Sobre a resposta do intermitente

O Miguel (do Intermitente) respondeu prontamente à minha pergunta sobre dumping.
Diz-nos que é bastante difícil detectar quando uma empresa está a recorrer ao dumping. Não nego que seja difícil, é precisamente essa uma das razões que mais deverá contribuir para uma vigilância eficaz da autoridade da concorrência devendo esta estar dotada de meios e recursos técnicos e legais (possibilidades de auditoria) que perante suspeitas razoáveis possa distinguir suspeitas de dumping de outras razões justificativas de descidas atípicas de preços. A acção do regulador deverá ser tendencialmente desencadeada por uma queixa que deverá ser tratada de acordo com a gravidade da interferência no mercado que produz. Uma campanha de vendas numa grande superfície durante 15 dias é totalmente diferente de uma acção continuada. Deverão ser estas últimas as que merecem cuidado.
O risco de permitirmos situações de “rendas de monopólio” de que fala o Miguel, ou mesmo de carteis oligopolistas justifica essa acção regulatória. Tanto mais quando se assiste em vários sectores a concentrações sucessivas da capacidade produtiva/quota de mercado num número escasso de operadores/detentores do capital.
Concorrência pelos preços sim, mas em termos. O mercado não garante por si (considerando o regulador exógeno ao mercado) que o “triplo” objectivo:
– da sustentabilidade das empresas estabelecidas (o dumping pode vir do lado do entrante),
– do acesso em condições de concorrência leal de novos entrantes (eventualmente mais competitivos e mais inovadores),
– e da garantia de ganhos duradouros/sustentáveis para os consumidores.

3 thoughts on “Sobre a resposta do intermitente

  1. Luis S.

    Como determina o que é uma acção continuada de dumping (numa grande superfície ou noutra empresa)?
    Se se criam barreiras, ao estabelecimento e livre gestão de novas lojas ou unidades produtoras, por decreto ou lei, como pretende garantir o livre acesso de investidores a esse mercado, evitando assim o que chama de “concentrações sucessivas da capacidade produtiva/quota de mercado”?
    Porque é que a “sustentabilidade das empresas estabelecidas” deve ser um objectivo? Deverão ser sustentadas mesmo nos casos em que estas são ineficientes, inclusive em situações de monopólio administrativo?

    Se puder dispensar um pouco do seu tempo a esclarer-me estas dúvidas sobre o seu ponto de vista, ficar-lhe-ei agradecido.

  2. Miguel

    Um esclarecimento. O que eu disse foi
    O ameaça de entrada de novos concorrentes é suficiente para que as empresas se vejam impedidas de gozar das rendas de monopólio.

  3. Miguel

    Por outro lado ninguém tem que garantir a sustentabilidade de qualquer empresa (establecida ou não). Isso seria distorcer as regras da concorrência.

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