Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for June, 2007


Os alertas sucedem-se

O Paulo Querido opina com propriedade sobre o estado da governação em "Cavaco e Sócrates: outras semelhanças". A diferença face ao que aqui escrevi são meros detalhes, a ler:

"(…) Eu dou para o peditório da “asfixia democrática” por razões parecidas com as que Vital Moreira aponta — mas considero este um momento charneira para quem governa. Por enquanto é a clique “classe média com instrução” (5 a 10 % dos eleitores) a mostrar-se indignada, mas se não curarem a Sócrates os ritos de rigidez, o copo enche até às classes médias remediadas, ao operariado (”serviçariado” fica horrível – mas como descrever a mole humana que vive de biscates a meter dados onde calha, com 600 e 500 euros de soldo?, quantos andam nisso há dez anos?) e ao lumpen e pum, adeus maioria. E adeus oportunidade de recompor um pouco o país depois do ciclone “social-democrata” de Barroso-Lopes. Como Cavaco, eu não perdoarei a Sócrates — e sabem os deuses de todos os quadrantes como eu nunca imaginei escrever uma tal frase!"

Partindo de princípio que o (e)leitor é inteligente…

…escuso-me a mais comentários. Atentem nos detalhes e na argumentação: "Ministro da Saúde explica demissão de directora".

Como se perde o controlo por excesso de controleiros

Qualquer indivíduo que traz na memória a luta do idos anos 90 contra o autoritarismo cavaquista, contra a prepotência de Dias Loureiro, olha para o avolumar das provas de intimidação política com subsequente higienização partidária e fica mal do estômago, do intestino delgado e do grosso, no mínimo. 

Veja-se no Zero de Conduta (via Bloguítica) o resumo da situação até ao momento.

Se a história for tão ruim como parece, qualquer socialista ou simpatizante com a história e marca identitária que o PS se tem arrogado oferecer à nossa democracia, se cobrirá desejavelmente de indisfarçada vergonha. Vergonha e sentido das regras democráticas no exercício do poder é algo que alguns membros deste Governo esqueceram ou que afinal se vem provar nunca terem tido. 

Tudo isto é mau demais para estar a acontecer de forma tão evidente e disseminada! Infelizmente os sinais não estão apenas nas notícias que chegam aos jornais. Infelizmente, o Tomas Vasques está coberto de razão no diagnóstico disfarçado de retórica:

" (…) A directora não colocou o cartaz, apenas não o mandou retirar, nem deu conhecimento à hierarquia, segundo um assessor de imprensa da Administração Regional de Saúde do Norte. Desconheço o conteúdo do cartaz. Mas, provavelmente, não é mais que uma daquelas piadas brejeiramente portuguesa a merecer uma boa gargalhada de qualquer democrata. Mesmo do próprio visado, naturalmente. Exonerar a directora do Centro de Saúde porque não fez de delatora e não «investigou» quem colocou o cartaz, como sugere o referido assessor de imprensa, é um caminho perigoso. Aqui, em Portugal, como em qualquer país democrático. Cabe perguntar: estamos perante um caso de «quebra do dever de lealdade» de um funcionário ou estamos a entrar numa clima de intimidação que irá, certamente, acabar mal?"

Infelizmente, tudo isto começa a ser demais para me conseguir rever no governo que temos. Obviamente que se não se arrepiar caminho já e de forma firme e inequívoca, este governo e o Partido que o suporta merecerão toda a penalização democrática que os portugueses lhe puderem dar. Tornar edificante o sequestro sucessivo da opinião alheia por via da delação e punição administrativa com concomitante purificação por via do recrutamento de iniciados, não se admite como prática aceitável e praticada com desplante, a céu aberto, a ninguém.

Estes exemplos sucessivos não podem enformar o normativo porque se deve reger um funcionário da administração pública. O lema não pode ser o de ter em cada administrador um delator e um polícia político. Há questões de princípio que justificam a dramatização e que anulam milhares de preces e boas medidas de qualquer governo. Repito, esta é uma delas.

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Quase 30 anos de blogoesfera

Faz hoje 4 anos que abri um blogue, não era ainda o Adufe que havia de nascer dois ou três dias depois, mas um tal de Portal – Um país Abreviado. Foi apagado, ressuscitado e hoje vai estando por aí no limbo. Entretanto nasceu este que vai já na sua quarta morada. Não sei como converter em anos de blogoesfera os 4 anos de calendário que já passaram mas sugiro pelo menos um factor de cão, para aí de 1 para 7, no mínimo. Celebra-se então por aqui, por ali (parabéns Leonel) e por muito mais lado quase 30 anos de blogoesfera em plena actividade. Aos que resistem, os meus parabéns. Aos que por aqui passam bem como por ali, no irmão mais novo, a minha gratidão pela companhia.

Para já fica a lista do Leonel ("1, 2, 3… 4 ANOS DE MEMÓRIA VIRTUAL"), quase enciclopédica em relação aos da leva de 2003, que serve também de tributo a ele próprio num exemplo muito lá de casa. Vamo-nos lendo por aí!

António Dias, António Granado, Bruno Sena Martins, Cap, Carla Hilário de Almeida Quevedo, Carlos Araújo Alves, Carlos Castro / Luís Novais Tito, Catarina Campos, César Valente, Evaristo Ferreira, Filipe Nunes Vicente / Nuno Mota Pinto, Francisco Amaral, Francisco José Viegas, Gabriel Silva, Henrique Silveira, Innersmile, João Canavilhas, João Carvalho Fernandes, João Morgado Fernandes, João Paulo Meneses, Jorge FerreiraJosé Mário Silva, José Pacheco Pereira, Luís Carmelo, Luís Ene, Luís Rei, Luís Santos, Manuel PintoMário Pires, Martin Pawley, Masson, MJMatos, Nelson Santos, Nuno Guerreiro, Paulo Gorjão, Paulo Querido, Pedro Fonseca, Pedro Mexia, Ricardo Bernardo, Rogério Santos.

Perguntinha…

Há quantos anos é que se conhecem as diferenças entre Tony Blair e Gordon Brown? E há quantos anos se sabe que um sucederá ao outro? É outro nível de política? Andarei a tentar comparar a Premier League com a Liga Portuguesa? A resposta não está nas mãos dos bloguers que mandam bitaites, naturalmente.

Adivinhava-se o disparate: dívidas com 20 e mais anos

Num país onde matar alguém prescreve ao fim de uns anitos, temos agora um Estado que quer cobrar dívidas à segurança social com 20 e mais anos. Mais um argumento a favor daqueles que defendem que este governo só vê receitas e cegou para tudo o resto. Há limites, tem de haver limites e se calhar não deviam estar nas prescrições para crimes de sangue.

O risco do pragmatismo político quando praticado sem inteligência emocional (Rev.)

É com pesar que vejo certas tendências a fazerem escola com o beneplácito das argoladas de gestão política (e talvez mais qualquer coisa) por parte do executivo em vigor.

Vejam-se a este propósito dois comentários relevados com toda a propriedade pelo Paulo Gorjão, de Manuel António Pina ("O feitiço contra o feiticeiro") e Graça Franco ("O aviso"), bem como a concertação europeia mais que evidente para o "downgrade" fictício da importância do tratado não constitucional que aí vem ("O referendo (X)") – tudo para que não se referende.

Felizmente, fico também convencido que há um bocadinho, pequenino em termos de visibilidade, mas nada irrelevante, de PS que existe para além desta precocemente envelhecida maioria absoluta e que vai dando alguma esperança de que no futuro este partido não caia de quatro oferecendo o triste espectáculo de absoluta falta de golpe de asa e de rumo que o PSD ainda vai demonstrando.

Apesar dos preocupantes sintomas de afunilamento do método de governação, não é ainda definitivo o veredicto deste governo (haverá ainda muito por onde recuperar o fôlego e o país, com unhas, naturalmente). Esta outra preocupação com o futuro mais longínquo pode, ironicamente, resolver alguns dos problemas concretos do dia-a-dia. Como sustentar a crítica de absolutismo e do controlo máximo se dentro do partido que sustenta o governo sairem sinais claros e evidentes de que há limites cuja ultrapassagem não pode ser sistematicamente justificada pelo pragmatísmo político e a a luta pela sobrevivência política de curto prazo (de algum ministro, para já)?

Parece, parece, que o futuro do PS, uma alternativa a Sócrates, continuará a tentar caminhar pelos exemplos de sucesso do passado recente (corporizados por Durão Barroso e José Sócrates): o silêncio estratégico é a alma do negócio. Infelizmente, sempre estive convencido que a estratégia deveria ser diversa e ter alguns reflexos externos ao partido num exercício complicado balizado pela necessidade de lealdade partidária mas também pela absoluta necessidade de ir oferecendo crítica construtiva, pontualmente diversa das políticas do executivo. Uma prática que fosse abrindo a porta, deixando claro que há uma variante, uma oferta diferente que poderá apresentar-se como consequência de um pensamento político estruturado mais do que como um acaso determinado por algum PM que foge do pantano ou outro que se muda para Bruxelas.

Quando penso em alternativas, os apoiantes que me perdoem, não penso na velha guarda e nos suspeitos do costume que mal ou bem vão fazendo o seu papel. Espero que haja por aí alguém com um caderninho na mão a tomar notas e a fazer o curso e espero também que entre no percurso antes da última hora pedindo mais que cheques em branco. O tempo para isso não é só determinado pelo calendário eleitoral e pelos resultados nas sondagens, deveria ser também determinado pela memória do passado e pelos sinais dos tempos que se avolumam e que permitem perspectivar um pouco o futuro próximo.

O que está a dar em Lisboa (versão mono)

Ateliers para crianças na Casa Fernando Pessoa.

As coisas que andam no ar.

Exames nacionais [Poesia pela voz de políticos].

Duas propostas entremeadas com um resumo para quem (como eu) tem andado com pouca paciência e ânimo para políticas (veja-se a excepção no artigo anterior). 

Referendar faz mal porque a vitória do sim não está garantida

" (…) Desde Maastricht(1992) que defendo esse recurso, e só não defendi antes consequentemente essa mesma ideia porque a CRP não acolhia aquele instituto.Por isso continuo a pensar que um dia os portugueses se irão pronunciar sobre a UE em referendo.E quanto mais cedo for melhor.Claro, se o novo tratado for «um nada sonoro» é possivel que não faça sentido o referendo.Mas não é isso que se pretende, pois não?Ou é?"

Diz José Medeiros Ferreira in "A minha posição sobre o referendo" e se me permite digo eu também.

A este propósito recordo um artigo aqui publicado a 22 de Novembro de 2004 onde na altura citava Francisco Sarsfield Cabral: "Sobre o referendo: nem mais!".

Em bom rigor nada mudou apenas a ameaça (mais uma) de o PS voltar a perder a face  – aparentemente com o beneplácito do Presidente da República.  Neste momento a defesa do referendo depende de semântica e, naturalmente, do bruá que venha (ou não) a ser feito, exigindo o dito cujo. Péssimo caminho para defender o projecto (democrático) europeu.

Novo Portal do INE

O INE apresenta hoje o seu novo portal.
Muito sinteticamente acho que é bem melhor que a versão anterior.
De forma igualmente sintética parece-me que há opções estratégicas no mínimo polémicas que me parece dificultarem a navegação pelos dados estatísticos. A sugestão que faço desde já é que se privilegie a pesquisa avançada em detrimento da navegação directa na base de dados –  "Dados estatísticos" – cujos filtros tipicamente filtram muito pouco pois oferecem amiúde dezenas de páginas de resultados possíveis.
De qualquer forma estou certo que o INE estará interessado em obter o feedback dos utilizadores. Notem bem que o Portal deixa de requerer registo e o acesso é inteiramente gratuito.

INE -Novo Portal