Sem excepções – ainda os transportes

O Nuno deu-me hoje troco sublinhando que muito provavelmente temos mais pontos de encontro do que o inverso. É bem provável, mas continuo a notar, no que se refere aos parquímetros, que o Nuno não admite que para o objectivo em questão – não tragam o carro! – as chatices inerentes ao sistema (ter um período máximo de estacionamento consecutivo) e as outras perfeitamente evitáveis como a história das máquinas não darem troco – não há já umas senhas que podes pre-comprar Nuno? tenho ideia de ter visto publicidade a isso, já acabou essa alternativa? – acabam por funcionar como penalizações acrescidas. As do segundo caso concordo que faça sentido mitigar, já as do primeiro continuo a achar bem aplicadas. É para que quem trás carro só para atulhar as horas de ponta meta na cabeça que não o deveria fazer! É mesmo de propósito, para chatear!

Ver neste procedimento um pretexto para não cumprir, para estacionar no passeio ou não pagar parece-me pouco razoável. Se ficarmos sem o argumento da falta de troco resta-nos, de facto, a nossa consciência e a mão cada vez mais pesada das autoridades. Mais uma vez afirmo que, ainda que não tenha estatísticas, empiricamente ando desconfiado que algures durante os últimos meses houve uma mudança substancial na eficácia do sistema de controlo. Mais multas e, principalmente, mais carros bloqueados e rebocados. Pelo menos é o que vejo no eixo Almirante Reis e transversais, Baixa, Av. da República e transversais…

O primeiro texto que aqui deixei defendia que fossem quais fossem as medidas a implementar o princípio deveria ser o de não admitir excepções (a Catarina até aqui deixou o exemplo dos casais com filhos como um dos exemplos merecedores de excepção), ora o Nuno faz algum esforço de antecipação de eventuais medidas alternativas que ele próprio sugere e para todas encontra a “contra-medida” do xico-espertismo, apenas disponível porque se admitem excepções. Apesar de no limite termos sempre de admitir alguma excepção, por manifesta incapacidade em suprir um bom argumento de outra forma, ainda não é desta que me convenço a propor uma que seja. Ainda é cedo nesta discussão.

Proponho antes um revisão da dicotomia parquímetro/portagem para uma outra forma de encarar as medidas disponíveis. Num comentário ali em baixo o Luis Lavora sugeriu, e bem, que é possível encarar parquímetros, agravamento no preço dos combustíveis e portagens como instrumentos complementares e não alternativos, mesmo encarando apenas a questão particular do trânsito nas cidades.

Para já e atendendo agora apenas aos aspectos penalizadores do comportamento corrente – já aqui falei dos transportes colectivos e de algumas das medidas que se estão a tomar e que ainda falta tomar – e por todos os motivos já descritos noutro texto, comecemos por garantir a eficácia e a sustentabilidade dos parquímetros.

Entretanto não nos caiem os parente ao chão de observarmos atentamente o que se está a passar pelos pontos do globo onde outros testam novas hipóteses. A Isabel Goulão lembrou-me há pouco num e-mail que este assunto é hoje assunto de notícia um pouco por todo o mundo, neste dia em que se comemora a inauguração da zona C em Londres. Recomendo a leitura dos artigos do Público sobre o assunto.