Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

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Archive for July, 2007


Chapelada para Medeiros Ferreira

"Nova fase no grupo parlamentar do PS ?

 

A dissidência repetida do eleitorado do PS, em números significativos, dá que pensar.Pelo sim pelo não, o grupo parlamentar socialista começou a não aceitar passivamente as propostas governamentais.Vai daí apresentou 74 emendas ao diploma sobre o regime jurídico do ensino superior!Espera-se a mesma genica nas questões sociais…"

Medeiros Ferreira in Bicho Carpinteiro

P.S.: A Sic parece que vai reforçar os meios que tem junto do Parlamento. Atendendo a que haverá mais PM na AR e juntando-lhe exemplos como o acima descrito, parece-me uma jogada de antecipação à Balsemão. 

Um Luís que se reinventa?

A juntar à lista, "A barbearia do senhor Luís", do Luís Novaes Tito nosso antiquíssimo vizinho do Tugir.

Lema do dia sobre o acidente aéreo em São Paulo

Suficientemente parecido com a Portela para dar azo a comparações e a arrepios. Morreu definitivamente a hipótese Portela mais 1.

E que tal passar pelo E&F?

Sugestões de leitura:

Entre outros

Um sistema de tipo presidencialista ou um de sistema de tipo parlamentar

Concordo inteiramente com Vital Moreira neste seu artigo levemente inspirado pela recente eleição em Lisboa "Eleição de Lisboa (2)":

Aqui fica para memória futura com comentário no final:

"O sistema de governo municipal carece de uma profunda reforma, devendo optar-se decididamente entre um sistema de tipo presidencialista ou um de sistema de tipo parlamentar.
Se se quer o primeiro, então o presidente deve ser eleito individualmente (preferentemente por maioria absoluta, obrigando a uma segunda volta se nenhum candidato obtiver maioria na 1ª votação), devendo depois escolher livremente os seus vereadores, tendo em conta a necessidade de assegurar apoio para as suas propostas na assembleia municipal.
Se se quer o segundo, então não deve haver eleição directa nem do presidente nem da câmara municipal, sendo apenas eleita a assembleia municipal, tendo depois o partido mais votado o direito de formar o governo municipal, se necessário fazendo as coligações que se impuserem para garantir uma maioria de apoio na assembleia. Infelizmente, o nosso sistema é uma espécie anómala de "presidencialiamo colegial", que não tem as vantagens de nenhum dos sistemas típicos."

Pessoalmente, ao nível da câmara, estou mais inclinado a simpatizar com o regime presidencialista. Primus inter pares + assembleia municipal. Julgo que se estará a aproximar da prática corrente (eleições centrados no líder da lista) o sistema eleitoral. Simplifica-se e resolve-se boa parte das incoerências, desresponsabilizações e estrangulamentos. Algo que poderá até partilhar afinidades com a eventual implementação de (alguns) círculos uninominais para o parlamento.

Eleições em Lisboa 2007: Curiosidades estatísticas e outros considerandos

 
Curiosidades Estatísticas:
 
  1. António Costa foi eleito presidente da Câmara alcançando menos 17115 votos que Manuel Maria Carrilho em 2005. Obteve 29,5% dos votos validamente expressos, quando Carrilho havia obtido 26,6%, ou seja, agora obteve mais 3 pontos percentuais.
  2. Nunca um presidente da câmara havia sido eleito com tão poucos votos e com tão pequena percentagem.
  3. A abstenção aumentou cerca de 15 pontos percentuais fixando-se em 63%.
  4. Hoje, António Costa e Helena Roseta, em conjunto, obtiveram mais 2891 votos do que Manuel Maria Carrilho em 2005.
  5. O novo presidente da Câmara, tem, em teoria, múltiplas hipóteses de formação de maiorias pontuais (ou em coligação).
  6. A maioria obtem-se com 9 vereadores. O PS ficou com 6. Camona Rodrigues e o PSD têm 3 cada. Helena Roseta e o PCP 2 cada. O Bloco de Esquerda com 1.
  7. Os restantes partidos, à quase inevitável perda de votos, aliaram quedas na percentagem de votos validamente expressos que angariaram. As excepções foram o PNR que praticamente duplicou a sua votação (obteve 1501 votos, representando 0,8%) – uma nota ao cuidado dos Gatos Fedorentos ou antes pelo contrário? – e o PCTP/MRPP que obteve mais 433 votos subindo dos 1% para os 1,6%.

Notas mais de cariz político: 

  • Se a recandidatura do antigo presidente Carmona Rodrigues se poderá enquadrar com exemplos do passado onde outros autarcas concorreram contra os seus antigos partidos, Helena Roseta introduziu com outra visibilidade e enfoque um aspecto mais raro: o da dissidência partidária "pura". O movimento liderado por Helena Roseta ficou atrás do PS, de Carmona Rodrigues e do PSD, obteve 20006 votos representando 10,2% aos quais corresponderam 2 vereadores. Em Penamacor, em 2001, o PS havia já conhecido um exemplo de dissidência que foi particularmente bem sucedido: o movimento de independentes ganhou a Câmara. O mesmo movimento que, grosso modo veio em 2005 a regressar ao PS e a repetir a vitória eleitoral.
  • Continhas à parte, campanha findada, o PS tem algo que nenhum outro partido ou movimento dispõe neste momento: as melhores condições para mostrar com actos que consegue gerir num ambiente de crise a capital do país. Uma oportunidade que em bom rigor não tinha há mais de 30 anos. Esses actos serão a melhor forma de "campanha" para a segunda volta destas eleições a disputar daqui a 2 anos. E este tempo será também o ideal para ir avançando com o que se pretende para o futuro. Vejamos se o PS resiste à tentação de se ocupar com o discurso e a prática corrente das matemáticas partidárias.
  • Vejamos também que tipo de contributo e que atitude os movimentos de cidadãos emprestarão ao governo da cidade.
  • Quanto ao PSD, não deverá estar em condições políticas (tal a sua fragilidade) para completar o seu "suicídio" impossibilitando a governação da cidade. Um aspecto a explorar com sageza por António Costa. Hoje, a maioria absoluta do PSD na Assembleia Municipal parece muito mas pequenina.
  • O eleitor de Lisboa (por acção e omissão) oferece ao país um cenário experimental nos antipodas da "Estabilidade = Maioria Absoluta" e apresenta-se "terrivelmente" adaptativo. A exigência face aos políticos é evidente e a novidade é um caminho possível.
  • Estes resultados por si não comprometem que se acredite que estas eleições foram úteis e que a Câmara Municipal esteja hoje em melhores condições de satisfazer os anseios dos seus habitantes.
  • A abstenção pode ter sido elevada mas não faltam motivos de interesse para acompanhar com atenção a Câmara Municipal de Lisboa nos próximos anos. Dizem que António costa é um "animal político". Tem pela sua frente um desafio político digno e exigente.

P.S.: Tem sempre piada reler o que se escreveu há dias, aqui e aqui.

Ainda um pouco cedo…

Além dos parabéns a António Costa e ao PS e da previsível abstenção, esta é daquelas eleições em que, a 7 freguesias do final do escrutínio, outras conclusões ainda seriam precoces.

Resultados eleitorais: toda a verdade (possível)

No próximo Domingo, depois das eleições em Lisboa, a maioria absoluta está assegurada: a do PSD na Assembleia Municipal.

Nesta coxa primeira volta de um processo que só terá conclusão daqui a dois anos, está quase tudo em aberto, ainda. Irrita-me o pedido de maioria absoluta de António Costa e os excessos de imperatividade da sua campanha, mas também reconheço as inevitáveis limitações do movimento de Helena Roseta. Acredito que será contudo daqui que terá de sair a maioria que melhor governará Lisboa. O meu voto será seguramente para um deles.

O último colector de plantas português

Algo completamente diferente, via A Aba de Heisenberg.

O não referendo da vergonha

Adivinha-se um clamoroso tratado de má fé política. Via Bloguítica chego a esta frase de José Sócrates:

«Os parlamentos têm legitimidade para aprovar tratados e para os fazer em nome dos povos. E há tanto tempo que convivo com estes valores que não aceito desquitar-me deles, em particular neste momento», referiu José Sócrates.

Não houvesse memória nem neurónios na cabeça dos cidadãos e esta campanha passaria incólume. Por mais spin que agora se lhe junte, mais ou menos concertado internacionalmente, não referendar o tratado que se perspectiva, depois de todos os compromissos assumidos há dois/três anos, é uma das maiores traições hstóricas que o actual Partido Socialista poderá concretizar no futuro próximo. Falo especificamente do PS porque é quem tem neste momento (juntamente com o Presidente da República) a responsabilidade e poder para fazer cumprir.

Não é assim que se defende a bondade do projecto europeu. Não foi conhecedor nesta opção política que votei no PS. Ainda há gente com memória senhores e esse mesmo projecto europeu merece, justifica e carece há demasiado tempo – provavelmente há 21 anos – de alguma demonstração inquestionável e inequívoca de que foi reflectido, votado pelos portugueses numa das suas componentes de definição estratégica e histórica.

Poucas matérias me parecem mais razoáveis para justificar a figura do referendo. Não há que ter medo de aliviar a democracia representativa desta responsabilidade. O tratado que se avizinha supostamente poderia servir também esse propósito simbólico há tanto adiado. Afinal apressam-se agora a pôr-lhe aspas, umas aspas menorizadoras. Uma vergonha. Uma vergonha que mancha e fragiliza a própria defesa desse projecto. Defesa presente e, sublinhe-se, futura. 

A 24 de Abril de 1974 alguém terá dito:  há tanto tempo que convivo com estes valores que não aceito desquitar-me deles em particular neste momento. Irónico, não?

Para o bem e para o mal, a nossa democracia é ainda um fedelho, tenhamos a coragem e humildade de o reconhecer e de querer amadurecer mais um bocadinho.