Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for October, 2006


Vou ali comer e beber o São Martinho

Este é o meu vale favorito.

Benquerença, vista do alto da Serra de Santa Marta.

À  direita adivinha-se a reserva da Malcata, colada à Espanha. Em frente Santo Estevão já do concelho do Sabugal. Mais próximo, sobre a esquerda, a aldeia do Vale da Senhora da Póvoa acompanhada pela serra de Opa que marca a fronteira com a Beira Alta. Pelo meio da imagem o traço verde da Ribeira da Meimoa que ladeia o povoado da Benquerença.

Ao fundo, em último plano, por trás da serra de Opa, no canto esquerdo na linha do horizonte, as serranias de Sortelha e à esquerda bem à esquerda, fora da imagem, a Estrela, de perfil.

Nas costas do fotógrafo, Penamacor, Monsanto a espreitar e, com boa vista, vislumbra-se Castelo Branco e a Gardunha. Como som de fundo as velas dos moinhos de vento de produção eléctrica.

O Verão estava no fim e as temperaturas amenas. A escalada foi agradável e recompensadora.

Fiquem bem.

 

Futuro preâmbulo da constituição dedicado ao legislador em causa própria

Worry not on what you should be doing to respect the law, worry instead on what you should pay for the fouls that you will surely commit.

Eis o futuro preâmbulo da constituição portuguesa num parágrafo dedicado ao legislador. Em suma, caro Luís, daqui a uns anos talvez chegue a ser de jure, para já é "apenas" de facto. É este o espírito dos fazedores de leis que se deduz dos exemplos que temos.

Eis como entendo a coisa em frases curtas para não fugir ao essencial.
  • A desfaçatez é a falta de respeito pela lei.
  • A desfaçatez tem grau, tal como o respeito pela lei.
  • As consequências para a solidez da democracia da desfaçatez dos partidos-legisladores não são as mesmas que as provocadas pela desfaçatez do cidadão comum.
  • Os primeiros representam e são eleitos como exemplo dos segundos.
  • Os segundos crê-se que tenham entre eles algumas ovelhas negras que justificamem boa medida o trabalho dos primeiros.
  • Os primeiros não podem aprovar a penitência em causa própria demonstrando que pouco fazem para cumprir a lei e esperar que a absolvição venham por automatismo com a conta a cobrar enviada pelo tribunal.
  • A penalização política costuma fazer-se por via da voto, mas o que fazer, caro Luís, quando fica demonstrado que ninguém se preocupou em ficar limpo, em dar o exemplo, em respeitar rigorosamente a nova lei.
Eu acho que é com "coisas" destas que pomos em risco o nosso regime actual.
 

Cahora Bassa, os juros, o IRC, o crédito e os clientes bancários

Eis as novidades mais recentes do Economia e Finanças:

Cahora Bassa nas Contas Nacionais

Agarrem-me que eu vou subir as taxas de juro!

Do “perdão fiscal” à subida do IRC vai um dia ou dois

Economia e Finanças in English

Taxa de Juro Implícita no Crédito à Habitação mais baixa nos contratos mais recentes

Banco de Portugal descobre clientes bancários

Em discussão

"Esta ditosa pátria minha amada" está em discussão no Tugir em Português (com o Luís Novaes Tito).

Esta ditosa pátria minha amada

" (…) Como pode fazer-se um discurso de rigor e exigência para o comum dos cidadãos e os alegados pilares da democracia continuarem a fazer questão de não terem contabilidade organizada? Pode. Em 30 anos, as contas dos partidos desrespeitam as leis do país. E eles aí estão, no Governo ou na oposição não parecem muito preocupados com o seu descrédito. Vota-se cada vez menos, mas ainda assim o suficiente para a renovação da impunidade. Os partidos tornaram-se meras máquinas de campanha. Perderam alma, ideais, capacidade de debate.

O problema democrático não é apenas moral. Mas quando já nem sequer se cuida da aparência, significa que a desfaçatez ganha tolerância. Banaliza–se. Relativiza-se. Dissolve-se na nossa indiferença. Um dia destes, a máscara democrática pode cair…"

"Desfaçatez"

É este o título do editorial de hoje de António José Teixeira de que se publica um excerto ali em cima. Um editorial onde nada de essencial ficou por dizer sobre "O acórdão do Tribunal Constitucional que avalia as contas da última campanha para as eleições legislativas [e que] volta a deixar envergonhada a democracia portuguesa." Entretanto ouvi declarações de representantes dos partidos a dizerem de sua justiça e o balanço final não podia ser pior.

Há alguns meses numa brincadeira em forma de blogue chamada "ABC – Uma Alternativa ao Bloco Central", propus, no grupo que por lá se juntou para discutir online a coisa pública, começarmos pelo princípio sendo que para mim o princípio, antes de qualquer programa político sobre as questões fracturantes e menos fracturantes, deveria passar pelo financiamento dos partidos. Com naturalidade os co-participante acharam o tema desinteressante e desmobilizador. Ainda assim houve contributos interessantes e o curto debate rodou em torno dos prós e contras das fontes de financiamento partidário: publicas, privadas ou mistas? [Cada vez mais defendo que sejam exclusivamente públicas. Mas essa discussão fica para alguma loja de ideias ou para outro texto.]

Tenho para mim que passa por aí, pelo desinteresse pelo tema por parte do eleitor, parte da explicação para que hoje, mais de 30 anos após revolução democrática feita pela geração dos meus pais, António José Teixeira escreva com toda a propriedade um editorial destes. Talvez este desinteresse resulte em boa parte por o eleitor ignorar a exacta medida em que o financiamento partidário destroi por dentro o fundamento de confiança e a verdade de qualquer hipótese de proposta política, essenciais ao sentido de um Estado democrático.

Dito isto, falo agora para si caro político, desconhecido, conhecido ou mesmo amigo de longa data: você tem toda a responsabilidade sobre esta vergonha. Você faz mal o que lhe deixaram fazer mal, com uma dedicação impressionante, mas não tem direito a fazer apelo à ignorância nem será nunca perdoão por ser omisso. O seu silêncio, bom político, político de causas e temente aos regulamentos internos e aos devidos procedimentos de debate partidário estatutário é danoso porque comprovadamente ineficaz. Falar alto contra o que está mal no partido não pode ser uma prerrogativa de poetas com voz canora (sim, caro político socialista, esta é consigo).

Você caro político, teve e tem toda a liberdade para fazer e desfazer a lei a a prática. Não tem perdão nem tem como não assumir a culpa. E eu como o autor do Editorial ou qualquer outro cidadão que quer viver em democracia não temos outra alternativa que não seja exigir-lhe a responsabilidade. Contra a banalização da vergonha.

Se eu não sei quem, como e com quanto financia um partido dependente do que lhe dão, como posso saber a quem esse partido será fiel quando chegar a hora da verdade no momento de exercer o poder que lhe é delegado? Não estár também aqui a justificação fundamental para que se faça no exercício dos poderes tantas vezes o oposto daquilo que se defende em campanha? Como é óbvio a dúvida é mais do que legítima. É higiénica.

Este blogger, neste blogue, sem prejuízo de ir aparecendo na caixa de comentários, fará um recolhimento pela vergonha de quem não a tem à boa moda cristã da expiação dos pecados alheios. Chamemos-lhe um período de nojo.  Este post permanecerá por aqui adufando no topo do blogue por alguns dias.

Estandarte Nacional 

O preço dos bilhetes no Arena de Munique

Uberbucht! Esta parece ser a palavra de ordem no Arena de Munique. 

Algum leitor mais versado em Alemão do que eu poderá porventura confirmar aquilo que me parece (aqui e aqui, por exemplo). E o que me parece? Parece-me que em termos nominais é mais barato um bilhete para ir ver o Sporting jogar no Arena contra o Bayern de Munique do que em Alvalade.

Parece-me também que o Bayern tem o estádio sistematicamente esgotado.

Parece-me ainda que os preços para a Bandesliga não diferem significativamente dos praticados pelo Sporting para a 1ª divisão do nosso campeonato e finalmente parece que se estes valores fossem corrigidos em paridades de poder de compra (corrigidos da diferença do custo de vida entre os dois países) perceberiamos quão gritante é a diferença de preços: muito mais caros em Portugal.

Voltando ao exemplo do Sporting, sabemos que tem médias de assistência a rondar os 25/30 mil por época. Sabemos também que o estádio tem capacidade para 50 mil pessoas. Será que não dá para fazer melhor do que isto? Ou será que quase a mesma receita mas com o estádio sempre cheio não faria diferença? Diferença desportiva e mesmo comercial – pensando no universo de acessórios e de promoção obtida e no investimento em paixões futuras.

O futebol é um negócio, que seja bem feito, aprendamos com os melhores!

Onde ando quando não venho aqui? Tento ir ali por exemplo.

As trincheiras (rev.)

Porque às vezes me ocorre que o Leão não come o leopardo, mas apenas lhe tira a vida se puder.

Desde que se desenterrou o primeiro vestígio fossilizado de um blogue (numas escavações em Ã?frica) que obtivemos provas irrefutáveis. Só não as vê quem não quer.

Andamos nisto há anos, com uns (cada vez mais) a escavar com pás de plásticos e os outros a ligar, de quando em vez, o todo poderoso caterpilar. Entretanto cresce o ruido e o lamaçal.

Davides versus Golias no espaço cibernético, assim crêem os primeiros, assim renegam os segundos (por também serem românticos). Mas não é a contenda que me faz teclar; é com uns maduros em especial que me enterneço.

Aqui estão eles, heroicamente na terra de ninguém, à merce. A esses, os únicos exemplares desta história, àqueles que apontam a direcção do fusil de acordo com a justiça de cada atoarda, e não de acordo com a cor da lama da trincheira que trazem colada à roupa, a minha solene e sentida homenagem. Pudesse eu ser sempre um deles.

In memoriam do desconhecido jornalista-blogger e do blogger-que-lê-jornais.

Sangue do mesmo sangue, pó da mesma estrela.

Revisitando os clássicos…

Caro Leitor, hoje estou decidido a meter-me consigo. Vamos lá ver se tenho troco. Cá vai disto:

O que é que acha desta pergunta? *

 

* Não, não me esqueci de pôr nenhum elo na frase. 

Sahara Ocidental

Excerto do que se lê no Causa Nossa:

"Portugal absteve-se anteontem na votação em Nova Iorque da resolução aprovada pela Comissão de Descolonização das Nações Unidas sobre o Sahara Ocidental.
O Sahara Ocidental está, recorde-se, desde 1974 em conflito com Marrocos. Na mesma lista da ONU em que estava Timor Leste, dos Territórios Não-Autónomos. Ocupado ilegalmente por Marrocos. Sujeito à opressão e ao cortejo de violações de direitos humanos inerentes a uma ocupação. Como Timor Leste, quando estava ocupado pela Indonésia.
Juridicamente, face ao direito internacional, as duas situações eram muito semelhantes. A diplomacia portuguesa sempre fez essa associação: e por isso sempre votou a favor da autodeterminação do Sahara.Marrocos também sempre fez essa associação: e por isso em todas as resoluções sobre Timor Leste, mesmo as da Comissão de Direitos Humanos, sempre votou contra Portugal.(…)"

Ana Gomes informa e demonstra o seu desgosto. Eu acrescento que gostaria de ver o Governo prestar esclarecimentos públicos sobre esta mudança de política. Haverá alguém que pergunte ao Ministro dos Negócios Estrangeiros além destes cromos que andam pela blogoesfera (+ a terrivel Ana Gomes)?