Adufe com ânimo

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
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Archive for Fevereiro, 2005

Mais uma estreia

Fevereiro 16, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Desporto 3 Comments →

Hoje é noite de ir com a família em busca de bons fados ao futebol “europeu”. E que os éfes da noite se fiquem por aqui.

Trabalhos de casa

Fevereiro 16, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política 3 Comments →

A ler “A responsabilidade para cima dos eleitores” pela Catarina, no 100nada.
Haja ouvidos nos partidos, nos jornais e vontade de coisa melhor, já a partir de dia 21.
Independentemente dos resultados das eleições, não há motivo para grandes empolgamentos. A falha de mercado na “praça dos partidos” alastra…

Falar para mim em público

Fevereiro 16, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política 10 Comments →

Aproveito o debate de hoje para regressar à política e para me complicar, tentando transmitir como lá bem no fundo sinto as coisas, deixando de parte a precisão das medidas e das propostas.

Ponto prévio. Assisti à primeira parte do debate, depois vi a Galáctica e de seguida assisti à entrevista de Jerónimo de Sousa (gravada) que passou na 2 (hoje publicada no Público)

A Emoção:
E pego precisamente em Jerónimo de Sousa. Nenhum outro líder político me inspira confiança na sinceridade das propostas que faz e me dá mais gosto ouvir. E esta hem?
Não suporto os esquemas, truques e contradições sucessivas de Louçã, Porta e Lopes, tal como não apreciava um Carvalhas aparentemente agrilhoado, escondido dentro de um qualquer armário.
A campanha passou e não encontro em Sócrates nenhuma chama, nada que me apele à emoção. Perante os outros dá-me garantias racionais de cumprir com dignidade mínimos olímpicos - um valor escasso por estes dias que justifica largamente o meu voto já aqui declarado.
Mas faltar-me-á a paixão e sem ela a política dissolve-se, a prazo, em outras coisas. Perde o fundamental daquilo que a distingue, resume-se, na melhor das hipóteses numa sóbria tecnocracia. Como Sócrates bem diz, é preciso trazer esperança, confiança para sair da depressão actual… Pode ser que eu seja uma excepção e que de facto ela se obtenha e dissemine pela mensagem do PS, quem sou eu para atestar o contrário?
Jerónimo de Sousa, o ortodoxo, o operário (com todos os dedos), o ridículo da dança popular na campanha das presidenciais em cena repetida até à exaustão no dia em que foi nomeado secretário-geral…
Fala claro, sem subterfúgios, vem expondo com simplicidade a prevista ortodoxia, desmistificando mais a imagem negativa do que confirmando-a, diga-se. No discurso sóbrio e simples, os fantasmas do PC são encarados de frente (finalmente!), a ambição pelo poder é assumida e aferida pelo trabalho no parlamento… O modelo actual do PCP é o PCP, nenhum outro “comunismo” sobrevivente lhe serve de exemplo, nem a Coreia do Norte… Na entrevista a que assisti, Jerónimo de Sousa assume em português corrente as expulsões no seu partido dos muito distraídos e serôdios dissidentes - a adjectivação é minha -, deixando claro o que é imutável no PCP ao nível da democracia interna. E forçando-nos, já agora, a pensar quão longe está verdadeiramente da democracia interna dos outros partidos, pelo menos em algumas áreas tão importantes como a constituição das listas de deputados…
Ouve-se este PC e olha-se para o bolo como ele é, só compra quem quer.

Jerónimo de Sousa e o PC apresentam-se sem grandes efeitos, apenas política quando muito com o spin embutido e não usado como uma prestação de serviços externos tantas vezes desgarrado e gerador de imagens esquizofrénicas. Talvez Jerónimo de Sousa seja o mais profissional de todos os líderes políticos, em todas as acepções do profissionalismo. Porquê? Será pela força interior da ideologia que o comanda? Mesmo que assim seja, há na sua mensagem algo que deveria servir de exemplo aos políticos de todos os espectros políticos. Do mais paternalista dos partidos surge o menos paternalista dos líderes, o único que, até ao momento, não me fez dançar incomodado na cadeira por ter de acomodar uma mentira descarada ou defendida por um qualquer floreado diplomático de linguagem tipo “promessa versus objectivo”. Os disparates do PC e de Jerónimo de Sousa não são gratuitos mas também por isso, regressando à política, nunca votaria nas políticas do PC. Triste é ser este o único partido que me permite avaliar e testar uma proposta coerente e rejeitá-la fundamentado na divergência política sobre o modelo de sociedade. Todos os outros me parecem perdidos, em graus diferentes mas inquestionavelmente perdidos, vazios, incoerentes, inconsistentes.

Da Emoção à Razão:
Talvez Sócrates, com ou sem maioria absoluta, consiga o raro feito de ir construindo uma relação com o país, já que o amor à primeira vista parece duvidoso. Haverá maioria absoluta? Não sei. Será desejável? Permanece a curiosidade daquilo que nunca se experimentou… Sim, acho que, apesar de tudo, vale a pena pagar para ver. Os desvarios do passado recente permitem uma base de fiscalização suficientemente clara para avaliar o desempenho de um PS maioritário. E julgo, também, que ficou claro na cabeça dos dirigentes socialistas que a história não acaba hoje e que os níveis de exigência e a margem para erros passados é muito estreita. Haja um novo PSD ou novas propostas democráticas o quanto antes para valorizar o voto do próximo dia 20!
Termino com duas ideias.
Por um lado, o alívio de nos livrarmos do actual poder será genuíno e não menosprezável, mudar será mudar para melhor, será garantir maior clareza perante a desorientação vigente e será assumir um maior compromisso de dignidade no exercício da política e no respeito pelo Estado. No mínimo será isto.
Por outro lado, o certo é que vou votar PS como quem compra um carro japonês ainda que precisássemos, pelo menos, de um Mercedes desportivo, ambos com baixa emissão de partículas, naturalmente.

E pronto pouco mais há a dizer. É ir votar e continuar vigilante, curioso, talvez até mais participativo, procurando reforçar sempre a intervenção e a capacidade individual de responsabilização. Não sei bem como, mas há-de arranjar-se alguma forma eficaz de contribuir. Estamos todos no mesmo barco, todinhos.

O mais distante viajante

Fevereiro 15, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ciência e Tecnologia 1 Comment →

A ficção científica ajudou imenso, principalmente na sua forma audio-visual, mas a minha sempre latente paixão pelas estrelas tem na história das Voyager uma âncora especial.
Serve este intróito para agradecer a lembranaça do Rui Curado Silva no (re)post que se segue, publicado ontem na Klepsydra:

Talvez ofuscadas pelo sucesso da sonda Huygens, foi esquecida injustamente a data em que as sondas Voyager atingiram 10000 dias de operação, os engenhos construídos pelo homem que mais se afastaram do planeta Terra, cruzando actualmente o limite do Sistema Solar.
A Voyger 1 é também o veículo interplanetário construído pelo homem que atingiu maior velocidade ponta: mais de 60000 km/h. Através das câmaras instaladas nas Voyager foram captadas pela primeira vez imagens dos planetas do Sistema Solar exterior: Júpiter, Saturno (Titã também foi fotografada de perto), Urano e Neptuno. As Voyager captaram também fotografias inéditas de grupo do Sistema Solar, com todos os planetas a posarem pela primeira vez para única uma câmara. As Voyager continuam a enviar dados preciosos, magnetómetros e vários tipos de detectores continuam a funcionar, e espera-se que funcionem pelo menos até ao ano 2020.

Coisas boas, para variar.

Coisas interessantes?

Fevereiro 15, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia 2 Comments →

Sugestão para combater o enjoo e, quem sabe, ganhar distância para regressar à política: passar por outros tempos, espreitar os textos e as imagens do Idanhense, que tal?
Ou então pelo Arqueoblogo:

397. A minha propaganda.


Está farto da campanha eleitoral?
Não aguenta mais a demagogia eleitoralista?
Não tolera o discurso conflituoso dos líderes partidários?
Enerva-se com o partidarismo bacoco de alguns blogs que visita?
Então visite o Arqueoblogo.
Aqui não se fala de política!

Muitos metros de fumo sobre a cabeça

Fevereiro 15, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Lisboa Comments Off

Ontem Lisboa tinha uma luminosidade rara. Por cima dos prédios que marcam a linha do horizonte surgia um azul oferecido pela ventania da noite que arrastara as poeiras carbónicas para outras paragens. Ainda bem que apreciei a luz de Lisboa, ontem.

Oração aberta

Fevereiro 14, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Religião Comments Off

Ninguém está livre de ser vidente de coisa aquém e além desejada. Coisa real ou sobrenatural, percebida ou imaginada.
Também ninguém está livre de ser assaltado por uma, muitas legiões de seguidores que acreditam por nós e/ou como nós.
Pela minha parte, se tiver tal sorte, renuncio desde já aos dias de luto a haver em minha memória.
Façam desse dia um dia de luta à infantilidade e à mal querença.
Sejam pastores e não carneiros. Sejam lúcidos e amem!
Amém.

Foguetões de Alka-Seltzer

Fevereiro 14, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política Comments Off

Conheces as caixinhas de plásticos onde se guardam os rolos de fotografias?
Pois bem, com uma dessas caixinhas uma pastilha de Alka-Seltzer e um pouco de água podes construir o teu próprio foguetão!

in Ciência Viva

Pronto! Seja qual for o seu nível de azia no próximo Domingo, está aqui tudo explicado. Toca tomar a dita pastilha e a pôr a cruz no mal menor.
Com umas caixas de rolos fotográficos e um bocado de sorte - é preciso que chova que a água está escassa - vamos construir um foguetão que nos leve do fundo do fundo. Depois logo nos preocupamos com o pára-quedas, no dia-a-dia que há-de vir.

Virgílio Poltronas

“Blogoesfera mais activa em Dezembro”

Fevereiro 14, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia Comments Off

Lê-se hoje, no Diário Económico, a propósito de um estudo da Marktest:
“(…) cerca de 220 mil utilizadores únicos com quatro ou mais anos, residentes no continente, acederam a páginas de blogues a partir de casa, mais 57 mil do que no mês anterior, mas apenas mais cinco mil do que em Janeiro, segundo melhor mês de 2004. (…)”

O tempo

Fevereiro 14, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política Comments Off

1. Faltam cinco dias e meio para as eleições.
2. E quando é que tomará posse o novo governo que delas sair?

3. Boa pergunta a do Bloguíta; quem foi capaz de apoiar um candidato à presidência Norte Americana também há-de ser capaz de afirmar o seu apoio à melhor proposta de Governo no seu próprio país. Muito provavelmente será um apoio ao PS mas aguarda-se o simbolismo dessa novidade por terras lusas, n’A Capital.

Apostar na qualidade

Fevereiro 13, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia 4 Comments →

O Adufe, hoje, vai apostar ainda mais na qualidade em detrimento da quantidade dos seus posts.
E como primeira medida a implementar de imediato, caros leitores, estão dispensados de por cá passarem nas próximas horas. Tenham um bom dia de descanso e até mais logo.

P.S.: Os que passarem por Alvalade por volta das 18h, ficam desde já cumprimentados com saudações leoninas. Verde é esperança!

P.P.S.: Por falar em verde… Então, qual é a desculpa que vai dar para não ir votar?
Plágio do anúncio da CNE - talvez a melhor frase de sempre em “campanhas de apelo ao voto” deste organismo.

Afinal já não chegamos aos Açores

Fevereiro 12, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia 2 Comments →

Ossos do ofício, ou melhor, alguns pontos de contacto com a tese de mestrado que tenho pendurada aguardando marcação da defesa, fui espreitar com mais detalhe o estudo do Instituto de Segurança Social relativo a pobreza e exclusão social (”Tipificação das Situações de Exclusão Social Territorializada”) publicitado recentemente por vários órgãos de comunicação social. Confesso, fiquei algo surpreso com a apresentação que dele é feita no próprio sítio na internet onde está divulgado. Ora leiam lá isto:

“O Instituto da Segurança Social, I.P. elaborou o Estudo Tipificação das Situações de Exclusão em Portugal Continental, âmbito do Programa Rede Social, com o objectivo central de sistematizar a informação estatística disponível, com vista à tipificação das situações de pobreza e exclusão social a nível do território de Portugal continental. Pretende-se, pois, abarcar a diversidade do território nacional, no que concerne às diferentes formas de manifestação de situações de pobreza e exclusão e à sua incidência por tipo de território em termos das suas características mais rurais ou urbanas.”

Onde estão as ilhas meus senhores? Açores, Madeira… “Abarcar a diversidade do território nacional“? Porquê esta truncagem? E logo no estudo de um fenómeno onde há todo o interesse em ter uma boa imagem dos Açores e da Madeira (porque historicamente têm tido problemas graves nesta matéria).
Falta de dados? Essa não cola meus amigos… O e-mail está ao dispôr e a informação é pública e gratuita, é só passar pela página do INE (pesquisa por unidade territorial).

Bilhete Par Adepto - Publicidade -

Fevereiro 12, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Desporto 2 Comments →

“Jovem,
Se és Lesbica…
Do Sporting Clube de Portugal…
Gostas de ir à bola…
És poupadinha…
E não tens par…”

“Jovem…
Se és homossexual…
Do Sporting Clube de Portugal…
Gostas de ir à bola…
És poupadinho…
E não tens par…”

Vinde ao Adufe, usai e abusai da caixa de comentários, trocai contactos e ide, ide à bola a preços de desconto assistir a um jogo da Super-Liga. Formando um par homem-mulher podereis adquirir o extraordinariamente barato “Bilhete Par Adepto“.
Sporting? Discriminação Positiva!
Em busca do segundo milhão de espectadores no Alvalade XXI…

P.S.: a promoção também se encontra disponível para casais hetero ou para qualquer outro casal que faça prova… homem+mulher. É pró menino e prá menina, prá Avó e pró netinho, juntos.

Qual será a próxima?

Fevereiro 11, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política 11 Comments →

(…) Tanto quanto os elementos indiciários reunidos até ao momento permitem avaliar, não existe nenhuma suspeita de cometimento por parte do Engº José Sócrates de qualquer ilícito criminal relacionado com o aludido processo de licenciamento.

Lisboa, 11 de Fevereiro de 2005
O Gabinete de Imprensa
Ana Lima
Procuradoria-Geral da República

As Palavras dos Outros, duplamente

Fevereiro 11, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Palavras dos Outros Comments Off

” (…) A cena de Alpiarça tem qualquer coisa de tragédia clássica, um percurso de sofrimento profundo demais para se bastar apenas nas palavras de revolta. No fundo, ter que dormir uma noite numa oliveira para fugir à PIDE, parece hoje coisa de pouca monta para quem lê sobre todas as desgraças do século num livro. Mas, naquela sala, não se leu, viveu-se, o que faz toda a diferença. E, naquela sala, há uma forma especial de dignidade, que vem de todas as esperanças perdidas, da pobreza, do mundo duro do trabalho, da perplexidade face ao futuro. Aquela gente vem de um mundo que morreu, mas a sua voz faz parte do coro da polis, que já ninguém ouve. Nem nós.”
in Abrupto, Dois Mundos



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