Vou ouvir o Paiva, o Pavia e o Paivó
Depois de uma semana quase alucinante em termos laborais, fujo para as terras altas aventurando-me contra os Elementos em busca de uma outra perspectiva.
Fiquem bem!
Kerry on!
Depois de uma semana quase alucinante em termos laborais, fujo para as terras altas aventurando-me contra os Elementos em busca de uma outra perspectiva.
Fiquem bem!
Kerry on!
“INE sem estatÃsticas oficiais sobre receitas fiscais desde 2000″ este é um tÃtulo em primeira página do Jornal de Negócios de hoje.
E porquê? Porque o Ministério das Finanças – a fonte dos dados – tem a resposta aos pedidos do INE em atraso.
Quando o caro utilizador de informação do INE for atirar a primeira pedras aos ChatÃsticos, porque passam a vida a divulgar informação com pouca utilidade devido à sua antiguidade, poderá encontrar justificações como esta.
Felizmente empresas e famÃlias não fazem destes exemplos dados pelo Estado o seu lema… Mas até quando?
Ora aqui está um caso que convém acompanhar com atenção: detalhes aqui.
Neuroeconomia: o regresso do “animal spirits” é o tÃtulo-aperitivo que aqui deixo para o Pura Economia. Um blogue que depois de uma simulação de entrada na blogoesfera, em Julho último, parece agora decidido a abordar alguns temas de teoria económica entre outros. Assina prytkov.
“ (…)Mas, voltando ao ridÃculo número de vidas que temos disponÃveis: uma, nem mais nem menos!
Se fosse possÃvel encomendar outras, eu mandava vir – lá dos sÃtios de onde vêm vidas – no mÃnimo, mais duas.
Numa delas seria músico, sem dúvida. Talvez até cancelasse a encomenda da segunda. (…)”
in Pensamentos Diversos
Portugueses,
Venho por este meio informá-los que não serei eu o próximo director do Diário de NotÃcias. Nem que Cristo desça à Terra.
Obrigado pela atenção,
MRS
Tinha eu vinte anos e recordo perfeitamente a comoção, o assombroso peso. Ainda hoje tenho saudades do que poderia ter sido “daquele bocado” do mundo se… A história sempre se fez (também) de pessoas. A nossa história continuará a fazer-se (também) de pessoas.

Via Rua da Judiaria que aproveito para parabenizar no seu mais prazenteiro aniversário.
Ouço o Jerry Seinfeld na sua stand up em reposição e… porque é que não encontro o sexo e os jogos de palavras com asneiredo que proliferam em tantos stand-up shows cá do retângulo?
A discussão prossegue na Alternativa.
Estava a ouvir a Alexandra Lencastre a tentar racionalizar a exposição da sua vida privada na imprensa (em entrevista a Pedro Rolo Duarte na Sic Mulher). A dado passo a actriz disse que perguntando aos editores do porquê de tal interesse na sua vida privada lhe respondem: “Você vende�.
Quem paga a democracia? O nosso colega João Gomes escreveu num comentário ser contra o financiamento dos partidos pelo Estado, sendo a favor de listas de contribuições, publicas, auditáveis e com limites. E justificou esta opinião por considerar que os partidos devem trabalhar no sentido da maior politização de todos os cidadãos devendo conseguir envolvê-los ao ponto de contribuÃrem para suportar as suas causas. E continuou afirmando:
“ Tal não tem acontecido, porque os partidos não gostem de sociedades politizadas. Depois de uma revolução, a táctica é tipicamente “fechar” o cÃrculo que o acesso ao poder vai começar!! Como é evidente a descolagem da sociedade começa aÃ: Porque nada tem sido transparente (para não falar no caso obscuro de eleição nos PCP´s deste mundo; E não esquecendo que os restantes não são substancialmente diferentes!).
Relativamente ao financiamento do Estado: Já chega! Os partidos ou têm sustentação ou não têm. E todos a têm de ter de forma pública. Dirão vocês… Mas se assim fosse os partidos ficavam imediatamente descapitalizados… pois é. Ninguém gosta de descobrir as misérias da economia familiar, mas com isso talvez lhe passasse alguma da arrogância! Resumindo numa série de equivalências:
Não Dinheiro=> Não ostentação do que se não tem= Mais humildade e pés na terra!
Tendo dito isto o Nuno Peralta simpatizou com esta sugestão afirmando:
O financiamento deve ser privado, mas de forma regulamentada, obrigando à sua publicação (na prática, como se os partidos fossem empresas cotadas em bolsa, com contas auditadas periodicamente por entidades independentes).
O facto de o financiamento ser privado obrigaria os partidos a estarem mais abertos à sociedade civil, a “falarem” para a sociedade, de forma a cativarem os eleitores.
Não duvido que isto implicaria de alguma forma distorções na capacidade financeira dos partidos, mas tornava o modelo mais credÃvel.
Não acredito que uma das funções do Estado seja sustentar partidos, pelo menos enquanto for viável à sociedade manter um mÃnimo de duas alternativas de poder.
Considerando estas opiniões, que não são novas e duvido que sejam marginais, tenho de discordar delas.
(mais…)
Uma primeira parte de um texto pejado de banalidades como estas:
O sentimento de proliferarem agendas escondidas motivadas pelo dinheiro que se encaminha para os cofres partidários levando a contrapartidas em benefÃcio dos doadores e em prejuÃzo da gestão mais eficiente dos fundos públicos ao dispor do poder executivo em alternância são dados tomados como adquiridos pelos intervenientes no debate.
(…)
Assistindo à sucessiva corrida ao “armamento mediáticoâ€? (e a todo o tipo de tricks or treats) suportada por montantes cada vez mais astronómicos que vemos a cada nova campanha presidencial nos Estados Unidos estranho aquele tipo de construção democrática. E percebo que ele pode ser potenciado pela forma como regulamos e respeitamos (ou não) o sistema de financiamento partidário. Ou seja, o tipo de polÃtica e a forma de viver a polÃtica não está dissociada da forma como se encontra financiamento para os partidos. Mas já estou a entrar na minha opinião. No próximo texto tentarei expor duas opiniões aqui deixadas pelo João Gomes e pelo Nuno Peralta com as quais divirjo.
Está disponÃvel na Alternativa.
A segunda parte está no forno.
Se quiserem ver em grande detalhe a minha “mãozinha delicada” é passar por aqui.
E já agora para apreciar algumas das melhores imagens de viagens da blogoesfera nacional é espreitar aqui. Se acham que estou a ser parcial porque falo de uma amiga passem por lá para confirmar e depois digam-me coisas.
Num ano houve clarificação, muita clarificação. Convido-vos a ler este post publicado há um ano no Adufe (e a recordar os links) pela altura da chegada de Fernando Lima ao DN:
Paulo Gorjão recusa o paralelo pela inversão de “culpas” que identifiquei entre o que escreveu e o que JPP havia escrito um pouco antes. E defende-se com um forte argumento:
A aquisição do Grupo Lusomundo por parte da PT no tempo de António Guterres não levou à substituição de Mario Bettencourt Resendes no DN ou a alterações profundas na TSF. Preciso de dizer quando é que elas ocorreram?
É por isso que digo que no futuro ninguém deve atirar a primeira pedra. Acho, aliás, o exercÃcio de se atirar a primeira pedra cheio de riscos…
Como julgo já ter deixado claro, interessa-me, também, mais do que saber se a culpa é de Einstein ou de Truman, que se corrija o erro. Mas aqui, como em tantas outras questões (reforma do sistema eleitoral, por exemplo) há, de facto, um conveniente bloco central de imobilismo que fundado em tudo menos em diferenças ideológicas vai eternizando caracterÃsticas terceiro mundistas no aparelho de Estado deste paÃs.
Pela minha parte acho que é indispensável existirem meios de comunicação social que prestem serviço público. Ou seja, há uma definição de serviço público! Penso que há serviço público que pode ser prestado pelos privados e que há ainda necessidade de termos órgãos não dependentes da publicidade, vinculados a uma definição de serviço público estabelecida pelo Estado e garantida por este (entenda-se fiscalização e financiamento). Tudo isto é muito vago mas no meio da discussão a que já assisti sobre isto já é mais do que muitos dizem.
Na questão mais próxima levantada pela situação no DN não tenho dúvidas em exigir, enquanto leitor, clarificação, transparência de objectivos, de intenções. O que “parece serâ€? é relevante neste contexto e não parece que a tal migração directa de um cargo de apoio polÃtico para o de um director de um jornal que prima editorialmente pela independência face ao poder polÃtico ou face a qualquer profissão ideológicas, seja claro nas suas boas intenções perante os leitores. JPP dá de barato e considera antecipadamente justificado ou, pelo menos, imune à crÃtica (atendendo aos pecados passados), que se trate de uma interferência directa da tutela governamental (via PT), se bem o entendi.
Adiante.
Uma pergunta:
Será que existe algum modelo testado lá fora que dê garantias razoáveis de cumprir com um serviço público, resistindo à pressão da tutela polÃtica vigente em cada ciclo polÃtico?
Não conheço nenhum com o detalhe que me deixaria à vontade para discorrer sobre o assunto sem risco de dizer asneira, esta é a verdade. Confessada que está a falta de conhecimento dos “dossiersâ€?, o meu contributo será talvez idealistas mas atrevo-me a aventá-lo aplicando o princÃpio da parcimónia que me parece uma boa forma de tentar salvar o mundo.
Sobre a PBS (E.U.A.), que referi num texto anterior, o João da Metamorfose dá-me uma ajuda:
A PBS norte-americana está longe de ser um “órgão de comunicação do estado”. A PBS é uma “cooperativa” de órgãos de informação de dimensão local, maioritariamente financiados pelas comunidades (neste conceito de comunidade estão igualmente incluÃdas as pessoas, as universidades, as empresas, as congregações religiosas e os governos estaduais). Não existe, por parte do governo federal, nenhuma interferência na linha editorial da PBS. além disso, o apoio financeiro do governo federal norte-americano à PBS é consideravelmente reduzido – a administração Bush, aliás, tem tentado reduzir ainda mais esse apoio.
Embora não podendo ser considerado um “órgão de comunicação do estado”, a PBS é, claramente, um órgão público de informação.
Não sei se este modelo será possÃvel em Portugal… Poderia haver uma reprodução de algumas das caracterÃsticas mais benévolas de mercado (pulverizando o controlo e diminuindo a dependência face a uma única entidade tutelar) com as vantagens intrÃnsecas à maior facilidade potencial em privilegiar a qualidade, o rigor, o carácter educativo, em suma, o objectivo de serviço público (que teria de ser definido à priori) do canal, só possÃvel (provem-me o contrário) se desvinculado do objectivo lucro.
A TSF era um bom exemplo na rádio, não era (incompleto na minha definição)? Está a desaparecer nas mãos da PT, que é também do Estado, mas poderia estar a desaparecer com uma PT integralmente privada, certo? Estando no mercado não há garantias de defesa do serviço público, pelo menos sem um papel regulador do Estado – o que implicaria ter toda a discussão sobre serviço público independentemente do seu “produtor�, por isso prossigamos. Sinceramente, acho que uma solução destas em pool institucional multicolorida não seria grande ideia por cá. Prefiro algo (ligeiramente) mais simples, de mais fácil responsabilização.

Outro exemplo que citei anteriormente é o caso da BBC. Sempre o associei a um exemplo de serviço público e sempre a julguei uma empresa pública que tem por preocupação basilar fazer bom jornalismo não comprometido. Alguém tem dúvidas de que fará sempre falta “bom jornalismo não comprometidoâ€?? Por exemplo, se amanhã o Engº Belmiro contratasse o Jorge Coelho para director do Público e rescreve-se o editorial do Público para um jornal que professa ideais de Esquerda (ou de Direita) que jornal de referência nos restaria? Ficava-mos a aguardar que surgisse uma resposta do mercado sabendo que se trata de uma indústria onde é cada vez mais difÃcil entrar (os alvarás, a elevada concentração do sector, as necessidades elevadas de capital para iniciar actividade, etc)?
Voltando à BBC, poderá ser um exemplo, um modelo? Digam-me se souberem.
À partida diria que sim. Educa informando de forma tendencialmente isenta, difundindo a cultura pelos seus exemplos e expressões mais variadas e indo ao ponto de leccionar para todo o mundo no sentido académico do termo na vertente Learning – “Universidade Abertaâ€?. É uma referência para o bom Inglês e para as boas práticas jornalÃsticas. Admitindo que tenha defeitos, parece contudo, um excelente ponto de partida. Julgo que este é um dos mais sólidos argumentos para sua defesa. Acaba por fazer algo que ninguém (ou muito poucos) farão voluntariamente numa perspectiva estrita de mercado.
Quais as perguntas para reformar o sistema? Sugiro estas para começar:
Qual a definição de serviço público que perfilhamos?
Quem e em que circunstâncias pode mudar a definição de serviço público?
Quem e em que circunstância assegurará a fiscalização do cumprimento do serviço público?
Quem e em que circunstâncias poderá realizar serviço público?
Qual o método de financiamento dos órgão de comunicação públicos e/ou privados que realizem serviço público?
Quem e em que circunstâncias poderá alterar o método de financiamento dos órgãos que prestem serviços públicos?
Pela minha parte e atendendo à s definições que tenho na cabeça e que não cabem aqui neste textinho (disfarço as dúvidas e o tratado que ainda não escrevi) estou disposto e a pagar e acho indispensável termos uma empresa pública que actue na internet, na televisão, na rádio e preste o serviço de agência de notÃcias.
Imagino áreas do serviço público que poderão ser desempenhadas também por privados. Imagino que a empresa pública deverá ter uma fonte de financiamento que deverá depender de uma forma estável do Orçamento de Estado (uma percentagem fixa revista apenas em circunstâncias especiais – a definir criteriosamente – ou em reavaliações quinquenais ou coisa do género).
Imagino que haja uma tabela de pagamento igualmente explÃcita e estável para as actividades de serviço público voluntário e/ou obrigatório atribuÃdas a órgãos privados.
Além da autonomia financeira implÃcita – limitada ao orçamento -, imagino a atribuição de independência técnica à empresa pública de comunicação regulada por contratos individuais de trabalho.
Imagino que a direcção da empresa seja nomeada pela Assembleia da República (2/3 dos deputados) por perÃodos de 5 anos, por exemplo. À terceira tentativa sem consenso a responsabilidade de nomear a direcção ficaria a cargo do Presidente (é a minha costela semi-presidencialista).
Imagino que haja uma entidade reguladora de composição polÃtica (AR) e sectorial. Exemplos da composição sectorial:
- profissionais da comunicação social designados pelos profissionais do sector (pelos sindicatos);
- especialistas em finanças, economia e gestão (ordem dos economistas, revisores oficiais de contas).
Nas competências desta entidade ficariam, por exemplo, assegurar o cumprimento do serviço público definido pela AR, avaliando a conformidade de execução de todos os contratos de serviço público em vigor, recomendando, sancionando economicamente ou suspendendo o contrato, podendo esta comissão propor à AR destituição da direcção da empresa pública em algumas situações especÃficas a regulamentar. Propor à AR ou dar parecer, aquando da discussão da proposta do Orçamento de Estado, sobre eventuais revisões ao valor do financiamento do serviço público justificado pela evolução económica do sector.
Enfim, aqui sentado até parece simples. Mas julgo também que querem-me fazer crer que é mais complicado do que na realidade é… Se acreditarmos na convicção das palavras ditas por quem tem responsabilidades nos maiores partidos não é fácil perceber onde está a complicação para se mudar o estabelecido e alcançar o tão desejadado – é o que dizem – cenário de equilÃbrio financeiro / prestação de serviço público independente/ saúde do sector privado.
Termino agradecendo ao actual governo o descaramento. Aqui como noutras áreas. Pode vir a revelar-se útil para clarificar as coisas, para mobilizar aqueles que antes não percebiam o que estava em jogo. Temo é que de descaramento em descaramento já se chegue tarde para emendar antes de grandes danos as leviandade e o chico-espertÃsmo interesseiro que vão proliferando.
E já agora, camarada Ferro Rodrigues, também tenho uma para si.
Qual é a polÃtica do PS para esta área se chegar ao governo? Esta questão Lima-DN era um bom pretexto para apresentar as opções do partido para esta área não acha? Diga coisas, recorde-nos lá as ideias do PS, por favor. Ou alguém por si, se tiver de ser. Se ninguém o quiser ouvir a malta mete aqui umas cunhas.
Quando Nicolau Santos, já interiorizou a suspeita no Expresso On-line:
” (…) Como Orlando Caliço bem sabe, o bom senso de que ele dá mostras está muito longe de ser extensÃvel a todo o Governo. Por isso, eu prefiro que seja o Parlamento a nomear os membros da CACI [Conselho de Administração de Contribuições e Impostos], com a aprovação de dois terços dos deputados. Há coisas com que não se brinca. E não se pode deixar aberta a porta à tentação de utilizar o fisco contra os que não apreciam este Governo.”
(mais…)
Aos poucos a Alternativa-blogue (para se inscrever na mailing list do movimento passe por aqui) começa a ganhar conteúdos que se “vejam” e vai já dinamizando discussões e colaborações pela blogoesfera. Esse era e é de longe o seu primeiro objectivo enquanto movimento recém-nascido (atrevo-me a dizer). E esperemos que a ter futuro nunca perca este sinal de referência. Entretanto amanhã encerra-se a semana mais ou menos formalizada para se discutir o financiamento partidário. É muito interessante passar por esta entrada originária do Viva a Espanha que remete a discussão para o pluralismo partidário e a abrangência dos actuais partidos. Havendo tempo tentarei até amanhã (inclusive) uma sÃntese sobre a questão do financiamento, descrevendo resumidamente a minha opinião que até ao momento se mantém vaga quanto baste.