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«(…) ir a reboque da "blogosfera".» (act.)

Sobre o destaque que o Público hoje deu às habilitações literárias de José Sócrates recomendo a leitura de "To be or not to be" de Eduardo Pitta.

E ainda João Pinto e Castro (com o seu caso de vida) no Blogo Existo. Um excerto:

"(…) Não faço a mínima ideia se houve ou não alguma irregularidade com a licenciatura de José Sócrates. Não conheço nenhum dos envolvidos.

A única coisa que posso afirmar por experência própria é que, infelizmente, a desorganização grassa em muitas universidades públicas e privadas. É verdade que passou muito tempo desde a minha absurda história, mas não creio que tenha havido grandes melhorias.

Tanto quanto me parece, a única coisa que a investigação do Público prova é isso mesmo.

Mas, então, se o Público não apurou nada de substancial, por que é que publicou a peça?

Não foi bonito."

2 replies on “«(…) ir a reboque da "blogosfera".» (act.)”

Pela verdade acima de tudo

Acredito que seja consentâneo, para muitas pessoas, admitir que a posse de um qualquer título académico não confere ao seu detentor características especiais de competência, idoneidade, respeitabilidade ou qualquer outra virtude.

No entanto, também acredito que só pessoas com vicissitudes de carácter (vulgo, sem carácter) possam aceitar ou cometer a ilicitude do uso indevido de um qualquer prefixo com o intuito de se obter alguma espécie de contrapartida pelo facto. Acresce que, tal “artimanhaâ€? só pode constituir-se como uma assunção de insegurança e/ou incapacidade própria de indivíduos que para singrarem, seja em que meio for, não se cingem à simples manifestação de atributos ou méritos legitimamente comprovados, pelo menos, na área em que pretendam vingar e não numa outra qualquer, se é que me faço entender sem baixar demasiadamente o nível…

Por outro lado, não me custa admitir que já poucos acreditem que, na maioria dos casos, as ascensões de carreira tenham dependido apenas da constatação do mérito dos “bem sucedidosâ€?. Mas afinal o que é o sucesso? Provavelmente, muitos de nós somos bem sucedidos em algum determinado aspecto. Por exemplo, considero que algumas das pessoas que conheço são bem sucedidas na manutenção de valores como a lealdade e a honestidade, isto apesar de todos os maus exemplos pelos quais se poderiam deixar influenciar. Será que afinal isto já não importa?

Para exemplificar o supracitado, passo a contar uma história que espero não se torne demasiadamente fastidiosa, apesar de constituir um mero desabafo e, porventura, assumir contornos idênticos aos de tantas outras histórias. A única diferença, para mim e, infelizmente, também para quem prezo, é que fomos directamente envolvidos.

Uma autarquia do sul do país abriu um concurso público, cujo caderno de encargos definia a necessidade de nomeação de um responsável licenciado em engenharia com experiência comprovada, pela empresa adjudicatária. A nomeação foi feita por quem de direito e o licenciado em engenharia lá apareceu. Era eu. Embora, um pouco mais jovem e muito mais ingénuo!

Com o início dos trabalhos a aproximar-se, realizou-se uma reunião de apresentação entre representantes das entidades adjudicante e adjudicatária. Nessa reunião, e para início de “hostilidadesâ€?, um técnico e um responsável autárquicos interpelaram para exigir a comprovação das minhas habilitações académicas, relembrando na ocasião a obrigatoriedade prevista em caderno de encargos. Acedi a fazer prova das minhas habilitações pois, obviamente, cumpriam integralmente com o exigido.

Os trabalhos preparativos previstos iniciaram-se e seguiram-se dias, noites, semanas e meses de esforço com o qual, aliás, já contava. Completei demasiados dias consecutivos de trabalho sem as normais interrupções para o devido descanso.

No entanto, os representantes autárquicos referidos, insistiram em desprezar todo o empenho evidenciado, tanto por mim, como por várias pessoas que integraram a mesma incansável equipa de trabalho. A insatisfação aparente dessas personagens, verdadeiros caciques autárquicos, revelou-se como uma condição e nunca um estado, tal foi a absurda quantidade e qualidade de obstáculos por eles obstinadamente levantada. Dadas todas as dificuldades criadas, para as quais não encontrava qualquer explicação minimamente razoável, e apesar de continuar confiante na minha inquestionável competência, acabei por ceder e desistir do projecto.

Na sequência da minha desistência do projecto, os supra mencionados representantes autárquicos, com surpreendente prontidão e “amabilidadeâ€?, sugeriram um substituto para a sucessão que, imagine-se tamanha “coincidênciaâ€?, havia manifestado interesse “recenteâ€? no desempenho do cargo então colocado em aberto. A personagem sugerida foi nomeada e a sucessão deu-se assim “tranquilamenteâ€?. Também foi com “tranquilidadeâ€? que se abafou o facto “agora já insignificanteâ€? de o novo responsável pelo projecto não possuir as habilitações académicas exigíveis para o exercício da função em causa, isto apesar de o mesmo não prescindir de se apresentar como licenciado, responsável pelo projecto, e assinar documentação vária com o indispensável “ENG.â€? a prefixar o seu nome.

Ingenuamente, procurou-se a denúncia dos factos supracitados às entidades “competentesâ€? (mas pouco). No entanto, os processos de averiguação que decorreram pouco concluíram. Quase todas as irrefutáveis provas documentais e testemunhais, que não foram poucas, caíram em saco roto, e acabou por se dar o muito conveniente arquivamento. O único resultado prático consistiu nas lamentáveis e cobardes ameaças, inclusivamente, à integridade física e à dignidade inatacável dos denunciantes e das testemunhas. Como “cereja no topo do boloâ€?, fica o registo “humorísticoâ€? do suposto licenciado em engenharia que alega o facto de, por mero lapso, ter assinado inadvertidamente largas dezenas ou mesmo centenas de documentos durante meses, todos eles redigidos por terceiros (imagine-se como será possível…), sem dar conta do facto de nestes constar referência errónea à sua pretensa formação académica, bem como às funções de responsabilidade que também passou a alegar nunca ter exercido. Afinal, a personagem em causa que, só possuía frequência universitária, supostamente apenas exerceu funções de “porta-vozâ€?.

Reportando agora ao tema da alegada apresentação de habilitações literárias falsas, ou apenas “desvirtuadasâ€?, no currículo do Sr. José Sócrates, Primeiro-ministro de Portugal, e ressalvando a possibilidade de se verificar a sua presumível inocência na matéria em apreço, a não ser que se produza prova irrefutável em contrário, oferece-me comentar que, aconteça o que acontecer na realidade, o desfecho só poderá ser um… O do inevitável e conveniente esquecimento pois valores mais altos se levantam.

DÉJÀ-VU…

P. S. РEspero que se possa compreender a omisṣo da identifica̤̣o de personagens e entidades como um acto de auto preserva̤̣o e nunca cobardia.

SILVA, um português.

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