INE – Mais alguns esclarecimentos e uma inquietação/profecia final (3ª e última parte)

Como será o 3º trimestre? Há alguns efeitos mecânicos que já se adivinham, há alguma informação estatística pouco favorável que já vai chegando (veja-se a venda de automóveis em Agosto, por exemplo), mas perante tanta gente com tantas certezas sobre o futuro de variáveis instáveis (preços do petróleo, comportamento do mercado externo e mesmo do consumo privado, entre outras), com variações globais para o PIB muito próximas do zero, fico espantado, pois que o terceiro trimestre até ainda dura!
Quase apetece perguntar se será que vale a pena o INE fazer as contas ou se alguém lhe poupa o trabalho com as suas infalíveis bolas de cristal? Estará o INE condicionado a ter que seguir o cenário pré-determinado por algum directório de opinionistas? Já repararam como o condicionamento mental pode funcionar para tantos lados na contenda política?

Alguns produzem opinião avisada e cautelosa, outros engrossam as fileiras dos treinadores de bancada.
Aborrecido mesmo é ver passar quase ao lado da opinião pública um problema que julgo bem mais gravoso para o país, relativo ao mundo das estatísticas, um problema que se avoluma a cada dia que passa e que envolve questões aparentemente prosaicas para muita gente.
Assume o INE o papel do “árbitro”, garante da “verdade desportiva”… É aborrecido vê-lo neste papel, não por ser “árbitro”, uma nobre e fulcral função, não por ter de desenvolver uma carapaça que o imunize às críticas menorizadoras e às tentativas de condicionamento, mas por partilhar com os reais, os da bola, mais ou menos as mesmas queixas destes.
Pegando noutra metáfora pergunto-me/profetizo: quando o chef entrar em coma e as estatísticas faltarem no prato, todos ralharão e poucos terão razão.
Pergunto mais uma vez ao leitor: quanto vale uma boa (credível, útil e atempada) informação estatística?