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As Crónicas e os Contos

A cor da bandeira

Não deve haver povo mais cegueta e umbiguista e lá estou eu a cair no erro… no mesmo erro. Este povo a que pertenço enfrenta os seus problemas sem se aperceber que está a falar para todos, a ser um entre muitos. Será que não se apercebe ou não quer aperceber-se?

É mais verdade dizer-se que Portugal não existe do que o contrário, mas apenas e só porque antes e depois de uma pátria ou nação há uma herança maior e um código global, toda uma civilização na qual a cor da badeira, haja guerra ou haja paz, não passa de uma cor de bandeira.

Gosto do não sei quê que é tanta história que nos faz a pátria, que nos enche a boca e povoa o cérebro de uma língua diferente rica e limitada na qual nos pomos a pensar. Mas mesmo uma língua é uma língua. E o que interessa é tê-las, cada um a sua, todos com uma ou muitas.

Bate as asas português e olha em redor. Pouco diferente és dos outros. O outro não existe, apenas a cor da sua bandeira te ilude.

Eles também vêem o Big Brother, eles também têm filhos, também morrem de ataque cardíaco, também choram o destino, também exultam o seu desporto nacional, também se matam uns aos outros, também sabem o que é o amor e mesmo o Mar, esse mar tão nosso, é o mesmo Mar salgado que cobre numa fina camada quase toda a superfície deste planeta… azul.