Adufe com ânimo

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
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Archive for Junho, 2005

O Adufe errou

Junho 23, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia 4 Comments →

Pois é, sobre o post anterior, lendo uma outra notícia publicada no DN (descoberta via Causa Nossa / Torre de Babel) o que está em causa não é exactamente um subsídio discricionário do governo mas antes o accionar de um fundo constituido em regime de obrigatoriedade pelos vários intervenientes no mercado. Nas doutas palavras do Irreflexões que nos ajudou a mitigar as indesmentíveis consequências da perguiça estival :

“(…) O fundo em causa é, nos termos previstos no Decreto-Lei n.º 338/91, de 10 de Setembro, financiado pelas empresas integradas no Sistema Eléctrico de Abastecimento Público (SEP), isto é, EDP e REN, pelo menos.

O Prof. Jorge Vasconcelos - que saudades das aulas dele - é que explica isto bem no Despacho n.º 6/2005 da ERSE (disponível aqui):

A existência do mecanismo de correcção de hidraulicidade permite, em princípio, anular o diferencial de custos de aquisição de energia eléctrica para abastecimento do Sistema Eléctrico de Serviço Público (SEP) resultante da diminuição da produção hidroeléctrica.

Ou seja, funciona como uma espécie de almofada financeira, que se enche nos anos em que chove muito e a electricidade custa menos a produzir, e a que se recorre nos anos de seca, em que a parte hidroeléctrica do sistema não pode ser aproveitada. Em última análise, quem paga e quem beneficia são os clientes da rede eléctrica. Julgo que não haverá objecções. (…)”

Dito isto, mantenho ainda um sobrolho franzido. A ser verdade a notícia do Diário Digital, a que propósito é que Manuel Pinho se referiu à subida dos preços do petróleo a nível internacional como parte da justificação para accionar o fundo (adenda: pelo artigo do DN percebo que nem é ele que acciona o fundo, mas pode mitigar a sua utilizaçaõ ou promovê-la)? É certo que pode ter sido apenas um sublinhado em relação à utilidade particular desta medida neste ano. Mas fico com uma dúvida, se a lógica do fundo é a de precaver o risco local de um mau ano em termos de produção de energia por exploração hidroeléctrica, o fundo poderá ser accionado num bom ano de produção hidroeléctrica que coincida com uma escalada do preço do petróleo?
Acho que foi esta utilização (ou melhor, a notícia das declarações) dos dois argumentos (juntamente com a tal preguiça) que levou ao tiro no gatilho e ao falhar o alvo recordando histórias passadas.

Feita a emenda, espero que os zum-zuns quanto ao combustível profissional também sejam apenas um mal entendido. Tudo o resto que disse sobre a urgência da simplificação fiscal em época de tantas medidas de emergência mantenho e sublinho.

Medidas de emergência

Junho 23, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia 2 Comments →

Péssimo sinal o dado por Manuel Pinho ao subsidiar o preço da electricidade, quantos dias faltarão para se inventar mais uma excepção (mães de todos os abusos) como por exemplo o combustível profissional?
Quando esperava a clarificação (e implementação) das medidas sobre as áreas de contenção da despesa o governo, quando esperava alguma medida revolucionaria no campo da simplificação fiscal (das melhores ferramentas para credibilizar o nosso sistema fiscal), quando esperava a concretização relativa ao prometido investimento público produtivo, o governo oferece-nos a pior das expectativas num cenário requentado. Será este o investimento de que se falava?
Preocupante, muito preocupante.
A ler também o Causa Nossa sobre este assunto.

Autárquicas no Portugal Extinto

Junho 23, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política Comments Off

Autárquicas de 2001:
Penamacor, concelho raiano com cerca de 7000 residentes e mais de uma mão cheia de freguesias. Nas últimas autárquicas foi um dos raros concelhos onde uma lista de independentes venceu as eleições, interrompendo assim o pleno de vitórias obtido pelo PS desde o 25 de Abril. Venceu a lista de Domingos Torrão, um antigo militante socialista que não conseguira os favores da distrital para ser designado candidato oficial do partido.
Quando houve que decidir onde pôr o voto na determinação das forças no seio da associação nacional de municípios, alinhou pelo bloco do PSD/PP, contribuindo para a eleição de Fernando Ruas. Quanto ao resto, foi presidente de câmara e apresenta-se de novo a escrutínio.

Autárquicas de 2005:
Leio no blogue Penamacor que Domingos Torrão fez as pazes com o PS e será o candidato oficial do Partido (levando toda a equipa para a nova chancela). Na outra banda (coligação PSD/PP) o candidato será, nada mais nada menos, que um actual vereador socialista.

O Jorge Sanches, um dos autores do blogue (em que também colaboro, recorde-se) deu como título às chamadas de atenção para as notícias que relatam estes factos: “Política à Penamacor“.
Caro amigo, quantas freguesias, vilas e cidades deste país não se encaixarão, com maiores ou menores ajustes, neste mesmo tipo de “dialéctica”?

As autárquicas não são eleições partidárias na grande maioria dos concelhos (os vestígios ideológicos que ainda temos a nível nacional esfumam-se nas autarquias) e começo a desconfiar que, onde as eleições mantêm um pendor partidário - nas grandes cidades e em alguns cada vez mais raros feudos “sociológicos/geracionais” muito bem localizados no interior do país - os eleitores prestavam um melhor serviço a si próprios se esquecessem a símbolo e dedicassem algum tempo a recordar a sua vida no concelho nos últimos anos e a ouvir criticamente o que lhe oferecem os vários candidatos. Conheço com mínimo detalhe o que se passa em Castro Daire (feudo PSD) e a lição assenta também na perfeição.

Os prostitutos polítcos, de que se falava nos comentários do post do Jorge, em concelhos como Penamacor, não são os Domingos Torrões deste país, mas antes as “marcas”-partido. E são-no desde o momento em que nos querem fazer crer que há umas outras eleições além das autarquias: aquelas em que se contam cromos no final da noite, cromos que pertencem a cadernetas muito diferentes.

Também aqui os políticos que temos tendem a falar para um e sobre um país virtual. Em suma, também por aqui, o espaço para alguém que tenha coragem para ser diferente na forma de encarar e execer a política continua a aumentar.

Jornalista altruistas da blogoesfera, uni-vos!

Junho 22, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Media 1 Comment →

Já tem uns dias, mas ando a pôr as leituras em dia. Escreveu Pedro F. (jornalista do Público) no seu ContraFactos.

“(…) Mas quantos estão dispostos a alinhar na escrita colectiva sob critérios jornalísticos (a opinião não conta)?
Quem quer lançar um projecto não-lucrativo de jornalismo?
Vá lá, está aberto o processo, claro e sem nuances: quem está disposto a participar num projecto de jornalismo participativo, baseado na Net, sem pruridos ideológicos, atento aos “innuendos” que devem ser discutidos entre os interessados? Está aberta a porta: quem quer entrar?
Não acredito que os autores dos blogues queiram alinhar neste tipo de projecto, sejam de direita ou de esquerda, do norte ou do sul. Porque cada um defende a sua terra, o seu blogue, o seu território. Não é mau mas não é colectivo e não é público. E não venham depois defender o poder dos blogues.”

Um dia inventaram a luz

Junho 22, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia 2 Comments →

The song remains the same” uma imperdível produção do Mário Pires. Pela minha parte marco o ponto: está ouvisto!

Volta a bola devagarinho…

Junho 21, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Desporto Comments Off

Por estes dias em que estive lá e cá (férias, doces férias) fui notando que a equipa do Sporting (pois é, eis que regressa a bola ao Adufe!) ia vendendo quase toda a equipa, pelo menos assim se prometia na imprensa. Uma velha sina dos últimos anos. Hoje, actualizando-me das novidades parece que quase só as saídas já aqui sublinhadas de Rui Jorge e Pedro Barbosa parecem seguras - ah! e Nicolae que foi de Mota.
No entretanto, duas ou três contratações, umas novidades para rentabilizar o estádio, mais um empréstimo obrigacionista na calha e novidades nas GameBox que estão quase à venda.
Como alguém escrevia num blogue, esta é a melhor altura para ler jornais desportivos, nunca como agora se aproximam do quase sempre fascinante mundo da ficção.

Eu que continuo a não comprar jornais desportivos, confesso-me leitor incidental do Record on-line (exclusivamente no que diz respeito ao Sporting). Depois do que já aqui escrevi sobre o tema, tinha que registar este passo.

(O calor é inimigo da boa memória e da pesquisa de ligações ao passado do blogue, por isso me desculpem pela fraca edição. Agora se me dão licença vou arfar para outro lado. A ver se refresco)

Adenda: Que Argentina é esta teu deus, que sempre que mudo o canal está a marcar golaços!!! (Jogo em diferido, pelos vistos)

Quem se governa com os governos que passam?

Junho 21, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política Comments Off

A ler “Para quem governa este Executivo socialista?” na 4ª República.

Síntese Económica de Conjuntura

Junho 21, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia Comments Off

Maio de 2005
A informação disponível sobre as economias externas que mais influenciam o desempenho do país continua a dar sinais pouco favoráveis. No plano interno, o indicador de actividade económica abrandou em Abril, à semelhança do que sucedera no mês passado, e as indicações mais recentes do indicador de clima para Maio continuaram a ser de agravamento. O consumo privado desacelerou em Abril, fruto dos contributos negativos de todas as suas componentes, excepto da alimentar, que estabilizou. No investimento, o indicador de FBCF intensificou em Maio a quebra verificada no mês anterior, o que
resultou do agravamento observado nas componentes de material de transporte e de construção. Os dados do comércio internacional até Março revelaram um abrandamento das trocas neste mês, com particular intensidade no caso das exportações. A informação de Maio relativa ao mercado de trabalho aponta para um ligeiro agravamento da situação, excepto as expectativas dos consumidores que foram mais optimistas. A inflação em Maio foi de 1,8%, menos 0,3 p.p. do que no mês anterior, devido ao forte abrandamento dos preços dos bens, principalmente dos combustíveis, enquanto os serviços aceleraram.
A inflação subjacente atingiu um novo mínimo histórico (1,2%).

Relatório completo aqui (INE)

A lógica é uma batata

Junho 21, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Media Comments Off

Excerto de uma notícia (”Potato Farmers Loathe ‘Couch Potato’ Term“) da Associated Press lida no «Yahoo:

“LONDON - British potato farmers demonstrated outside Parliament on Monday to publicize their bid to remove the term “couch potato” from the Oxford English Dictionary, arguing that the description of slothful TV addicts harms the vegetable’s image.
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The group of about 30 farmers carried signs that read “couch potato out” and “ban the term couch potato.” A similar rally took place in Oxford, central England.

The Oxford English Dictionary defines the term “couch potato” as “a person who spends leisure time passively or idly sitting around, especially watching television or video tapes.”

The British Potato Council says the phrase makes the vegetable seem unhealthy. It wants the expression stripped from the dictionary and replaced in everyday speech with the term “couch slouch.” (…)”

Black and White

Junho 21, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Pessoal 2 Comments →

O fundo da fotografia: sem luz fico branco, com luz fico preto.
White.jpgblack.jpg

Actualização

Junho 20, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política Comments Off

Mega comentário colocado no post «O que é a “tropa”»

Translação

Junho 20, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Cinema Comments Off

E eis que termina o dia mais longo. Venha a noite mais curta (ligação).

O alfa e o ómega

Junho 20, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia Comments Off

Se o nosso abcedário não terminasse em “z”, como se chamaria o Aviz?
Parabéns

Real Polítika

Junho 16, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política 1 Comment →

Ela: Já não percebo nada!
Ele: Então?
Ela: A semana passada andavam a gozar com o Governo por causa do Freitas do Amaral, não era?
Ele: Mais ou menos.
Ela: O homem dizia que deviamos fazer uma pausa mas era só a opinião dele, certo?
Ele: Certo.
Ela: Depois de tanta acusação de desgoverno, agora só ouço falar em pausas por todo o lado, todos querem fazer pausas!
Ele: Pois.
… silêncio…
Uns minutos depois:
Ela: Preciso de um tempo. Temos que dar um tempo.
Ele: Hã?!
Ela: Cá para mim essa tal de Europa anda a pular a cerca com alguém.
Ele: Ah!
Ela. Ainda não percebi é quem é que vai fazer de corno…
Ele: Não sejas a última a saber…
Pausa.

Este blogue está de trombas

Junho 16, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Pessoal Comments Off

Tanta coisa curiosa que se passou hoje no meu dia, tanta ideia em ebulição e, no entanto, enquanto dono do blogue decido que nenhuma delas tem lugar aqui.
E assim fica este falso diário verdadeiro, a pão e água, por mais uns dias enquanto vou palmilhar país.

Umas últimas notas: a blogoesfera continua ao seu melhor, é só passearem por aí. Uma referência estatística a este post (”Os bê-émes. Factos e fugas“) do Terras do Nunca. Tocam campainhas em algum lugar?

Eis uma ideia que me vai acompanhar no passeio:
Passa-se por este país e por esta Europa em choque teatral e não deixo de pensar que novas / velhas formas de fazer política estão a ganhar campo vital (esqueçam o Cunhal que não tem nada a ver!), surgirão de facto? Haverá equilíbrio?



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