Adufe com ânimo

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
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Archive for Fevereiro, 2006

A dupla vida de Veronique à escala global

Fevereiro 15, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos, Blogologia, Política 2 Comments →

Eu tirei muitas lições pessoais (não, não andei a contar espingardas - as opiniões pessoais e sua história interessaram-me mais como objectos de estudo pessoal, sendo irrelevante, para o que aqui digo, o rosto ou o nome dos personagens) e confirmei uma teoria muito íntima (e nada original) ainda que a expensas próprias, pois isto de debater, conseguir ler e perceber os outros e tentar replicar é estimulante mas também desgastante, extremamente desgastante se nos dermos efectivamente ao trabalho e almejarmos um efectivo, ainda que algo utópico, passo em frente. É sempre preferivel não ter que passar por esse desgaste, mesmo que se esteja a falar apenas de um debate, disparando teclas e mais teclas…  Quem não quer ser amado? Será esse, o da disputa, o caminho mais fácil?… E no entanto…

Esta história dos cartoons foi (e continuará a ser) muito mais do que um fait divers, uma micro-causa, uma demarcação de território entre tribos, para pegar na terminologia do curioso enunciado que Pacheco Pereira vai construindo.

Não me entendam mal, a particularidade da discussão não se deve à novidade do tema ou dos argumentos. O valor intrínseco do debate neste momento do tempo e do espaço provém dos seus efeitos dinamizadores e catalizadores. O que esteve (e está) em causa baralhou as velhas e estafadas cartilhas da política corrente relegando-as para um segundo plano (não desmerecendo, o seu merecido lugar) e, por outro lado, despertou alguns indivíduos para o Dilema, para a definição do que é um dilema. Não há nada como um boneco para generalizar um conceito, mesmo que sobre o boneco e não efectivamente do boneco.

Tenho para mim que pôs muita gente a pensar, a pôs em causa o conforto dos caminhos trilhados, apresentou o desconhecido a algumas cabecinhas que não encontraram nas referências do costume as ideias que julgavam resultar simples de somas singelas, puros sofimas disfarçados de silogismos -ainda que desconfie que muitas dessas cabecinhas só o confessem para os seus botões, por enquanto.

Talvez a percepção de que o que é considerado como adquirido está sempre em risco não tenha chegado apesar de tudo a muitos, não chegou certamente a todos nesta pequena esfera, mas talvez, talvez tenha ido além do que é normal nestas conversas em círculo estrito…

Pôs alguns a fruirem de uma rara espécie (felizmente rara!) de pureza de pensamento (retirando ao relativismo o carácter de instrumento de uso universal para a construção do pensamento) e pôs outros a defender, de forma menos consistente do que o habitual, que nada há para pensar ou discutir, porque nada está em causa além da necessidade de se manter uma espécie de fórmula geral de interpretação e convivência no e com o mundo, sustentada no muito ocidental e proverbial senso comum, supostamente apurado ao longo de séculos de tentativa e erro.

Para as mentes mais simplistas, algumas das "velhas alianças" soçobraram. Para outros olhos, ficou provado que há vida para além da matriz e que há um admirável e perigoso mundo novo que não existe apenas nos livros de história e que pode não se resumir à vidinha.
Não, não são os tambores da guerra, é apenas o PRESENTE que está aqui connosco acertando-nos na cabeça com o peso do seu passado, forçando-nos a "resolvê-lo", convidando-nos a viver cada dia, em cada acto, uma vida em comunidade.

Não se iludam: somos todos responsáveis, mesmo todos. Afinal somos demasiado parecidos, uns com os outros…

E depois disto, que tal passar pel’A Origem da Espécie

Fiscalidade familiar proactiva

Fevereiro 14, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia 8 Comments →

Um amigo contou-me uma história engraçada. Era casado e tinha dois filhos. Por razões meramente fiscais resolveu divorciar-se. Mudou o seu domicílio fiscal para casa dos país que entretanto foram viver para a província (ainda pensou em comprar uma casa de férias na Aroeira e mudar para lá a residência, mas desistiu). Passou a pagar pensão de alimentos à mulher conforme definido pelo tribunal (para auxiliar na educação dos filhos). A mulher passou a pagar substancialmente menos de IRS pois vive num agregado monoparental com dois dependentes a cargo e o meu amigo está a fazer as contas para ver se não será fiscalmente vantajoso começar a pagar renda aos pais por "viver" em casa destes.

Naturalmente na prática da vida deste casal amigo, nada mudou: vivem juntinhos e felizes com os dois filhos onde sempre viveram. Um pouco mais felizes até pois viram o seu rendimento disponível aumentar significativamente.

Era este o objectivo do Estado ao descriminar por via fiscal? Parece-me que não. Será esta atitude do meu amigo criticável? Não estou a ver como!  Mas podemos discutir o assunto se houver interessados.

Qual é a solução? Quase tudo menos deixar como está.

Adenda: O JCD também tem um casal amigo curioso

2005 é o sexto ano consecutivo em que o FEFSS supera os privados

Fevereiro 14, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia 5 Comments →

Ao cuidado do António Duarte.

Notícia do Diário Económico:
"(…) A rentabilidade do fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social teve um desempenho superior ao dos fundos privados.
A rentabilidade do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) foi de 6,76%, em 2005, ou seja teve um desempenho superior ao dos fundos de gestão privados – Fundos de Poupança Reforma – que tiveram uma performance de 6,38%. Aliás, este é o sexto ano consecutivo em que o FEFSS supera os privados. Além disto, a rentabilidade registou uma melhoria face a 2004, ano em que se fixou em 5,9%.
De acordo com os dados, do ministério da Segurança Social, a que o Diário Económico teve acesso, o fundo público em 2005 tinha 6.176 milhões de euros e cresceu 397 milhões euros fase a 2004. Ou seja, o fundo de estabilização financeira da Segurança Social representa quase 5% do Produto Interno Bruto (PIB).
"

(more…)

O post que faltava

Fevereiro 14, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Palavras dos Outros, Religião Comments Off

"Respeitemos os outros" do João Caetano Dias. Veja lá, não se deixe surpreender por maus pensamentos enquanto ler a prosa em jeito de cartoon.

O cliché do dia

Fevereiro 14, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Pessoal Comments Off

Está uma manhã radiosa!

P.S.: Tabelas de Retenção de IRS 2006 

O meu imaginário infantil (em árabe)

Fevereiro 13, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Gastronomia, Publicidade 5 Comments →

A palavra almofia diz-lhe alguma coisa?

Numa pesquisa breve tentarei arranjar uma receita beirã com o que se pode meter lá dentro, da almofia. Se a encontrar dedico-a desde já à Miss Pearls.

Good sport! Os cartoons via Irão.

Fevereiro 13, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: BD, Política 5 Comments →

Até ao momento, o que vejo neste site iraniano não fez tocar nenhuma campainha de alarme nos meus censores predilectos, o Senhor Bom e o Senhor Senso. Parece-me até que lá do "outro lado" alguém espera uma reacção parecida à que vamos vendo entre os fanáticos que ocupam os seus dias com ameaças, censura, violência. Espero que tenhamos mais qualquer coisa na cabeça e que haja poucos mentecaptos desses aqui na vizinhança.

Há alguns dias escrevi aqui que seria bom que a reacção dos ofendidos pelos cartoons Dinamarqueses se fizesse com humor, numa guerra de cartoons, por oposição a uma guerra de bandeiras queimadas. O julgamento da razoabilidade da provocação de cada cartoon fica ao critério de quem o vê, pelo menos nesta questão e assumindo algum risco, será assim o procedimento no Adufe. Sem hipersensibilidades, favorecendo esta outra forma de libertar energias reprimidas e talvez mesmo esvaziando o campo de acção dos radicais. Tenho para mim que um bom cartoon foi, é e sempre será um inimigo muito eficaz do terror.

É ir passando pelo www.irancartoon.com (pode demorar um ror de tempo a carregar a página) e esperar que as características básicas de um cartoon sejam seguidas, com toda a liberdade de expressão.

Com que brincam as crianças no Irão?

Fevereiro 12, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Pessoal, Política 12 Comments →

Passei parte da tarde apreciando brinquedos de vários tipos, para várias idades. É difícil encontrar algo original, ou melhor, algo menos standard, mais raro, menos marketizado… Caminhava com o Tejo à vista quando me passou esta pergunta pela cabeça: "Com que brincam as crianças no Irão?". Que tipo de brinquedos andará neste preciso momento um meu igual iraniano apreciando nos bazares lá do sítio?

A internet pode dar uma ajuda, talvez não muito realista, não sei. Barbies e Teddy Bears por exemplo, pelo menos em Tearão… 

Mas mesmo nesta ingénua pesquisa, consegui ir parar aqui: "The New Russian "Toys" For The Ruling Mullahs of Iran". 

Nota: o Adufe não está a ser actualizado no blo.gs. Vá-se lá saber porquê. 

Vitória Sporting!

Fevereiro 12, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Desporto 8 Comments →

É o episódio deste domingo, em Setúbal.

Segundo me informei o Sporting não ganha no Estádio do Bonfim desde 2000/2001; não consegue três vitórias seguidas para o campeonato há um ror de tempo e dois dos principais adversários (Nacional - derrota, e Braga - empate) patinaram há poucas horas. Em condições normais, seguindo a história recente do Sporting, não conseguirá ganhar este jogo…

Baixas expectativas mas sempre toda a esperança, de verde e branco, na horizontal ou em Stromp. Que seja um grande jogo como já o foram outros no passado entre estas duas equipas. Está começar, cá em casa dá na TVI e na TSF.

Um abraço Carlos e que ganhe o melhor! 

Cartoon em letras: “Ontem”

Fevereiro 12, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Religião 1 Comment →

Ela: Vou à missa, queres vir?

Ele: Mas hoje é Sábado, hoje é o dia dos Judeus!

Ela: E daí? Não te esqueças que ainda sou Pereira de apelido. 

Quem sou eu?

Fevereiro 12, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Pessoal, Portugal 2 Comments →

O Adufe a 5 de Agosto de 2003:

"O perfil e o nome do meu avô materno - judeu?
A tez, fisionomia e cor do cabelo dos meus outros avós paternos - árabe?
O azul dos olhos, o cabelo louro e o rosado da pele dos pais da minha avó materna - franco, germânico?

É muito bom ser português, assim."

P.S.: O leitor MP-S sugeriu nos comentários (aqui) este programinha de TV da Universidade da Califórnia: Conversations with History: Islam and the West, with John L. Esposito. Dei o tempo por bem empregue - 56 minutos.

Constatação

Fevereiro 11, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política 3 Comments →

Já me acusaram (acusaram é forte), já me caricaturaram como tendo feito uma deriva para a direita nestas últimas semanas, contudo, nunca estive tão perto destes canhotos.

Ela anda por aí…

Fevereiro 11, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia Comments Off

Nova colónia da Formiga, descoberta pel’A Metamorfose.

Os serviços secretos na Suécia têm liberdade de expressão (act.)

Fevereiro 11, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política 7 Comments →

"SUÉCIA Site encerrado por divulgar caricaturas de Maomé" in TSF

"Na Suécia, foi encerrado um "site" de um partido político de extrema direita que tinha procedido à divulgação das caricaturas do profeta Maomé. (…) Laila Freivalds [ministra da Suécia] afirma que defenderá sempre a liberdade de imprensa neste país, mas condena o uso dessa liberdade para provocações."

Alguma vez esta caricatura merecia este estatuto de mártir da Liberdade de Expressão, agora capitalizado por um partido de extrema direita? 

mahomet7.jpg
O meu bom senso diz-me que este é um bom cartoon, provocador como todos os bons cartunes têm que ser e sustentado no nosso imaginário que se alimenta, por exemplo, pelas cassetes de despedida dos bombistas-suicidas que afirmam oferecer-se como martires na esperança de terem acesso a éne virgens quando chegarem ao paraíso. Tudo em jeito de retribuição, de acordo com o que acreditam prever a sua religião…
Agora digam-me lá se a liberdade de expressão não morreu um bocadinho na Suécia. Eu se fosse radical muçulmano estaria a clamar vitória. Eles continuarão a testar sistematicamente a nossa determinação, explorando as nossas contradições e/ou a nossa complacência, os nossos sentimentos de culpa, levando-nos a pôr em causa aquilo que vamos cultivando a custo, aquilo que temos e que mais os ameaça.
Como já aqui disse, no dia em que virmos o mundo muçulmano estritamente como aquele formado por um povo com quem não se pode brincar, que não se pode criticar, que não se pode satirizar, um povo percebido como inferior, atrasado e perigoso, os radicais terão ganho uma importante batalha.

Pôr em causa

Fevereiro 10, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política, Sociedade 31 Comments →

Se eu quiser pôr em causa liberdade de expressão o que é que devo fazer?

Com tanta gente a clamar com outra tanta de que a liberdade de expressão não está nem nunca esteve em causa, pergunto-me muito sinceramente o que é que é preciso para a pôr nesse estado, ou seja, em causa.

O que é que levaria as pessoas que acham que os autoproclamados defensores da liberdade de expressão (entre os quais me incluo) não passam de fantoches que fazem o jogo de outros com agendas malévolas escondidas, o que é que os levaria, repito, a moverem pessoalmente ao menos uma palha para defenderem a sua liberdade de expressão?



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