Archive for Janeiro, 2007
Caso Esmeralda: há dois anos e meio que deveria ter tido rumo diferente
Com um atraso de dois anos o Tribunal Constitucional diz que volta tudo à estaca zero. Isto é que está muito mal na Justiça portuguesa - não critico a decisão (pelo menos para já) mas a demora. Quanto ao resto, mantenho naturalmente tudo o que já aqui escrevi. Fica o essencial da notícia de há minutos:
"(…) No acórdão, os juízes consideram "inconstitucional" a decisão do Tribunal da Relação, datada de 2004, que recusa a pretensão dos pais adoptantes em discutirem o poder paternal. Com esta decisão, o casal adoptante vai poder contestar a sentença do poder paternal, datada de 13 de Julho de 2004, junto do Tribunal da Relação, que anteriormente considerou que o casal não era "parte legítima" para discutir essa decisão. (…)"
in Público.
Manuel Pinho did it again!
Lá venho eu confessar mais uma vez, publicamente, a minha "paixão" por Manuel Pinho.
O excelso ministro da ECONOMIA foi para a China advogar como vantagem competitiva do nosso país os baixos custos salariais cá praticados face à média comunitária.
Percebida esta realidade, anunciada em pleno coração asiático pelo generoso Ministro, as deslocalizações rumo a Portugal ameaçarão assoberbar-nos de propostas e contra-propostas de investidores ávidos de aproveitar essa escassa benesse que fará de nós alvo da cobiça internacional. Principalmente de investidores chineses, como é óbvio.
Saturação pelo Sim; Saturação pelo Não
"A duas semanas da realização do referendo sobre a despenalização da IVG, confesso-me cansado da troca de acusações, dos juízos de valor e das muitas certezas apresentadas pelas duas campanhas. Imagino que não seja o único a ter atingido este estado de saturação. Parece haver um excesso de propaganda de parte a parte, sendo a blogosfera um bom exemplo disso. (…)"
Concordando com o Miguel, só espero que não venha a ganhar o partido do silêncio. Seria mau de mais.
Rebaldaria
Metafísica pela goela abaixo
Estar com a minha filha pequena e vê-la devorar a sopa.
Caminhar ao lado dos velhos de Lisboa e ouvi-los exibir idades e maleitas sem pretexto aparente.
Outro assunto para aquecer
Seguir o rasto do aquecimento global presente na sugestão da Aba de Heisenberg em A mão humana no aquecimento global: The human hand in climate change - Kerry Emanuel.
Rodrigo Leão? Vira lata!
What happened to Rodrigo Leão? Amariou-se na terra. “Versão” br.
- neste br-br-br-logue, frio não entra -
Do jornalismo de causas, ou como não embarcar em cauboiadas sem analisar bem a questão II
Mais uma vez agradeço a João Paulo Meneses (que acabou por ser a minha "fonte" para o acordão do Caso Esmeralda). Este jornalista-blogger é aliás um dos nomes que posso perfeitamente incluir na minha mini-lista de preferências no jornalismo português contemporâneo. Juntar-lhe-ia, só a titulo de exemplo e para não repetir as sugestões já dadas: Pedro Coelho (da SIC, porque ainda não fui capaz de lhe ver uma reportagem má) e Sérgio Anibal (porque tem escrito artigos interessantes e tecnicamente superiores sobre economia e finanças, do melhor que li nos últimos meses, no Diário de Notícias).
Felizmente, poderia concordar com a larga maioria dos nomes referidos, até ao momento, pelos leitores que já participaram (obrigado!) no desafio de um post anterior (e facilmente acrescentaria alguns mais; bastaria espreitar os arquivos do Adufe):
Adelino Gomes, José Pedro Castanheira, Candida Pinto, Maria Flor Pedroso, Mário Crespo, Carlos vaz Marques, Francisco Sena Santos, Fernando Alves, António Soares, Teresa Firmino, Manuel Carvalho, Sérgio Figueiredo, José Manuel Fernandes e ainda "os jornalistas desconhecidos que tentam manter o jornalismo naquilo que ele deve ser (sério e honesto) e passam completamente despercebidos".
Passem pela caixa de comentários, deixem as vossas referências e apreciem os qualificativos que por lá outros deixaram. Há excelentes jornalistas em Portugal e nós sabemos distingui-los. Que seja cada vez mais assim…
O INE custa 3 euros por ano por habitante. Só?!
Vamos lá correr o risco de ganhar uma medalha de corporativismo…
"Conhecer, por exemplo, quanto está a crescer a economia, qual está ser a aceitação das tecnologias de informação, ou quais as taxas de desemprego e inflação em 2007 absorverá, em média, 20 euros dos impostos de cada família contribuinte. Esta é uma conclusão que se retira do Plano de Actividades do Instituto Nacional de Estatística (INE) para 2007, disponível no sítio do Instituto. (…)
O INE prevê gastar este ano 37,2 milhões de euros na produção e difusão de estatísticas. Destes, 86% ou 31,9 milhões, serão financiados através de transferências do Orçamento do Estado. Os restantes 5,3 milhões de euros resultam de receitas próprias do INE "associadas a subvenções do Eurostat [o organismo estatístico da União Europeia], à execução de determinadas operações estatísticas e à prestação de serviços", lê-se no documento."
Ó Joca! Aumenta aí o número das famílias que é para baixar o rácio! (Atenção! Isto é uma piada. E isto também.)
Ora deixa cá ver. Temos o Orçamento de Estado a gastar 31,9 milhões com o INE. Temos, segundo as estimativas da população para 2005, 10 569 592 residentes. Ora se em vez de dividirmos o bolo pelas famílias (há-as com 15 indivíduos e há-as com apenas 1) ficamos com 3€ por cabeça, por ano.
É muito? É pouco? A minha resposta honesta seria: depende. E a sua?
Depende do quê? Da utilidade, da qualidade, do custo relativo face a outros bens comparáveis aquém e além fronteiras. Assim esta notícia não passa de má estatística e, desculpem-me lá voltar a bater no ceguinho, de péssimo jornalismo. É o mesmo que dizer qual é o PIB per capita e querer com isso caracterizar a situação económica de um país. Talvez algum detector de spin se atreva a vislumbrar mais alguma coisa…
E então, acham que fui muito corporativo até aqui? Vou tentar mais um bocadinho.
Do jornalismo de causas, ou como não embarcar em cauboiadas sem analisar bem a questão
Quem diria… Parece-me que afinal o país não fala mesmo em uníssono na questão do Caso Esmeralda, agora já nem os jornalistas, já nem todos os jornalistas, alinham na causa que foi erguida como bandeira. A crítica chega a Editorial na Sábado, por exemplo.
Por um momento, e apesar de uma forte orientação dos media (de uma parte dos media: DN, TVI, RTP, entre outros), em prol de uma corrente de opinião extremamente crítica e com objectivos de mobilização popular, surgiu talvez uma algo inesperadamente resistência.
Os juízes, talvez por ainda não estarem habituados à lide de comunicar o seu trabalho com as massas, tentaram, algo atabalhoadamente, ultrapassar o intermediário e piscar o olho ao público, directamente. No meu caso e no de muitos outros bloggers resultou. Quando alguém nos oferece um mundo a preto e branco, não faz mesmo mal nenhum investigar, não para nos enlearmos em relativismos sufocantes, mas para evitarmos os voluntarismos criminosos. Aprendi isto a ver westerns, vejam bem!
(continua)
Desafio à vizinhança - Qual é o seu jornalista favorito?
- Nestes tempos de considerável acrimónia entre alguns bloggers e alguns jornalistas;
- Nestes tempos em que há entre muitos jornalistas o "regresso" da prática do jornalismo de causas;
- Nestes dias em que se repetem acusações cruzadas entre jornalistas e juízes;
- Nesta época em que a existência de uma Entidade Reguladora para a Comunicação Social é tudo menos um corpo aceite;
Por estas horas de divisão e de alguma perplexidade mútua, proponho um desafio singelo:
Caro blogger, tenha a coragem de escolher pelo menos três jornalistas portugueses vivos e no activo que admire, justificando as suas razões se assim o entender. Não prometo compilar respostas ao estilo de uma qualquer competição para eleger o melhor, mas gostaria sinceramente que houvesse quem se dispusesse a trocar umas ideias sobre o assunto (naturalmente os jornalistas estão também convidados). Quem é para o caro leitor digno de ser referência no jornalismo nacional contemporâneo?
Num futuro post revelarei as minhas escolhas do momento. Haverá mais quem se atreva?
Alegadas imagens de Rute Monteiro divulgadas na web
Há novidades, e fortes, acerca do “Caso Rute Monteiro”. São imagens impressionantes. Para além do mais, num outro post, fica também agora a perceber-se por que razão não há jornais portugueses, para já, a falar do assunto. A contenção é uma coisa muito bonita. E eu para aqui com musiquinhas.
Language is a virus from outer space
Este só podia ser dedicado ao Luís Carmelo e à vizinhança em geral.
A imagem é difusa…
de Laurie Anderson
Lâmpadas incandescentes vão pagar (mais) um imposto
Se não houver aqui criatividade excessiva, ou alguma luta de causas inconfessável por parte do jornalista, é caso para dizer: Read my lips: no more taxes.
A justificação até é ponderosa mas permitam-me este formalismo: um imposto, é um imposto, é um imposto. Neste caso perspectiva-se mais um imposto. E logo depois de se ter subsidiado o preço da energia com mais uma pinhice recente.


