Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for May, 2006


Sistemas Eleitorais

No próximo dia 1 de Junho pelas 21h na Rua Alberto de Sousa, 10-A à zona  B do Rego tem lugar a apresentação de propostas de Reforma do Sistema Eleitoral em Portugal.

Detalhes em anexo com o programa completo e a lista de participantes (recebido por e-mail). 

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Publicidade Eficaz *

Recebido por e-mail… No Brasil é assim.
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* O título foi rapinado a um post do Gabriel no Blasfémias que também nos dá um belo exemplo. 

As responsabilidades históricas têm limites históricos

Sem prejuízo de recomendar a leitura de toda a prosa do Luís Novaes Tito no Tugir, pego no último parágrafo do Luís para ajudar a sintetizar o meu mais longo texto "Timor um Estado Falhado" ali de baixo:

" (…) Não sou cínico para fazer depender uma coisa da outra, mas também não sou ingénuo ao ponto de permitir que os complexos das "responsabilidades históricas" sirvam para esquecer os interesses portugueses.

Reconheço dois tempos para a acção. Um, o imediato, no sentido de conseguir o apoio internacional onde Portugal deverá participar com as forças militarizadas que possa disponibilizar, uma vez que é impensável agir isoladamente. O seguinte, que garanta parcerias preferenciais entre os dois Estados."

Adenda: O Paulo Gorjão (Bloguítica) também voltou a abordar a questão com a devida amplitude. 

Adenda II: volto a referir o serviço da World News para acompanhar os últimos desenvolvimentos em Timor que chegam aos media/agências internacionais.

O livre comércio em Penamacor

O João Melo chamou-me a atenção para um notícia muito curiosa que se publicou hoje o Diário XXI: "Guerra de Padeiros em Penamacor".

Segundo apurou o jornal (sem que conste ter recorrido a alguma agência noticiosa e muito menos a agência de comunicação), uma nova empresa de produção/distribuição de pão sediada em Mangualde alargou recentemente a sua área de distribuição a Penamacor. Na passada sexta-feira e após várias ameaças de concorrentes locais, as razões levaram incumbente e entrante às urgências do Hospital.

O que faz uma notícia regional tão prosaica aqui no Adufe? Além de ser uma notícia lá da minha terra, acontece que estou com um pedaço do móbil do crime na mão: um pão da panificadora de Mangualde trazido da Benquerença. (Enfim, é este o tom do Adufe, o mesmo de sempre.) Um pão adquirido à porta de casa na dita freguesia. Um pão de excelente qualidade, escolhido de entre uma variedade incrível de pães de receita regional e adquirido com um complemento de simpatia oferecido pelo vendedor, tudo a preços razoáveis.

Enquanto cliente desconfio que é este o segredo do sucesso tão rápido que a panificadora de Mangualde parece estar a ter um pouco por toda a zona raiana. Infelizmente a secular tacanhez Beirã contrapõe-se ao espírito de iniciativa bem menos frequente em terras raianas. A notícia verdadeira talvez nem seja esta, talvez seja o facto de a empresa desafiadora não ser espanhola mas bem portuguesa, do outro lada da Estrela, a prestar um serviço como os melhores. É pena não distribuir pão em Lisboa…

Aos compadres benqueridos que vendem pão (e dirijo-me a eles porque o conheço há vários anos) deixo um conselho amigo: aprendam a amassar o pão que isto de ver um centeio cheio de apegaduras é que faz mal ao negócio.

Estou em pulgas para provar a gabada bica da Panificadora Azurara de Mangualde. Amigos conhecedores afiançam-me que sabe tão bem como as que feitas pela minha saudosa avó.

Nota: Também publicado, com ligeiras adaptações no Penamacor

A ler

"A família Portuguesa" por Paulo Pedroso no Canhoto.

East-Timor na imprensa estrangeira.

Ver adendas no post anterior. 

Timor-Leste um estado falhado

A notícia de ante-ontem: Ante-ontem líamos um comunicado do primeiro-ministro Timorense declarando que a proposta da italiana ENI para explorar dois blocos petrolíferos no Mar de Timor era mais vantajosa que a feita pelo consórcio formado pela Malaia Petronas, pela Brasileira Petrobras e pela semi-portuguesa Galp. Não tendo conhecido os detalhes que fundamentaram essa decisão, sou levado a crer que se resumem a importantes diferenças ao nível das contrapartidas financeiras para Timor e que a política terá tido pouco a ver com a matéria, aliás espero que tenha sido exactamente assim…

Tanto quanto sei esse mesmo Mar de Timor é largamente explorado pela Austrália fruto de negociações directas entre os dois Estado sem ter havido qualquer concurso publico internacional. O acordo quanto às respectivas delimitações das águas territoriais e os direitos adquiridos pelos Australianos quando a plataforma continental do mar de Timor era administrada a partir de Jacarta valeram nessas negociações tendo ficado claro que, nesse momento, a administração timorense soube pesar mais do que os factores económicos para esquecer alguns dos argumentos legais que lhe poderiam valer outro tipo de contrapartidas.

A notícia de hoje: Tudo o que está a acontecer em Timor foi devidamente antecipado e enunciado a quem quis ouvir. À micro-escala do país vemos a repetição de uma história contada demasiadas vezes em vários continentes, em vários países emergentes. Com alguma ligeireza podemos dizer que nada disto parece ter sido devidamente antecipado pelas Nações Unidas no único Estado do mundo que foi criado sob seu patrocínio e intervenção. A falha maior da ONU terá sido a de se enganar nos timmings: um Estado independente com a história de Timor leva mais tempo a consolidar, contudo, é também já um argumento desconfortável. Parece-me razoável afirmar que a ONU cumpriu o seu papel tendo tentado colocar sempre a pressão sobre os Timorenses – talvez por motivos mas invíos do que o que transparece deste raciocínio linear. Colocou a pressão sobre os Timorenses com Portugal a ter um papel importante, sublinhe-se, no sentido de protelar a saída integral consciente dos riscos da impreparação técnica e das feridas internas ainda existentes. A pressão em si não me parece ter sido negativa pois incidia sobre um povoarreigado a uma espécie de paternalismo inscrito por décadas (para não ir mais longe) de subjugação.

Hoje, ex-guerrilheiros promovem a guerra civil e os órgãos de soberania apelam ao apoio militar urgente de portugueses, malaios, australianos e neo-zelandeses, antes que seja tarde demais.

Hoje, muitos timorenses voltam a fugir de suas casas, muitos portugeses temem pela segurança dos seus filhos aí imigrados ao serviço do ministério da educação; Australianos, Norte Americanos diplomatos e funcionários da ONU preparam malas para um retirada rápida. E os Timorenses voltam a pegar em armas uns contra os outros.

Por mais esforços de racionalização e de entendimento que se façam há um facto ineludível, neste momento Timor é um Estado falhado e com futuro muito incerto.

Nós por cá, que sentimos Timor como nenhum outro evento histórico nos últimos 20 anos (nunca me esquecerei daquele momento na Avenida da República em que também participei saudando a chegada do Bispo Ximenes Belo) começamos a dividir-nos entre os que chutam as pedras do chão e os que mantêm a centelha voluntarista de ajudar (como parece ser o caso do nosso Governo).

Cuidado. Cuidado que os Timorenses dão provas sucessivas de não saberem exactamente qual querem que seja o nosso papel mesmo em sítuação de estabilidade. Cuidado que hoje as divisões em Timor deixaram de ser latentes e ainda não é claro se a batalha se justifica apenas porque se procedeu a uma desmobilização inadequada de parte da guerrilha.

Mais vale que ao menos nós saibamos até onde estamos dispostos a ir com plena consicência dos riscos e que tipo de tratamento estamos dispostos a exigir amanhã.

Assumir o papel de educador de filhos na puberdade quando eles se metem em sarilhos fazendo-o exclusivamente na base do voluntarísmo é prestar-lhes um péssimo serviço.

Além das justificações do nosso passado e história comum, é tempo de perguntarmos e respondermos em nome de que relação futura vamos mandar um contingente militar para Timor.

Adenda: "Timor Leste: sem surpresas" pelo Paulo Gorjão no Bloguítica

Adenda II: "Timor" pelo João Morgado Fernandes, há alguns dias no DN

Adenda III: "Timor Leste e a estória da História" pelo Luís Novaes Tito no Tugir

Aprender com as formigas

Excerto da National Geographic portuguesa de Maio de 2006.

Entrevista de Tim Appenzeller a Edward O. Wilson:

" (…) NG: É óbvio que encontra uma certa espiritualidade na natureza, um encantamento. Como encontra sentido num mundo que surgiu devido a mutações casuais e à selecção natural?

EO Wilson: A mente humana evoluiu para procurar um sentido. O universo é tão belo, complexo e surpreendente… Tal como a vida. Lembre-se da frase de Darwin: "Formas de vidas infinitas, belas e maravilhosas, estiveram e estão a evoluir." Hoje, temos mais indícios disso do que Darwin. Compreendemos isto até ao nível molecular; quão extraordinária é a vida enquanto fenómeno. Só isso convida mais à espiritualidade do que qualquer outra coisa fornecida pelos escribas de um reino do deserto da Idade do Ferro que escreveram a Bíblia Sagrada. Eles criaram uma obra literária impressionante. Mas não compreendiam verdadeiramente o mundo que os rodeava ou as estrelas do céu. Transformaram-nos em metáfora, atribuíram-lhes características poéticas, fizeram o melhor que podiam. Mas ainda assim, ficaram aquém daquilo que a humanidade consegue sentir no que respeita ao sagrado e à beleza estética. (…)

 

Fiscalização marítima

Foi avistado um arrastão nas redondezas. Desconhece-se se usa artes legais. As autoridades marítimas estarão em alerta.

A Galp perdeu! A galp perdeu?

"A longo-prazo, Timor-Leste está a dar passos importantes no sentido de alienar a boa vontade portuguesa."

A ler na íntegra "A Lógica de Merceeiro" no Bloguítica.

Javé não é flor que se cheire

Eu já desconfiava… Sou daqueles que não se sentindo filiado em nenhuma das organizações religiosas disponíveis, nem na verdadeira (a do leitor), nem nas outras, têm uma ideia muito vincada sobre o que acham que deveria ser Deus. Há terceira ou quarta praga das dez que se enunciam no livro do Êxodo fiquei a torcer pelo Faraó… Em nome do fair play.