Ella tinha uma voz doce
Tão "doce" que está aqui a cantar-me ao ouvido "Basin Street Blues", imitando, na segunda metade, Louis Armstrong. Doce sim e mais qualquer coisita. E pronto, já chega como understatement do dia.
Tão "doce" que está aqui a cantar-me ao ouvido "Basin Street Blues", imitando, na segunda metade, Louis Armstrong. Doce sim e mais qualquer coisita. E pronto, já chega como understatement do dia.
Martim Avillez Figueiredo diz que "temos Futuro"!
Sérgio Figueiredo diz que este é "peligroso".
Mais de 200000 visitas segundo o site meter (média diária a rondar as 500), 950 e tal mil segundo o weblog.com.pt (média diária a rondar as 2000), mais de 1100 mil páginas e quase dois milhões de hits (ou serão 3 ou 4?) ainda segundo o contador do weblog.com.pt.
Mais espantoso que tudo isto é que, de vez em quando, ainda consigo tirar genuíno gozo com este blogue. O que seria de mim sem o meu saco de narcisismo e de curiosidade "científica"? Na ausência de outros objectos de estudo, entretenho-me a tentar perceber este tipo que vive comigo há 30 anos e o blogue dá uma ajudinha.
Não se chatei, caro leitor, embora por vezes possa não parecer, o Adufe também tem tudo a ver consigo. Fique por aí que nós voltamos dentro de momentos.
Diverto-me a ler não só Luís Delgado, mas também Ribeiro e Castro; divirto-me com uma hipótese simplista, uma hipótese que tem de partir do princípio de que tudo o que João Cesar das Neves aqui escreveu é um puro disparate. Vamos assumir que os governos respondem directa e imediatamente pelo PIB… A ser assim, e tendo o PS tomado posse a 10 (ou 11 ) de Março de 2005, só é responsável pelo PIB de cerca de 20 dias do 1º trimestre, mais o resto do ano… Quanto cresceu o PIB nesse período face a igual período do ano anterior?
0,42954% É verdade. Exactamente 0,42954%. Pois é, mais 27,9% do que os 0,33584% divulgados a semana passada pelo INE…
Mas se calhar já temos que descontar o efeito Cavaco Silva, que antes de o ser, já o era como afirma Ribeiro e Castro.
Está um dia lindíssimo, não acham?
E como resposta o BPI não pode lançar uma OPA ao BCP?
Nota: o sítio do Canal de Negócios deve estar um pouco empanturrado de visitas.
Leia-se esta notícia* que começa assim:
"Assaltante de 22 anos abatido por agente da PSP
Um jovem de 22 anos foi morto a tiro na madrugada de ontem por um agente da PSP de Viseu na sequência de um assalto que ocorreu em pleno centro da cidade. Um segundo assaltante, de 27 anos, ficou ferido na fuga e outro foi capturado pela polícia. O caso está já a ser investigado pela Polícia Judiciária."
Agora digam-me porque é que o "alegadamente" me veio à cabeça?
Quando é que um jornalista deve usar o alegadamente? Sempre? Às vezes? Convinha que soubéssemos explicitamente qual é a regra (ainda que ela possa resultar em aplicações difusas). Eu detesto o "alegadamente" porque parece ser usado apenas em alguns casos-notícia e, ao sê-lo, atribui por isso uma espécie de dúvida específica ao alcance apenas desses casos específicos (recordo, por exemplo, o caso "Casa Pia") sem que, contudo, o jornalista fundamente as eventuais dúvidas, apresente frutos de uma investigação, etc. Parece-me também que, após os primeiros tempo do caso "Casa Pia" o alegadamente virou moda. Estará por ventura a esfriar…
Nesta notícia o jornalista não terá tido dúvidas de que houve um assalto, de que os assaltantes foram identificados sem margem para dúvida e de que foi um agente da PSP que baleou um dos assaltantes. Ou, em alternativa o jornalista assumiu que o leitor é inteligente e que sabe que se é sempre inocente até alegações provadas em contrário. Em que ficamos?
* A notícia em concreto e o jornalista em concreto interessam muito pouco para o caso, como é óbvio. Servem apenas de exemplo para esplanar a dúvida.
" Eu adoro, confesso, a forma como políticos, economistas e outros responsáveis manipulam mediaticamente as contas e os resultados nacionais.(…) Na sexta-feira, o INE divulgou as primeiras estimativas para o encerramento das contas nacionais, e a verificação, inegável, é que o PIB de 2005, quando comparado com o de 2004, baixou 0,8 por cento - de 1,1 para 0,3 -, e só não entrou em recessão pelo consumo verificado no quatro trimestre. Quanto a este facto não há duas leituras. (…) "
Luís Delgado, hoje no Diário de Notícias.
Além de recomendar que a malta do DN, a Helena Garrido, o Peres Metelo ou outro jornalista da secção de economia paguem um almoço ao Luís Delgado (para ele ver que há almoços grátis, por exemplo), ofereço humildemente esta outra borla:
Nota 1: os números comentados são taxas de variação anuais do PIB em volume (evolução real já descontando o efeito da variação dos preços). Em 2004, avaliado por esta taxa, o PIB cresceu 1,1%. Em 2005, o PIB continuou a crescer mas a um ritmo mais baixo do que o verificado no ano anterior. Entre 2004 e 2005, o PIB não baixou 0,8 por cento, nem sequer baixou 0,8 pontos percentuais (que são coisas muito diferentes). Entre 2004 e 2005 cresceu 0,3 por cento.
Nota 2: O que é a recessão técnica? Convencionou-se que a economia entra em recessão quando se verificam duas taxas de variação em cadeia negativas (duas variações trimestrais consecutivas negativas, ou seja, dois trimestres seguidos em que o PIB de final de trimestre, em volume, é inferior ao anterior).
Nota 3: "O PIB só não entrou em recessão pelo consumo verificado no quarto trimestre". Como é óbvio esta afirmação é uma simplificação errada do que se passou, pois o PIB depende de vários agregados económicos. Uma das curiosidades do 4º trimestre (analisado em cadeia - evolução face ao trimestre imediatamente anterior) terá sido a proximidade dos contributos dos diversos agregados para a evolução global do PIB: todos evoluíram marginalmente, uns ligeiramente para cima (consumo de residentes e consumo público), outros ligeiramente para baixo (investimento e exportações). É nas variações face a igual período do ano anterior (variações homólogas) que as oscilações se verificaram mais interessantes, sendo também particularmente interessante verificar se o perfil que se foi desenhando ao longo do ano se manterá (ver Nota 5).
Nota 4: Porque se analisa também a taxa de variação homóloga (aliás o INE até privilegia há anos este indicador)? Contrariamente ao que sucede com a taxa de variação em cadeia, a taxa de variação homóloga é "auto-imune" a eventuais variações sazonais da actividade económica. Admitindo que em certas épocas do ano há movimentos regulares (por hipótese há sempre quebra da produção no 3º trimestre/época de férias ou aumento do consumo no 4º trimestre/natal/fim de ano), ao comparar a evolução do PIB entre períodos homólogos o número obtido não surge "infectado" pelo efeito sazonal (como sucederá potencialmente se comparássemos com o trimestre anterior). A taxa de variação em cadeia depende mais intimamente da qualidade da “vacina” contra a sazonalidade que o economista/econometrista consiga arranjar (técnicas de decomposição temporal + eliminação da componente sazonal"). Em suma, uma taxa de variação homóloga tem um "sistema imunitário" mais resistente à partida. Por outro lado, a taxa de variação homóloga antecipa mais fielmente a evolução anual do PIB permitindo perspectivar melhor essa evolução, veja-se a este título o boneco que aqui publiquei há dias.
Nota 5: A evolução da taxa de variação em homóloga ao longo dos quatro trimestres de 2005 terá sido dos indicadores menos "deprimentes" apurados pois evoluiu de uns -0,1% no 1º trimestre, para os 0,4% no 2º e 3º, terminando o ano com um crescimento de 0,7%. A evolução foi inversa à do consumo de residentes que começou o ano com crescimentos de 1,8% e 1,9% nos 1º e 2º trimestres, passando para os 0,7% no 3º e fechando o ano nos 0,6%. Nos dois últimos trimestres de 2005, segundo os números disponíveis até ao momento, a evolução (positiva) das exportações foi o agregado que singularmente mais contribuiu para as taxas de variação homóloga do PIB. Será que esta tendência se vai manter e que a taxa de variação homóloga do PIB continuará a aumentar ao longo de 2006? Quanto a esta dúvida não há duas leituras: honestamente ainda ninguém sabe ao certo.
Myanmar, Birmânia… Poderia falar do Sahara Ocidental, do Tibete também, e de muitos outros países e regiões cobertos de negro neste planeta. Por lá o poema de Sophia ainda é apenas um sonho.
"(…) 25 DE ABRIL
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
April, 25th
This is the dawn that I longed for
The first day whole and clean
when we emerge from the night and from the silence
and free we inhabit the substance of time
Sophia de Mello Breyner Andresen (…)"
A ler Streets of Lisbon, n’O Mundo de Cláudia.
A quem enfiar o barrete. O assunto é menor, mas agora que a poeira acalmou volto a ele apelando a uma breve e serena reflexão.
Preferia que Mário Soares tivesse ido cumprimentar cordialmente Cavaco Silva no dia da tomada de posse. Talvez fosse apenas um gesto para inglês ver, mas ficava-lhe bem. Fazia esse sacrifício e poupavamos todos em adubo para a jocosidade.
Dito isto, pergunto-me: será que quem teve tanto gozo (por exemplo nesta esfera) em catalogar depreciativamente a ausência desse gesto por parte do Ex-presidente Mário Soares, também lamenta que Cavaco Silva pura e simplesmente não tenha estado em São Bento, na tomada de posse de Jorge Sampaio no ano (1996) em que foi derrotado por este para a presidência da República? Também não é aqui que o actual presidente pode dar lições a Mário Soares. Ai a memória… como ela é selectiva.
Adenda: A ler também "Soares e Cavaco" no Mau Tempo no Canil.
Não são as sessões de cinema que o nosso mais novo ex-presidente irá ver, são as vitórias consecutivas do Sporting neste campeonato. Para não variar, sofreu-se até ao último minuto e também para respeitar a regra guardou-se uma vaia para o árbitro no final do jogo. Tonel voltou a resolver outro jogo (pois é!). Longe de deslumbrar justificou plenamente a vitória. O Boavista está despachado, venha o próximo.

Mais uma vez deixo a ligação para a página do Sporting onde se comenta o jogo, não por puro clubismo, mas apenas porque se costumam por lá produzir boas peças de jornalismo desportivo. Fica o desafio de leitura; nunca por lá li comentário panfletário pró-clubista. Já os excelentes retratos do que se passou em campo são mato.
Segue-se um excerto do livro "Os namorados" de Luiz Pacheco que me foi recomendado e que com muito gosto aqui partilho:
"A casta beleza do ventre duma grávida: pousa a mão devagar em cima dessa carne, terra sagrada, e ficas repassado de mistério. Um novelo de carne anda sem nome sem rosto sem destino certo cresce oculto leve livre, mola de incalculável poder, uma vida às cambalhotas lá dentro que vai anunciar-se num grito o primeiro grito. A mão corre amorosamente sobre a pele tensa presa no ventre é uma ameaça e o feto encabrita-se escorrega foge tomado de um súbito pavor. Talvez chore. Mas a mãe, que tudo sabe e de tudo o protege e guarda, não chora, sorri. O orgulho cresce no seu olhar, o pacto lealmente cmprido, a dadiva maior do Amado, o seu sangue (dele, dela) moldado em carne nova transfigurado num corpo livre. Ah, não ser eu a grávida e saber-me deus!"
Dedicado também ao JHJ que promete resumir-se a mil palavras nos próximos tempos.
A tristeza engorda e a felicidade faz mal ao fígado.
“Produto interno bruto cresceu, em volume, 0,7% no 4º trimestre de 2005 [variação homóloga] e 0,3% no conjunto do ano
O Instituto Nacional de Estatística divulga as primeiras estimativas das Contas Nacionais para o 4º trimestre e para o conjunto do ano de 2005. Divulga igualmente os resultados definitivos e detalhados para 2001 e 2002.
No 4º trimestre de 2005, verificou-se uma aceleração no crescimento homólogo do Produto Interno Bruto (PIB), o qual se fixou em 0,7% em termos reais, face a 0,4% no período anterior.
Carregue na imagem para aumentar.
No conjunto do ano de 2005 o PIB registou um crescimento em termos reais de 0,3% em 2005, após a variação de 1,1% verificada em 2004. A procura interna teve um contributo positivo para o crescimento do PIB, embora menos intenso do que o verificado no ano anterior. Por outro lado, o contributo da procura externa líquida para o crescimento do PIB foi menos desfavorável do que em 2004. A Necessidade de Financiamento da economia portuguesa, medida em percentagem do PIB, passou de 5,8% em 2004 para 7,9% em 2005. (…)”
A análise encontra-se aqui. Para ter acesso aos quadros estatísticos (Excel) o melhor é procurar no site do INE no Tema ‘Economia e Finanças’, Sub-tema ‘Contas Nacionais e Regionais’.
" De Janeiro a Dezembro o défice da balança comercial aumenta 10,6%
(…) A análise dos resultados preliminares do ano de 2005, por trimestre, permite-nos verificar que o défice da balança comercial apresenta uma tendência decrescente ao longo do ano. A taxa de cobertura foi de 62,5% no 1º semestre o que corresponde a uma deterioração de 3.5 p.p face ao mesmo período do ano anterior. No 2º semestre a taxa de cobertura foi de 62,2%, igual à verificada no 2º semestre de 2004. (…) Para o período em análise destacaram-se, nas entradas, o aumento dos Combustíveis e lubrificantes de 40,8% e de Máquinas e outros bens de capital, com um acréscimo de 4,5%.
Do lado das saídas verificou-se um acréscimo de 58,1% dos Combustíveis e lubrificantes. " Mais informação aqui.
Nota: mais logo (15h) temos o PIB.