No domingo já estamos em 2006…
Ter sucesso onde todos os outros falharam. Eis o desafio do actual governo, inspirado na expectativa renovada por esta notÃcia: Ministro anuncia reforma do sistema de benefÃcios fiscais em 2006.
Ter sucesso onde todos os outros falharam. Eis o desafio do actual governo, inspirado na expectativa renovada por esta notÃcia: Ministro anuncia reforma do sistema de benefÃcios fiscais em 2006.
" (…) A esquerda deixou que o discurso perpassasse, pensando que em polÃtica só conta o imediato.(…) "
A chapelada do dia vai para o Carlos Castro.
Num análise que vai além da espuma da campanha, o Carlos deixa-nos umas palavrinhas a reter para memória futura. Não se iludam pelo tÃtulo, o essencial vai bem além de: "Belém bem pode virar Eliseu".
A energia nuclear é um assunto tabu? Não me parece que haja uma acção concertada para que não se fale ou discuta a energia nuclear, parece-me é que há fortes problemas de imagem que defensores de outras formas de energia ou de outros comportamentos de consumo energético não têm de ultrapassar na defesa das suas damas. Problemas aliás muito legitimamente fundamentados em factos históricos recentes nada propÃcios à confiança no nuclear.
A situação alterou-se? Chernobyl é hoje impossÃvel? Não sei, mas perante problemas e soluções mais cristalinas ligadas ao aumento da eficiência energética e ao investimento em energias alternativas, o nuclear não tem de ser uma prioridade, ou melhor, a prioridade.
Discuta-se, perceba-se se há argumentos para se recuperar a confiança, mas de caminho não temos absolutamente nada a perder em gastar, no imediato, as nossas "energias" a resolver a insustentável ineficiência energética da economia portuguesa ou a reforçar a produção energética por vias mais limpas e acessÃveis que o petróleo. Ambos muito relaccionados com os problemas de competitividade da economia lusa.
Em suma, que a discussão em torno do nuclear não sirva desculpa ou de alternativa oposta (como por vezes é apresentada) para não agir sobre esses outros problemas com soluções já identificadas. Que tal, para começo de conversa pormos a nu o "tabu" que há em torno da ineficiência energética que parece crescer particularmente no nosso paÃs?
Em complemento ao post anterior, eis duas citações da entrevista de ACS ao JN:
Aproveito a ocasião para felicitar Anibal Cavaco Silva por ter sido, finalmente, tão "esclarecedor" quanto ao que pensa ser o papel do Presidente da República. Depois desta entrevista e, a menos que as citações resultem de um atroz trabalho de edição dos jornalistas do Jornal de NotÃcias, ninguém poderá dizer que votou ao engano.
Perante as acusações de que é alvo pelos seus opositores, sair-se com esta leitura dos seus poderes e com estas sugestões práticas, é, de facto, esclarecedor…
Como bom complemento a esta prosa, e para outros ouvidos, está este aviso muito oportuno do CMC.
Adenda: Cavaco em limitação de danos aqui.
Caro investidor estrangeiro, presente em Portugal, com ideias de se deslocalizar, o nosso governo terá um Secretário de Estado com "a lista de todas as empresas estrangeiras em Portugal" que irá conversar consigo levando-lhe uma proposta que não poderá recusar.
Um Secretário de Estado? Porque não um Ministério e vários Secretários de Estado? Um destes dias Cavaco há-de propôr a criação de um Ministério da Economia, ou coisa que o valha! Já existe? Mas se o homem não gosta, manda criar um novo ali ao lado. Com uma lista na mão e com um Secretário de Estado atento, o investimento estrangeiro em Portugal não terá como se deslocalizar.
Este será o tipo de intervenção salvadora, potenciadora da confiança, saudável para as contas públicas, que Cavaco nos dará nos próximos anos durante os quais, promete, terá logo a abrir uma longa conversa com o Primeiro-Ministro. Afinal Sócrates precisa de umas quantas sugestões quanto à estrutura orgânica do seu governo.
Abrir o bico para propôr Secretarias de Estado, é de mestre. Mário Soares e demais candidatos não poderiam pedir melhor para convencerem alguns portugueses dos seus legÃtimos argumentos. Deixem falar o homem que ainda lhe cai a aura na testa e arranja maneira de perder as eleições… A alternativa parece mesmo ser a de nos perder a nós numa dispensável guerra de medição de maiorias onde se compararão alhos com bugalhos: o que vale mais, a maioria do Governo velha de quase um ano ou uma maioria fresquinha de um Presidente da República?
Mas quem sou eu para me armar em leitor de bolas de cristal. Dia 22 de Janeiro, você, caro eleitor, poderá pagar para ver.
Ainda cá volto para uma novidade: o cartoonista Ã?lvaro Santos arranjou (finalmente) um blogue; junto o Ã?lvaroCartoon à lista do Adufe.
Ontem houve a emoção da partida de Rogério, com o estádio em pé a aplaudir, quebraram-se alguns enguiços, tivemos regressos auspiciosos e outras melhorias de nÃvel e mataram-se as saudades com algumas jogadas (e golos) a merecer rótulo de bom futebol. Poucos terão recordado os ausentes. Ganhou-se um pouco mais de confiança e criou-se nova hipótese de pela primeira vez em muito tempo se chegar às três vitória consecutivas. Que o Sp. Braga seja a próxima vÃtima.
Valeu bem a pena duplicar a vestimenta, atirar-me às luvas e ao barrete e rumar a Alvalade.
Para o ano há mais… do mesmo campeonato.
Sporting Clube de Portugal 3 : Rio Ave 0
Ela: Então, quem achas que vai ganhar logo à noite?
Ele: Portugal!
Ela: Ena, tão patriótico. Estás com pouca fé no teu Soares, é?
Ele: Mas qual Soares, qual Cavaco, eu vou mas é à bola. Vai ganhar o Sporting Clube de Portugal!
Ela: Disfarça que eu bem te topo, não tens é solidariedade nacional nenhuma. Coitada da malta do vale do Ave…
"Travail, inégalité et autoconsommation au Portugal"
Muitos anos depois, ultrapassadas demasiadas etapas na burocracia internacional, o INSEE publica "Les approches de la pauvreté à l’epreuve des comparaison internationales". Um trabalho a merecer actualização urgente (o nacional e o internacional) e uma área que, um dia, ainda há-de ter o destaque e o investimento que merece na produção de estatÃsticas nacionais.
Em Fevereiro/Março, quando o PS e Sócrates conseguiram a maioria absoluta, o indicador de confiança dos consumidores recuperou num mês (e nos dois seguintes, ver aqui também) o que perderam em mais de três anos.
Poucos meses depois, a situação quase regressou ao ponto de partida. A malta, perdão, os consumidores, lá perceberam o que é que quer dizer "problema estrutural", afinal, o mal e o remédio amargo não desapareceram com a mudança de côr polÃtica do governo. Não sei bem se perceberam que se safaram dos males maiores para os quais o anterior governo os arrastava (as 5 linhas de TGV, aqui e já, lembram-se?) mas talvez sim.
Agora, Anival Cavaco Silva, virtual Presidente da República e ex-primeiro ministro de três governos constitucionais, advoga que a sua vitória nas próximas eleições presidenciais será a única forma deste paÃs aproveitar a última oportunidade que terá de recuperar a confiança em si, num horizonte de vários anos. Não diz como, nem porque, apenas assegura que assim será.
Se calhar os nÃveis de confiança subirão de novo em Janeiro/Fevereiro e meses seguintes até que os portugueses recordem de novo o que é um "problema estrutural" e como sabe e tem de saber (mal) o remédio, seja qual for o presidente.
Na melhor das hipótese Cavaco Silva permanecerá mudo e quedo, como na campanha, não se comprometendo com nada e ninguém (deixando a cada um projectar nele aquilo que deseja que ele seja) resguardando-se para um segunda mandato, na pior da hipóteses Cavaco Silva será apenas aquilo que quiser, sendo ele próprio, como foi antes, em São Bento, jogando, talvez, na corrosão da actual maioria absoluta, sendo aquilo que um PR não pode ser, em Portugal.
Talvez aÃ, uns meses depois das presidenciais, os portugueses percebam que ao remédio amargo que têm de continuar a tomar, terão de juntar outro para resolver outro problema estrutural de natureza polÃtica, o da governabilidade. Essa doce forma que os polÃticos têm de alijar responsabilidades de forma recorrente, quase imperceptÃvel, que tem levado o paÃs de aventureirismo em diante, até ao seguinte.
Em ambas as situações, Cavaco Silva, apesar de mal abrir a boca, (dizendo apenas: sou eu a esperança!) está no negócio da banha da cobra, enganado os incautos e os órfãos e enxovalhados de diversos partidos. O que julgo certo, é que nenhum dos polÃticos em campanha tem estofo, por si, para incutir confiança de forma continuada nos portugueses. Em termos genéricos, o Presidente da República poderá, quando muito, minimizar danos, impedir que se caia na fossa (caso ainda não se estivesse nela), mas não será nenhum destes senhores que nos tirará dela. Esse tipo de homens por que alguns parecem ansear, despotas iluminados de boa feição, são verdadeiramente raros e, provavelmente, passariam despercebidos no regime semi-presidencialista português. Essa mirÃfica solução, não é sequer um caminho disponÃvel para este paÃs, recentemente saÃdo de uma ditadura.
Ninguém, além de Cavaco, vende confiança em frasquinhos individuais. É mais isso que temos a perder, se ele ganhar.
P.S.: E, já agora, antes de votar, tome uns comprimidos para a memória, vai ver que não se arrepende.
A propósito destes meus considerandos e subsequente desafio, a Tati escreveu o seguinte no seu "Sem Pénis, nem inveja - Veneno com … açucar":
" «Porque há tão poucas mulheres bloggers na blogoesfera a ter "intervenção polÃtica" ou mesmo a fazer da opinião polÃtica tema relevante dos seus blogues? Quem diz bloggers diz não bloggers e fora dos blogues. Estarei enganado? Não é isto um facto? … E tu Tati?»
CarÃssimo Rui,
Respondo, pela mesma ordem: sim, não e aqui me tens. Resumindo: quem da intervenção polÃtica faz substância de blog são as mulheres. Ponto. E nem demora a justificação. Faz a fineza de descer ao parágrafo seguinte e seguir a rodilha do meu pensamento.
Os blogs femininos, como concluiu a Miss Pearls no Ciclo Falar de Blogues, tratam de temas tão diversos como a técnica de bem aplicar uma tinta no cabelo, conjugalidades, férias – a verdadeira promoção de Portugal no estrangeiro é feita por nós, girÃssimas, encantadoras, bronzeadas e muito, muito alinhadas -, segredos culinários, pedagogia, dicas de beleza e moda, saúde, poesia, lingerie, literatura, compras – logo economia! -, teias sociais, pintura, cultura, segurança, como dar a volta ao parceiro sem ao encolher de ombros fazer guerra, o mesmo no emprego, com a empregada, a sogra, a amiga e a vizinha do terceiro que empesta o elevador com fina mistura de essências de tabaco e ópio – não a mandar à - - - - - é diplomacia de primeira!
E depois, há a conhecida realidade da gestão dos sempre escassos recursos domésticos. Somas as primeiras a saber «de facto», e não por enganosas oratórias, a tragédia da economia, da falência dos valores, dos afectos, da educação (não descuidamos os filhos), da saúde (aguentamos filas acompanhando o sogro ou a Madalena ao centro de saúde), da justiça (para nos divorciarmos enrugamos como passas algarvias), das finanças, da conflitualidade na rua, no bairro e no mundo.
Isto não é polÃtica? O que é então? Mas entendi, sim, Rui. Dessa polÃtica que a muitos encanta, a maioria de nós quer distância ou intervém com uma postura em muito diferente da vossa. A bissectriz é que importa. Dela se fazem os dias."
Quem sou eu para discordar. Fico um pouco mais descansado quando persistir em abordar teimosamente aquilo que não passa de outra abordagem da polÃtica. No final, como diz a Tati,a bissectriz é que importa.
P.S.: A Isabela também respondeu, assim.
Eu que tenho andado a ler pouquÃssimo (na realidade acho que nunca passei dos 10 a 15 livros não técnicos por ano, já excluindo banda desenhada) encontro três dos que li este ano na lista preliminar do Livro Aberto (livros escolhidos por pelo menos dez leitores):
- Francisco José Viegas, Longe de Manaus (Asa);
- Rui Zink, A Palavra Mágica (Dom Quixote);
- Rui Tavares, O Pequeno Livro do Grande Terramoto (Tinta da China).
Sempre gostei de ler autores portugueses e sempre os tenho preferido (o que não quer dizer que tenham sido os mais marcantes para mim, até ao momento). Outra curiosidade é que os livros referidos ali em cima foram os primeiros que li de qualquer um dos autores; fiquei com vontade de lhes ler mais, ou seja: a menos que ganhe fôlego para mais livros por ano, o enviesamento continuará a crescer. A bem da nação…
Porque há tão poucas mulheres bloggers na blogoesfera a ter "intervenção polÃtica" ou mesmo a fazer da opinião polÃtica tema relevante dos seus blogues? Quem diz bloggers diz não bloggers e fora dos blogues. Estarei enganado? Não é isto um facto?
Teremos nós, os homens, uma visão muito estreita do que é a polÃtica? Ou demasiado lata, entretendo-nos a debater em torno do nosso rabo imaginário? Algo me diz que devo ficar preocupado, mas não sei bem se pelo que elas fazem, se pelo que eu faço. É que se a mais de 10 milhões subtrairmos mais de 5 milhões, a solução para a minha interrogação do post anterior fica mais estreita, muito mais estreita.
Passeava pel’O Eleito quando me pus a matutar nisto. Que me dizes Isabela? E tu Tati?
Soares 81, Alegre 70, Cavaco 66. Voto no soba, até por isso, mas sem o enlevo de outrora. Votarei racionalmente.
O resto está escrito, nos arquivos. Poupo-me a outros considerandos que nada acrescentariam de útil. No futuro espero que haja portugueses que me poupem a este tipo de escolhas.
Em mais de 10 milhões de pessoas no quadrado não haverá outros polÃticos de boa cepa que agarrem na bandeira?