Adufe 4.0

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
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Archive for Maio, 2006

Timor-Leste um estado falhado

Maio 24, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política 3 Comments →

A notícia de ante-ontem: Ante-ontem líamos um comunicado do primeiro-ministro Timorense declarando que a proposta da italiana ENI para explorar dois blocos petrolíferos no Mar de Timor era mais vantajosa que a feita pelo consórcio formado pela Malaia Petronas, pela Brasileira Petrobras e pela semi-portuguesa Galp. Não tendo conhecido os detalhes que fundamentaram essa decisão, sou levado a crer que se resumem a importantes diferenças ao nível das contrapartidas financeiras para Timor e que a política terá tido pouco a ver com a matéria, aliás espero que tenha sido exactamente assim…

Tanto quanto sei esse mesmo Mar de Timor é largamente explorado pela Austrália fruto de negociações directas entre os dois Estado sem ter havido qualquer concurso publico internacional. O acordo quanto às respectivas delimitações das águas territoriais e os direitos adquiridos pelos Australianos quando a plataforma continental do mar de Timor era administrada a partir de Jacarta valeram nessas negociações tendo ficado claro que, nesse momento, a administração timorense soube pesar mais do que os factores económicos para esquecer alguns dos argumentos legais que lhe poderiam valer outro tipo de contrapartidas.

A notícia de hoje: Tudo o que está a acontecer em Timor foi devidamente antecipado e enunciado a quem quis ouvir. À micro-escala do país vemos a repetição de uma história contada demasiadas vezes em vários continentes, em vários países emergentes. Com alguma ligeireza podemos dizer que nada disto parece ter sido devidamente antecipado pelas Nações Unidas no único Estado do mundo que foi criado sob seu patrocínio e intervenção. A falha maior da ONU terá sido a de se enganar nos timmings: um Estado independente com a história de Timor leva mais tempo a consolidar, contudo, é também já um argumento desconfortável. Parece-me razoável afirmar que a ONU cumpriu o seu papel tendo tentado colocar sempre a pressão sobre os Timorenses - talvez por motivos mas invíos do que o que transparece deste raciocínio linear. Colocou a pressão sobre os Timorenses com Portugal a ter um papel importante, sublinhe-se, no sentido de protelar a saída integral consciente dos riscos da impreparação técnica e das feridas internas ainda existentes. A pressão em si não me parece ter sido negativa pois incidia sobre um povoarreigado a uma espécie de paternalismo inscrito por décadas (para não ir mais longe) de subjugação.

Hoje, ex-guerrilheiros promovem a guerra civil e os órgãos de soberania apelam ao apoio militar urgente de portugueses, malaios, australianos e neo-zelandeses, antes que seja tarde demais.

Hoje, muitos timorenses voltam a fugir de suas casas, muitos portugeses temem pela segurança dos seus filhos aí imigrados ao serviço do ministério da educação; Australianos, Norte Americanos diplomatos e funcionários da ONU preparam malas para um retirada rápida. E os Timorenses voltam a pegar em armas uns contra os outros.

Por mais esforços de racionalização e de entendimento que se façam há um facto ineludível, neste momento Timor é um Estado falhado e com futuro muito incerto.

Nós por cá, que sentimos Timor como nenhum outro evento histórico nos últimos 20 anos (nunca me esquecerei daquele momento na Avenida da República em que também participei saudando a chegada do Bispo Ximenes Belo) começamos a dividir-nos entre os que chutam as pedras do chão e os que mantêm a centelha voluntarista de ajudar (como parece ser o caso do nosso Governo).

Cuidado. Cuidado que os Timorenses dão provas sucessivas de não saberem exactamente qual querem que seja o nosso papel mesmo em sítuação de estabilidade. Cuidado que hoje as divisões em Timor deixaram de ser latentes e ainda não é claro se a batalha se justifica apenas porque se procedeu a uma desmobilização inadequada de parte da guerrilha.

Mais vale que ao menos nós saibamos até onde estamos dispostos a ir com plena consicência dos riscos e que tipo de tratamento estamos dispostos a exigir amanhã.

Assumir o papel de educador de filhos na puberdade quando eles se metem em sarilhos fazendo-o exclusivamente na base do voluntarísmo é prestar-lhes um péssimo serviço.

Além das justificações do nosso passado e história comum, é tempo de perguntarmos e respondermos em nome de que relação futura vamos mandar um contingente militar para Timor.

Adenda: "Timor Leste: sem surpresas" pelo Paulo Gorjão no Bloguítica

Adenda II: "Timor" pelo João Morgado Fernandes, há alguns dias no DN

Adenda III: "Timor Leste e a estória da História" pelo Luís Novaes Tito no Tugir

Aprender com as formigas

Maio 23, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Palavras dos Outros, Religião No Comments →

Excerto da National Geographic portuguesa de Maio de 2006.

Entrevista de Tim Appenzeller a Edward O. Wilson:

" (…) NG: É óbvio que encontra uma certa espiritualidade na natureza, um encantamento. Como encontra sentido num mundo que surgiu devido a mutações casuais e à selecção natural?

EO Wilson: A mente humana evoluiu para procurar um sentido. O universo é tão belo, complexo e surpreendente… Tal como a vida. Lembre-se da frase de Darwin: "Formas de vidas infinitas, belas e maravilhosas, estiveram e estão a evoluir." Hoje, temos mais indícios disso do que Darwin. Compreendemos isto até ao nível molecular; quão extraordinária é a vida enquanto fenómeno. Só isso convida mais à espiritualidade do que qualquer outra coisa fornecida pelos escribas de um reino do deserto da Idade do Ferro que escreveram a Bíblia Sagrada. Eles criaram uma obra literária impressionante. Mas não compreendiam verdadeiramente o mundo que os rodeava ou as estrelas do céu. Transformaram-nos em metáfora, atribuíram-lhes características poéticas, fizeram o melhor que podiam. Mas ainda assim, ficaram aquém daquilo que a humanidade consegue sentir no que respeita ao sagrado e à beleza estética. (…)

 

Fiscalização marítima

Maio 23, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia No Comments →

Foi avistado um arrastão nas redondezas. Desconhece-se se usa artes legais. As autoridades marítimas estarão em alerta.

A Galp perdeu! A galp perdeu?

Maio 23, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, Palavras dos Outros, Política No Comments →

"A longo-prazo, Timor-Leste está a dar passos importantes no sentido de alienar a boa vontade portuguesa."

A ler na íntegra "A Lógica de Merceeiro" no Bloguítica.

Javé não é flor que se cheire

Maio 23, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Religião No Comments →

Eu já desconfiava… Sou daqueles que não se sentindo filiado em nenhuma das organizações religiosas disponíveis, nem na verdadeira (a do leitor), nem nas outras, têm uma ideia muito vincada sobre o que acham que deveria ser Deus. Há terceira ou quarta praga das dez que se enunciam no livro do Êxodo fiquei a torcer pelo Faraó… Em nome do fair play.

Sobre as touradas

Maio 22, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Media 3 Comments →

Ela [com o comando da TV na mão]: Mas isto agora é todos os dias touradas?!

Ele [agarrado ao computador]: Mas hoje não há touradas…

Ela: Então espreita aqui a RTP 1.

Ele [espreitando…]: Ah isso… Eu das touradas gosto dos forcados a enfrentar o touro, o resto dispenso. 

A síntese de conjuntura

Maio 22, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, INE 2 Comments →

Desta vez parece-me vantajoso para o entendimento ler a versão inglesa da Síntese de Conjuntura. Dados do INE.

"Though during the first quarter both the activity and climate indicators did not show any upward movement, reflecting the slow pace of the recovery experienced by the Portuguese economy, some positive signs have been perceived. If these favourable indications become long-lasting, a more dynamic upturn may be expected. In fact, more favourable information for the manufacturing industry has been gathered, together with a relevant growth of exports, according to the latest data. Domestic demand should have also recuperated, as a result of both private consumption and investment behaviours. Therefore, activity as a whole may have accelerated, even if all other sectors, besides manufacturing industry, seemed to have remained depressed. Furthermore, coherent with this recovery of the activity focalized on manufacturing industry, employment grew, manly due to the upward movement on that sector, together with a slowdown of the unemployment, which resulted in a more moderate increase of the unemployment rate, comparing to the previous year."

Apoiar a seleccção mas só em casa…

Maio 22, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Desporto, Economia 4 Comments →

"(…) Segundo explicou fonte oficial daquela estação, "os direitos de transmissão televisivas foram comprados pela Sport TV e pela SIC, mas a Sport TV comprou todos os direitos de exibição pública".

O que quer dizer, acrescentou, "que os jogos transmitidos pela SIC também não podem ser exibidos publicamente" em ecrãs gigantes colocados na rua ou em estabelecimentos comerciais como bares e restaurantes.

Ressalvando não saber como será feito o controlo pelo canal codificado do desporto, a mesma fonte admitiu que esta decisão do conselho de administração do canal "visa sobretudo evitar as acções [de exibição pública] que estão a ser preparadas por muitas juntas de freguesia".

"A Sport TV não quer entrar em guerras com ninguém mas também não quer ser prejudicada", concluiu."

in Canal de Negócios

A política da Eurovisão

Maio 22, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política 11 Comments →

No Lusofin poderão encontrar comentários muito interessantes à vitória da Finlândia na Eurovisão com um grupo de Heavy Metal. Apesar de todo o amiguísmo político que assola a Eurovisão com, por exemplo, a atomização dos Balcãs a gerar votos cruzados que colocam sistematicamente esses países entre os mais votados (um pouco à imagem do que aconteceu e acontece com a Escandinávia e mais recentemente com o báltico) este ano sucedeu algo um pouco diferente.

Os look alike mais previsíveis (Anastácia, Ricky Martins, Shaquira,…) foram vencidos por um outro grupo de look alike de qualquer coisa que se pareça com heavy metal, notoriamente menos "normais" por aquelas andanças. Eles (da Finlândia) e, se não estou em erro, a Lituânia (com um grupo que na sua canção proclamava ser o vencedor da Eurovisão e pouco mais) concentraram uma grande parte da votação europeia sufragada entre os voluntários que decidiram telefonar. Os primeiros ganharam mesmo o concurso com a maior votação de sempre (ainda que estas sejam dificilmente comparáveis ao longa das últimas 5 décadas).

Não haverá por aí algum politólogo e/ou sociologo que queria divertir-se extrapolando um projecto europeu fundado na transversalidade do voto recolhido pelos Lordi por toda a Europa da Comunidade e de fora dela, por oposição à institucionalizada música de festival? Devia ser um exercício engraçado, afinal a Eurovisão também tem mais de 50 anos…

Só para que conste (act.II)

Maio 19, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE, Política 5 Comments →

Recupero o 1º post do dia para aqui ficar de aviso durante o fim-de-semana. 

Ao contrário do que tenho ouvido nas últimas horas na Sic Notícias, na RTP e na TSF (todos com o patrocínio da Agência LUSA), o INE não divulgará dados novos do PIB na próxima segunda-feira, nem estimativas, nem previsões (aliás o INE não faz previsões de indicadores para divulgação pública). Não faço a mínima ideia de onde os jornalistas arranjaram esta notícia.

No próximo dia 9 de Junho, tal como consta no calendário de divulgação publicado há vários meses, serão divulgados os dados do 1º Trimestre do PIB.  

Andam mosquitos por cordas em torno do INE nos últimos dias ou é impressão minha? 

Da suspeita ninguém nos livra…

Maio 19, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE, Política No Comments →

" (…) Portanto, com estes dados públicos, como é que Sócrates e Teixeira dos Santos puderam afirmar o que afirmaram?  
Na melhor das hipóteses, isso significa que são excelentes adivinhos. Na hipótese mais provável, significa que tiveram acesso antecipado a dados que não lhes é permitido terem.
"

Eduardo Moura no Editorial de hoje do Jornal de Negócios.

Maio 19, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, INE, Política No Comments →

"A taxa de desemprego foi 7,7% no 1º trimestre de 2006

No 1º trimestre de 2006, a taxa de desemprego estimada foi 7,7%. Este valor é superior em 0,2 pontos percentuais (p.p.) face ao observado no período homólogo e inferior em 0,3 p.p. face ao 4º trimestre de 2005. O número de desempregados situa-se em 429,7 mil indivíduos, representando um aumento de 4,1% face ao trimestre homólogo e um decréscimo de 3,9% em relação ao trimestre anterior. O número de empregados aumentou 0,6%, quando comparado com o mesmo trimestre de 2005, e diminuiu 0,1% relativamente ao trimestre anterior.

Mais informação aqui (INE).

A ler

Maio 19, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE, Política 1 Comment →

O Editorial de hoje no Diário de Notícias por Helena Garrido: "Desemprego".

(more…)

A Origem das Espécies

Maio 18, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ciência e Tecnologia 12 Comments →

"Os antepassados do Homem e do chimpanzé tiveram relações sexuais durante milhares de anos até à separação definitiva das espécies, o que afinal aconteceu há muito menos tempo do que se pensava, revela hoje a revista científica Nature. (…)

Tal é perceptível em particular ao nível dos cromossomas X (cromossomas sexuais femininos) que, nos chimpanzés e nos humanos, são mais parecidos do que os restantes cromossomas, precisam os cientistas. (…)" In Diário Digital.

Pobres mas honrados*

Maio 18, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE No Comments →

"Ministro antecipa indicador, que o INE só divulga amanhã." in Diário Económico de hoje.

Os números das Estatísticas Oficiais do Emprego só vão ser divulgados amanhã pelo INE (ou às 11h, ou às 15 horas).

Atendendo à multiplicação de declarações feitas pelo Ministros das Finanças sobre o que se passou no 1º trimestre em termos de Emprego, parece que sabe mais do que o comum dos mortais e esse simples parecer não é bom para o INE, como é óbvio. Títulos como o que surge hoje no Diário Económico destroem boa parte daquilo que é suposto distinguir o INE de qualquer Direcção-Geral do Governo.

Mas o que é certo é que me custa a  compreender que o Ministro se decidisse inventar um número correndo o risco de ser desmentido pelos números oficiais.

Pelo menos a mim parece-me dificil compreender que este Ministro o fizesse. E como poderão saber, este tipo de declarações dura já há alguns dias, tendo passado pelo próprio Primeiro Ministro em comentário às estimativas da Comissão Europeia para o desemprego nacional em 2006.

Seja de que forma for que se olhe para a questão, a situação parece-me difícil de entender. Por um lado, os custos políticos seriam assinaláveis perante um potencial erro de previsão do Ministro (feito em cima da divulgação oficial como sucedeu ontem) e, por outro, tanta expectativa e insistência no discurso sobre os números do 1º trimestre (recordo que o Inquérito ao Emprego do INE tem divulgação trimestral) poderia também ser confundida como uma tentativa de condicionamento dos números oficiais. Em todos os casos parece recomendável que os ministros deste e doutros futuros governos se contenham e aguardem serenamente a divulgação oficial dos números da conjuntura económica. 

Fica a posição oficial do INE que encontramos hoje no Diário de Notícias e a justificação do Ministro:

" (…) Fonte oficial desta entidade, a única que calcula a taxa de desemprego para Portugal, declarou ao DN que "o INE está a ultimar os trabalhos relativos ao Inquérito ao Emprego, pelo que nada ainda foi entregue [ao Ministério das Finanças]". Habitualmente, a informação deste tipo é apresentada aos membros do Governo apenas algumas horas antes da divulgação pública, seguindo a prática da generalidade das autoridades estatísticas da União Europeia.

Fernando Teixeira dos Santos baseou a sua expectativa de travagem do crescimento da taxa de desemprego no facto de se estarem a verificar sinais "mais animadores" de recuperação económica."

* Para que não haja dúvidas no título refiro-me ao INE e falo, como sempre, exclusivamente em meu nome pessoal.



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