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E o prémio para o post mais desonesto do mês vai para…

António Dornelas n’O Canhoto em "Quatro vezes “NÃO!”"

Eu diria que assim, quatro mil vezes NÃO. Por um lado manipulam-se grosseiramente as estatísticas oficiais preferindo a fotografia mitigada ao filme completo (no período citado Portugal passou de uma situação em que tinha gastos com a Defesa acima da média da zona euro (15 países) e passa para valor inferiores à média e claramente inferiores à média de todos os países da União Europeia), por outro imputa-se a militares e a polícias a responsabilidade pelo "estado a que isto chegou" em termos de Defesa e Segurança Interna tomando por variável fulcral a despesa em percentagem do PIB e a dita comparação internacional! Sempre pensei que os responsáveis pela política orçamental eram os representantes democraticamente eleitos.

As perguntas, todas as perguntas colocadas por António Dornelas deveriam ser dirigidas a quem tem governado (e governa) o país nos últimos 30 anos. Resultam num efeito muito estranho quando são colocadas sob o patrocínio dos protestos públicos e velados de polícias e militares (pôr ambos no mesmo saco é já de si infeliz).

Nem polícias, nem militares têm emitido opinião quanto à estrutura, dimensão e peso orçamental das FA ou da polícia e muito menos quanto às formas de obter prestígio internacional. Tanto quanto tenho visto e ouvido reclamam apenas dignidade nas condições de trabalho (particularmente a PSP) e cumprimento da palavra por parte do Estado (particularmente os militares).

Seria elucidativo se António Dornelas (e já agora Vital Moreira que entretanto deixou no Causa Nossa que também "gostaria de o ter escrito" e ainda esta pérola onde nitidamente se está a falar com fantasmas e não com figuras reais), se cingisse ao que é reclamado por quem se manifesta fazendo então o seu justo juízo favorável ou desfavorável.

O que fez n’O Canhoto é apenas demagogia e irresponsabilidade da pior espécie e, infelizmente, deixa transparecer muita ignorância, mesmo em relação ao que tem acontecido em termos estruturais nas Forças Armadas portuguesas nos últimos anos. Na prática estas estão efectivamente a encolher de forma drástica em número de efectivos (rumo à propalada profissionalização que se traduz em capacidade operacional para ser instrumento de política externa) e menos drástica em termos orçamentais (muito mais por via das necessidades de substituição crítica de equipamentos do que por via das despesas com pessoal). Deixo aqui, a quem interesse, a republicação de um artigo do velho adufe de 4 de Julho de 2005 citando o Jornal de Negócios do dia:

Só para pôr as coisas em perspectiva e ajudar a combater alguma falta de informação, fica aqui esta como auxiliar de memória, relativa a dados de 2004.

Quadros Permanentes:
    Exército: 8028*
    Marinha: 7810*
    Força Aérea: 3534*
    Polícia Marítima: 1062
    PSP: 27633
    GNR: 26322

* Fora do quadro permanente e em regime de voluntariado e/ou de contratados (a prazo) há ainda 8961 efectivos no Exército, 2099 na Marinha e 3234 nas Forças Aéreas.

Fonte: Jornal de Negócios

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