Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for December, 2003


O bairro lisboeta da blogoesfera (emendado!)

Já ouvi o mesmo velho que ela ouviu. Já senti as mesmas dores que ela senti (notem bem nas aspas e no link!!)
Encontramo-nos aqui nesta esquina espreitando o andar um do outro e dos outros.

Por falar em outros, anda tudo cheio de “tops” do ano. Por aqui elejo o melhor fazedor de tops do ano! Os do Luis.

qssssssssss – interferência……

Ó vizinha chegue cá. Eu acho que o Luis conhece a Sarah, a dos linkes lá de cima… É como lhe digo, devem-se conhecer de um outro bairro real [inaugura-se a era da cuscuvilhice na blogoesfera?!?] . Cá para mim vizinha, o finório não passa de um nome com um érre a menos e um éle e um ésse a mais! Não fossem essas letrinhas e era um pobre Rui como os outros. E agora tenho de ir que ainda não fui ao pão. Até logo vizinha!

qsssssss – fim de interferência.

Os do NunoP (do meu amigo Nuno que conheci algures entre o bairro da mouraria, a lapa, a estrela e são bento) não são de se deitar fora, têm uma plasticidade mais… publicitária. Mas eu gosto da singeleza tocada por alguma imperfeição presente no estilo de top da “Natureza do Mal“, qual Leonor Silveira manquejando por um qualquer vale Abraão (notem a hora a que este post foi escrito!!!).
Enquanto eu vou ali e já venho perdoem-me qualquer coisinha.

Os falsos profetas

Serenamente o Causa Liberal deu réplica a este meu texto com a seguinte nota que intitulou: o liberalismo não é uma teoria de gestão

Deixo aqui a sua nota (em itálico) e acrescento dois breves comentários meus no final:

O liberalismo não “despede” (nem contrata) ninguém.
Convém notar que o liberalismo não é uma teoria de gestão nem estabelece de que forma (“autoritária”, “mecaninicista” ou qualquer outra) devem ser geridas as empresas e restantes organizações. Essa é, aliás, uma das mais importantes características de uma ordem liberal (ou “espontânea”, seguindo a terminologia de Hayek), por contraposição ao planeamento centralizado. O liberalismo determina apenas que todas essas empresas e organizações devem estar sujeitas à mesmas regras, não sendo beneficiadas nem prejudicadas por intervenções governamentais, de modo a que, precisamente, os modelos que se revelem mais vantajosos para as partes envolvidas possam prevalecer.

1. Caro Causa Liberal (André Azevedo Alves) desde já lhe digo que lendo as suas palavras (e sublinho que me refiro exclusivamente a estas) não me provocam nenhum transtorno nas entranhas, por outras, não tenho este seu liberalismo como inquestionavelmente nefasto, digo-lhe até que estas suas palavras se enquadram naquela “inspiração liberal pura” que a palavras tantas referi no meu texto. Não sendo um liberal de todos os costados pois defendo algumas intervenções do Estados em áreas que desconfio ache que este não deveria meter o bedelho, reconheço que são mais os falsos profetas do liberalismo que critico (tenho em mente de alguns bloggers “liberaisâ€? que por aqui andam, assim como, uma certa direita que chega ao poder e de caminho consegue denegrir a democracia-cristã, o liberalismo, a social democracia e os mais simples princípios de boa fé…). À parte: para quando um partido liberal depurado por estas bandas? Faz cá muita falta, bem mais do que o nosso pobre Manuel Monteiro.

2. Uma vez que já me dediquei no decurso de afazeres profissionais a algum estudo mais aprofundado sobre a medição da pobreza ( o pretexto que nos trouxe aqui a estas palavras) tentarei nas próximas semanas discorrer um pouco sobre conceitos como pobreza relativa, absoluta, subjectiva, segundo as condições de vida, bem como, os (alguns) problemas envolvidos nessa árdua e muitas vezes armadilhada e/ou indesejada tarefa.
Bom ano!

O meu Natal I (acres.)

O grande braseiro…

Na aldeia que melhor conheço, o madeiro é uma luz monumental que se acende na noite de consoada junto à Igreja. Os moços do ano (rapazes que completam 20 anos) coordenam a recolha de árvores mortas ou moribundas que se espalham pelo vale e, na noite da consoada, gerem a grande fornalha enquanto se vão regando com a prova do vinho novo.
Este ano contaram-me que o monte de toros de árvores se elevava a 5 metros do empedrado e pela amostra que tive em outros natais não me custa acreditar. Se a maluqueira do espírito olímpico se mantiver temo que ainda um dia aqui se conte história de como ardeu a Igreja, mas não nos apoquentemos demasiado que exagero de propósito.

Se uns pecam por excesso…
A passagem da noite mais simbólica do natal deste ano foi, contudo, feita noutro concelho do interior, um pouco mais a norte. Em terras onde os vales não se espalham por planícies antes se estreitam em gargantas apertadas.
Não há falta de árvores entre tais serras, sei que a tradição do luzeiro natalício é aqui igualmente antiga e sei também que não faltam rapazes e vinho novo mas então que raio de amostra de madeiro é esta que deixaram ali bem no adro na Igreja Matriz?

Cá para mim é uma questão de falta de ânimo, o que é que acham?
Castro Daire, Natal de 2003

As contradições

JSC já para o PSD, andor!

JSD já para o PS e é já mesmo!

Querem lá ver isto!? Mais um bocadinho e deixamos de ter deputados a fazer figura de corpo presente no Parlamento…

John Kenneth Galbraith

The only function of economic forecasting is to make astrology look respectable.

John Kenneth Galbraith

Ai o que ele foi dizer…

Errata: como alguns simpaticamente me fizeram notar, o nome do citado economista tinha uma terminação errada. Está corrigido.

Os transportes em Lisboa (act.)

Surge há vários anos juntamente com o suplemento de Economia do Público um mini suplemento chamado Cargas e Transportes. Por aquelas páginas alguns articulistas têm esgrimido opiniões sobre as opções de investimento nacional relacionadas com as redes de transportes e, concomitantemente, sobre a economia portuguesa.
O artigo que hoje por lá li (de Rui Rodrigues) merece-me este destaque por se tratar de um contributo, em bom português, e compreensível por qualquer leigo, que pode estimular a reflexão sobre a gestão urbana das acessibilidades à capital. Enunciam-se asneiras do passado, do presente e para o futuro. Devo confessar que estou largamente de acordo com o autor.

Com a devida vénia ao jornal e ao autor do artigo aqui o deixo sem mais comentários.
Prima para ler o artigo

O pior

De regresso à capital fui apanhado desprevenido. Tinha-me esquecido de quão diferente tem andado a selecção musical da TSF. Mais uma vez quando estava fisicamente impedido de mudar o rádio (no meio da higiene matinal) tive de gramar com o esganiçado Jon Bon Jovi que surgiu logo após “dois grandes êxitos do final do anos 80”.
A voz do cota ainda está a matraquear na minha cabeça e aproximo-me da náusea.
Se eu faço regularmente da audição da música a minha farmácia é bom de ver que estou vulnerável aos efeitos nefastos da má medicina.
Qualquer dia a TSF descobre que está a perder os ouvintes abaixo dos 35 anos e começa a passar Shakira para recuperar a pedalada. Quanto apostam?
Logo à noite vou ouvir esta outra pérola que já andou navegando pelas ondas de ex-rádio pirata.

P.S.: Preferia as beldades de plástico de hoje do que os morcões sentimentalões dos saudosos anos 80)

Publicidade não desejada

Caros amigos,
Em algumas situações reparo que ao abrir o Adufe este carrega automaticamente publicidade via uma janela pop up que desconfio estar associada ao serviço www.interney.net que tive activo no Adufe (identificava quanto cibernautas estavam a ler simultaneamente o Adufe).
Julgo tê-lo removido integralmente do código do Adufe mas a situação parece persistir.
Assim que for possível tentarei resolver a situação (se alguém tiver sugestões agradecem-se).
Se algum dia o Adufe tiver publicidade desejada por mim e pelo proprietário do servidor certamente serão avisados desse facto. Para já é um problema irritante.

Na pele do outro

Quando no dia 11 de Setembro de 2001 aconteceu, em Nova Iorque, o que todos sabemos e se começaram a ouvir os números das potenciais vítimas do terrorismo lembro-me de ter perguntado aos meus botões quantas pessoas conhecerei ao longo de toda a minha vida. Já não era a primeira vez que perante uma tragédia tentava encontrar uma qualquer unidade de medida base mais próxima do meu pequeno mundo que me permitisse ter uma melhor noção do que se passava, hierarquizar a desgraça, antever as suas consequências.

Quase de certeza que já alguém fez essa pergunta e até deve haver estudos sobre o assunto, imagino que seja um número útil de estimar para efeitos epidemiológicos ou para outro fim que não descortino.

Esta sexta-feira quando ouvi as notícias do sismo no Irão e, mais tarde, quando revi o filme “A Vida é Bela”, a pergunta voltou a acompanhar-me, mas há ordens de grandeza, quer nasçam do terror dos homens ou de algum cataclismo natural, que não consigo conceber por mais perguntas que faça.

Por mais que queira não encontro paralelos no meu mundo pequeno que me permitam aproximar a tragédia, perceber o incompreensível, imaginar-me verdadeiramente na pelo do outro. Desconfio, contudo, que esse é o nosso maior desafio e a nossa maior esperança para podermos continuar esta espantosa viagem.

O meu BMW é muito mais importante que a fome do outro

O nosso amigo do Jaquinzinhos brindou-nos com mais alguns parágrafos no seu texto “Conceitos” ainda sobre a questão da pobreza.

A época não está para grandes polémicas mas li por lá uma frase e um parágrafo que quero para aqui trazer. Já se sabe como é a conversa, tal como as cerejas, puxa-se por um assunto e quando se dá conta estamos a discutir os porquês do mundo:


Pobre é o homem cujo vizinho comprou um BMW.

Estamos no Natal e talvez esta seja a altura ideal para olhar para este mundo e perceber porque é que os países ocidentais, com economias mais livres, criaram sociedades em que as privações dos seus cidadãos se reduziram a níveis residuais, enquanto muitos outros países que abraçaram outras teorias deixaram os seus povos em níveis de subsistência e desenvolvimento insuportáveis.”

in Jaquizinhos

Na minha modesta opinião o seu Jaquim conseguiu exceder-se. Ã? parte a tirada do residualismo da pobreza nas economias mais livres – Como mede o nosso Jaquinzinhos a pobreza e de que pobreza fala? – já sabemos que não é a relativa; A partir de quanto é residual? Qual o período histórico com que compara a dimensão actual da pobreza nas sociedades ocidentais? Qual a evolução da pobreza de que fala o Jaquinzinhos numa perspectiva cronológica recente, digamos, os últimos 100 anos no seio das sociedade ocidentais? – fico então a saber que nós, “as economias mais livres”, não tivemos absolutamente nada a ver com o passado e as suas consequências sobre a actualidade da realidade económica e social dos povos que hoje enfrentam problemas graves para assegurar o desenvolvimento dos seus países. Digo isto porque, num passe de magia, toda a responsabilidade da pobreza (dos “níveis de subsistência e desenvolvimento insuportáveisâ€?) que grassa por bem mais de meio mundo é culpa exclusiva do “abraço a outras teorias” que não a neo-liberal…

Eu confesso que nem sabia quão abrangente havia sido a prática desse tipo de abraços teóricos nos países onde a pobreza se conta maioritariamente pelo risco da indigência e inanição total. Mas o Jaquinzinhos descobriu numa penada o culpado e a cura resumindo-se esta última numa palavra: liberalizem!
É irónico que este seja o grito que alguns dos países que tentam sair da pobreza e possuem alguma inteligência entre as suas escassas elites lançam aos ouvidos das “economias mais livres”.
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