A síndrome da terceira geração

Às vezes, olhando para os principais partidos portugueses, parece-me que o pai fundador já morreu, o filho aguentou a custo a herança e o neto desbarata todo o capital da família, vaguando sem rumo definido pelos locais do costume, maltrapilho onde ontem tinha garbo.
Haverá um bisneto que reponha algum capital político onde lhe deixaram uma imensa dívida?

No meio da cacofonia que são as opiniões que damos e ouvimos, é bom perceber que alguns alertam para o perigo de estarmos a olhar para as perguntas erradas produzindo vícios de análise e afunilando as respostas. O que ainda me espanta é que esse trabalho não surja do interior de quem deveria ter mais tempo e ânimo para pensar essas questões. Chegamos aos partidos e percebemos que algo correu muito errado na especialização de tarefas. Quem pensa política e por lá anda, raramente se vê. E não era preciso que se vissem, “ou menos” que se ouvissem da boca dos seus líderes.
Essa é dúvida que, caro PS, aconteça o que acontecer, deverás partilhar com o PSD, sem pressão, nas calmas, a partir do dia 21 de Fevereiro de 2005: haverá um PS-bisneto que reponha algum capital político onde lhe deixaram uma imensa dívida?

Aconteça o que acontecer, não haverá estado de graça. Não bastará o autocontentamento da mudança das moscas. O que hoje semearás…

Nem só na luta anti-fascista houve tarefas para grandes homens e um grande povo. Também por aí haverá necessidade de exaltação, não para uma mobilização nacionalista, mas para uma chamada à realidade. Onde anda a Política meus senhores? O que andamos a fazer à Política?
Uns não sabem, outros têm vergonha e outros coçam a cabeça.
O que fazer, teu Deus, o que fazer?

O profeta

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