I/III
Não tenho clube religioso. Tenho educação cristã sim senhor, tenho curiosidade pela religiosidade dos outros e num sentido muito amplo que podemos dar à palavra até me podem atribuir religiosidade. Também não sou militante contra quem tem fé. A única militância que pratico é a do meu direito a viver em paz com os outros, pensando e “acreditado” no que bem entendo em termos de religiosidade. Já muito antes de Saramago – desculpa lá pá – tinha encontrado algum conforto e pacificação no entendimento da fé dos outros: “se tu acreditas, Ele existe”, só e apenas assim e isso basta-me, tal como bastaria se ninguém acreditasse.
Com este princípio nunca tive chatices, nunca senti que alguém ficasse ofendido e nunca ninguém me aborreceu…ou quase nunca. Também nunca me demiti de fazer respeitar o direito dos outros, o mesmo que pedia para mim. À parte umas bem intencionadas e inócuas tentativas de conversão posso dizer que nasci em tempos agradáveis para ser não crente.
Mas…

O mas vem da corporação, da instituição em mancha de óleo, do aguçar dos discursos, dos grupos de pressão, dos fundamentalismos, dos que não consideram meu direito arrogar-me a pensar cá para comigo que Deus não existe e levar a minha vida assim pensando e agindo de acordo. Estar só, não crente, é quase como ser mulato no meio de brancos muito brancos e de pretos muito pretos.
Prezo muito alguns dos mandamentos que julgo quase universais, ecuménicos, e com isso vou construindo a minhas pontes com quem quiser ajudar. Mas, como disse, tenho tido sorte com os tempos e com o local onde vivo. Há por este planeta quem abomine mais o que simplesmente não crê do que o “infielâ€?. O primeiro é-lhe demasiado incompreensível, demasiado estranho. Gregos e Troianos facilmente se juntam para espezinhar o que se quer afastar da sua contenda.

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