Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for December, 2004


O gelo e o fogo II

No adro da Igreja parte dos azulejos da fachada já haviam estalado por esta altura… Ficaram por aqui os danos, a noite valorizou a simbologia oferecendo-nos o frio pretexto para nos chegarmos mais perto.
Madeiro na Benquerença em noite de consoada – 2004.
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O gelo e o fogo I

Ontem nas Portas de Montemuro (Castro Daire / Viseu) quando ameaçava cair mais um nevão.
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Pôr um ponto final

Sobre a relação blogues/imprensa e a propósitos dos dois casos que envolveram o Público espreitar as considerações do provedor do jornal Público (descoberto via Bloguítica).

A aldeia que não cruza os braços

O António Colaço alertou-me para a página 19 mas ontem era talvez o pior dia do ano para arranjar um Diário de Notícias no concelho de Castro Daire. Fica aqui a cópia descarada e uma nota adicional: o Presidente da Junta lá do sítio – um tipo pragmático, mais novo que eu – teve ontem o prazer de inaugurar um ponto de acesso à net wireless, na Benquerença. Espero que tenha corrido bem.

dinamização de espaços rurais

A aldeia que não cruza os braços
Benquerença conseguiu envolver a sua população numa rede cultural única

Esta aldeia andará, certamente, à procura de estabelecer um recorde. Senão, vejamos tem pouco mais de 600 habitantes e nela existe uma certa casa, de acesso público, com as portas abertas geralmente até bem perto das 23.00. «Bom, nada de extraordinário», dirão. Pois não.

Mas se, ao espreitar, ali virmos, durante a semana, ensaios de teatro, aulas de judo e de informática, preparativos para um desfile de moda com roupas feitas de papel de jornal, sessões de ginástica adaptada, uma pequena biblioteca, um espaço de tempos livres com computadores, aulas de violino, grupo etnográfico e, além do mais, o luxo de, uma vez por ano, ali se promover – pasme-se – uma semana cultural com teatro, música e demonstrações de cultura popular, então estaremos próximo de qualquer coisa de assinalável.

Bem-vindos à Casa do Povo da Benquerença, Penamacor, e à sede da Associação Desportiva, Cultural e Recreativa. Bem-vindos à aldeia que se recusa a cair nas teias do isolamento e da resignação – aqui é proibido estar de braços cruzados.

O dedo sonda o teclado com a hesitação típica de quem, pela primeira vez, se vê metido nestas coisas da informática. Sim, porque, nisto, quanto mais dedos estiverem prontos para premir teclas, maior é a confusão instalada. Um é bom, dois são de mais, três já são uma multidão. Por isso, e enquanto não chega o traquejo, vinga a tese do «orgulhosamente só».

Pouco depois da hora do jantar, fomos encontrar a turma de «veteranos» da informática, que estão a assimilar as noções básicas deste novo mundo Word, Excel, calculadora… É a última aula deste curso, ministrado pelo paciente e interventivo João Luzia, ex-funcionário da PT, que se disponibilizou para esta tarefa. Por ser a derradeira sessão, é tempo de rever a matéria dada, facto que não atormenta os esforçados alunos, na sua maioria na casa dos 40 anos, que encontraram aqui a oportunidade de se familiarizar com os computadores.

Costureiras, operadores de máquinas, entre outros, aprendem o bê-á-bá da informática na noite da aldeia. Os cinco computadores, muitos deles já em gozo dos tempos dourados da reforma, tiveram de ser chamados de novo ao serviço. Trabalha-se com o que há, porque «quem não sabe trabalhar com o computador é como quem não sabe ler», diz Albertina, uma costureira de 36 anos. E quem a pode desmentir?

No salão ao lado, a sintonia era outra. Os actores do Grupo de Teatro da Benquerença são só amadores de nome, pois no empenho nos ensaios da nova peça a que o DN assistiu, são dignos de profissionais. No palco trabalhava-se, então, a peça Histórias d’Ó Pé da Serra, uma adaptação de textos de Fernando Paulouro Neves.

«Repete», «mais alto». É certo que os adultos merecem menos reparos por parte de Joaquim Nabais do que os jovens que ensaiaram antes para uma peça infantil. Mas, mesmo depois de sair do seu emprego e ir para o clube para acompanhar e coordenar as actividades da associação a que preside, não descura nenhum pormenor. Este é um daqueles casos nítidos de alguém que corre por gosto. Joaquim Nabais é um homem da cultura, apaixonado pelo teatro, pela fotografia e pela literatura. Regressou de Almada para a sua aldeia natal há alguns anos e está agora a contribuir para incutir um dinamismo cultural raríssimo em espaços rurais. E ainda há lugar para sonhos aumentar a biblioteca e criar uma casa de chá. O segredo: «Muita teimosia», graceja. E já agora, diz, «porque não consigo estar quieto».

Teimosia e inquietude que não escondem uma razão de fundo «Andei 25 anos por fora e decidi acabar aqui. E queria ver se não acabava numa aldeia-fantasma. Quero que amanhã continuemos a falar, a entendermo-nos. E isso só será possível se recuperarmos e mantivermos alguns valores que já foram nossos. Mas, sobretudo, move-me a vontade de contrariar uma tendência avassaladora de alcoolização das sociedades rurais e de viciação das mesmas sociedades em produtos culturais medíocres que todos os dias nos impingem. São realidades que gostaria que não tomassem conta desta aldeia».

Razões de sobra para que esta pequena aldeia do interior continue a deitar-se tarde.” in Diário de Notícias

O PSD encontrou os seus "Verdes" – Boas Festas

E com esta hilariante anedota me despeço para o tradiconal circuito Estrela-Montemuro.
Boas Festas!

(PS.: Também pode ler aqui caso o outro link não funcione)

Salamaleque :-)

Obrigado pela leitura Nuno. Da minha parte mantenho o que escrevi há cerca de um ano aqui, sobre a tua Rua.

Gostava de ouvir comentários de políticos no activo…

Um destaque para o polémico texto de Rui Valada no Público de hoje (“Professor e Advogado, militante do PSD (ala reformadora)”).

A Renovação da Classe Política
Por RUI VALADA
Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2004 Há muita gente que ainda não compreendeu bem o problema. Ou melhor: acertou numa parte do diagnóstico, mas continua a não reparar na inconsistência das soluções propostas. Que os partidos estão fechados sobre si próprios, que as suas elites estão reduzidas a um núcleo duro profissionalizado, que existem barreiras à entrada ou ascensão de novos protagonistas, isso tem sido dito repetidamente e é verdade. Tal situação conduz a um anquilosamento das estruturas partidárias e da sua capacidade de renovação política, não obstante a dança das lideranças e dos seus séquitos.

Mas supor que o problema se resolve com apelos cívicos é de uma enorme candura. Não basta pedir que os partidos se abram a políticos não profissionais, que tentem atrair mais independentes ou que, para o preenchimento de lugares ou candidaturas, alarguem o seu recrutamento para fora do núcleo duro. A grande questão é que as oligarquias instaladas (ou com esperanças de instalar-se) não estão interessadas nisso.

A última coisa de que os políticos profissionais querem ouvir falar é de nova concorrência que venha disputar-lhes os lugares alcançados ou cobiçados. É por isso que os partidos não se abrem à sociedade civil, não se esforçam por recrutar novos valores, asfixiam até as tentativas de transformação interna. É também por isso que o debate político quase desapareceu do funcionamento partidário, sendo substituído por episódicas litanias de apoio à claque dirigente. A contestação interna é abafada sempre que possível e em regra considerada uma traição quando tornada pública.

Os partidos são hoje hostes profissionais de assalto aos cargos públicos e o seu quadro permanente de oficiais já está preenchido. Novos recrutas só se pretendem para os lugares do fundo da hierarquia, desprendidos de ambições ou suficientemente pacientes para saberem aguardar a sua vez. Fora dos partidos consegue medrar alguma preocupação com a renovação da classe política; dentro deles, falar nisso é quase uma blasfémia. Há excepções, claro, mas mantêm\u2011se discretas.

É pois ilusório pensar que irão chover convites às pessoas competentes da sociedade civil ou que haverá a preocupação de as atrair. Na óptica dos dirigentes, gente que pensa pela sua cabeça é uma ameaça. E que algum dia se estabeleça um qualquer sistema de cotas para políticos não profissionais, conforme já foi proposto, é duvidoso. Se vier a acontecer, a sua expressão será tão limitada e inócua que nela se reconhecerá o contorno demagógico de uma mera operação de maquilhagem.

O que falta nos partidos políticos é mais democracia interna. Ou seja: regras que melhorem a concorrência lá dentro. E sobretudo, acabar com as designações para candidaturas a cargos electivos e substituí-las pelo resultado de um sufrágio interno. Permitir que a ascensão de pessoas e ideias possa sempre resultar da discussão e do voto e não dependa de cooptação dos maiorais já instalados.

A lei deve interferir sem pejo na orgânica geral dos partidos e impor-lhes uma maior democraticidade interna, tão essencial à concorrência das ideias e dos projectos como à renovação das elites. Estamos mal servidos de políticos, reconheça-se, porque também estamos mal servidos de democracia na esfera interna dos partidos.

Professor e Advogado, militante do PSD (ala reformadora)”

Alguém de dentro dos partidos tem a bondade de comentar?

Também em discussão na Alternativa.

Prenda Meta-bloguística (act.)

Recomendo vivamente quase entusiasticamente (é raro, é raro) a prenda que o Pula Pula Pulga nos oferece ao sugerir a leitura de posts do Blogoexisto, um de muitos blogues que visito com indesculpável irregularidade.
Recomenda-se a leitura a políticos encartados ou não e ao público em geral, especialmente este “Sobre o Programa económico de Manuel Pinho

Ecos da Beira Baixa (act.)

Pimentos queimosos… Uma expressão rara, suponho, certamente em desuso, que me passou por detrás dos olhos e saltou para as pontas dos dedos no decurso de uma das longuíssimas viagens que, tal com um incontável número de outros pedaços de memória, vai realizando pelos caminhos secretos deste organismo.
Antes que a expressão se perca numa das idas às profundezas e porque às vezes me esqueço do que também pode ser um blogue, ei-los: os “pimentos queimosos” na internet.

Aldrabas para a porta de água

Muitas aldrabas se encontram em exposição pelas ruas de Veneza. Quase todas expostas nas vitrines de lojas em busca de comprador. Entre elas predominam as caras de leão, provavelmente a esfinge do leão alado que é símbolo da cidade.
E nas portas? Cadê as aldrabas nas portas venezianas? Raras, muito raras.
As portas são adornadas geralmente por puxadores, ou maçanetas, não tanto por batentes, mas encontraram-se exemplares exclusivos como os que aqui agora vos deixo; um regalo para todos os que têm acarinhado esta brincadeira de andar à caça de aldrabas aquém e além fronteiras.
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