Detesto apanhar com o fumo dos outros mas detesto mais outras coisas (act.)
Não, não me confundam. O conto não pretende ser moralista. Aliás uma das piores notícias de 2005 foi aquela da Organização Mundial de Saúde proibir os seus funcionários actuais e futuros de fumarem mesmo fora do horário de trabalho (e naturalmente fora do local de trabalho) sob pena de os despedirem com justa causa.
É demasiado fácil perder-se o sentido da proporcionalidade das coisas e é também demasiado fácil os fins justificarem meios inaceitáveis, pondo em causa outros fins que deveriam merecer melhor tratamento na escala de prioridades da vida em sociedade.
Adenda: Em Portugal parece que se apostará em algo equilibrado. Veremos.


Janeiro 3rd, 2006 at 11:0
Sempre quis arranjar uma tradução para o “don~t take me wrong”, vou ficar com a tua :)))
Há o receio de que uma lei demasiado restritiva, com a proibição total ao consumo de tabaco em estabelecimentos de restauração e diversão, possa contar com a resistência das empresas. (DD)
jura..? :)
Pessoalmente sou a favor da proibição total em restaurantes e bares fechados. Desde que deixei o habito de sair que tenho muitas dificuldades em ir a bares, por causa do cheiro. Ao fim de alguns anos a medida sera positiva para os estabelecimentos, mais gente, menos custos e mais vendas (em vez de sacar do cigarro pede-se nova bebida).
Janeiro 3rd, 2006 at 12:0
Uma coisa é o que se passa hoje onde o mercado simplesmente não responde ao gosto dos não fumadores: o de não serem incomodados pelo fumo de outrém quando estão a almoçar, por exemplo, ou mesmo à noite num bar (eu praticamente não posso sair à noite porque quem me acompanha não pode frequentar esses sítios devido ao fumo).
Voltando aos restaurantes. No centro de Lisboa já procurei e não encontrei sítio onde não tivesse de correr esses riscos. Felizmente tenho a opção de ir almoçar a casa (por falar nisso está na hora) mas a esmagadora maioria tem que se contentar com a oferta de restaurantes/cantinas que tem e, até agora, interpelando alguns gerentes a resposta que tive foi : eu sei que incomoda mas eu tenho um negócio para sustentar e não me posso dar ao luxo de perder os fumadores.
Neste sentido, sou a favor de restrições que garantam a separação de ares, algo que é possível tecnicamente em vários restaurantes. A lei deveria também garantir (forçar) a proibição de frequência para quem não garanta essa separação invertendo a correlação de forças actual imposta pelo mercado e pela rigidez que há do lado dos não fumadores: é inevitável terem de comer logo sujeitam-se.
Mas a intervenção deve ser equilibrada, a gradação das restições é relevante. Por exemplo, proibir taxativamente que não se possa fumar em qualquer espaço público fechado (como num bar) independentemente da área, ventilação e afins cuidados de separação entre fumadores e não fumadores, parece-me perseguição demasiado hipócrita.
Defendo até que deve haver licenciamento casuístico e obviamente limitado (uma fracção dos estabelecimentos do sector no concelho, por exemplo) de estabelecimentos específicos para fumadores caso alguém os queira abrir, algo que está absolutamente fora da cogitação com a actual lei espanhola (pelo que li na imprensa).
E depois, pegando no exemplo espanhol, uma sociedade e um país que admite os níveis de poluição atmosférica que se atingem em Madrid e noutras cidades (poderia ler-se Lisboa) parece-me estar a ser um bocadinho papaista de mais nesta questão quando deixa outras com consequências ainda mais nefastas para a saúde pública ficarem sem regulação ou solução…