Excerto:

" (…) Falta agora criar alternativas financeiras. Os que podem poupar para complementar a sua reforma, onde devem aplicar o aforro? Chega a ser revoltante, mas a banca não tem produtos de poupança sem risco com taxas reais positivas. Os depositantes perdem dinheiro. Porquê? Porque num país crescentemente endividado, a concorrência bancária faz-se nas taxas activas, nos créditos à habitação de margens reduzidíssimas, em detrimento das taxas passivas, dos depósitos, que se mantêm miseráveis. Planos Poupança Reforma? A indigência é a mesma: juros inferiores à inflação. E quando o ministro Bagão Félix acabou com o benefício fiscal dos PPR, explicando que tal beneficiava mais a banca que o aforrador, estava coberto de razão. O problema é que entretanto a banca não tornou a sua oferta de PPR mais atractiva. Não precisou: a subscrição de PPR continuou a crescer, mesmo sem benefício fiscal. Como os aforradores não são masoquistas, só há uma explicação: estão de facto preocupados com a reforma.

Dar benefício fiscal à subscrição de produtos bancários já provou não ser adequado ao complemento de reforma: dá apenas um pequeno retorno que se esgota num ano, tendendo a ser consumido nesse ano, com a chegada do cheque do IRS. Mas é preciso completar a reforma da Segurança Social com novos estímulos que verdadeiramente dêem saídas aos aforradores – por exemplo dando benefícios às empresas que favoreçam os trabalhadores. Sem opções, esses trabalhadores continuarão a preferir consumir a aforrar sem risco: é perversamente a decisão racional. Como racional seria investir na própria Segurança Social portuguesa: o instituto público que a gere tem taxas de valorização melhores que a banca privada. Se calhar é porque não tem lucros a crescer 30% ao ano.

Pedro S. Guerreiro no Jornal de Negócios

Discover more from Adufe.net

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading