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Blogologia

Ontem (corr.)

O Pedro Mexia fecha o Dicionário do Diabo no momento em que a Cotovia lhe publica pouco mais de 260 página com um conjunto de textos seleccionados dos dois primeiros blogues em que participou.
Just for the record, ontem comprei o dito livro “Fora do Mundo” sem fazer a mínima ideia da aposta na incompatibilidade por parte do editor.
O delete blogue que o Pedro promete remete-me para uma outra questão aqui (na blogoesfera) levantada por Pacheco Pereira. Que memória teremos daqui a uns anos desta curiosa etapa da história da vida privada/pública do quotidiano português dos inícios do século XXI?
Restarão os muito escassos e pouco representativos livros absolutamente (e sabiamente no caso do Pedro) truncados das componentes mais diarísticas ou metabloguísticas? Restarão os arquivos particulares em suportes que alguns bloggers acarinhem como quem guardava cartas de amor e polémica noutros tempos?
Alguém fara um registo conservacionista/bibliográfico ao menos de parte do que aqui se diz e escreve? Nem tudo é lixo e mesmo o lixo terá o seu interesse científico…

Não estou a querer empolar a importância que o meio (ainda?) não tem mas não tenho dúvidas que algo de significativo se perderá para alguns curiosos maduros do futuro que queiram clarificar ideias quanto ao que se fazia por esta era. Seremos nós a futura “Geração dos Bloggers”? E o que era isso mesmo, já agora?

(publicado inicialmente às 14h22m)

22 replies on “Ontem (corr.)”

O RIAPA deixou aqui um comentário brincalhão, como eu deixaria, o ano passado.
Todavia, esta questão levantada pelo Rui e, pelo que está dito, pelo Pacheco Pereira, tem o seu interesse. Eu próprio na minha modesta participação já tenho pensado nisso.
Encontram-se neste universo dos blogues testos do maior interesse, quer como criação literária, quer como crítica política e social. Alguns poemas muito bonitos. De facto será que tudo isto vai desaparecer? Eu comecei nisto a brincar, não pensava nesta dimensão, agora tenho a sensação de trabalhar para o efémero. Algumas coisas ficam na gaveta outras nem isso, vão directamente para o blogue.
Era uma ideia interessante alguem recolher, por exemplo, a poesia publicada nos blogues e fazer um volume em que os poemas, por si, nunca irão publicar.

Não tenho dúvidas de que neste universo haverá quem um dia se disponha a seleccionar o que de melhor se tem produzido na blogosfera e transformar em obra ou talvez, porque não, em obras literárias, uma vez que essa compilação poderá ser vasta. Claro que como refere aqui na posta o lixo, muito lixo existente, tem o seu lugar no respectivo caixote.

Bom Rui, os acordos de edição costumam ser assim. Mas o que acho triste é que o que era livre de fruir o deixou de ser devido a isso. Os textos que Pedro Mexia escreve para jornais e revistas foram escritos no âmbito de uma acordo de colaboração e são pagos à partida. Mas esta a questão que se pôe agora é nova, já que os “ineditos” estavam à vista de toda a gente e depois subitamente desaparecem.

Podemos sempre ir salvando os blogues que acompanhamos mais assiduamente, salvaguardando assim a memória futura, mas isso pressupôe que tem de haver no arquivador um energia e vontade que nem sempre existem.

Também os casos presente se resumem a um desconhecido provávelmente passou a escrever só para edição (O Pipi) e um escritor e critico já conhecido (Pedro Mexia). De resto não me parece que se corra o risco de desaparecer tudo de repente.

Há muita sabedoria por alguns blogues, o que pode acontecer é que ela desapareça de um momento para o outro se os seus autores assim entenderem. Tanto blogue apagado, muitas vezes numa fúria do momento que teria algum interesse, outros que persistem não faziam falta.

Acho que era muito interessante haver um webrobot que fosse arquivando tudo para memória futura, quanto mais não seja para nos revermos como éramos neste tempo.

Obviamente, este “post” parece-me muito pertinente.
Antes já o Pedro Lomba tinha “apagado” o Flor de Obsessão; agora, foi o Pedro Mexia. De facto, é pena que se “destruam” assim textos com tanta qualidade…
Resta-nos os arquivos individuais que cada um de nós possa ir mantendo… (o que é complicado, porque exige uma selecção criteriosa e dispendiosa em termos de tempo ou de “espaço em memória”).

Primeiro, a blogosfera era essa vitória da liberdade máxima e da possibilidade de assumir o imediatismo e a efemeridade como bandeiras de um novo tempo em que não se escreve, constipado, com botijas nos pés durante o Inverno, para a posteridade. Agora, assim de repente, está tudo preocupado com o Futuro, com a Obra, com o Grande Arquivo Universal de Posts… Estrava-se mesmo a ver… Ora,cá por mim, cagando e andando na Obra – a blogosfera não é isso. O Pedro publicou e apagará os arquivos? Muito certo. Eu não publico e deixo os arquivos activos? Também está certo. Tu não publicas e fazes delete blog? Também está certo. A blogosfera ou é a liberdade livre ou é um arremedo disso (conforme as circunstâncias?) Não deveria também haver um webrobt (ou banheirarobot) que fixasse para a Posteridade as frases grandiosas que me ocorrem em voz alta durante o duche da manhã?

Conheço e parece-me ser um bom projecto. Mas não fazia mal nenhum termos um semelhante para lusofonia ou coisa que o valha. A tarefa é herculea e o grau de aproximação ao que se vai fazendo (em blogues e não só) parece-me muito pequeno. Mas é um começo!

Claro que a questão é mais complexa… Aquilo, bolas!, era uma caricatura… Mas confesso que esta vigilância me incomoda. Não podes apagar os teus textos? Entram de imediato, ao ser editados, no domínio público? Não é ser contra nenhum webrobot, pelo contrário… É apenas entender que tens o direito de decidir sobre o destino que dás aos teus textos. Ou isso também incomoda?

Calma Padre 😉

Se tornamos público algo, estamos indirectamente a dar permissão para que outros leiam. Se lêm também podem guardar, classificar e armazenar. Quando apagamos, apenas estamos a negar às pessoas a possibilidade de lerem directamente da fonte, mais nada.

belo post e boa discussão posterior, e boa informação essa do archive.org. e não se trata de arquivar nenhuma grande Obra, mas sim as nulidades que andamos para aqui a botar: essa nulidade (não pejorativa) é que interessará observar um dia futuro

Eu volto ao assunto.
Sou um “nabo” em termos técnicos. Não sei nada de como se pode arquivar nem guardar os trabalhos dos outros.
Nesta discussão já foram abordados casos curiosos. O indivíduo que está dentro dos meios, resolve apagar o blogue e publicar o que escreveu (caso do pipi) e os que estando fora dos media, mesmo produzindo coisas muito boas nunca terão possibilidade de publicar.
Depois falou-se de liberdade. Muito bem.
Quando atrás referi o interesse de alguem recolher e organizar a publicação referia-me obviamente com a prévia autorização e a referência do autor. Seria uma espécie de “coletânea” ou se quisermos publicação colectiva. Aproveitava-se a criação de cada um e a posição privilegiada de alguem para publicar.

João Norte, esse tipo de colectâneas em formato electrónico estão ao alcançe de quem as quiser fazer e tiver iniciativa, mesmo que não domine os meios técnicos pode sempre fazer uma parceria com quem perceba e se disponibilize a tal. A discussão aqui versa mais sobre o desaparecimento de conteúdos por vontade dos autores e do mais pobres que nós ficamos em resultado disso.

regresso à questão. que acho um pouco mais vasta do que gravar os textos, tipo colectânea. terá mais a ver com o estatuto do blog. é uma publicação? se o é então deverá ser arquivada. para além da vontade do leitor seleccionador. e até do seu próprio autor. e isso nada tem contra a liberdade, quem publica um livro (mesmo que a velha edição de autor) não tem a implicação do seu depósito legal? isso é contra liberdade? idem com todos os outros materiais publicáveis. acho que a questão estará aí.

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