Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for December, 2005


Vote você mesmo!

"Já estão disponíveis as primeiras listas de finalistas escolhidos por mail. Nas categorias de ficção portuguesa, ficção estrangeira, ensaio e poesia. Votações finais decorrem a partir de dia 5."

Se leu ou não tendo lido um número minimamente decente de livros lançados este ano, tem mais lata do que eu, toca a votar. Instruções no Livro Aberto.

Dois recados

A Metamorfose foi actualizada (que frase mais estranha!). Neste novo post sobre a Energia Nuclear o João aborda a questão dos lixos radioactivos, a sua disposição e a situação política quanto aos mesmos. 

Mais logo, (começa às 22h35m na 2:) deve valer a pena passar duas horas num serão em volta da TV para assistir às desventuras da Revolta dos Pasteis de Nata (o episódio de natal deu pano para mangas cá por casa).  Hoje como bónus temos o vizinho darwinista, acompanhado de mais duas  figuras: Dalila Carmo e Joaquim de Almeida. Ameaçam tirar as suas próprias conclusões sobre 2005…

Mais um tiro ao lado

Primeiro de Aveiro, depois de Bruxelas, agora mesmo da Califórnia, chegaram internautas a este post (o primeiro de 2005!), enviados pelo malévolo Google, quando o que procuravam era algo sobre Fernanda Câncio. É mais ao lado!

Ignorando por uma vez as culpas dos jornalistas

Acho que todos, pelo menos uma vez na vida, deviamos tentar exercer os nossos direitos de cidadania oferecendo-nos para participar na vida política activa. É assim uma espécie de objectivo pessoal que juntaria à tríade: um livro, um filho, uma árvore.

Tenho a certeza absoluta de que a democracia melhoraria um bocadinho. Haveria mais de nós a perceber as falhas, lacunas e aberrações do sistema representativo, haveria mais de nós a perceber quanto custa e o que exige a participação cívica activa, haveria mais de nós disponíveis para contribuir para a sua melhoria promovendo a selecção natural dos políticos e das políticas.

Depois da carta aberta a Jorge Coelho que aqui deixei, agora é nas presidenciais que alguns membros partidários enchem a boca para denegrir e menorizar os projectos políticos apresentados pela sociedade civil ou simplesmente não apadrinhados por um partido.

Foi também nestas eleições que alguns cidadãos, por exemplo os que apoiaram Manuela Magno, sentiram na pele as dificuldade de jure e de facto do exercício da cidadania. Apesar das suas frustrações, eles ajudaram a alertar mais algumas consciências. Não é preciso ser apoiante de cada uma das candidaturas para percebermos o que está mal.

Sou optimista neste aspecto: aos poucos a mudança vai-se fazendo.

Os riscos de abrir à "sociedade civil" a possibilidade de um papel mais activo nas áreas feudalizadas pelos partidos são manifestamente inferiores aos danos da estabilidade podre que resiste no seio do PS e do PSD que vai inferiorizando o país e destruindo a credibilidade e utilidade do Estado. Nunca fomos mais democratas do que hoje, cabe-nos a nós garantir que a situação actual seja, no futuro, uma má recordação.

A ler: este texto de 1978 da autoria de Sousa Franco que o José recuperou na Grande Loja do Queijo Limiano. 

Das resoluções de 2005

O que ainda não fiz:

– Elaborar uma cuidada lista dos DVD’s que constam da minha coleção pessoal.

O que ainda não sei se fiz:

– Ler um mínimo de um livro não técnico por mês.

O que fiz mesmo:

– Voltar a brincar aos contos. Nos próximos dias o Blogolento receberá alimento.

" (…) Era, contudo, daquelas pessoas a quem o riso assentava como uma remissão: era impossível alguém se irritar com ele perante o sorriso gozão e as melodiosas gargalhadas cavas que mobilavam uma cara bolachuda de bonacheirão. Fosse o Alfredo magricela, dotado de uma vozinha ligeiramente mais aguda e não tivesse ele vencido um cancro no pulmão fruto de duas décadas de 5 maços ao dia e teria tido uma existência bem mais atribulada e, talvez mesmo, mais curta. Assim, passava incólume, disparando puro veneno a uma hora imprópria do dia. (…)"

Nota técnica

Os comentários estão de novo disponíveis.

Energia Nuclear – follow up

Segue-se apenas um excerto dos textos que o JHD tem publicado (e continuará a publicar) n’A-Metamorfose. Eu já aprendi umas quantas coisas e juntei outras tantas para ir formando opinião…

" (…) Há quatro variáveis essenciais num processo de fissão nuclear controlada. Primeiro, nem todos os núcleos que existem na natureza são passíveis de sofrerem fissão induzida. Segundo, num reactor, os neutrões altamente energéticos têm que ser desacelerados para poderem sustentar a reacção e para que não saiam descontroladamente do reactor. Em terceiro, alguns dos productos da fissão são naturalemente radioactiavos, i.e., emitem radiação espontaneamente. Por último, o hardware e o software de uma central nuclear são consideravelmente complexos de um ponto de vista tecnológico.

Se Portugal decidir construir uma (ou mais) centrais nucleares, deverá ter a capacidade de controlar cada uma dessas quatro variáveis. E aqui surge um problema. Ao contrário do que os defensores da energia nuclear preconizam, uma central nuclear não nos tornará mais independentes em termos energéticos. Acima de tudo, porque é preciso ter acesso a tecnologia e recursos humanos de que não dispomos actualmente, ou seja, numa primeira fase, será necessário importar muito do know-how. Embora isso possa ser visto como investimento, o certo é que a escala temporal para a independência se torna assim muito superior a vinte ou trinta anos. Ora, essa é também a escala temporal para podermos vir a ter melhores e mais eficientes formas de produção de energia alternativa, as quais devem ser, por motivos óbvios, as grandes apostas de Portugal. Depois, porque o processamento de fuel para a central não é independente dos mercados internacionais de urânio, ou de plutónio, o que nos tornaria dependentes de mais um mercado energético para além do petróleo e do gás natural. Por último, a gestão dos resíduos radioactivos gerados por uma central nuclear é muito complexa e está longe de ser pacífica.

in Dez Elevado a Pouco

Boa pergunta: Para que serve 1,5%

Algum ex-governante deste país não enfia o barrete que se segue? Cabe ao actual governo, conseguir ser diferente. Está aqui tudo, nas linhas que se seguem. E na prática, temos o mesmo de sempre? 

" (…) E há a questão da gestão. Que é a mais importante para o futuro desta gente. Gerir funcionários públicos não devia ser assim tão diferente de gerir funcionários privados. É gerir recursos humanos, é liderança, avaliação, motivação, desempenho, é delegar responsabilidades, impor objectivos, potenciar talento, abrir carreiras, atribuir prémios, gerir expectativas.

Ninguém gere empresas dando aumentos, grandes ou pequenos, iguais para toda a gente. E é miserável atribuir 1,5% a toda a gente ao mesmo tempo que se lhe diz que as progressões automáticas estão congeladas, que as promoções são miragens pois o número de concursos abertos é insignificante, que as promoções por mérito estão na prática suspensas porque faltou avaliar toda a gente e assim não é possível, vai-se reavaliar o sistema de avaliação e depois logo de se vê… Safa!

É responsabilidade do Estado e obrigação do Governo desenlaçar os nós que atou e deixou atar. E depois fazer como as empresas: definir um aumento global e delegar nas chefias de topo a responsabilidade de decidir como são distribuídos esses aumentos. É isso que muitos gestores privados fazem: O% para os de desempenho medíocre, 1,5% para os medianos e mais do que isso para os que cumprem e ultrapassam objectivos ambiciosos, para os que promovem a inovação, para os que ajudam a melhorar a «performance» colectiva.

Para que serve 1,5%? É o suficiente para premiar o mérito, se for diferenciado. Assim, 1,5% não serve para nada. Ou melhor, serve. Serve para insultar toda a gente."

Pedro S. Guerreiro in Jornal de Negócios 

Eis o que dá má fama a um partido

Já sabiamos que o PS (como de resto demasiados partidos portugueses e não só) é, entre outras coisas, um local mal frequentado em certos e determinados círculos, como diria o homem a quem aconteceu não sei o quê. Esta notícia merecia uma reacção contundente e inequívoca da parte do Secretário Geral do partido, seria um investimento a longo prazo, útil até para a sua própria agenda interna. Mas vou esperar sentado. É a vida!

Notícia descoberta via Tugir.

Mais Estado e pior Estado (act.)

Não consigo perceber! Mas será que alguém de boa fé e/ou com um mínimo de reflexão sobre o assunto pode achar que vale a pena discutir a sugestão de uma nova Secretaria de Estado inteirinha, com um homem de lista na mão, a acompanhar o investimento directo estrangeiro? Esperava que os apoiantes de Cavaco (por quase todas as razões) deixassem cair o assunto, mas afinal…

Uma vez que anda no ar essa constatação de "não discussão" como se fosse um argumento favorável à proposta de Cavaco, relembro que o Gabriel Silva e o L. Aguiar-Conraria deram respostas lapidares, centrando-se em argumentos particularmente caros à malta de direita (e não só). 

Acrescento apenas que há objectivos cuja prossecução vê a probabilidade de sucesso reduzirem-se na directa medida em que as "soluções" são expostas publicamente, é também assim em quase todo o processo de trabalho da diplomacia económica. Aumente-se a acutilância e empenho nesse campo diplomático ao nível do Governo, se for caso disso (não consigo medir se a que existe é suficiente!), mas evitemos a tentação de arranjar mais um elemento que, ou se terá de apresentar como uma espécie de procurador público, guarda avançado do longo braço da lei (alguém imagina o investimento estrangeiro a afluir se o tal SE de lista na mão se apresentar como controleiro?) ou não passará daquilo que o Gabriel e o Aguiar-Conraria vaticinam.

Adenda: a ler também "As secretarias corporativas de Cavaco" no BlogoExisto