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Ecologia e Natureza

Incineração, estudos, a Quercus e as eternas cinzas das centrais

João Miguel Vaz regressa “ao ataque” interpelando Henrique Agostinho e aprofundando um pouco mais os seus argumentos.
O texto de hoje intitula-se “Incineração, estudos, a Quercus e as eternas cinzas das centrais.”

«Incineração, estudos, a Quercus e as eternas cinzas das centrais

Viva !
Há mais de 15 anos que me debato com a questão da incineração. Li estudos, trabalhei o assunto na Universidade em termos científicos, em público e privado discuti várias vezes sobre a incineração e a abrangente problemática dos resíduos.

O Tribunal Europeu há umas semanas atrás estabeleceu um acórdão sobre o conceito de valorização de resíduos. Este vem de encontro às pretensões com mais de 20 anos de grupos ambientalistas, incluindo a Quercus. No essencial diz o acórdão que incinerar resíduos não é valorizá-los, isso seria transformá-los em produtos com valor útil. O Henrique Agostinho desvaloriza o acórdão, pasme-se, invocando a não passagem do mesmo à legislação nacional. Quando não estamos de acordo com o Tribunal Europeu, ignoramos as suas decisões !

A propósito, lamento que o Henrique Agostinho venha menorizar uma organização que desde sempre lutou pela reciclagem, recolha selectiva, e que é uma aliada natural da SPV no essencial da questão. A Quercus merece a letra maiúscula, tal como o ACP (Automóvel Clube de Portugal), a FPF, o Benfica, o FC Porto, a Cruz Vermelha…etc. Mesmo que as instituições não nos sejam caras merecem respeito. Henrique Agostinho segue uma estranha política de confronto com agentes que procuram o bem da comunidade usando princípios de bom senso. Já lhe disse, e sou obrigado a repetir, fundamentalistas são os da ETA, os Ossamas, o rei Saudita, os Le Pen, os estalinistas, os KKK…etc, e quem procura dogmaticamente calar os outros. Penso mesmo que este tipo de epítetos só servem para envenenar discussões sérias. Fundamentalismo seria dizer não pelo não, sem apresentar um plano de resolução alternativo.

Respondendo às suas perguntas uma a uma:

A incineração nunca será feita com material da recolha selectiva! Quem é que disse que as embalagens vão dos ecopontos para a lareira? Se é tão caro recolher em ecopontos faz algum sentido mandar a recolha para a lareira? Haverá por ventura falta de coisas (lixo indiferenciado) para mandar para a lareira? Essa acusação (que também foi feita pela quercus) é completamente nonsense.

O próprio Henrique Agostinho já aqui afirmou que é caro recolher e reciclar. Gostava de saber quais os custos/receitas de enviar o material recolhido para a reciclagem e para as incineradoras. Pode o Henrique Agostinho enviar-nos tais números ? Não nos podemos esquecer que o material recolhido selectivamente tem um poder energético muito superior aos resíduos indiferenciados. Estes estão altamente contaminados pela matéria orgânica (cerca de 30% ) e são indesejados pelas incineradoras. Logo, a dúvida é legítima, será que a SPV não se desacredita ao participar na incineração ? Eu penso que sim.

Incineração – O que será pior? Queimar petróleo directamente numa central térmica ou fazer plástico e depois queimá-lo? O plástico é menos de 2% de todo o petróleo que se consome, importa se é queimado ou não? “…”O que será pior? Fazer aterros ou queimar o que de outra forma também seria queimado? É que o consumo de energia está lá. A incineração de RSU afigura-se-me como um mal necessário para o qual não é necessário mais investimento, mas o que sei eu do grande plano do lixo? Eu ainda ando à caça de como fazer as pessoas separar o lixo!

Pior do que os aterros é a incineração. Num estudo da Comissão Europeia afirma-se que os aterros não são o pior dos males – “a cost-benefit study conducted for the European Commission in 1997 concluded that even land filling was better and more energy efficient than incineration, for managing household waste.” (http://europa.eu.int/comm/environment/wasteinc/ ).
Admito que haja outros estudos que advoguem a incineração em detrimento dos aterros, baseados em na incerteza das consequências da queima de resíduos, ou seja na dúvida. Comparar a queima de petróleo com a incineração de resíduos domésticos é um erro grave, de palmatória. Nem os lobbys da incineração se atrevem a isso. É muito pior queimar plásticos (substâncias complexas feitas através da mistura de aditivos vários ao petróleo) do que queimar a matéria prima, o petróleo. As emissões da queima de plásticos são muito mais imprevisíveis, e mais poluentes (consultar literatura específica), advindo daí substâncias altamente tóxicas cujas consequências na cadeia alimentar e na saúde humana ainda não estão bem determinadas. Porque será que ninguém quer viver junto de uma Central Incineradora ?

Mais, a queima de plásticos é por si só a desvalorização de um material complexo. Queimar resíduos é essencialmente optar pela solução mais cómoda e também por isso a mais perversa nos resultados. Senão vejamos:

* as somas avultadas de dinheiro investido na incineração deveriam ser investidas na redução e reutilização das embalagens

* a incineração perpetua os aterros, ou queimarem-se 3 toneladas de resíduos provocam-se 1 tonelada de cinzas. Estas são perigosas, tóxicas contendo dioxinas e metais pesados, e têm que ser depositadas num aterro especial

* uma incineradora emprega pouco mais de uma centena de trabalhadores, localizados centralmente. A recolha selectiva e reciclagem empregam muito mais gente, localmente, incentivando o aparecimento de uma série de indústrias de baixo impacte ambiental e que usam tecnologias simples. Os lucros da reciclagem ficam nas comunidades onde se encontram as empresas incentivando o desenvolvimento local.

* a reciclagem poupa mais energia do que a incineração pode gerar através da queima de resíduos

* incinerar serve a lógica do desperdício, não há problema em produzir resíduos pois estes são “valorizados energeticamente”. As “cinzas tóxicas” são o nosso legado aos nossos filhos e netos ! – fica muito mais caro tratar do que prevenir.

Incentivo à separação – Aceitam-se sugestões para que outro motivo haveria para as pessoas fazerem a separação que não fosse o bem comum!

Um dos pontos fortes da Sociedade Alemã “Grüne Punkt” foi a drástica redução das quantidades de lixo, em alguns Estados (por exemplo, Baden Wüttenberg) quase um 1/3 a menos. Isto provocou uma crise na indústria da incineração que se vê obrigada a importar resíduos, ou a comprar resíduos de alto valor energético, para rentabilizar os seus fornos. Ficaríamos muito satisfeitos se a introdução da SPV obtivesse os mesmos resultados. Seria óptimo que o Henrique Agostinho em vez de se preocupar com a Quercus se dedicasse a aprender como é que os outros conseguiram reduzir as quantidades de resíduos indiferenciados, ou como é que se recolhe selectivamente mais resíduos. Não somos nós que recebemos um salário para dar sugestões de carácter empírico.

Preocupa-me que um pessoa com responsabilidades, como é o Henrique Agostinho na SPV, venha mostrar-se mal preparado “o que sei eu do grande plano do lixo?” – para uma tarefa que exige estudos científicos e não puro amadorismo. Há uma vasta literatura publicada sobre o assunto, com exemplos vindos deste e do outro lado do Oceano.
Saudações Ambientais,
João Vaz »

14 replies on “Incineração, estudos, a Quercus e as eternas cinzas das centrais”

Permita-me alguns comentários ao seu artigo.

1 – Sugerir que alguém incinera materiais recicláveis é de facto nonsense. A reciclagem é a operação mais cara por tonelada de resíduos, mas é em termos líquidos (receitas-custos) a operação mais lucrativa para os sistemas de tratamento de RSU, pelo que não faz sentido incinerá-las.
Do material recolhido selectivamente só o plástico tem um PCI superior ao dos resíduos indiferenciados, mas há que não esquecer que uma incineradora é projectada para o PCI nominal dos indiferenciados.

2 – A Comissão Europeia encomenda muitos estudos sobre a gestão dos resíduos, pelo que não surpreende que exista algum que ache preferível os aterros, como aliás admite.
Comparar a queima de RSU com combustíveis fósseis é de facto legítimo. Em termos económicos porque uma análise custo-benefício entra sempre em linha de conta não só com variáveis ambientais (como a avaliação de externalidades) mas também com variáveis económico-financeiras (custo de oportunidade). Por outro lado, enquanto que as incineradoras mais recentes (como as nossas) possuem o “state of the artâ€? em captura de emissões, a infraestrutura de queima de combustíveis fosseis em Portugal e no mundo está-se nas tintas para essas questões.

3 – Se consultar os resultados dos inquéritos aos moradores na zona de S. J. da Talha verá que há uma boa aceitação à incineradora da Valorsul. Se passa regularmente pelo IC2 verá que as industrias ali à volta é que deitam fumo e cheiro.

4 – A recolha selectiva e posterior reciclagem é o melhor método que existe. Simplesmente só dá resposta a 4% dos RSU. O aumento deste valor depende fundamentalmente do grau de adesão das populações e menos do investimento que eventualmente se possa fazer. Na prática, pouco se poderia reciclar dos resíduos indiferenciados porque existe contaminação. A única forma é continuar a sensibilizar as pessoas para que não continuem a mandar tudo para o lixo.

5 – A proporção resíduos-cinzas que refere não é a correcta. São produzidos 30 Kg de cinzas por tonelada de RSU incinerados.

6 – É simpático falar na redução da produção de resíduos em Portugal mas a julgar pelas capitações nos restantes países da Europa parece que infelizmente ainda há alguma margem de progressão.
Não percebo porque diz que ficaria satisfeito com uma crise na industria de incineração. Estas centrais são particularmente dispendiosas (cerca de 25 a 30 milhões de contos) e têm planos de amortização a 20 anos. Para começar teríamos provavelmente todos nós de indemnizar este valor acrescido de juros. Por outro lado, nas incineradoras de Lisboa e Porto são incinerados mais de 1 milhão de toneladas/ano. Se rebentar com a incineração já pensou nalguma alternativa ? (sugestões fantasia não vale…).

Os assuntos ambientais, e este da incineração em particular, é daqueles em que a pseudo-ciência geralmente ganha. Isto significa na maior parte das vezes que todos perdem.

Saudações ambientais

Comentários às afirmacoes do leitor do Adufe, Sr ou Sra B. Pinto

1 – Se de facto a reciclagem fosse a operacao economicamente mais lucrativa muito mais resíduos seriam aproveitados. Infelizmente, nao o é.
Os valores apresentados pelo Henrique Agostinho da SPV comprovam o que digo, cada tonelada de plásticos recolhidos custa 685 Euros. Há por aí quem esteja disposto a pagar tanto ou mais por uma tonelada de plástico usado ? Nao, nao há, porque o plástico virgem é mais facilmente rentabilizado.
B.Pinto se tem outros valores em concreto faca o favor de os apresentar, tal como a fonte.
A afirmcao de B.Pinto “do material recolhido selectivamente só o plástico tem um PCI superior ao dos resíduos indiferenciados” é incorrecta, o papel (mais de cerca de 20% em peso do total de resíduos) tem um PCI superior.
Resíduos “indeferenciados” foi um termo usado pelo Henrique Agostinho enquanto nomenclatura para tudo o que é despejado no contentor sem triagem, i.e. (resíduos finais) – (resíduos separados) = (resíduos indeferenciados).

2 – Se é legítimo comparar economicamente a queima de resíduos e petróleo, já certamente nao o é em termos da sua eficiência, lógica e perigosidade para o meio ambiente e saúde humana. É essa a minha crítica, a que os técnicos-gestores instintivamente se limitam aos custos-ganhos materiais. Portanto, uma análise incompleta e por isso ilegítima.
Mais uma vez acrescento dados ao que afirmo: a incineracao de resíduos é a produtora número um de dioxinas, um dos composto mais tóxicos conhecidos (ver em http://www.state.ma.us/ota/advisories/dioxin.htm e http://www.kcn.ne.jp/~azuma/English/news/Nov1999/991116.html ).
Há uma diferenca inerente ao processo, o petróleo é uma substância relativamente simples, hidrocarbonetos e vestígios de outros elementos (entre os quais metais pesados). Os resíduos têm de tudo, desde termómetros e baterias com mercúrio, até PVC’s (cloro), sal de cozinha e…todos os venenos possíveis e imaginários, que se combinam a temperaturas elevadas para se transformarem em poluentes.
Uma triagem 100 % séria custa muito tempo e trabalho, o que tornaria a incineracao ainda mais dispendiosa. Numa central incineradora, a triagem resume-se a um magnete gigante antes da queima para retirar os metais, e pouco mais.
Mesmo acreditando que as incineradoras possuam o “state-of-the-art”, o que fazer às altamente tóxicas cinzas filtradas ? colocá-las onde e até quando ?

3 – Os piores males sao os que nao se veêm nem se cheiram, porque se infiltram sem os estranharmos. As dioxinas sao incolores e inodoras. Nao é por uma chaminé nao deitar fumo preto que nao está a poluir. A Valorsul anda a contar estórias da carochinha aos seus vizinhos qunado lhes diz que nao polui porque o seu fumo é mais branco!
A alquimia dos resíduos é uma utopia que só serve para apaziguar almas técnico-burocráticas, ou ignorantes.
Os estudos epidimeológicos só têm resultados sérios ao fim de muitos anos….enquanto isso vamos incinerando !

4 – A matéria susceptível de se reciclar a partir dos RSU (Resíduos Sólidos Urbanos) – versao “standard” urbana – é de mais de 90% em peso, de fora ficam somente coisas ligadas à higiene humana, como as fraldas, as cotonetes, sacos de aspirador usados, papel contaminado por resíduos orgânicos…e pouco mais.
Os diminutos 4% de reciclados a que se refere B. Pinto devem-se a uma economia em que as o uso das matérias primas nao reflecte os seus custos reais a longo prazo. Reflectem também o fracasso (nao é só culpa da SPV, os factores sao em número n ao cubo) em mobilizar as massas para a recolha selectiva ou em introduzir uma política fiscal que castigue a producao de resíduos e fomente a sua reutilizacao. As razoes para o actual status quo(os tais 4%) sao muitas e discutíveis. Algumas foram bem referidas pelo Henrique Agostinho, e por mim neste Forum.

5 -As fontes que adicionalmente consultei, e foram 3 ou 4 , indicam sempre um máximo de 75% de reducao em peso dos resíduos urbanos aquando da sua incineracao (consultar dados fornecidos pela Agência Federal para o Ambiente dos USA, a EPA, em http://www.epa.gov/epaoswer/non-hw/muncpl/facts.htm ), outras fontes, as europeias apontam para 70% (verhttp://www.hannover2000.net/expo2000hannover/uk/tecnologia/proyectos/residuos_urbanos/largo.htm) .
Portanto, B. Pinto apresenta um número de 30 kg de cinzas por tonelada (1000 kg), o que seria uma extraordinária eficiência de 97%, contornando assim algumas dificuldades postas pelas leis da químico-fisíca. Se me apresentar fontes credíveis para o número que com tanta certeza referiu, ficaria agradecido. Se há alguém que usa a pseudo-ciência, nao sou eu.

6 – Nao o disse, mas digo-o agora, e com toda a franqueza, ficaria muito satisfeito se nao existissem centrais incineradoras. Utopia ?
Nao, apenas uma mistura doseada de pragmatismo e idealismo.
Se uma coisa que é má, e muito cara, como por exemplo uma central nuclear, acarreta riscos por nós considerados insuportáveis, nao deve ser fechada ? Esquecemos facilmente o dinheiro investido e outros cifroes, ou será que ficamos à espera que daqui a vinte anos venham a nascer criancas com defeitos genéticos ? Como é que um país, a Alemanha (a Bélgica pensa em fazer o mesmo), que depende em mais de 20% da electricidade gerada por centrais nucleares se decide a fechá-las todas ( e sao mais de uma dezena) num horizonte de 25 anos ? Sao masoquistas ou tolos ?
Com as centrais incineradoras tende-se a relativizar a sua perigosidade. Os efeitos na saúde humana e no ambiente nao sao visíveis (como aconteceu em Tschernobil). A ingestao de água e alimentados contaminados por poluentes provenientes da queima de resíduos só sao notórios a longo-prazo. Nós, seres humanos temos uma dificuldade quase genética em lidar com o longo-prazo, e daí as asneiras !

Algumas das solucoes de bom-senso para a complexa solucao do problema dos resíduos sao praticadas noutros países onde foram investidos milhoes na recolha selectiva e nas infra-estruturas. Uma análise séria e global para o problema dos resíduos nao cabe neste e-mail. Contudo, descrevo apenas duas ou três medidas capazes de fazer a diferenca:

a – cerca de 30% dos resíduos sao orgânicos, restos da cozinha, passíveis de serem transformados em composto , daí ao fertilizante agrícola é um passo tecnologicamente simples.

b – a introducao de quotas para as embalagens (sejam garrafas de vidro, PET ou latas de alumínio) com retorno. Estude-se o modelo alemao e observem-se os resultados.
O papel e cartao (cerca de 20%) recicla-se se houver mercado para ele. Se todos os organismos oficiais utilizassem papel reciclado a situacao comercial deste produto alterava-se substancialmente. Os 10% de plásticos poderiam ser facilmente reciclados, com a tal política fiscal adequada. O mesmo se passa com o vidro, os texteís, os metais, Faltam os tais 5 a 20% (em peso) que precisam de tratamento. Há centrais de tratamento bio-fisíco-químico (já visitei uma, em Münster na Alemanha) capazes de “inertizar” o resíduo final e assim permitir a sua deposicao em aterro ou mesmo a sua insercao em estradas e pavimentos.

Joao Vaz

c – a tarefa primordial é compensar quem separa os resíduos em casa, e oviamente penalizar monetariamente quem nao o faz.

Com os meus cumprimentos,
Joao Vaz

Ao João Vaz
Resíduos indeferenciados: presumo serem resíduos tratados com deferência. Não resíduos indiferenciados.

Quanto à questão da comparação aterro/incineradora vá a http://semiramis.weblog.com.pt/

Se não sabe como funciona uma incineradora devia dedicar-se a escrever outro tipo de artigos. Uma das instalações mais dispendiosas é, justamente, o sistema de inertização das cinzas. A outra instalação é a da eliminação das dioxinas.

A questão da reciclagem depende menos do investimento em ecopontos, ecocentros, estações de transferência e estações de triagem do que na sensibilização das populações. Vivendo algum tempo na Alemanha, por exemplo, veria que há décadas de atraso no civismo da nossa população no que respeita à possibilidade da recolha selectiva. Ainda temos um largo caminho a percorrer.

Nós temos um país real, para o qual temos de ter soluções “agoraâ€? e reais. Imaginar uma sociedade utópica e ucrónica, ler e transcrever livros e revistas escritos por sujeitos sem qualquer aderência à realidade e debitar banalidades sem aplicabilidade prática não resolve questão nenhuma.

Na senda dos comentários a comentários …

1 – Quando se diz que a reciclagem é a operação mais lucrativa é na óptica das entidades responsáveis pelo tratamento dos RSU (sistemas multimunicipais, no caso das empresas do grupo EGF/AdP, e municipais ou intermunicipais), que recebem da SPV o pagamento pela entrega dos materiais recicláveis.

Logo, na óptica de quem efectivamente trata e dá um destino final aos resíduos, é melhor fomentar a recolha selectiva (com o sem o papel que me esqueci…). Podem-se fazer mais campanhas de sensibilização e aumentar a rede de ecopontos, mas não se pode obrigar nem prender ninguém (por enquanto) por não fazer separação na origem.

Dito de outra forma, o que para os Sistemas é uma receita, para a SPV é um custo. Onde a SPV vai buscar o dinheiro é outra questão. Confirmo o valor do custo para a SPV indicado pelo Sr. Henrique Agostinho.

2 – Uma análise económica não é meramente financeira. Ela entra em linha de conta com uma estimativa monetária dos impactos ambientais decorrentes de uma determinada solução de tratamento.

Imagine que temos dois métodos hipotéticos de tratamento A e B com um custo financeiro de 10 e 1000 euros por tonelada. Perante uma estimativa de impacto ambiental negativo de 200 e 100 euros, o custo económico total seria de 210 e 1100 euros, respectivamente.

Trocado por miúdos: numa óptica puramente ambiental é preferível ter B, mas numa óptica integrada não faz sentido gastar mais 900 euros para evitar um impacto diferencial de 100 (é mais ou menos como para não partir uma jarra que vale 100 comprar uma vitrina blindada que custa 900). É portanto uma análise completa e por isso legítima.

Menosprezar o “vil metalâ€? e seus lacaios “técnicos-gestoresâ€? fica bem em certos meios sociais mas há que lembrar que o dinheiro com que se tratam os resíduos é um bem escasso. Quando não há dinheiro não há tratamento, nem bom nem mau.

3 – Diz que “a incineração de resíduos é a produtora número um de dioxinasâ€? (penso que se está a referir aos RSU).

Segundo Pio et al, 2003, a emissão de dioxinas da incineração de RSU em Portugal é de 1,6 gl-TEQ/ano, que representa cerca de 1% do total de emissões. A combustão doméstica de madeira e carvão (vulgo lareiras) é responsável por cerca de 42%…

Outra questão é se está a comparar as nossas 2 incineradoras (que recebem 8% dos RSU – INR, 2000) com as 1900 do Japão (75%), 168 nos EUA (16%), 170 em França (42%), 94 em Itália (18%), 47 na Alemanha (35%), etc., etc., segundo a RSC, 1994.

Quanto às estórias da carochinha, o que é fascinante é que todos as contam. A Valorsul e a Lipor contam a da branca de neve. Outros contam a do lobo mau.

Há para todos os gostos. Alguns até começam por contar a da bruxa má e acabam a contar a da branca de neve melhor que os outros…

4 – Claro que as cinzas são indesejáveis.

Não que isto sirva de desculpa mas os restantes métodos também têm efeitos indesejáveis (efeito de estufa com as emissões de metano nos aterros, por exemplo).

E também têm efeitos positivos como a redução (um aterro concebido para se esgotar após receber o equivalente a 1 ano de incineração seria capaz de receber cerca de 33 anos de cinzas). Quando fala numa eficiência de 75% (250 Kg de produtos resultantes de incineração de 1 tonelada) está a incluir as escórias (que são 200Kg/t na Valorsul e 185 Kg/t na Lipor). Estas não são perigosas e passíveis de aproveitamento como matéria prima na indústria da construção civil.

Como sabe, as cinzas são inertizadas (o que reduz a sua perigosidade) e posteriormente depositadas num aterro ou célula especialmente criada para o efeito.

As “nossasâ€? incineradoras são “mass-burningâ€?, pelo que não foram concebidas para possuir qualquer tipo de triagem (para além dos metais).

5 – A comparação com as centrais nucleares é um bocadinho forte…

Apesar de tudo, e mesmo correndo o risco de não ser “politicamente correctoâ€?, repare que vão continuar a usufruir de energia barata durante mais 25 anos, após décadas e décadas de vantagens competitivas face a outras economias com sistemas energéticos tradicionais (e sem emissões…)

6 – É engraçado que o João Vaz não resistiu em confessar ser abertamente contra as incineradoras (quando nos sobe a mostarda ao nariz acabamos por dizer as verdades) e acho muito bem!

Por estranho que lhe possa parecer, no mundo ideal também eu preferia viver sem as incineradoras. Apenas tenho a tendência para ser mais pragmático que idealista. As incineradoras não são o diabo e por enquanto precisamos delas.

As soluções que apresentou são boas e correspondem à aposta do Estado na construção de centrais de compostagem e de digestão anaeróbia.

Pouco se tem feito na reutilização e o aumento da recolha selectiva ainda vai demorar mais alguns anos de lavagem cerebral às famílias e outros produtores de RSU.

As matérias primas, à semelhança de outros bens retirados da natureza têm um custo privado de obtenção inferior ao seu real valor para a comunidade, o que conduz a uma utilização sub-óptima. Para aproximar o comportamento dos agentes ao óptimo devem ser implementados instrumentos económicos, como as taxas e tarifas que operacionalizam o princípio do utilizador-pagador e poluídor-pagador.

Na prática não é fácil porque para penalizar alguém é preciso fazê-lo de forma justa, defensável e tecnicamente correcta. Mas isto já era assunto para outro artigo…

7 – Tenho pena de não ter lido os artigos anteriores publicados por si e pelo Sr. Henrique Agostinho, caso contrário haveria mais matéria prima para este interessante debate.

(O) B.Pinto

À Rainha dos Assírios “Semíramis”,
Nao há décadas de atraso no civismo da populacao portuguesa em relacao à recolha selectiva dos RSUs. O que há é uma forma de planear, organizar e considerar as pessoas completamente diferente. Na Alemanha há regras para a instalacao de ecopontos, uma delas obriga à sua existência a menos de 500 metros de cada porta na malha urbana. Os resíduos indiferenciados só sao recolhidos de 15 em 15 dias. Ou seja, obrigam-se as pessoas a terem o lixo em casa. Há crimes e ofensas, há gente que deposita os resíduos na beira das auto-estradas ou em caminhos florestais.

Para descanso do Semíranis sei como é que funciona uma incineradora, e também sei que os filtros de carvao activo nao eliminam a 100% as dioxinas, o mercúrio e os outros venenos. Há fugas, há dificuldades na manutencao das temperaturas óptimas, há muita termodinâmica por explicar.
As solucoes mais completas e próximas do ideal sao as que exigem mais flexibilidade e criatividade. Ora, uma central incineradora é o oposto de tudo isto, é a capitulacao perante problemas complexos e delicados.
Há muitos de nós que deixaram de acreditar nas alternativas e de limitam a gerir de forma fácil o dia-a-dia, perderam os ideais ganharam a paz e o sossego ! Eu acredito nas outras solucoes para o problema dos resíduos, elas existem e sao aplicadas noutros lugares do mundo. Porque nao em Portugal ?
Joao Vaz

1 – quanto é que vale a boa saúde de B.Pinto ? e se B.Pinto adoecer, perdeu valor ? quanto é que custa uma alergia ? quanto é que vale uma árvore ? o valor da sua sombra ? o valor da sua madeira transformada em papel ou em mobiliário? o valor do seu contributo para a biodiversidade ? Com estas perguntas provocatórias quero apenas chamar a atencao para o relativismo das solucoes e dos seus custos, e à dificuldade em valorizar a saúde o bem-estar e a diversidade natural.

B. Pinto sabe que o tratamento dos resíduos só pode ser financiado por quem os produz e consome, no panorama económico a médio-longo prazo nada se alterará. É aqui que a minha perspectiva se diferencia de B.Pinto: acredito que o Estado pode e deve fazer mais através de uma política fiscal ecologicamente equilibrada. Isto é , quem consome mais embalagens , porque as compra, deve ser penalizado. Todos pagam a factura, produtores e consumidores.
2 – A energia nuclear é cara. Nas causas e nos efeitos. Mas mais caro ainda é o desperdício.

Você conhece a realidade alemã, mas não conhece a portuguesa. Por exemplo, na cidade de Lisboa as distâncias médias entre ecopontos não devem ser superiores a 100 metros. No entanto a recolha selectiva continua a ser uma parcela ínfima do total dos RSU produzidos.

Como eu já havia escrito, mas parece que você estava desatento, mais do que os investimentos, o mais importante é a sensibilização e a educação cívica das pessoas. Você pode investir milhões em ecopontos, mas não pode “obrigar” as pessoas a porem lá o lixo.

Com o tempo e com campanhas de sensibilização, vai conseguir, mas vai demorar muito tempo antes que a população portuguesa atinja o nível de civismo da alemã.

E o que fazer entretanto?

Temos que ter soluções realistas para as situações existentes. Uma aposta a longo prazo na reciclagem mas introduzir soluções de efeito mais imediato no entretanto.

E acima de tudo evitar a cretinice de tentar inviabilizar as soluções de curto e médio prazo contrapondo soluções que são inexequíveis no curto e médio prazo.

Srs. Comentadores,

1 – Quando se fala no civismo dos portugueses é preciso saber quais os portugueses de que falamos. O país real não é a classe média que mora em Lisboa e gosta de discutir o ambiente, apesar de praticamente só conhecerem a Av. de Roma. Em geral, os portugueses reais têm uma falta de civismo que se estende obviamente aos que planeiam e organizam. No fundo temos o que merecemos.

2 – Voltando à incineração, tema que tem apimentado estes comentários, dizer-se que “há dificuldades na manutenção das temperaturas óptimasâ€? , por exemplo, não é uma mentira mas também não é uma verdade. Quando a variação no PCI dos resíduos provoca uma descida da temperatura, diversos sensores enviam essa informação para a central de comando onde um sistema informático ordena em tempo real o arranque de turbinas a gás natural para reposição da temperatura óptima. É que uma moderna central de incineração não é propriamente o forno lá de casa…

3 – Imagine que era Ministro do Ambiente. As soluções que preconiza para o país custam 500 milhões de euros. Apesar de todo o seu poder argumentativo, os seus pares só lhe dão 50 milhões.

Tem 3 opções:

1ª Demite-se
2ª Gasta os 50 milhões nas soluções bestiais e deixa 90% dos RSU de fora
3ª Gasta os 50 milhões em soluções mais modestas mas que abrangem toda a população e ainda tem o bónus de cumprir as directivas europeias.

Se escolheu a hipótese 2 lamento não poder votar em si da próxima vez.

Uma observação: não adianta dizer que as soluções mais flexíveis e criativas são mais baratas porque senão os maléficos “técnico-gestoresâ€?, que como todos sabemos venderam a alma ao diabo a troco de 3 vinténs, implementavam-nas logo no dia seguinte.

4 – Quanto valem os bens ambientais é justamente o que estuda a economia do ambiente e dos recursos naturais, havendo metodologias diferenciadas de acordo com o tipo de benefício que se pretenda estimar. Claro que é mais difícil do que avaliar um pacote de bolachas porque estas têm um mercado estabelecido com um determinado preço de equilíbrio entre oferta e procura.

Por estranho que possa parecer, o custo para a sociedade de alguém estar doente também se avalia. O motivo é mais ou menos evidente. Tal como não se podem somar carros com laranjas, não se pode fazer uma avaliação global de custos e benefícios se tudo não estiver convertido na mesma unidade, neste caso o dinheiro.

5 – Como referi no último comentário, o Estado tem de fazer mais pela implementação de uma política fiscal que permita a aproximação a comportamentos mais correctos.

O exemplo que referiu é mais ou menos o que a SPV faz. Cobra aos produtores de embalagens e adquire junto dos sistemas de tratamento os materiais recicláveis. O produtor da embalagem passa esse custo para o consumidor. Se o consumidor comprar 1 caixa de flocos paga 1 Euro; se comprar duas paga 2 Euros; etc.

O consumidor paga ainda (às vezes…) uma taxa ou tarifa ao município, que com esse dinheiro paga os custos de recolha e tratamento dos RSU.

Quando o dinheiro que se cobra aos munícipes é insuficiente estamos na presença de um preço político. Prova-se que tal como o tabaco faz mal à saúde, implementar preços reais faz mal à reeleição de presidentes de câmara. Mas isso era mais outro artigo …

Cumprimentos ambientais

(O) B.Pinto

Essa do forno lá de casa é um golpe baixo do B.Pinto, desnecessária. No forno lá de casa nao temos mercúrio nem metais pesados a circular, nem juntamos cloretos à madeira. O forno lá de casa é um outro assunto.
Depreendo que o Sr. B.Pinto é especialista em máteria de tecnologia de incineracao. Daí que gostava de saber duas ou três coisas , de forma interessada, o que acontece ao mercúrio (ponto de vaporizacao muito baixo) que entra no ciclo da central ? o que fazem às cinzas tóxicas (vitrificam-se ?) e onde as tencionam colocar ? e se as incineradoras têm filtros de carvao activo ou que outro tipo de dispositivos ? as toneladas de escórias resultantes da incineracao têm sido realmente empregues como “aditivos” na construcao civil ?

Outro ponto de interesse é o financeiro.
Uma central incineradora custa muito dinheiro, dezenas de milhoes de euros. Surgem as perguntas, por tonelada incinerada há receitas suficientes para pagar os custos ? os resíduos entregues à Valor Sul sao pagos ou sao “matéria-prima” a custo nulo ? quanto custa vitrificar e armazenar as cinzas tóxicas ?

O Sr. B.Pinto também nao percebeu o meu “manifesto eleitoral” na área dos resíduos. Dos RSU cerca de 30% sao orgânicos. Há recolha de orgânicos em Lisboa, ou no Porto, prédio a prédio, casa a casa ? Nao sei, mas penso que nao.

Há recolha diária ? Há, mas é um erro, as pessoas deviam ser obrigadas a ter mais tempo o lixo em casa. Só assim se apercebem do monte de coisas que deitam fora.
Outro mal, na minha opiniao, é nao haver recolha porta-a-porta.

Há prémios para quem recolhe selectivamente o papel e os plásticos ? Nao, mas devia haver. Ainda me lembro de amrrar pilhas de jornais com um cordel e as vender ao farrapeiro, ou seja, obter o prémio pelo esforco.

Há muitos pontos de recolha de texteis e de calcado na cidade de Lisboa ? Temo que sejam poucos, ou nenhuns.

Enquanto se proceder como antigamente (recolha diária) e nao se oferecerem benefícios reais a quem recolhe selectivamente, nao há mudancas significativas.

Melhores cumprimentos,
Joao Vaz

PS se realmente houver tantos ecopontos ( distância média de 100 m entre cada ecoponto !!! ) em Lisboa, há lugar para celebrar um “record” !
Aqui em Hannover onde resido, a recolha selectiva de Grüne-Punkt (ponto verde – quinzenal), orgânicos (quinzenal), e papel (semanal) é feita porta-a-porta, mesmo no centro da cidade ou em zonas densamente povoadas. O vidro e os texteis estao concentrados num ecoponto, a uns 500 metros da porta da minha casa. Há ainda, e para terminar um “grande ecoponto” onde se podem depositar resíduos perigosos – óleos, maquinaria, sucatas….etc.

1 – As cinzas são inertizadas e depositadas, no caso da Lipor num aterro próprio anexo à central, no caso da Valorsul numa célula própria do Aterro Sanitário de Mato da Cruz. O tratamento dos gases é carvão activado para remoção de dioxinas, furanos e metais pesados; filtros de mangas para as partículas; remoção selectiva não catalítica por injecção de solução aquosa de amónia (na câmara de combustão da caldeira) para os óxidos de azoto; processo semi-seco por injecção de leite de cal para os gases ácidos.

2 – Tirando a reciclagem, qualquer método de tratamento, quer seja valorização orgânica e/ou energética, é deficitário. O déficit é coberto através da cobrança de uma tarifa por tonelada de RSU aos municípios aderentes do sistema (que deveriam passar esse custo para os habitantes respectivos). Agora essa tarifa pode é ser maior ou menor consoante o método utilizado. Este mecanismo serve para assegurar o equilíbrio das contas da entidade responsável pelo tratamento dos RSU, única forma de assegurar uma exploração correcta dos sistemas.

3 – Existem custos associados à recolha dos RSU (combustíveis, amortização equipamentos móveis, pessoal, etc.) que são suportados directamente pelos municípios. O custo dos resíduos propriamente ditos é nulo, caso contrário seria uma pescadinha de rabo na boca: o município cobra pelos resíduos, agravando o déficit da empresa exploradora dos sistemas, que depois o cobra aos próprios municípios.

4 – Na generalidade não há recolha de orgânicos ou de materiais recicláveis porta-a-porta, excepto em zonas piloto usadas como cobaias. Seja como for, a aposta na compostagem / D.A. conduz à necessidade de o começar a fazer, para além de que existe uma proposta de directiva nesse sentido (os investimentos previstos em tratamento de RSU em Portugal até 2006 vão no sentido de novas unidades de valorização orgânica, mantendo a capacidade da valorização energética).

5 – Penso poder esclarecer o mistério dos ecopontos. Os valores propostos na generalidade dos planos estratégicos de RSU dos diferentes sistemas deverão andar à volta dos 1/1000 ecopontos por habitante. Isso significa que nas grandes cidades pode haver zonas muito densamente povoadas com ecopontos e distâncias muito reduzidas. Em contrapartida, zonas mais rurais podem não ter nenhum.

Saudações ambientais

B. Pinto

Sou estudante do IST e desde já admito a minha ignorância quase total, no que diz respeito a números, normas e leia à cerca do assunto, quando comparado com os senhores que aqui dispõe e esgrimam opiniões. Devo também dizer que não li o blog na sua totalidade nesta minha 1ª visita. Mas do que li apercebi-me da controvérsia sobre a incineração. Quereria apenas deixar aqui uns números que vi num site da especialidade (peço desculpa por não saber qual) e que anotei para um trabalho que realizava. As directivas europeias para a destinação final de RSU`s são as seguintes: (entre parêntesis o que se verifica em Portugal)
para a compostagem 25% (19%), para reciclagem/reutilização 25% (2,5%), para aterros sanitários 23% (56.5%), para incineração 22% (22%) e para redução na produção 5% (?).
Queria com isto expressar que o problema não é a inceneração pois nesse ponto estamos em concordância com o que vem lá de fora… oprincipal problema parece-me ser a sensibilização dos cidadãos para a deposição selectiva de residuos. Quantos de nós não tem que guardar o seu lixo, carregá-lo no seu carro e dirigir-se a um ecoponto a 2 Km de distância? Não seria boa ideia implementar leis que favorececem a triagem? No caso da construção civil podia-se obrigar a que todos os novos edificios tivessem canais diferenciados de lixo e não apenas um como agora acontece. Esta e outras medidas poderiam ajudar. Eu penso que toda a gente tá predisposta a ajudar o ambiente, falta dar condições para que essa tarefa não seja dificil e maçadora, porque dessas coisas já temos que sobre.

Sem mais,
Faria

Gostaria deixar a todos vós um estudo conduzido por mim e por mais 1 colega na universidade nova de Lisboa que foi apresentado à empresa VALORSUL em que encontrva uma solução eficaz para reciclagem das 300.000 ton/ano de escórias de inceneração de RSU.
A empresa VALORSUL até hoje não respondeu a este trabalho já premiado pelo Colóquio Pedro Nunes da escola Naval e considerado como um dos 5 melhores na área de Engenharia dos Materiais pela ordem dos engenhaeiros.
Não se coloca em causa se a inceniração é a solução, mas apresenta a solução para os seus resíduos.
Com os melhores cumprimentos

Peço desculpa se não funcionar o link. Mas este trabalho foi afixado num site sobre reciclagem brasileiro que parece não estar a funcionar. Mas podem-me solicitar este estudo por e-mail. cff@mail.pt

Com os melhores cumprimentos

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