Lama

Ai vida. Lama e mais lama, lixo nas bermas com pinta de ser de outras primaveras e claro, nem um caixote do lixo à vista – minto, depois de muita pesquisa fiz serventia de um que pertencia a uma das tendas, por lá deixei o pauzinho do algodão doce.
Além do algodão que não sentia dissolver na língua há muito tempo, trouxe um cesto de verga para o pão e um assador de barro. Mas a recordação geral não me deixa vontade de regressar tão cedo. Prometem que para a semana será melhor… Bom proveito.
Está pior do que era há 10, 20 anos ou então (provavelmente) é dos meus olhos:
– por ter menos verde a envolve-la, apenas um vestígio de mata mal tratada que se transforma cada vez mais num vazadouro, ou num assento para mais um prédio da mais populosa freguesia da Europa;
– por ter menos oferta de produtos regionais e cada vez mais e mais capas de telemóveis Made in China…
É rara a água pé, filhós nem vê-las, higiene e cuidados com a clientela menos ainda.
Enfim, está cada vez mais ao nível da selva de betão envolvente, mal planificada, mal vivida e mal amada. Pobre Feira das Mercês.
Nem vestígios de actividade cultural (à parte a infalível vendedora da banha da cobra), nem promessas de interacção futura. Se vier a ter danças e outras andanças não dei por nada. Nem pela cerimónia religiosa… Mas também não sou de missas.

É pena… Ainda cativa muita gente esta festa. Apesar da chuva, apesar de muitos só andarem a ver… Ainda por lá vi muitos fatos de treino com a família atrás prometendo regressar no próximo fim de semana – depois do recebimento do mês o que apesar de tudo significa que ainda por lá encontram sedução – mas, de facto, assim, naquelas condições, não seria melhor o belo de Mega Centro Comercial? Era pôr lá dentro a vendedora da banha da cobra com a megafone e pronto! Isto à falta de imaginação para outros programas, bem entendido… Estou azedo, está visto…

Foi triste e cru este regresso à infância… Salvaram-se as febras à moda das Mercês que degustei serenamente em casa com a amante amada e os meus progenitores. Versão “ao azeite”, nada de banhas.

Os meus cumprimentos para a comissão de festa e para a Câmara Municipal de Sintra.