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O que é a poesia?*

Março 15, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Poesia e Música

Hoje parece-me que a poesia é um véu que esconde o irreprimível, tudo aquilo que não pode ser dito nem partilhado.

* Se aqui chegou enviado pelo google em busca da resposta, peço-lhe que escreva coisas caso consiga alguma descoberta. 

8 comentários to “ O que é a poesia?* ”

  1. # 1 Roteia Says:
    Março 15th, 2006 at 22:0

    Nada como recorrer ao étimo para redescobrir o sentido da poesia. Desde a faculdade, com o meu professor de estética, a ideia de poesia nunca mais foi o mesma. Mas vamos então ao étimo grego “poiesis”: acção, criação, fabricação, significando ainda saber fazer, fazer bem feito.
    Eis que, antes de ser expressão artística (através da escrita), a ideia de poesia se pode alargar ao quotidiano, à autenticidade da vivência.

  2. # 2 Rui MCB Says:
    Março 16th, 2006 at 0:0

    A poesia como a única verdade.

  3. # 3 pepe Says:
    Março 16th, 2006 at 12:0

    Esta é daquelas questões cuja resposta não satisfaz ninguém e cada qual tem a sua. Verdade que poiesis tem a ver com criação, mas muita da poesia é vagamundo à procura do inefável, nesse sentido concorrente da mística religiosa, no sentido panteísta, mas sem compromisso, nem regra. No meu blog Novo Mundo, na categoria mundo �ntimo exemplifico um pouco do que quero dizer.

  4. # 4 Roteia Says:
    Março 16th, 2006 at 20:0

    Comentando ou respondendo ao Rui com um famoso pequeno poema de Novalis (cito de memória):

    “A Poesia é o autêntico real absoluto.
    Isto é o cerne da minha filosofia
    quanto mais poético, mais verdadeiro”.

    - Romântico demais? ou precisaremos nós todos, depois de termos “matado” o romantismo, regressar ao risco de cruzar a cabeça (razão/ciência) com o coração (emoção/criação)?

  5. # 5 Rui MCB Says:
    Março 17th, 2006 at 9:0

    Isto dava pano para mangas, principalmente porque sou um absoluto leigo na matéria.
    Esse poema que cita encosta-se muito num dos preconceitos dominantes sobre a poesia, contudo, há também que escreva poema para dizer o que lhe vai na alma devidamente encoberto por um véu, pode ser “apenas” um véu simbólico acessivel apenas a iniciados, ou pode ser outro recorrendo a todo o mágnífico arsenal de instrumentos da língua. Mas será que a intenção de todos os poetas é essa ideia romântica? Eu valorizo muito a prosa (não poética) para dizer o que me vai na alma :-)

  6. # 6 Roteia Says:
    Março 17th, 2006 at 17:0

    Rui MCB: Refere o preconceito sobre a poesia. Creio que essa é mesmo a grande questão. A citação de Novalis, desfaz aquela ideia banalizada “Ah, isso é poesia”, como quem diz: “isso não interessa para nada, põe os pés no chão”. O que este poeta procura dizer é que há coisas indizíveis, ou que apenas através da poesia podem ser identificadas. Veja-se o caso das novas tendências científicas onde se reconhece hoje à metodologia poética um papel determinante no campo da pesquisa e da descoberta. Quando referi o étimo de poesia (no primeiro comentário) pretendia salientar que para lá dos preconceitos que encaixam a poesia no mundo do sonho ou do “delicodoce”, a “poiesis” é afinal um saber fazer bem feito (ou até um saber pensar bem pensado).
    Porque este asunto não tem fim e para não tornar o comentário ainda mais longo, acrescento apenas uma questão: poesia é muito mais do que forma (em verso ou prosa poética) poesia é aquilo que tocar o essencial, incluindo uma prosa-prosa. É contra a ideia de poesia apenas enquanto escrita (a maior parte das vezes feita de floreados) que se insurgem a maior parte dos escritores poetas. Almada Negreiros, que gostava de claridades radicais disse: “a poesia é um acto vitalício”.
    Ah, só mais isto, não existe nem arte, nem texto, nem profissão, nem tarefa, sobre a qual a poesia não possa estender o seu véu, excepto quando conscientemente repudiada.

  7. # 7 Roteia Says:
    Março 17th, 2006 at 17:0

    Rui MCB: Refere o preconceito sobre a poesia. Creio que essa é mesmo a grande questão. A citação de Novalis, desfaz aquela ideia banalizada “Ah, isso é poesia”, como quem diz: “isso não interessa para nada, põe os pés no chão”. O que este poeta procura dizer é que há coisas indizíveis, ou que apenas através da poesia podem ser identificadas. Veja-se o caso das novas tendências científicas onde se reconhece hoje à metodologia poética um papel determinante no campo da pesquisa e da descoberta. Quando referi o étimo de poesia (no primeiro comentário) pretendia salientar que para lá dos preconceitos que encaixam a poesia no mundo do sonho ou do “delicodoce”, a “poiesis” é afinal um saber fazer bem feito (ou até um saber pensar bem pensado).
    Porque este asunto não tem fim e para não tornar o comentário ainda mais longo, acrescento apenas uma questão: poesia é muito mais do que forma (em verso ou prosa poética) poesia é aquilo que tocar o essencial, incluindo uma prosa-prosa. É contra a ideia de poesia apenas enquanto escrita (a maior parte das vezes feita de floreados) que se insurgem a maior parte dos escritores poetas. Almada Negreiros, que gostava de claridades radicais disse: “a poesia é um acto vitalício”.
    Ah, só mais isto, não existe nem arte, nem texto, nem profissão, nem tarefa, sobre a qual a poesia não possa estender o seu véu, excepto quando conscientemente repudiada.

  8. # 8 Rui MCB Says:
    Março 18th, 2006 at 23:0

    Eu que não sou poeta, em muitos dos meus dias tristes e ledos afinal não faço mais do que aspirar à poesia :-)

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