua resolução."

Escreve João Pinto e Castro no Bl-g- -x-st-. De longe o blogue mais recomendado no Adufe nos últimos dias.

Artigos relacionados: 

O PM duas vezes por mês no Parlamento

Julho 10, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política No Comments →

Da última vez que procurei notícias discutiam-se detalhes mas o essencial estava assegurado: sob proposta do PS, o primeiro-ministro terá audições quinzenais no Parlamento. Sendo o Parlamento um órgão de soberania fulcral no nosso país sempre achei bizarro haver reuniões semanais com o Presidente da República e apenas apresentações esporádicas (nos últimos anos mensais) no Parlamento. Confesso que sempre invejei o exemplo britânico, primeiro-mundista.

(more…)

Parola! (act.)

Julho 09, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Letras e Livros, Web 1 Comment →

Ando em busca da(s) minha(s) palavra(s) favorita(s).

Aqui encontramos algumas sugestões:

 

Mais detalhes no Certamente! 

Então e em relação ao INE? (actualizado)

Julho 09, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE, Política 2 Comments →

Após ter lido este artigo de Vital Moreira, "Partidarização da Administração pública", de que sublinho este excerto:

" (…) Ora, no que respeita aos primeiros (normalmente ocupados em regime de requisição temporária), é perfeitamente lícito e natural que o factor da confiança política entre nos critérios de escolha, desde logo porque se trata de cargos de que depende a boa execução das políticas governamentais (desde o presidente de um instituto público a um director regional). Isto vale para todos os governos e para todas as instâncias de poder. O que importa é delimitar cuidadosamente as duas esferas e impedir a partidarização dos serviços administrativos. Mas a condenação demagógica da liberdade de escolha dos cargos directivos não ajuda a salvaguardar a isenção partidária da Administração propriamente dita.(…)"

Deixo uma pergunta directa a Vital Moreira sobre um caso que me toca mais de perto. O caso muito concreto do Instituto Nacional de Estatística.

Esta instituição em particular merece-lhe algum reparo específico no que toca à comparação com os restantes Instituto Públicos (IP) em que é lícito e natural  que o factor da confiança política entre nos critérios de escolha?

Recordo de forma menos abstracta que o INE rege-se de facto pela mesma legislação recentemente aprovada para todos os IP e, não estando em causa qualquer crítica velada de partidarização da dita instituição, recordo também que as duas últimas mudanças de governo coincidiram com o interrupção dos mandatos de duas direcções do dito Instituto.

No fundo, o que pergunto para este caso concreto é saber que limites devem existir para a relevância da confiança política de cada governo em relação à direcção o INE que encontra. Ou seja, qual o limite das esferas neste caso? O critério geral implícito para os restantes IP deve-se aplicar sem grandes dramas?

Desde já lhe agradeço a atenção que possa prestar sobre este tema.

(Seguiu por e-mail). 

ADENDA: Na volta do correio recebi a resposta que Vital Moreira teve a gentileza de enviar e que aqui reproduzo:

"No meu post falei do tema em geral, havendo porém casos especiais.

No que respeita aos institutos públicos comuns, a lei distingue dois tipos para efeitos da estabilidade dos seus dirigentes: (i) aqueles em que os dirigentes cessam automaticamente os seus mandatos com a substituição do Governo, no pressuposto da sua relação de confiança política; (ii) aqueles em que, por terem natureza essencialmente técnica, isso não sucede, podendo porém ser exonerados a todo o tempo.

Penso que o INE, pela sua natureza essencialmente técnica e pela credibilidade pública que as suas funções estatísticas deve possuir, deve pertencer ao segundo tipo. Melhor ainda, o INE deveria integrar à categoria de “entidades administrativas independentes”, para garantir a sua desgovernamentalização. É para isso que a Constituição prevê essa figura, diferente dos institutos públicos comuns.

Com os melhores cumprimentos

Vital Moreira"

Presidência Portuguesa da União Europeia

Julho 08, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Media No Comments →

Eis um serviço de clipping do que vai sendo publicado diariamente nos jornais e meios, na blogosfera e no site oficial.

Concebido e programado pelo Paulo Querido e integrado na rede TubarãoEsquilo (de que o Adufe faz parte), passa a estar aqui disponível um conjunto de serviços que permitirá ir acompanhando as notícias que se forem escrevendo em boa parte dos media e da blogoesfera, sobre a Presidência Portuguesa da União Europeia. Há várias formas de subscrever os diversos serviços e/ou se fazer uso deles. O serviço básico exige apenas que se siga a ligação.

dossier  especial sobre presidencia portuguesa da uniao europeia

O botão permanecerá residente no Adufe enquanto durar a nossa presidência.

O que é isto? (siga a ligação)

Julho 06, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Mimos 1 Comment →

Actualização aqui!!! 

Sobre a partidarização do aparelho de Estado

Julho 05, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política No Comments →

 "O que eu gostaria de ouvir" por João Pinto e Castro.

 

Lisboa: A minha declaração de voto

Julho 05, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Media, Política 4 Comments →

A política em discurso vicioso - epílogo 

Os partidos tipicamente mais votados no país alegremente desperdiçaram (e desperdiçam) o capital de responsabilidade (responsabilização) com sucessivos erros de escolha para cargos chave na nossa democracia representativa e com sucessivas divergências entre o apregoado em campanha e o cumprido em funções.

Quero com isto dizer que rasgando os cartões de militante qualquer um se pode arvorar em salvador da pátria enquanto que os que o preservarem ficarão manchados para sempre?

Era bom que fosse assim tão simples. Hoje mesmo promoveria aqui na rua uma queima de cartões numa recordação serôdia das festas populares!

O meu propósito com isto tudo (com o , o e o texto) não é o de vir pedir o voto por alguém. É antes o de exigir que não se faça do que menos interessa para a reflexão e acção política o cerne da questão. É exigir que se faça da transparência na acção governativa um objectivo sério e fulcral.

Estou pouco preocupado em medir quem é que tem mais ou menos sede de protagonismo ou em saber quem é mais ou menos puro no coração (aqui o desinteresse resulta de saber esse objectivo inalcansável).

Gostava que se encarasse como natural a existência de concorrência local, regional ou nacional de alternativas não filiadas em partidos políticos.

Ninguém tem mais legitimidade democrática do que aquele que conquiste mais votos no pleno respeito pela lei.

Em política, os pergaminhos em defesa de bons princípios só devem justificar uma preferência quando esses mesmo princípios forem ainda devidamente acarinhados no presente. Pensassem assim mais eleitores e, com eles, mais políticos, e seguramente que não haveria necessidade para todo este discurso.

Na política lusa (a outra quase desconheço) predominam os políticos com stress pós traumático, indivíduos cheios de potencial, em alguns casos, que ao mais pequeno estalido reagem com um pulo para a metralhadora que espreita sempre bem lubrificada lá da sua trincheira. Da passagem da boa política para um acção desfasada da realidade e alheia aos ditos bons princípios democráticos vai apenas um dedo no gatilho.

Como todos os traumatizados de guerra a atravessar um episódio de crise, a própria auto-preservação  do político passa a ser a única razão de ser. O problema não está na inatural e desejável auto-estima, o problema está na intensidade de severidade com que a auto-preservação domina todos os gestos, palavras e omissões. Esta doença que pode atacar independentes ou encartados militantes, não me parece surgir menos representada entre estes últimos, infelizmente.

Posto isto termino com a minha declaração de voto para a primeira volta das eleições para a Câmara Municipal de Lisboa.

Votarei no candidato que penalizará a gestão cessante e o partido que então a suportou.

Votarei no candidato que mais puder contribuir para que todo o executivo tenha de arregaçar as mangas e viver a gestão da câmara como o seu principal desafio profissional dos próximos dois a seis anos.

Votarei no candidato que me der maiores garantias de valorizar o meu voto, em permanência.

Votarei no candidato que mais garantias me der de que não ficará enredado em compromissos e amizades do passado que pouco tenham a ver com os interesses directos e futuros dos residentes de Lisboa.

Votarei no candidato que me dá garantias de equilibrar a humildade indispensável para enfrentar os graves problemas da cidade e da sua câmara e a capacidade de decidir e de inovar não ficando tolhido pela enormidade das dificuldades e das pressões interesseiras que naturalmente circundam o poder autárquico.

Votarei, democraticamente, no menos imperfeito dos candidatos em concurso. 

Votarei em… Mais do que dar-lhe o nome ou a indicação do quadradinho onde há-de pôr a sua cruzinha, convido o leitor eleitor em Lisboa a fazer como eu. A votar bem e a estar por aqui no dia seguinte a exigir mais e melhor do primus inter pares que vier a ser eleito.

A política em discurso vicioso III (act.)

Julho 05, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política 2 Comments →

O mais curioso é que estas frases (a e a 2ª) são tipicamente repetidas pelos mesmos indivíduos num esforço pobrezito de tentar algum tipo de quadratura do círculo: "Eles são iguais a nós no que é ruim, e piores no que é bom". Porquê? Porque sim.

Outra frase sugerida pela leitura destes meus artigos poderia ser: "Lá está este a preparar-se para apoiar a Helena Roseta ou o Carmona Rodrigues".

Traduzindo: na cabecinha destas almas e de alguns que reagem a estas bocas, a palha bastará como tema de discussão.  Discute-se a pureza abstracta e puxa-se o lustro sempre tendo por companhia uma artilharia de esterco (acumulada em sucessivas asneiras eleitorais e executivas) sempre estrategicamente colocada à distância de um braço.

A política em discurso vicioso II

Julho 04, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política 1 Comment →

Outra frase que é também um clássico justificador da bondade do regime partidário: "Um partido dá ao eleitor a garantia de que haverá sempre alguém a quem possa pedir responsabilidades".

Traduzindo: os independentes são voláteis, os partidos não pois neles todos são co-responsáveis pelos actos uns dos outros.

É difícil controlar o riso perante esta frase tão a preto e branco se pensarmos nos últimos seis anos de política nacional e municipal representada por políticos com e sem insígnias partidárias.

Política em discurso vicioso I

Julho 04, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Media, Política 3 Comments →

Eis uma frase que vou lendo por aí: "Aquele(a) "independente" tem é sede de protagonismo." Traduzindo: os independentes são-no entre áspas e querem o mesmo que todos os outros políticos logo, são todos iguais: igualmente maus, pois "a sede de protagonismo" apresentada nesta expressão só pode ser lida como uma característica ruim.

Últimas palmas para Henrique Viana

Julho 04, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Cinema, Teatro No Comments →

Desapareceu aos 71 anos o actor Henrique Viana. Gostava muito do trabalho que lhe conheci na televisão e no cinema. Sempre conseguiu representar de forma exemplar a figura do povo e cativou-me por o ter visto a conseguir representar bem mais que isso no grande ecran. Pelas minhas medidas em grande actor. Infelizmente não o cheguei a ver no Teatro.

Na minha memória pessoal está também associado a um pedaço de geografia da cidade de Lisboa, mais concretamente à Rua dos Poiais de São Bento por onde eu passava amiúde nos meus tempos de licenciatura e onde o encontrava bastas vezes.

Fica a gratidão póstuma tal como ficou o respeito em vida. Condolência à família.



Estatísticas