Curiosidade Estatística V

Ainda as bibliotecas. Anda por aí a circular uma petição “Em defesa da leitura…” que resumidamente reza assim:
A Comissão Europeia quer que as bibliotecas passem a pagar às editoras para emprestarem os seus livros ao público. Consequência: as pessoas passariam a pagar para ler ou consultar livros nas bibliotecas!!!
A BAD (Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas) está a fazer uma petição para tentar evitar esta monstruosidade: http://www.petitiononline.com/PetBAD/petition.html

Ora ontem indiquei aqui que apenas 8 dos 308 concelhos existentes em 1999 não tinham bibliotecas, hoje deixo-vos a lista dos 10 concelhos com os maiores rácios de documentos emprestados pelas bibliotecas a leitores por cada 1000 residentes. Em todos eles as médias dão mais de dois documentos emprestados por residente. As médias são sempre traiçoeiras mas julgo que neste caso são indicativas. Na lista que surge em baixo contarão contudo 11 nomes de concelhos, um deles não pertence ao top 10. Qual é?

1.Alcanena
2.Aveiro
3.Castro Verde
4.Lisboa
5.Pedrógão Grande
6.Penedono
7.Porto Moniz
8.São Vicente
9.Sousel
10.Vila Nova da Barquinha
11.Vila Real

À noite ou amanhã de manhã fica aqui a resposta e mais alguns factos sobre esta questão (dados do INE de 1999 disponíveis gratuitamente no site – cálculos da minha responsabilidade).

6 thoughts on “Curiosidade Estatística V

  1. Jorge

    As médias são apenas indicativas, neste caso, da pequenez demográfica do concelho, nada mais. Lisboa, obviamente, está a mais. Aveiro e Vila Real estão na lista devido às universidades. Todos os outros cabem num taxi, pelo que a lei dos grande números não se aplica. Que valor analítico tem isto? Muito pouco ou nada.

  2. Rui MCB

    Espere pela resposta onde poderá ler mais alguns dados que balizam esta pobre variável aqui abandonada. Contudo, não negue à partida e tão levianamente a utilidade deste exercício. Há “vida para além” dos grande números de que fala. É muito interessante perceber que mesmo entre os concelhos pequenos há diferenças abissais nos hábitos culturais, como por exemplo, na frequência de uma biblioteca. Pela sua lógica o Corvo, Barrancos ou Santa Cruz das Flores “teriam” que estar aqui e não estão… E esta variável também não seria significativamente diferente do inverso da população e é. Alguns dos concelhos que aqui surgem são mesmo de dimensão intermédia. Por exemplo há 149 concelhos mais pequenos em número de habitantes do que Alcanena.
    É riquissima a informação que este tipo de variáveis nos pode dar, particularmente quando analisadas em conjunto com outras. Aqui e desta forma servem de teaser para querer saber mais. E servem pelo menos para negar de forma simplificada parte do raciocínio da sua hipótese. Porquê Aveiro e não Coimbra ou Évora? Porquê Vila Real e não a Covilhã ou Viseu?

  3. Jorge

    Não sei se se recorda de, há uns anos atrás, ter sido notícia o crescimento exponencial da taxa de mortalidade infantil em Bragança. Afinal tratou-se de uma infeliz coincidência que nada tinha a ver com as estruturas de saude da cidade. Morreram mais 4-5 crianças que a taxa normal, mas, tratando-se de um fenómeno raro, um pequeno acréscimo faz disparar as estatísticas de crescimento.

    Admito um excesso de simplificação gratuita, mas é necessário ter cuidados suplementares na análise de fenómenos raros que qualquer situação excepcional pode deturpar. É necessário ver a sua consistência ao longo dos anos, por exemplo, e comparar o número de leitores registados nas bibliotecas com a população total, ou fazer a média de empréstimos apenas a esses leitores…

    Quanto a Évora ou Viseu, seria interessante saber em que lugar estão. 11 e 12? Se fizer um gráfico com os seus dados, verifica que eles estabilizam muito rapidamente. É preciso saber quais os pontos de corte relevantes. Porquê o 10? Talvez não se verifiquem diferenças significativas entre o 10 e o 100, quem sabe?

    Finalmente, a qualidade dos dados. De certeza que os conceitos são aplicados a todas as bibliotecas de igual modo? Nos dados do INE havia, por concelho, variações inexplicáveis no consumo de água ao longo dos anos. Porquê? Porque as Câmaras Municipais “rodavam” as freguesias sobre as quais davam/tinham registos…

  4. Rui MCB

    Sim Jorge precisamos ter cautelas. Por vezes somos traidos pelos números. Convém cruzarmos informação mas temos de usar de alguma proporcionalidade usando como referências os objectivos a que nos proposmos. O que aqui quero é lançar algumas pistas que podem ou não vir a revelar reais problemas. Espicaçar a curiosidade e não rogar sentenças absolutas. É óbvio que há arbitrariedade nestas hierarquias dos 10 mais como a há em qualquer outra, os 11 mais os 12 mais ou mesmo nesse ponto de corte que poderíamos identificar (ou não) no conjunto dos dados hierarquizados. O que aqui publico não deixa contudo de ser indicativo e nesse âmbito incontestável à falta de melhor informação. Aqueles 10 concelhos são mesmo os que o INE mal ou bem identificou como os que têm maiores rácios de documentos emprestados pelas bibliotecas a leitores por cada 1000 residentes. Acho que ninguém que por aqui passe julga que isto seja mais do que curiosidades estatísticas que também merecem ter um lugar no nosso mundo, particularmente estas que aqui tenho divulgado e que geralmente não têm tempo de antena absolutamente nenhum. As suas críticas, as suas suspeitas, bem vistas as coisas, só poderão ser construtivas desde que daí advier a exigência de informação de melhor qualidade mas não devem justificar o silenciamento do “ranking” porque o problema é demasiado complexo. Estude-se o problema! Os dados são públicos e gratuitos (confesso que a divulgação deste facto é um dos meus maiores motivos para estas curiosidades estatísticas).
    Pela minha parte o custo benefício que atribuo a dar maior exposição a estes top 10 arbitrários, desde que não sejam vistos como algo que não são, parece-me claramente positivo. Deixo as justificações do porquê ou um estudo mais detalhado para a minha tese de mestrado. Feita a sua validação científica talvez aqui regresse mais aprofundamente expondo-me a outro tipo de críticas adequadas a esses outros objectivos.

    Em 11º lugar temos Coimbra e em 12º temos Nisa depois Alter do Chão, Nordeste, Tarouca, Vidigeuira (1884)… Évora surge em 133º com um rácio de 431 e Viseu em 142º com 397.

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