Adufe 4.0

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
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Archive for Novembro, 2005

Fazer do inferno um lugar melhor para viver

Novembro 24, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política, Portugal Comments Off

Já que ninguém o gaba, ele gaba-se a si próprio. Não é original, não é o único e não fica bem, mas o que é facto é que é tem muita razão naquilo que descreve. Basta recordar os últimos 25 anos de política económica e as respectivas conjunturas.

Tudo isto serve para repôr alguma verdade histórica às coisas, denunciando o bluff de imagem em que Cavaco se sustenta sendo a antitese daquilo que diz querer desempenhar: ser um promotor de um facto simbólico que impulcionará a ânimo nacional. Ouçam-no e sintam o entusiasmo fervilhar… (tenho os rissóis ao lume).

MAS, ao mesmo tempo, toda esta dialéctica de um (de dedo em riste auto-elogiando-se em profusão - que exagero Nobre Soares!) e a prática de outro (do not shake, do not stir que ainda se estraga) são tão pouco estimulantes e inspiradoras seja do que for (excepto do Venha o Diabo!)…

Não é com as presidenciais que havemos de mudar de rumo e se por ventura estas tiverem consequências relevantes, não adivinho que sejam positivas. Talvez tragam entropia e  esperanças mal localizadas. Tudo aquilo de que não precisamos.

Dramatizar as presidenciais é inventar mais um circo, pouco mais que irrelevante. Sim, é ressentimento, de parte a parte, sendo que as partes são mais que duas. Mas nem vou por ai, poupo o latim.

A mudança de rumo faz-se na nossa vida do dia a dia, na política também, exigindo políticos melhores e melhores políticas (no executivo e na oposição!), exigindo e contribuindo para um melhor Estado, pensando no presente, como queremos viver no futuro, cultivando a memória do passado e blá, blá, blá (frase bonita mas muito difícil de implementar e absolutamente banalizada, para nosso mal!).

A mudança de rumo faz-se, por exemplo, não nos deixando nivelar por baixo perante os exemplos acomodados e/ou desiludidos de colegas justa e injustamente ressentidos (até o ressentimento pode ser justificável!). Faz-se complicando o preto e branco, o seguidísmo acrítico ao partido, deixando a disciplina de voto quase absoluta ser algo próprio de um parlamentarismo e partidarismo anacrónico que exige ser colocado em vias de extinção. Falei em parlamento? Poderia falar da empresa onde se trabalha: a inovação passa por aí, por ter capacidade crítica, por estimulá-la, é esse o corolário da formação, da educação e de qualquer choque mais ou menos intensivo em tecnologia. Criar (em todos os sentidos) para viver melhor!

Nestes tempos em que tantos vão sentir na pele o acumular do laxismo do passado, com o qual tantos desses foram coniventes no simples desenrasca do dia-a-dia (agora lembrei-me da longevidade da nossa ditadura), é capaz de valer a pena repensar essa forma de encarar a vida e estilo de permanente limitação da exposição às "chatices".

O nunca tomar posição quando nos servem saparia a rodos e o não ir além do amen ao poder do momento criou o monstro, o verdadeiro monstro que hoje nos devora, quase cegamente. Não serão estas presidenciais que nos livrarão da paralisia aterrorizada para a qual caminhamos, perante o desmoronar de planos, carreiras e empregos.

Alguns se "safarão", safar-se-ão sempre, mas os lugares na barca são cada vez menos. Que tal tentar fazer do inferno um melhor lugar para viver?

Na agenda da semana

Novembro 23, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia Comments Off

Parabéns à gente da Causa, farewell ao BdE II.

Os Monólogos da OTA

Novembro 23, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Mimos, Política 6 Comments →

Ela: Já chegaste à parte dos estudos onde eles dizem que o Aeroporto fica em leito de cheia da Bacia Hidrográfica do Tejo?

Ele: Não…

Ela: Será que eles vão deitar uma serra abaixo para os aviões não baterem nela ou será que é para não terem de aceitar apenas hidroaviões?

Ele: Que gracinha… 

Ela: E viste que vão fazer uma estação de combóios que fica separada da gare de passageiros pela pista?

Ele: Noupe!

Ela: Devem fazer um túnel por baixo da pista com mini combóios automáticos a ligar a gare de chegadas à estação como há em Zurique. Assim tipo o metro do Terreiro do Paço.

Ele: Ah sim?

Ela: Quantos metros é que achas que é preciso escavar em profundidade para ser seguro pasar por baixo da pista?

Ele: Sei lá!

Ela: Têm é que construir uma ensecadeira a montante para consolidarem os solos durante as obras. Ou então encanar a água.

Ele: Mas agora deste em engenheira civil?! 

Ela: Tens a certeza que esta papelada toda não é o projecto para um dique?

Ele: É. É um dick e dos grandes! Mas porque é que te dás ao trabalho? Eu já desisti. Safa! Ou melhor, caramba!

Ela: Não ouviste o governo? Agora que a decisão está tomada temos que discutir o assunto. E olha que tu é que votaste neles…

Ele: Grrrrrr. (Estão a ver o Tio Patinhas no último quadradinho da história a roer a cartola? Pois!)

Não dá para perceber

Novembro 23, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política 11 Comments →

Não digam a ninguém mas estive até estas horas a reler alguns relatórios executivos sobre os aeroportos, em complemento a umas espreitadelas a todos os estudos que por aqui andam… Ainda arranjei tempo para espiolhar a net sobre financiamento, construção, alargamento e gestão de alguns aeroportos europeus (Barajas, por exemplo, um aeroporto fortemente modernizado ao longo da última década que já está em fase de alargamento com um investimento só por via Banco Europeu de Investimento de mais 700 milhões de euros).

Eis o que me apetece dizer agora que digeri um pouco de informação tão gentilmente disponibilizada pelo PM em jeito de especial favor, precisamente hoje, no dia seguinte àquele em que sua excelência publicamente declarou que deixámos de ter na falta de acesso aos estudos um argumento: Os estudos são mesmo só estes? É preciso um ignorante como eu destacar o que está em falta?

Eu esperava ler nalgum sítio, por exemplo, que se nega por isto e aquilo que, de facto, o aeroporto não pode ser alargado acima dos 30 milhões de passageiros de capacidade/ano. Se isso está escrito e justificado não encontrei. Barajas, um potencial concorrente nas palavras de alguns governantes, prepara-se para passar de 25 milhões para 70 milhões de passageiros muito poucos anos depois de ter sido re-edificado. Basta olhar para a história da Portela ou de Barajas ou de qualquer outro Aeroporto com mínimas aspirações internacionais para perceber que são infraestruturas a exigir ser projectadas para o futuro, com autênticas revoluções tecnologicamente incertas mas inevitáveis e até certo ponto antecipáveis (necessitam de terrenos livres!) no horizonte de médio prazo. Não é nenhum exagero dizer-se que esta obra, pela sua dimensão, nomeadamente financeira, não será reprodutivel num futuro próximo. Nem pelo Estado, nem pelos privados e, muito provavelmente nem pelos dois lados da moeda juntos.

Em suma, a leitura não me inspira para escrever nada de substancial e em nada me conforta face às críticas públicas que ouvi recrudescer nas últimas horas e de parte das quais dei eco neste tasco. Hoje, estou ainda menos convencido da razoabilidade da escolha. Quase tudo parece indicar que era muito difícil escolher pior. Repito, não li nada que me permita defender convictamente a decisão do governo, antes pelo contrário. E acreditem (se quiserem) que teria muito gosto em o poder fazer. Até Rio Frio - os sobreiros que me perdoem - parece dar 10 a zero à OTA nos critériosque julgo mais relevantes entre os que chegaram a ser estudados até ao momento.

(Inicialmente publicado às 2h56m, antes da alvorada

Polígrafo

Novembro 23, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Mimos Comments Off

Aceitarão Alegre e Sócrates submeter-se ao teste, a bem da nação?

Fotograma de uma novela (act. II)

Novembro 22, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Mimos Comments Off

Amanhã, pelas 14h30m, o horror, a tragédia, o sofrimento muito pessoal de uma personagem habitual do Adufe: Ele soçobra aos ataques de Otisse de Ela, não perca, "Os Monólogos da OTA".

Italians: byte the dust! (actualizado)

Novembro 22, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política Comments Off

Este blogue por instantes cederá à _ _ _ _ G O G I A (o jcd completará a frase como no comentário ao post anterior). 

" (…) The main feature of "Leonardo Express"* is its frequency: a train leaves every half hour in each direction. Thirty-one minutes to cover 37 kms at the fare of 9.50 euro; at Roma Termini the "Leonardo Express" starts service at 05.52 (last journey at 22.52; it leaves at 22 and 52 minutes past every hour) and from Fiumicino at 06.37 (last run at 23.37; it leaves at 7 and 37 past every hour)"

In Trenitalia. (velocidade aproximada de 72 km por hora)

* O Leonardo Express é um shuttle que liga o Aeroporto Leonardo Da Vinci (que fica em Fiumicino), à capital italiana. 

Nós por cá, havemos de ter um shuttle que fará cerca de 50 km (da Ota a Lisboa) em 17 minutos, talvez sem condutor (velocidade aproximada de 170 km por hora).

The Portuguese do it better. É este o espírito! Força Portugal!

(onde é que eu já ouvi isto?

Eis o blogue que faltava!

Novembro 22, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Web 5 Comments →


Venha o Diabo!
diabo.JPG

Não vale a pena…

Novembro 22, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política 7 Comments →

"Escolha de outro local inviabilizaria financiamento da UE".

Eis o "argumento" decisivo. Consideremos o aeroporto feito na Ota. A culpa é de todos os governos que não decidiram antes. Na realidade, o actual Governo foi forçado a escolher a Ota. Perante isto e perante o facto de este governo ter sido eleito democraticamente, não vale a pena bater mais no ceguinho. Já todos percebemos o que se passa.

Este blogger, no que se refere à OTA, entra em modo "limitação de avarias". Escolhido o local há um ror de coisas que podem ser mal feitas e irreflectidas. Coisas integralmente da responsabilidade do actual governo. Bom senso, rigor e defesa do interesse nacional. Eis os princípios que deverão nortear todo o projecto que se desenvolverá. É esta responsabilidade do governo.

Para a história fica que todo este processo político é, de longe, a maior mancha política da acção do actual governo e um forte handicap com consequências algo imprevisiveis em outras áreas da acção política. Esperemos que tenha sido o ponto mais baixo da actual legislatura.

Na melhor das hipóteses tiraremos de tudo isto uma lição colectiva: nenhum outro grande projecto de investimento público deverá ser arrastado, mal amanhado e decidido como este. Espero que a tendência seja a de termos um escrutínio deste tipo de decisões cada vez maior.

E já agora, espreite-se este post (também atacado de um ou outro ponto _ _ _ _ g ó g i c o). Mas ainda assim interessante.

E ainda este de JPP.

_ _ _ _ G O G I A

Novembro 22, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, Media, Política 1 Comment →

Acordo ouvindo o Ministro das Obras Públicas que, não resistindo à pergunta da jornalista, confirma que o novo aeroporto vai criar 56 mil novos postos de trabalho. Vinte e oito mil dos quais directos. Eu não quero parecer um empedernido franco-atirador mas estes tipos estão mesmo a pedi-las.

Tomando como adquirido que o Aeroporto da Portela terá de fechar para que se assegure a viabilidade financeira do futuro Aeroporto da Ota pergunto ao senhor ministor se nessa contabilidade dos 56 mil novos postos de trabalho já estão abatidos os postos de trabalho directos e indirectos que cessarão por via do encerramento da Portela.

Trazer para a conversa os 56 mil é claramente discutir pelo lado errado, é conversa de idiota falando a um povo de maioria de ignorantes que já não existe. O argumento seria sério se se tratasse de um acréscimo de postos de trabalho ao sector, e até isso seria estranho: um novo e moderno Aeroporto (maior é certo) acrescentaria tantos milhares de trabalhadores directos?

Uma última achega para quem fez a pergunta: é sério o trabalho de um jornalista que não é capaz de despistar de imediato esta dúvida absolutamente linear (novos postos de trabalho são mais postos de trabalho?) e a que se chega automaticamente? Tenho motivos para ter dúvida razoável porque não acredito que o país da maioria de ignorantes ainda subsista entre a comunicação social.

Adenda: nada me move contra a jornalista em particular, o desabafo final resulta apenas da constatação de que não temos bons entrevistadores para matérias políticas neste país. Sobram-me os dedos das mãos para contar aqueles que me dão garantias de serem capazes de defender a baliza dos intermediários do público sem frangarem a torto e direito. Acresce que alguns daqueles que julgo poderem fazer bem o ofício muito raramente são chamados para essas funções.

Adenda II: Segundo Jornal de Negócios, a Portela emprega directamente 12 mil trabalhadores. 

Oráculo?

Novembro 21, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia 3 Comments →

“Alemanha: Governo quer reduzir para metade 13º mês dos funcionários públicos”

De novo se dispensa o menino com a água do banho

Novembro 21, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política 1 Comment →

Soares, amigo, que povo queres contigo?

A ler o desabafo perfeitamente compreensível do Paulo Gorjão

Lendo os estudos da Ota? Olhe que não…

Novembro 20, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Lisboa 5 Comments →

Sucedem-se os cortes de energia eléctrica. Em Lisboa. Hoje. Dia de chuva grossa e vento forte (tudo igual ao que se passa na santa terrinha na raia de Espanha).

Mal deu para festejar a sofrida vitória do Sporting. A bateria do portatil extingue-se. Adeus luzes, olá noite escura.

Para memória futura

Novembro 20, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Portugal Comments Off

Antes de ontem morreu no Afganistão um português valeroso.

Blogologia

Novembro 20, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia Comments Off

"Jovem blogger, quando estiveres deprimido a pensar que ninguém gosta de ti… muda o sitemeter para o topo do teu blogue e vê as visitas florescerem!!!"



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