Adufe 4.0

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
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Archive for Abril, 2006

Contra Tempo

Abril 22, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Palavras dos Outros 8 Comments →

No Kontratempos encontra-se uma pérola:

" Quando o Titanic se afundou nas águas frias e fundas do Atlântico Norte, 74% das mulheres sobreviveram enquanto 80% dos homens morreram. «Women and children first», lembram-se? Em 1912, a modernidade ainda não tinha sido desconstruída."

Agora ide lá e descobri o título

Encontramo-nos ali

Abril 21, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia, Lisboa 5 Comments →

Eu faço-me acompanhar de uma valente dor de cabeça, a Catarina leva a gripe e a reunião poderá ter a companhia dos fantasmas dos Távoras (uma vez que ali foi o seu palácio até ao fatídico momento) mas que isso não vos assuste! O resto dos convivas permitem-nos jogar com uma perna às costas. Até já!

 

Actualização

Abril 21, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política Comments Off

Foi actualizado o post "O que deve levar à demissão".

Não perceber os deputados

Abril 21, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política 2 Comments →

" (…) "Devíamos ter uma atitude de humildade perante os eleitores e pedir desculpas por uma situação que não é normal nem aceitável", defendeu Ricardo Gonçalves, na reunião da bancada, admitindo que saiu do plenário antes das votações devido à "campanha interna para as distritais".(…)"

Deputado socialista Ricardo Gonçalves citado pelo Jornal de Notícias

Tenho um post escrito há dias chamado "Um cardume de carapaus no Parlamento" e tenho deixado a coisa rolar para ver se arranjo pretexto para o deitar para o lixo. O deputado do PS Ricardo Gonçalves (de quem nunca tinha antes ouvido falar - ver comentário a este post do Bruno e espreitar aqui as intervenções do deputado) já me obrigou a alterar, num sentido mais prazenteiro, o conteúdo da prosa que ainda auto-censuro.

Este deputado, em reunião interna, propôs que o PS e o seu grupo parlamentar pedissem desculpas aos eleitores e que partissem daí para recuperar a credibilidade. Ouvi esta referência ontem com ruido na TSF. Hoje descubro-a nas Notas Soltas do Bloguítica e repito a pergunta do Paulo Gorjão: a sugestão dele foi recusada com que argumentação?

Eu votei no PS, e ainda que desconfie dos motivos (miseráveis a serem os que adivinho) gostava de saber. 

Reciclando comentários a pedido (Revisto)

Abril 21, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia, Media 2 Comments →

Seguindo a sugestão do JPT publica-se um comentário meu deste post.

"Se olhares para JPP como estando ou pensando estar num pedestal é mais fácil detestar a figura (aliás é fácil detestar qualque figura nesse caso).

Também consigo perceber que seja fácil ver a hipocrisia de um pecador, um tipo cheio de defeitos como todos os outros, que vem de quando em vez deixar sublinhados éticos e morais expondo as contradições de outrem( veja-se o conflito de décadas que vai tendo com os media).
O engraçado é que ele não se situa noutro plano por mais que ele queira (será que quer?) ou que lhe queiram imputar.
Felizmente já o apanhei umas quantas vezes a gozar com o seu reflexo no espelho, tendo surgido muito pouca gente com a presença de espírito de topar isso. A figura para mim humanizou-se, digamos assim. E para isso a blogoesfera ajudou-o muito, até por lhe ter permitido, de alguma forma, reduzir as camadas de couraça com que habitualmente se vestia nas suas intervenções públicas.
Um dos divertimentos mais hilariantes foram os seus dez mandamentos para a blogoesfera portuguesa. E o modus operandi foi exactamente esse: partindo da crítica ao falso profeta de que era e é alvo e observando alguns exercícios anteriores complementados com a sua experiência no meio, divertiu-se com as 10 leis (basta ver a forma como as foi construindo para deixares de ter dúvidas quanto à auto-ironia).

Talvez o estimado vizinho seja demasiado blase e diletante mesmo (tantas vezes me tocou nos nervos e estou certo tocará), mas olhando para a fauna existente fica muitos furos acima da média e vai tendo alguns assomos de coragem e genialidade. Em relação aos media tem personificado na perfeição o "quanto mais lhes bato, mais eles gostam de mim", por exemplo, o que se diz algo sobre a figura, diz muito mais sobre os media e sobre quem os lê.
Convém aqui notar que mal ou bem acompanho JPP há mais de uma década nos media.
Mesmo que queiras reduzir a sua actividade à síntese (parasitária se bem entendo) do que vê e ouve (é preciso ver que assina: historiador) dá um bom cronista na linha dos que temos tido no passado com algumas das melhores qualidade e dos "melhores" defeitos.
Há poucos como ele tão capazes de manipular e usar com eficácia da retórica. Já terei caído na esparrelas alguma vez, mas é um risco calculado.

Digamos que terei muito gosto um dia em apertar-lhe a mão. Merece-me um reconhecimento muito maior do que aquele que nutro pela grande maioria dos políticos que temos à esquerda e à direita. É um inimigo político que não desmerece ninguém.
Em suma, acho que JPP é uma figura muito interessante e, sendo uma pessoa notoriamente inteligente, a alergia que provoca funciona de forma sedutora, pelo menos para quem adora uma estimulante contenda.
Agora, não é nem o meu oráculo, nem o meu guru. Não há nesta terra nenhum mortal que se conheça que me encha essas medidas. O problema é que é o oráculo e o guru para muita gente (para muitos órfãos políticos por exemplo), daí a marcação serrada de outros tantos e a relevância da sua denúncia.
"

Anónimos e não anónimos, como sempre, podem fazer a catarse/ dar opinião que bem entenderem na caixa de comentários. 

A ler

Abril 21, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Media Comments Off

"Let’s be honest: no one gets rich from being a traditional journalist.", no Contra Factos & Argumentos

O que deve levar à demissão? (rev.)

Abril 21, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE Comments Off

Tendo dito publicamente o que disse, em comentário aos números do seu IEFP, sem nunca ter referido as dificuldades de comparabilidade dos dados (quebra de série estatística) por via das alterações metodológicas, o que deveria fazer o senhor presidente do IEFP?

Que credibilidade (ver editorial do DN) tem a partir de hoje quando falar em nome do seu Instituto?

Adenda: Para bom entendedor, no Diário Digital: "«Desafio a encontrarem uma afirmação minha em que não tenha dito que as oscilações verificadas não são a resposta de fundo à questão do desemprego, que terá de vir do crescimento económico», disse Vieira da Silva [hoje no parlamento], acrescentando que a alteração de metodologia se deve ao cruzamento de dados entre a Segurança Social e o IEFP, que entrou em vigor no ano passado."

Adenda II: Por mail chegou-me a sugestão de leitura que se segue onde se encontra uma contradição clara face às declarações do ministro acima citadas: "(…) Este número traduz uma evolução homóloga de 5,1 por cento, fazendo com que Março fosse o 12º mês consecutivo de aumento das ofertas de emprego no Continente, «facto que indicia um maior dinamismo da actividade económica», acrescenta o Ministério do Trabalho e da Solidariedade."

Péssima limitação de avarias!

Help!

Abril 21, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Pessoal, Religião Comments Off

Pergunta que me sobrou de ontem: um incréu pode pregar o ecumenismo?

O enlevo e o alambique (act.)

Abril 21, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia 11 Comments →

A ler "A FAUNA DAS CAIXAS DOS COMENTÃ?RIOS (o cravo)" por JPP.

Há quem nesta esfera pareça querer fazer de José Pacheco Pereira o móbil de tais paixões: entre o enlevo e o alambique. Aliás, é nesta vizinhaça que julgo ser mais fácil ainda ir encontrando paixões destas, aparentemente genuínas, em torno da política; mesmo assim rareando, a olhos vistos.

Por aqui vou tentando ser virtuoso face ao estimável vizinho (que tantas vezes zurzi), no sentido de conscientemente ter percebido que há muito mais a perder do que a ganhar havendo sã convivência. Por agora vou andando, sem cravos nem ferraduras, e com aberrações estatísticas à mistura. Por exemplo esta: há meses que não arranjo nada de muito substancial de que discordar com o estimado vizinho. Parece-me que se tivesse visto o último Quadratura do Círculo talvez arranjasse qualquer coisinha, mas hoje, mais uma vez, tiro o meu chapéu. Ainda que a prosa dê pano para mangas e não a assinasse por baixo. Provavelmente, haveremos de falar dela hoje ao fim da tarde, no interior de um fino palácio.

E quem sabe se desta, também (a ferradura).  

Ou então… não

Deportação portuguesa no Canadá (rev.)

Abril 20, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Mimos, Política 5 Comments →

Absolutamente imperdível!

Viagem até esta página, façam scroll até ao sumário da emissão de 11 de Abril e vejam o sketch chamado "Deportation". O mote é "Making Canada a little less skilled… One Portuguese at a time".

As 114 Páginas do Metro do Porto

Abril 20, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Mimos, Política 2 Comments →

Haverá alguma justificação para as 114 páginas do Relatório e Contas de 2005 produzido em papel de excelente qualidade, profusamente ilustrado com imagens do Andante, da equipa de administradores, da visita do primeiro ministro, dos principais quadros técnicos, do senhor presidente do Metro do Porto que acompanhou hoje, pelo menos, no Diário Económico (adquirido em Lisboa)?

Suponho que este tipo de publicações já não tenha obrigatoriedade legal de edição (pelo menos deixaram de aparecer os Relatórios e Contas que por esta altura do ano tão preciosamente ajudavam a equilibrar o orçamento dos nosso jornais) por isso para quê este fausto do Metro do Porto?

Quanto custou? Justificava-se?

Talvez seja falha minha, mas não encontrei o dito relatório disponível na página do Metro do Porto (a única referência que encontrei foi esta).

Amanhã às 18h30 ao Campo Pequeno (Lisboa)

Abril 20, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia 5 Comments →

Mesa Redonda

Biblioteca Municipal Central – Palácio Galveias

21 Abril às 18h30

Webblogs: o autor/editor (Entrada Livre)

  • A dicotomia autor/editor e a questão da validação dos conteúdos;
  • Novos caminhos da informação e de debate;
  • O uso integrado das tecnologias ao serviço da criatividade;
  • O uso de blogues na educação e no desenvolvimento do gosto pela escrita.

Com a participação de:

Ana Cláudia Vicente
http://quatrocaminhos.blogspot.com

Catarina Campos 
http://100nada.weblog.com.pt
 http://devagares.weblog.com.pt/

Francisco José Viegas 
http://origemdasespecies.blogspot.com/

João Villalobos
http://prazeresminusculos.blogspot.com 

Rui Branco 
http://adufe.weblog.com.pt

Moderador: Isabel Goulão  
  http://misspearls.blogspot.com/

Eles perguntaram (act. II)

Abril 20, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Lisboa, Religião 12 Comments →

Nas cerca de duas horas em que estive no Largo de São Domingos perguntaram-me se era ali que a Câmara ia acender 40mil velas pelos judeus mortos e se era ali que se ia inaugurar o monumento ao judeu de Lisboa… Depois perguntaram-me também, em várias línguas, o que se celebrava ali. Estavam menos de 20 pessoas em volta de uma Oliveira enfeitada com velas entre as raízes e ainda assim (talvez por isso) as pessoas que passavam aproximavam-se e perguntavam… O que é?

Falei com uma simpática beata da Igreja Católica (plena de contradições que me escuso documentar) que desconhecia este episódio da história daquele lugar, falei com uma turísta que repetiu a viagem e o inquérito para saber exactamente o que se comemorava, falei com outro casal que ficou admirado pela distância (500 anos) face ao evento. Mas a noite, além da companhia dos que por ali partilharam com saudável cumplicidade a humilde homenagem (com cerca de 80 velas que ficaram ardendo encostadas ao aconchego da parede do edifício fronteiro à Igreja), trouxe ainda uma longa conversa que eu e a Cláudia tivemos com um curioso e simpático casal caravanista alemão (de Munique/Lago Constança). As perguntas que o homem fez fizeram-me lembrar muito as tuas Lutz: as perguntas dele aos pais enquanto jovem (era homem para estar nos 40) para tentar comprender a história recente da Alemanha, a curiosidade quanto à forma como os portugueses encaram uma memória destas com 500 anos e porque o fazem. E ainda a surpresa por se tratar de uma homenagem pública pioneira e não um hábito antigo… Acabámos falando do encanto pelas viagens, do futebol e da surpresa muito agradável que parecia estar a ser a cidade de Lisboa para eles… e se calhar um bocadinho para nós também.

No final da noite chegou a cacimba, amainou o vento que insistia em apagar as velas e ficaram  três zeloso polícias, a ver-nos virar a esquina. Sim: a homenagem, a lembrança. E mais nada? Eles perguntaram, houve mais qualquer coisa. E ainda bem que assim foi.

Não foram 4 mil velas (lá) Nuno, mas valeu bem a pena.

Adenda: referência na Sic a que cheguei pela Lua

Adenda II: referência hoje na capa (fotografia) e página  13 do Público (Maria José Oliveira) e página 22 no Diário de Notícias (Fernanda Câncio)

Mais logo no Largo de São Domingos ao Rossio

Abril 19, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Lisboa, Pessoal, Religião 1 Comment →

É curioso saber que o estimado Gabriel Silva teve conhecimento da Matança da Pascoela de 1506 atraves deste post do Adufe, datado de Agosto de 2003. Falar do sucedido tem também (essencialmente!) uma função de "serviço público", como se constata.

Hoje, Quarta-Feira, quando a noite ocupar as ruas de Lisboa irei ao Rossio (Largo de São Domingos) com uma pequena luz na mão, tentando resgatar essa memória. 

"A que horas vais?" Perguntam-me alguns leitores pelo correio. Eu estou a pensar passar por lá e por lá ficar um pouco, por volta das 21h00. E espero que fique lá por mim, durante mais algum tempo, ao menos uma vela.

Adenda:

Haverá também quem por lá passe a partir das 20h

Adenda II:

E haverá ainda que por lá passe a partir das 19h (I e II

- Para actualizações ao blogue consulte o post anterior -  

… começaram a matar todos os cristãos-novos que achavam pelas rua…

Abril 19, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Lisboa, Religião Comments Off

21h00? Porque não? 

Republica-se um excerto da Rua da Judiaria [texto de Damião de Góis (ligação para uma bibliografia ficcionada) (1502-1574)]:

«500 Anos: O massacre de Lisboa V

March 27th, 2006 - Testemunhos

Antes que el Rei fosse de Lisboa para Almeirim, ordenou Tristão da Cunha à Ã?ndia por capitão de uma armada, da qual, e do que nesta viagem se fez se dirá adiante, no ano de mil quinhentos e oito, em que tornou. Pelo que nestes dois capítulos, que são já derradeiros desta primeira parte tratarei de um tumulto, e levantamento, que aos dezanove dias de Abril, deste ano de mil quinhentos e seis, em Domingo de Pascoela fez em Lisboa contra os cristãos-novos, que foi pela maneira seguinte.

No mosteiro de São Domingos da dita cidade estava uma capela a que chamava de Jesus, e nela um crucifixo, em que foi então visto um sinal, a que davam cor de milagre, com quanto os que na igreja se acharam julgavam ser o contrário dos quais um cristão-novo disse que lhe parecia uma candeia acesa que estava posta no lado da imagem de Jesus, o que ouvindo alguns homens baixos o tiraram pelos cabelos de arrasto para fora da igreja, e o mataram, e queimaram logo o corpo no Rossio. Ao qual alvoroço acudiu muito povo, a quem um frade fez uma pregação convocando-os contra os cristãos-novos, após o que saíram dois frades do mosteiro, com um crucifixo nas mãos bradando, heresia, heresia, o que imprimiu tanto em muita gente estrangeira, popular, marinheiros de naus, que então vieram da Holanda, Zelândia, e outras partes, ali homens da terra, da mesma condição, e pouca qualidade, que juntos mais de quinhentos, começaram a matar todos os cristãos-novos que achavam pelas ruas, e os corpos mortos, e os meio vivos lançavam e queimavam em fogueiras que tinham feitas na Ribeira e no Rossio a qual negócio lhes serviam escravos e moços que com muita diligência acarretavam lenha e outros materiais para acender o fogo, no qual Domingo de Pascoela mataram mais de quinhentas pessoas.

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